Drama Total: Floresta dos Mistérios

Capítulo 8 — Você, robô

Chris McLean saiu da tenda dos estagiários com um sorriso de orelha a orelha, deixando McConnor resmungar à vontade atrás dele. Chris fingiu não ouvir.

CHRIS: No último episódio de Drama Total: Floresta dos Mistérios, as Arbustos Enigmáticos tiveram que se reorganizar após a perda de Gretchen, a garota mais forte do elenco! — Ele ergueu o indicador. — Já o Tommy fingia não ligar, mas, no fundo, só pensava naquele encontro cobiçado com Willow. Depois de tanto sofrimento, ela ficou com pena dele… até que o desafio invocado pela Lua Esmeralda interrompeu a ficção romântica e trouxe os mortos de volta, transformando Cervos vs. Caçadores num caos zumbi no cemitério. — Ele sorriu. — No fim, Molly garantiu a vitória para os Arbustos; Serena, confrontada por fantasmas do passado, decidiu limpar o nome da família e, no primeiro ato altruísta da vida dela, pediu aos Pinheiros Questionadores que votassem nela. Assim, a Von Nordwesten deu adeus. Foi isso! Hoje, vamos ver se McConnor finalmente vira um estagiário útil e não me humilha na frente da emissora. E também quem vai navegar na próxima fase desse jogo insano. Intrigados? Deveriam estar! — Ele fez uma expressão misteriosa — Restam sete campistas. Quem será eliminado hoje?

*Abertura*

Os Pinheiros Questionadores voltaram para a cabine após a eliminação de Serena. Seth ocupava o beliche superior, girando o botão dourado do terno entre os dedos, perdido em pensamentos. O silêncio era quase palpável, quebrado apenas pelos grilos lá fora.

*CONFESSIONÁRIO ON*

SETH: Cara, eu não esperava por isso. A Serena realmente cumpriu o que prometeu. É, vai ser diferente sem ela. Mas tudo bem, ela não estava me pagando mais, então não preciso mais dela. — Ele riu fraco, olhando para a câmera com um sorriso maroto. — Agora é minha vez. Sem distrações. Baba, eu vou trazer esse milhão para casa.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Na manhã seguinte, todos se reuniram na cantina. Molly, Minyoung e Tommy, os últimos dos Arbustos Enigmáticos, juntaram-se aos Pinheiros Questionadores. A tensão pairava no ar, mas nada abafava a empolgação de Tommy.

Ele avistou Willow do outro lado, disparou e quase derrubou uma cadeira no caminho. Jogou o braço sobre os ombros dela, sorriso largo. Willow ergueu a sobrancelha, imóvel.

Na mesa ao lado, Cyrus, sentado com Nacho, soltou um suspiro teatral, alto o suficiente para Tommy ouvir.

TOMMY: Qual é o problema, pivete? — Soou mais irritado que pretendia, quase um rosnado.

WILLOW: Tommy, calma. Relaxa.

TOMMY: Não! Esse cara claramente tem algo contra mim!

CYRUS: Eu? — Levantou-se casual, como num palco. — Não tenho problema nenhum. Só acho engraçado. É cedo pra esse carinho todo, mas faça o que quiser. Afinal, quem sou eu pra julgar o desespero alheio?

TOMMY: Isso mesmo! Faço o que quiser com MINHA NAMORADA! — Berrou, estufando o peito como um galo.

Willow arregalou os olhos, surpresa com a declaração. Cyrus suspirou, pegou uma maçã e voltou a se sentar.

TOMMY: Isso! Vá se esconder, covarde!

Willow estalou a língua e estapeou levemente a cabeça de Tommy, arrancando gargalhadas de Molly, que quase derrubou o suco.

WILLOW: Chega, Tommy. Para de agir feito criança.

*CONFESSIONÁRIO ON*

TOMMY: Cyrus quer bancar o engraçadinho? Beleza. Mas não deixo ele chegar perto da Willow. Ninguém chega perto dela! — Ele sorriu para a câmera, posando como se tivesse ensaiado no espelho — Sou o protetor oficial da Willow. Quem ousar tentar algo, vai ter que lidar comigo!

— — —

WILLOW: O que foi isso? — Passou a mão nas têmporas, irritada. — Tommy precisa se acalmar. Pra que esse ciúme bobo? E esse papo de “namorada”? Eu nunca concordei com isso! — Ela bufou, cruzando os braços. — Já vejo onde isso vai parar: vai acabar mal.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Willow agarrou Tommy pelo braço e o arrastou para um canto afastado do refeitório, os olhos faiscando de irritação, o maxilar tão tensionado que quase estalava.

TOMMY: Ei, pra quê tanta agressividade, meu ombro—

WILLOW: Cala a boca, Tommy! — Sussurrou gritando, o tom contraditório mas assustadoramente eficaz. — Quem te deu o direito de sair por aí dizendo que eu sou sua namorada?

TOMMY: Mas… você disse que gostou do encontro ontem! — Ele coçou a nuca, claramente desconcertado.

WILLOW: Uma coisa é gostar de um encontro, outra é namorar! Não confunda as coisas, Tommy!

Tommy abriu a boca para protestar, mas a porta do refeitório se escancarou com estrondo. Chris McLean entrou, sorriso de sempre, ostentando um controle remoto como troféu.

WILLOW: Vamos continuar essa conversa mais tarde. — Ela se afastou, puxando as mangas da blusa xadrez.

CHRIS: Bom dia, sobreviventes! Dormiram bem? — Ele riu sozinho. — Claro que não importa. Hoje tenho notícias incríveis!

Os campistas se voltaram para ele. Molly, empolgada, praticamente pulou na cadeira.

MOLLY: É sobre o próximo desafio? Vai envolver aliens? Ou goblins?

CHRIS: Adoro sua energia, Molly. Mas não. Hoje é sobre… — Ele fez uma pausa dramática. — A FUSÃO!

O refeitório explodiu em murmúrios e exclamações nervosas. Cyrus, encostado num canto, ergueu apenas uma sobrancelha. Nacho desviou o olhar, desconfortável.

*CONFESSIONÁRIO ON*

NACHO: Fusão, hein? Agora é cada um por si... Não sei se isso é bom ou ruim. Quer dizer, o pessoal é legal e tudo, mas sinto que ninguém aqui realmente me conhece. Acho que vou continuar voando baixo. Quem sabe assim eu sobrevivo. — Ele coçou o braço, parecendo mais letárgico que o normal.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

CHRIS: Isso mesmo, pessoal! Nada de equipes! É cada um por si agora. Ah, e… — Ele puxou o controle remoto do bolso e apertou um botão.

Uma explosão sacudiu o chão, fazendo todos se levantarem assustados. Pela janela, uma nuvem de fumaça subia ao longe.

MINYOUNG: O que foi ISSO?!

CHRIS: Acabei de explodir a cabine dos Arbustos Enigmáticos, claro. Relaxem! Agora vocês podem se espremer na mesma cabine dos Pinheiros Questionadores. União forçada! Vocês não precisam de duas cabines de qualquer jeito. Espero que não tenham deixado nada importante lá.

Os campistas trocaram olhares incrédulos.

*CONFESSIONÁRIO ON*

WILLOW: Bem, que ótimo. Não demorou cinco minutos depois do Tommy me chamar de namorada dele sem eu saber e agora voltamos a dividir uma cabine. Não vai ser nem um pouco desconfortável. — Ela deu um joinha cínico.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Chris ignorou as queixas, tirou do bolso uma pequena estatueta dourada de si mesmo e levantou-a no ar.

CHRIS: E, claro, temos uma nova Estatueta McLean de Invencibilidade! Como sempre, está escondida em algum lugar da floresta. Quem encontrá-la pode usá-la até o Top 5. Vocês sabem as regras, ela pode te salvar de um grande aperto. — Ele piscou para Tommy.

Dando de ombros, Chris caminhou até a porta, parou, olhou por cima do ombro e completou:

CHRIS: Aproveitem o dia, pessoal! Amanhã… ou depois de amanhã… teremos o primeiro desafio individual. Ou não. Quem sabe? Imprevisibilidade é o meu charme.

E saiu. Os campistas, agora reunidos como uma única equipe, trocaram olhares e começaram a cochichar, animados pelo novo caos que os aguardava.

Willow se afastou de Tommy com um suspiro contido e caminhou até Seth e Minyoung, que cochichavam algo perto da janela. Tommy, com o braço ainda engessado, ficou sozinho num canto, massageando o ombro com expressão de desalento e evitando olhar para qualquer um.

Molly, sempre cheia de energia, desviou o olhar para Nacho, que aparentava ainda mais abatido do que de manhã. Ele fitava o prato intocado em frente, afundado numa cara de quem não via sentido em nada.

MOLLY: Ei, Nacho, tá tudo bem? — A voz dela era suave, mas carregava sua curiosidade genuína.

Nacho hesitou, passou a língua no lábio inferior e balançou a cabeça com lentidão.

NACHO: Só… um dia ruim. — Ele deu de ombros, mas a postura curvada não escondia o desânimo.

Molly franziu o cenho, inclinou-se um pouco para frente, preocupada.

MOLLY: Dia ruim? Mas a fusão é novidade! Isso não te anima? — Ela tentou brincar, esperando arrancar uma reação.

Ele sorriu fracamente, um gesto forçado que durou apenas um instante, e voltou ao silêncio. Depois de alguns segundos, murmurou quase inaudível:

NACHO: É só… uma época do ano complicada.

Antes que Molly pudesse perguntar mais, ele se levantou, pegou seu prato e saiu do refeitório sem olhar para trás. Molly permaneceu parada, intrigada, enquanto ele desaparecia pela porta.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MOLLY: "Uma época do ano complicada"? O mês de julho? O que isso quer dizer? — Ela fez uma careta confusa, mas logo sorriu. — Ah, não importa! Eu vou descobrir e fazer ele sorrir. Afinal, agora somos um só time, e como boa colega, é meu dever animá-lo.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Os campistas caminharam em silêncio de volta para a cabine, ainda processando a destruição recente. A floresta ao redor parecia mais sombria, com galhos farfalhando ao vento e sombras projetando formas quase humanas. Molly, porém, não parecia intimidada. Parou de repente, virando-se na direção oposta e abordou Minyoung.

MOLLY: Pessoal, vocês vão na frente. Eu tenho um plano. — Ela fez uma pose teatral, rosto iluminado por um sorriso enigmático, enquanto apontava para o caminho tortuoso que se aprofundava na mata.

MINYOUNG: Plano? Que tipo de plano?

MOLLY: Shhh! Segredo! Operação surpresa para mais tarde. Agora vão! — E sumiu entre as árvores, com passos rápidos.

Minyoung hesitou apenas por um instante, depois deu de ombros e retomou o caminho com o restante do grupo. Ao entrar na cabine, ela encontrou Tommy sentado no canto, ainda limpando a tipoia e olhando pela janela com expressão distante.

MINYOUNG: Então, Tommy, você não está bravo por terem explodido nossa cabine? Quero dizer, perdemos tudo ali.

Tommy, apenas deu de ombro. O ombro que não doía.

TOMMY: Nah. Eu tenho… outras coisas pra me preocupar agora. — Ele lançou um olhar breve para Willow, que conversava animadamente com Seth no outro canto.

MINYOUNG: Entendi. — Ela respondeu, mas claramente não entendeu.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MINYOUNG: Por que todo mundo aqui precisa ser tão misterioso? Não dá pra dizer "tô bravo porque perdi minha cama" ou "tô chateado porque meu namoro tá capenga"? Não, tem que ser um enigma ambulante. Talvez seja um traço canadense que eu não entenda. — Ela ajeitou os óculos.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Mais tarde, Molly agarrou o braço de Minyoung com um entusiasmo que beirava o descontrole, os olhos brilhando como se tivesse acabado de ter a melhor ideia do mundo.

MINYOUNG: O que é isso, Molly?

MOLLY: Tcharan! — Ela ergueu uma pulseira colorida, repleta de miçangas brilhantes e formatos variados. — Fiz pro Nacho! Ele tá super pra baixo. Resgatei minha caixa de bijuterias das cinzas, literalmente! Me senti uma espiã em missão secreta.

MINYOUNG: Molly… ele quer espaço. Não acessórios.

MOLLY: Amiga, agora somos todos parte de um único time! E isso significa que temos a obrigação moral de animar uns aos outros.

E antes que Minyoung conseguisse esboçar uma resposta, Molly já a arrastava para fora da cabine com a mesma empolgação de quem estava indo salvar o mundo.

Do lado de fora, Nacho estava sentado em um tronco ao lado da clareira, os cotovelos apoiados nos joelhos, segurando o boné com as duas mãos. Ele olhava para o céu, o rosto tranquilo, mas pesado, como se refletisse profundamente.

MOLLY: Oi, Nacho!

Ele se virou devagar, forçando um sorriso que claramente não alcançava os olhos.

NACHO: Oi, Molly.

MOLLY: Fiz isso pra você! — Ela estendeu a pulseira como se estivesse oferecendo um artefato mágico.

Nacho pegou o presente com cuidado, observando o trabalho por alguns segundos antes de colocá-lo no pulso, sem dizer muito.

NACHO: Obrigado… é legal.

Mas era óbvio que aquilo não tinha surtido o efeito transformador que Molly esperava. Ele logo desviou o olhar e voltou a encarar o céu, absorto num pensamento difícil demais para compartilhar. Molly franziu levemente o cenho, decepcionada por um instante, mas não se deixou abater por muito tempo.

MOLLY: Ok, então talvez não tenha sido um sucesso imediato… Mas tudo bem! Eu vou descobrir o que te deixa assim e te fazer sorrir, Nacho. Me aguarde.

Nacho apenas deu um aceno quase imperceptível antes de se levantar e sair andando devagar, sem dizer nada.

Minyoung, que havia assistido tudo de perto, olhou para Molly com um misto de exaustão e compaixão, balançando a cabeça devagar.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MINYOUNG: Eu sei que a Molly tem um coração enorme e boas intenções, mas… ai. Nem toda energia positiva do mundo resolve certas tristezas. — Ela suspirou, os olhos cansados. — Apesar disso, não posso negar. É bonitinho que ela esteja tentando tanto.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Molly cruzou os braços e encarou o horizonte com determinação, como se já estivesse arquitetando o próximo passo da sua missão. Enquanto isso, Minyoung retornou sozinha para a cabine, sem saber exatamente o que pensar.

***

Na manhã seguinte, Cyrus saiu da cabine com energia renovada. Espreguiçou-se devagar, estalando os ombros e ajeitando a camiseta amassada enquanto observava a floresta coberta por uma névoa densa e silenciosa. Logo atrás dele, Molly surgiu quase saltitando, puxando uma Minyoung sonolenta, que claramente preferia estar de volta na cama.

*CONFESSIONÁRIO ON*

CYRUS: Ontem à noite, a Molly comentou que queria “conhecer melhor todo mundo que ela não conheceu direito antes da fusão.” Beleza. Eu mencionei que ia sair cedo pra procurar a Estatueta McLean hoje de manhã, e ela basicamente se convidou. E trouxe a Minyoung junto... coitada. — Ele deu de ombros. — Melhor do que andar sozinho. Tipo, eu podia ir com a Willow, mas o Tommy ia surtar. O Nacho anda meio no mundo dele. E o Seth? Tá apagado até agora. As opções estavam meio limitadas.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Eles mal tinham começado a seguir pela trilha quando Molly soltou um grito agudo e empolgado.

MOLLY: Achei!

CYRUS: Sério? Já?

MOLLY: Sim! — Ela se abaixou e pegou algo do chão. — Uma carteira!

Cyrus revirou os olhos e enfiou as mãos nos bolsos da calça.

CYRUS: Ah, claro. Porque estatuetas douradas e carteiras perdidas são praticamente a mesma coisa.

MOLLY: De quem será? É sua?

CYRUS: Não. Eu não trouxe carteira. Dinheiro não vale nada aqui.

MOLLY: Hmm... Talvez fosse da Serena?

CYRUS: Duvido. A carteira dela seria rosa-choque, coberta de glitter e com espaço pra guardar um espelho de bolso.

Molly abriu o objeto com curiosidade e puxou um cartão de identidade já bem desgastado.

MOLLY: Aqui diz… “Ignacio Arnaldo Diaz Alvarez”... Não tem ninguém com esse nome aqui.

Cyrus soltou um risinho pelo nariz.

CYRUS: Você é engraçada.

Molly riu junto, mesmo sem entender bem o motivo.

CYRUS: Vamos entregar isso pro Nacho. Talvez ajude a levantar o astral dele um pouco.

Minyoung, que vinha em silêncio desde o início da caminhada, se aproximou para dar uma olhada no documento.

MINYOUNG: Espera... aqui diz a data de nascimento. Três de julho. Isso é... amanhã.

Os olhos de Molly se arregalaram como faróis.

MOLLY: ENTÃO É POR ISSO QUE ELE TÁ ASSIM! Ele perdeu a carteira e acha que ninguém vai lembrar do aniversário dele!

CYRUS: Bom... a gente de fato não sabia que era o aniversário dele.

MOLLY: Isso não importa mais! Novo plano: vou fazer do aniversário do Nacho o MELHOR DIA DA VIDA DELE!

Antes que Cyrus tivesse a chance de argumentar qualquer coisa, Molly já estava disparando floresta adentro, gritando ideias aleatórias como "festa surpresa!", "biscoitos temáticos!", "bandana personalizada!". Cyrus ficou parado, observando a poeira no rastro dela, enquanto Minyoung apenas o encarava, parecendo tão confusa quanto cansada.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MOLLY: O Nacho vai AMAR isso! Uma festa surpresa é o jeito perfeito de animar alguém! Já consigo imaginar ele super agradecido e dizendo “Molly, você é incrível, vamos para a final juntos!” Vai ser ÉPICO!

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Na manhã seguinte, seis campistas já estavam reunidos na cantina quando Molly entrou com a energia de um furacão e um sorriso triunfante no rosto, carregando o que só podia ser descrito como um “bolo improvisado”. Era uma pilha instável de muffins empilhados em formatos aleatórios, coberta com glacê rosa fluorescente. No topo, uma vela meio derretida tremia com o vento da porta, tentando a todo custo permanecer acesa.

MOLLY: "Parabéns pra você, nessa data querida...!" — Começou a cantar, animadíssima, como se estivesse num musical.

Os campistas congelaram no lugar, paralisados entre a surpresa e o medo. Seth foi o primeiro a quebrar o silêncio.

SETH: Que diabos é isso?

MOLLY: O aniversário do Nacho, oras!

Nacho arregalou os olhos, claramente desconfortável, e deu um passo instintivo para trás.

NACHO: Não... não precisava...

Mas antes que pudesse sequer considerar escapar pela porta dos fundos, Molly já estava diante dele, segurando o bolo com ambas as mãos, como se fosse um troféu.

MOLLY: Fiz com meu próprio sangue, suor e lágrimas. E talvez uns fluidos corporais extras. Brincadeirinha... ou será que não? — Ela piscou para ele.

Todos recuaram ao mesmo tempo, instintivamente.

MOLLY: Ah! E coloquei umas flores rosas que encontrei num arbusto bem duvidoso ali fora. Talvez sejam tóxicas. Ou alucinógenas. Dei uma mordidinha e tô vendo um hipopótamo de tutu dançando balé. Então... o que achou?

Nacho hesitou. Seus olhos estavam marejados, mas não exatamente de alegria. Ele recuou mais um passo, evitando olhar diretamente para o “bolo”.

MOLLY: Então...? Você gostou? — Ela perguntou com o olhar brilhando de expectativa, como se aguardasse aplausos.

Nacho olhou para o bolo, depois para Molly, e então para os outros campistas, que claramente não sabiam onde enfiar a cara. O silêncio constrangedor se esticava.

NACHO: Hm, Molly, eu… desculpa. Eu só… preciso de um tempo, tá?

Sem esperar resposta, ele girou nos calcanhares e correu para fora da cantina, enxugando discretamente uma lágrima que escorria pelo rosto. Molly ficou parada, ainda segurando o bolo desajeitado, piscando devagar, confusa.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MOLLY: Tá, então, eu não sei exatamente o que deu errado. — Ela ainda segurava o bolo, agora meio torto. — Quero dizer, quem é que não gosta de uma festa surpresa e um bolo caseiro? Eu só queria ver o Nacho feliz! Agora ele tá chorando e eu tô vendo zebras de patins. Será que exagerei nas flores? Não… flores são sempre uma boa ideia, né? Né?

— — —

NACHO: A Molly realmente tenta... Mas às vezes acho que ela não entende. — Ele suspirou, encarando o chão. — Eu não preciso de bolo, ou de pulseiras brilhantes. Eu só queria que, por um único dia, as coisas fossem simples. Isso é pedir demais? — Ele limpou outra lágrima rapidamente.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

***

A câmera cortou para Chris McLean, sentado casualmente em sua sala de monitoramento, cercado por telas que mostravam os campistas em tempo real. Ele sorria com empolgação.

CHRIS: Oooh, DRAMA! É isso que eu gosto de ver! O que será que deixou o Nacho tão abalado? E mais importante... por que a Molly tá vendo zebras com patins? Bom, fiquem ligados, porque tem mistério vindo aí. E adivinhem só? Finalmente, o projeto do McConnor tá pronto! Vamos ver essa belezinha em ação... logo depois dos comerciais! Não desgrudem da tela — a gente volta já com mais Drama Total: Floresta dos Mistérios!

*Intervalo*

Mais tarde, os campistas foram convocados a se reunir em um campo aberto, cercado por árvores que pareciam observar tudo em silêncio. No horizonte, uma estrutura metálica bizarra e ameaçadora se destacava contra o céu nublado. Seu formato distorcido e a luz vermelha pulsante no topo emanavam uma energia e nada amigável.

Nacho andava devagar, os ombros curvados e pesados. A poucos passos, Tommy caminhava ao lado de Willow, fazendo sua enésima tentativa de iniciar uma conversa.

TOMMY: Qual é, bebê? Vai continuar me ignorando? Faz dois dias que a gente não troca nem um "oi"!

Willow se virou com firmeza, o olhar afiado.

WILLOW: Se você continuar agindo como uma criança, então sim. E para de me chamar de bebê!

Ela cruzou os braços com força e caminhou em direção a Nacho, cortando Tommy da conversa. Tommy ficou parado, piscando várias vezes, com a boca semiaberta enquanto tentava reunir alguma resposta minimamente digna.

Nacho, por sua vez, continuava distraído, encarando o céu como se as nuvens fossem mais importantes que tudo ao seu redor.

*CONFESSIONÁRIO ON*

TOMMY: A Willow agora tá nessa fase de dizer que eu ajo como uma criança. Mas isso não é verdade! Eu sou maduro, sério... tipo, cem por cento. Vou provar pra ela que mereço ser o namorado dela. Eu não sou uma criança. Eu sou um homem! — Ele fez um muque exagerado e soltou uma risada confiante. — O Cyrus que é uma criança! — Ele berrou enquanto a voz quebrava.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

O som de palmas irônicas interrompeu o clima tenso. Chris McLean entrou em cena com seu sorriso sádico habitual.

CHRIS: Uuui, que tensão no ar! Adoro! Amo ver corações partidos ao vivo. Mas chega de novela adolescente. Vamos ao que realmente interessa: o primeiro desafio individual da temporada! E, pra começar com estilo, temos algo… especial. McConnor, traga a estrela do show!

McConnor surgiu carregando um controle remoto enorme. Parecia mais perturbado do que o normal: olhos fundos, jaleco coberto de graxa, cabelo bagunçado como se tivesse passado uma semana em um laboratório subterrâneo.

CHRIS: Hoje, esqueçam as criaturas da floresta. Nosso gênio residente decidiu inovar com algo mais… tecnológico. — Ele lançou um olhar debochado para McConnor. — Vai, impressiona a galera.

McConnor puxou com dramaticidade o pano que cobria a estrutura metálica, revelando um robô colosso com mais de dez metros de altura. Tinha o formato de um palhaço de circo, mas com um visual sombrio e perturbador. O Bozo 2.0 era um pesadelo em forma de engenhoca: olhos vermelhos que giravam em espiral, braços mecânicos exageradamente longos e um sorriso permanente que beirava a ameaça.

CHRIS: Senhoras e senhores, apresento o Bozo 2.0! Ele será juiz, júri e executor do desafio de hoje: Batatinha Frita 1, 2, 3!

Os campistas trocaram olhares desconfiados. Um silêncio constrangedor pairou no ar até Seth erguer uma sobrancelha, claramente sem paciência.

SETH: Tá de sacanagem, né? Isso é brincadeira de criança.

CHRIS: Criança ou não, o Bozo não tolera movimento. — Ele piscou de forma teatral. — A regra é simples: vocês correm quando ele cantar, e param quando ele se virar. Quem for pego se mexendo...

Chris fez um gesto amplo e dramático, enquanto McConnor apertava um botão com entusiasmo preocupante. Um jato de tinta rosa florescente saiu disparado do braço do robô e atingiu uma árvore próxima com força suficiente para arrancar um pedaço do tronco.

CHRIS: Tinta de alta pressão. Eu chamo de arte contemporânea destrutiva! Vocês têm cinco minutos. Quem cruzar a linha de chegada estará automaticamente imune. Preparados?

Os campistas assentiram lentamente, visivelmente tensos. Ninguém queria virar obra de arte moderna.

*CONFESSIONÁRIO ON*

SETH: Um palhaço robô gigante que atira tinta rosa de destruição em massa? Sério mesmo? Quem tá bancando essa loucura? Isso sim é desperdício de verba. O Chris definitivamente precisa de terapia… Mas se encarar esse monstro significa imunidade, então bora lá. — Ele deu de ombros com um suspiro resignado.

— — —

CYRUS: Uau… isso me parece tão... familiar. Tipo aqueles jogos das lulas coreanas sinistros que passavam na TV. Só que agora é real. E ninguém vai morrer... eu acho.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

O cronômetro surgiu na tela, seus dígitos vermelhos pulsando enquanto o Bozo 2.0 virava de costas num estalo metálico assustador. Num instante, os campistas dispararam pelo campo.

TOMMY: É a minha hora de brilhar! Reflexos de videogame, não me decepcionem!

Ele correu desajeitado, balançando os braços como se fossem hélices de helicóptero.

Nacho, por outro lado, avançava em câmera lenta, mãos nos bolsos, olhar perdido no horizonte. Molly notou o ritmo arrastado dele, hesitou por um segundo, mas seguiu em frente, determinada.

Quando o robô terminou sua cantoria mecânica, virou-se abruptamente. Todo mundo congelou como estátua: Tommy parou no meio de um passo, Minyoung prendeu a respiração até a garganta doer. O Bozo escaneou cada um com seus olhos vermelhos giratórios, depois se virou novamente, indiferente.

CHRIS: Uau, todos sobreviveram à primeira rodada! Impressionante. Vamos de novo!

A segunda rodada começou. Nacho, ainda carregando os ombros pesados, pisou em falso numa raiz escondida e ouviu um “pssh” de tinta rosa o acertando em cheio.

NACHO: Ah… bem merecido. — Num tom auto-depreciativo.

CHRIS: E Nacho está fora! Bancada dos perdedores, ali!

Ele apontou para o banco abandonado no perímetro do campo.

Com a eliminação de Nacho, Molly ficou olhando, alternando o olhar entre ele e a linha de chegada. Respirou fundo, abandonou o desafio e correu em seu socorro.

CHRIS: Molly também está fora! Trabalho em equipe ou apenas burrice? Ei, Molly, da próxima vez, me dê o prazer de te ver ser atingida pela tinta!

O Bozo apitou, impaciente.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MOLLY: Às vezes ajudar um amigo vale mais do que ganhar. Ou talvez eu só não quisesse ser pintada de rosa. — Ela sorriu, meio sem jeito.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Enquanto os demais corriam pela arena, Molly encontrou Nacho sentado na grama, ombros caídos.

MOLLY: Ok, senhor “modo depressivo ativado”, o que tá pegando de verdade? E não me venha com “tá tudo bem”.

NACHO: Não é nada, Molly. Só não curto aniversários.

Ela franziu a testa, cruzando os braços.

MOLLY: Como assim não gosta de aniversários? É bolo, velas, presentes, gente gritando parabéns... isso é tipo um crime contra a diversão.

Nacho soltou uma risada breve, sem humor.

NACHO: É complicado.

MOLLY: Tenho tempo. — Disse, sentando-se ao lado dele, a voz agora menos animada, mais suave.

A câmera focou brevemente no Bozo girando em segundo plano, enquanto sua cantoria sinistra preenchia o ar. As vozes dos outros campistas e os gritos de Chris ecoavam abafados, dando lugar à conversa dos dois.

Nacho tirou do bolso uma foto dobrada, com as bordas desgastadas.

NACHO: Tá vendo isso? Esse foi meu aniversário de 12 anos. Meu pai, meu tio, minha abuelita e eu.

Molly pegou a foto com cuidado. Era uma imagem simples, mas cheia de calor: Nacho mais novo sorrindo, rodeado de familiares felizes. A alegria congelada na imagem contrastava com o rosto dele agora.

NACHO: Meu pai e meu tio vieram do México pro Canadá antes de eu nascer. Depois que minha mãe morreu, minha abuelita virou nossa base, sabe? Só que... nossos vizinhos sempre davam um jeito de implicar.

MOLLY: Por quê? — Perguntou, mesmo sabendo a resposta.

NACHO: Porque éramos diferentes. “Imigrantes barulhentos”, eles diziam. Mesmo meu pai e meu tio sendo os melhores mecânicos da cidade. No dia da foto... chamaram a polícia reclamando da música da festa. Meu pai tentou resolver... e levou um tiro. Na minha frente.

Molly arregalou os olhos. Ela tentou dizer algo, mas não encontrou palavras.

NACHO: Meu tio foi deportado no mês seguinte. Desde então, sou só eu e minha abuelita. Aniversários... só me lembram disso.

Molly ficou em silêncio por um instante, absorvendo tudo. Finalmente, respirou fundo.

MOLLY: Eu... sinto muito mesmo.

NACHO: Tá tudo bem. Só... não tenta me forçar a comemorar, tá?

Ela sorriu, discreta, e deu um leve empurrão no ombro dele.

MOLLY: Fechado. Mas você ainda vai ter um bom momento hoje. Prometo.

Antes que ele pudesse responder, um jato de tinta atingiu o campo com um splat alto.

CHRIS: E Seth está fora do desafio! Tinta no rosto nunca sai fácil, hein?

Seth, coberto de tinta rosa até os cílios, resmungou alguma coisa incompreensível.

*CONFESSIONÁRIO ON*

NACHO: É... eu tô mais pra baixo do que costumo estar. Mas, sinceramente? Às vezes, só uma pessoa ouvindo já muda tudo. E a Molly... ela escuta de verdade. — Ele ajeita o boné. — Acho que isso já foi o suficiente por hoje.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

O campo do desafio estava carregado de tensão. O Bozo 2.0 permanecia imóvel, como uma estátua sinistra com olhos vermelhos que piscavam de forma errática. De tempos em tempos, soltava estalos mecânicos que lembravam ossos sendo quebrados.

Cyrus, Tommy, Willow e Minyoung estavam a apenas alguns metros da linha de chegada, mas a atmosfera estava mais macabra que nunca.

De repente, o robô virou a cabeça num estalo abrupto e começou a cantar sua versão distorcida de “Batatinha Frita 1, 2, 3”. A melodia era desafinada e metálica, como se um rádio velho estivesse morrendo.

CYRUS: Esse som é muito irritante!

No instante seguinte, os campistas dispararam. Tommy corria com os braços esticados para trás, feito um ninja exagerado de desenho animado. Willow seguia firme, mas com o olhar arrependido. Minyoung avançava em pequenos passos metódicos, o corpo quase colado ao chão. Cyrus, por sua vez, parecia um soldado evitando minas, cada passada era milimetricamente calculada.

O robô parou abruptamente e escaneou o campo. Os quatro congelaram. Tommy ficou equilibrado sobre uma única perna, como um flamingo em pânico. Minyoung se mantinha agachada, respirando devagar. O Bozo observou com olhos vermelhos pulsando, até girar de volta com um ruído estridente e recomeçar a cantoria.

Todos voltaram a correr. Willow tropeçou numa raiz solta, mas conseguiu se estabilizar antes de cair.

ROBÔ: “Eliminando…”

Sem aviso, uma bala de tinta rosa voou direto na direção dela. Tommy, em um impulso teatral, pulou na frente como um protagonista de novela.

TOMMY: Willow... ninguém machuca... minha Willow...

A tinta o atingiu em cheio, cobrindo seu corpo com a cor berrante. Mas antes que ele pudesse celebrar o gesto heroico, uma segunda rajada acertou Willow no ombro, deixando uma mancha grotesca em sua camisa.

WILLOW: Uau, grande sacrifício. Agora estamos os dois fora. Parabéns, gênio. — O tom era seco e ácido.

*CONFESSIONÁRIO ON*

WILLOW: Ugh, o Tommy me tirou completamente do sério. Não sei em que momento achei que valia a pena dar uma chance pra ele. Sinceramente? Já deu. Isso aqui é uma competição por um milhão de dólares, não uma fanfic de romance mal escrita. — Ela respirou fundo, cruzando os braços. — Eu tomei minha decisão. Ele vai surtar? Provavelmente. Mas é o que tem pra hoje.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Com Tommy e Willow eliminados, restavam apenas Minyoung e Cyrus em jogo. Os dois avançavam com extrema cautela, cada passo carregando mais tensão que o anterior. Mas então, um som estranho saiu do robô.

ROBÔ: “Analisando... Analiiiii…”

A cabeça começou a girar em um movimento descontrolado, como um ventilador prestes a se soltar do teto. Sem aviso, jatos de tinta rosa começaram a disparar em todas as direções. Árvores, arbustos, câmeras, até um estagiário com o crachá torto foram atingidos.

CYRUS: É TODO MUNDO POR SI! — Ele gritou, mergulhando atrás de uma pedra com agilidade surpreendente.

Minyoung se jogou no chão sem pensar duas vezes. Já Tommy, ainda coberto de tinta, tentou empurrar Willow para trás de uma árvore, como se ainda houvesse algo a proteger.

WILLOW: Dá um tempo! Você já foi o herói patético do dia.

TOMMY: Patético? Isso foi um gesto nobre! — Ele parecia genuinamente ofendido, encarando-a com indignação.

WILLOW: Pois seu “gesto nobre” tá mais pra cena constrangedora de reality show.

*CONFESSIONÁRIO ON*

CYRUS: Olha, eu já esperava maluquice, mas essa foi nova. O robô surtando, atirando tinta pra todo lado? Isso nem nos episódios especiais de “O Jogo da Lula” que eu vi! — Ele coçou o queixo, pensativo. — Acho que vou anotar isso no meu diário: “Robôs palhaços não são confiáveis.”

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Enquanto McConnor observava o caos se desenrolando de longe, sua expressão alternava entre um orgulho técnico nervoso e o início de um pânico absoluto.

MCCONNOR: É, o disparo está... bem calibrado. — Ele hesitou. — Quer dizer, talvez só um pouquinho desregulado. Coisa mínima.

Mas antes que pudesse tentar consertar mentalmente os erros, o Bozo 2.0 deu seu primeiro passo em falso. Com um rangido alto, a perna metálica esmagou uma árvore pequena, reduzindo-a a lascas. A cabeça girou com um estalo e sua voz metálica gaguejou, ainda mais distorcida do que antes.

ROBÔ: “ELIMINAR… ELIMINAR… ELIMINAR…”

McConnor engoliu em seco, empalidecendo.

MCCONNOR: Ok… isso definitivamente não estava nos cálculos. — A voz saiu baixa, como se falasse para si mesmo.

CHRIS: MCCONNOR! QUE PORCARIA VOCÊ INVENTOU?! — O grito ecoou pelo campo, carregado de fúria e desespero.

Antes que McConnor pudesse oferecer qualquer justificativa técnica, o robô saiu andando floresta adentro. Cada passo esmagava arbustos, sacudia galhos e deixava marcas profundas no chão. O Bozo 2,0 avançava como um tanque possuído. Uma fada surgiu de dentro da vegetação, voando em círculos frenéticos.

FADA: Mas o que é ISSO?!

Logo atrás, um unicórnio relinchou com força e desapareceu entre as árvores como se sua vida dependesse disso.

O robô parou por um segundo. A luz vermelha dos olhos piscava em ritmo acelerado.

ROBÔ: “ELIMINAR… ELIMINAR…”

Subitamente, ele girou o tronco metálico e começou a marchar diretamente em direção a uma tenda branca ao longe. Dentro, estagiários carregavam caixas de pó de café e mexiam em cafeteiras industriais. Chris arregalou os olhos, o terror crescendo em seu rosto.

CHRIS: NÃO! — Ele caiu de joelhos, dramaticamente. — É A TENDINHA DOS MEUS CAFÉS!

O robô deu mais um passo. Em um pisão certeiro, destruiu a tenda por completo. Estrutura metálica, lonas plásticas e litros de café voaram pelos ares. A fumaça subiu. O cheiro de espresso queimado invadiu o campo.

Chris ficou imóvel, paralisado pelo luto. Os olhos marejaram de verdade.

CHRIS: Meus cafés… Meus lindos, gelados e deliciosos cafés…

Ele se virou lentamente, encarando McConnor, que tentava se esconder atrás de um tronco, o jaleco sujo tremendo.

CHRIS: VOCÊ. VAI. PAGAR.

MCCONNOR: Tecnicamente, foi culpa do sistema operacio—

CHRIS: CALADO! — Ele apontou o dedo com fúria. — Desativa essa coisa agora ou eu mesmo te desativo, peça por peça!

Enquanto McConnor corria desajeitadamente em direção ao robô, tropeçando em raízes, Cyrus espiava de trás de uma pedra, erguendo a mão com cuidado, como se estivesse na escola.

CYRUS: Então… o desafio ainda tá valendo? Tipo, tem como eu ganhar?

CHRIS: Desafio? — Ele girou nos calcanhares, incrédulo. — Quem se importa com desafio agora?! — Jogou os braços para o alto. — Meus Iced Americanos foram ASSASSINADOS! EU NÃO LIGO PRA DROGA DE DESAFIO NENHUM!

Chris saiu andando com raiva, pisando duro, derrubando galhos e chutando uma câmera que estava em seu caminho. Atrás dele, parte da equipe de filmagem tentava limpar respingos de tinta das lentes, enquanto outra parte apenas observava em silêncio, coberta de café e resignação.

MINYOUNG: Então… o que a gente faz agora? — A voz dela saiu baixa, ainda meio tremendo.

Chris virou a cabeça devagar, lançando um olhar gelado para ela.

CHRIS: Eu quero todos na Cerimônia de Eliminação ao pôr-do-sol. E o McConnor? — Ele apontou de volta, sem nem olhar. — Eu vou pensar numa punição apropriada pra ele. E vai ser criativa.

Sem mais palavras, ele desapareceu entre as árvores, a passos largos.

***

Após o fim caótico do desafio, a câmera focaliza Nacho, sentado sozinho em um tronco torto no meio da clareira. Sua camiseta verde-escura está salpicada com tinta rosa, e ele risca o chão de terra batida com um graveto, distraído. Com a cabeça baixa e o boné cobrindo parte do rosto, Nacho parece alheio ao mundo.

O som de passos suaves quebra o silêncio. Molly surge entre os galhos, ajeitando o cabelo atrás da orelha com um gesto nervoso. Ela se aproxima devagar, o rosto carregando um sorriso hesitante.

MOLLY: Hey, Nacho. — Ela se senta no chão em frente a ele, cruzando as pernas como uma criança. — Eu fiquei pensando no que você disse mais cedo… sobre seu aniversário, sua família e tudo mais.

Nacho levanta o olhar, curioso, mas ainda abatido. Seus olhos estão mais cansados que o habitual, mas atentos.

MOLLY: Eu sei que não tem nada que eu possa fazer pra consertar isso. Tipo, eu não posso trazer sua família de volta, nem apagar a dor que você sente...

NACHO: É, não dá mesmo. — Ele responde sem raiva, só resignado.

MOLLY: Pois é... mas, tipo, eu acho que não é só sobre o que você perdeu. É sobre sentir falta de... de ter alguém por perto, né?

Nacho não responde de imediato, mas o graveto para de riscar o chão. Ele olha fixo para ela, como se escutasse com mais atenção agora.

MOLLY: E sabe o que eu percebi? Você já tem uma nova família. Aqui mesmo.

Nacho franze a testa, confuso e cético.

NACHO: Tenho?

MOLLY: Claro! Querendo ou não, a gente tá junto nessa. Nós sete somos os únicos malucos no mundo passando por isso aqui. Sobrevivendo a desafios absurdos, correndo de robôs assassinos, lidando com tinta rosa e unicórnios surtados... Onde mais você ia viver tudo isso?

Ele solta uma risada baixa, meio surpresa, como se não quisesse rir, mas fosse inevitável.

MOLLY: Isso nos faz uma família. Uma família completamente disfuncional, sim, mas ainda assim uma família. E quando tudo isso acabar, se você precisar de alguém, pode contar comigo. Sempre.

Ela abre os braços, oferecendo um abraço. Nacho hesita por um instante, olhando para ela como se ainda estivesse decidindo. Mas no fim, ele se inclina e aceita. O abraço é breve, mas tem um peso que palavras não alcançam. Quando se afastam, ele sorri. O primeiro sorriso verdadeiro em dias.

NACHO: Uh... valeu.

Molly começa a se levantar, mas antes de ir, Nacho estica o braço e a chama de volta.

NACHO: Sério. Obrigado.

MOLLY: De nada. — Ela começa a se afastar, mas para de novo, como se tivesse esquecido algo. — Ei, com toda essa loucura, acho que eu nem perguntei... quantos anos você tá fazendo hoje?

NACHO: Ah, isso... 21. Eu tô completando 21 anos.

MOLLY: Uau. Ok, ancião! — Ela diz, com os olhos arregalados em fingida surpresa.

Nacho a encara, fingindo estar ofendido, a boca aberta num "como assim?", mas não resiste e acaba rindo. Molly gargalha junto, e a tensão entre os dois desaparece por completo.

*CONFESSIONÁRIO ON*

NACHO: Esses dias têm sido um caos. Tipo, real. Mas a Molly… ela entende. Mesmo com toda a energia dela, ela realmente escuta. — Ele faz uma pausa. — Acho que é fácil esquecer, no meio de tanta coisa bizarra, que ainda dá pra encontrar esperança. Ou pelo menos alguém que te lembre que você não tá sozinho. — Ele ri, coçando a cabeça. — E, sério, quem imaginaria que tinta rosa podia ser... terapêutica?

*CONFESSIONÁRIO OFF*

A câmera corta para Molly andando sozinha pela floresta, os braços balançando levemente, um sorriso no rosto. De longe, Nacho a observa com um olhar mais leve, ainda pensativo, mas pela primeira vez, menos sozinho.

***

A cena abre com o sol se pondo sobre a floresta de Tipikanizaw. Os últimos raios dourados atravessam os galhos retorcidos, tingindo a clareira com tons quentes de laranja e rosa desbotado.

Encostada em uma árvore, Willow observava o horizonte, imóvel. O vento leve fazia seus cabelos ruivos e longos, um pouco mais bagunçados que o normal, dançarem discretamente. Apesar da postura tranquila, a rigidez em seus ombros revelava tudo o que ela tentava esconder.

Do meio de um arbusto espinhoso, Tommy surgiu cambaleando, ofegante. Seu moletom preto estava rasgado em vários pontos, folhas grudadas por todo o cabelo. Ele tentou arrancar uma do rosto, mas acabou empurrando outra direto no olho.

TOMMY: Tá... tô aqui! — Disse entre arfadas, erguendo o braço bom como se tivesse vencido uma maratona. — Essa floresta é um labirinto amaldiçoado!

Willow não respondeu de imediato. Continuou olhando o pôr do sol em silêncio, até soltar um suspiro profundo.

WILLOW: Sabe por que eu pedi pra gente conversar, Tommy?

Ele coçou a nuca, tentando esconder o nervosismo com um sorriso torto.

TOMMY: É porque você quer me agradecer, né? Tipo, por ter levado tinta rosa na cara por você? Convenhamos... foi heróico. Uma coisa meio... filme de ação.

Willow se virou com lentidão, erguendo uma sobrancelha. O canto da boca subiu, mas o sorriso era curto e sem qualquer traço de humor.

WILLOW: Não, Tommy. Não é sobre isso.

O sorriso dele desapareceu, substituído por um franzir de testa.

TOMMY: Então... é sobre o quê? Um jantar romântico? Ou... dividir uma barra de cereal? Eu guardei uma sabor canela só pra você!

Willow cruzou os braços. Deu um passo à frente e o encarou, firme.

WILLOW: Vou ser direta. Eu tentei, Tommy. Você é um cara legal...

TOMMY: Isso! — Ele se apressou em interromper. — Eu sou legal! Legal é bom, né?

WILLOW: ...Mas você tenta demais. Tudo parece um esforço desesperado. E você age como... como um garoto. Uma criança.

A palavra cortou o ar. Ele empalideceu.

TOMMY: Uma criança? Sério...? De novo isso?

Ela fechou os olhos por um instante e respirou fundo.

WILLOW: Você merece alguém que te aceite como você é, com todo esse jeito exagerado. Mas essa pessoa não sou eu. Eu... preciso de espaço.

Tommy baixou a cabeça. Seus ombros desabaram de leve, como se tivesse perdido a pose.

TOMMY: E se eu mudasse? Tipo, de verdade. Crescer. Parar com as piadas, com as loucuras... eu posso fazer isso por você.

Willow hesitou. Por um segundo, a expressão dela suavizou. Mas logo voltou ao tom decidido.

WILLOW: Não, Tommy. Sinto muito. Podemos ser amigos. Mas é só isso.

TOMMY: Você tá terminando comigo? — A voz dele falhou no final, quase num sussurro.

WILLOW: É... acho que tô sim.

Ela deu um passo atrás, mantendo o olhar firme. Então se virou e foi embora, os passos ritmados sumindo entre as árvores.

A câmera seguiu seu movimento até parar em Cyrus, agachado atrás de um tronco próximo. Ele assistia tudo com atenção e um sorriso malicioso brotando no rosto.

*CONFESSIONÁRIO ON*

TOMMY: Ela terminou comigo. De verdade. Tipo... acabou. — Ele fungou, limpando os olhos com as costas da mão. — Mas isso não é o fim! Eu vou provar que posso mudar! Eu vou amadurecer! E quando eu fizer isso… ela vai perceber o erro que cometeu.

— — —

CYRUS: Viram aquilo? Tommy foi cortado. Fora do páreo. — Ele sorriu, satisfeito. — Agora é a minha vez. A Willow precisa de alguém com maturidade, foco… alguém como eu. — Ele parou por um segundo, ajustando a gola da camisa. — Mas antes disso, temos uma Cerimônia de Eliminação chegando. E eu não posso sair agora. Ainda não. Preciso de mais tempo com ela. — Tossiu. — E, claro, seguir na corrida pelo milhão, né?

*CONFESSIONÁRIO OFF*

A cena abre no Altar dos Antigos Sacrifícios. Chris está no centro, com os braços cruzados e um olhar impaciente cravado no grupo. À sua direita, McConnor repousa numa pedra desconfortável, parecendo entre resignado e entediado.

Os sete campistas restantes formam um semicírculo irregular, se entreolhando com expressões que variam entre desconfiança e cansaço. O silêncio paira até ser interrompido por uma tossida forçada e nitidamente ensaiada de Cyrus.

CYRUS: Então, Chris... a gente pode votar logo?

Chris pisca lentamente, fingindo surpresa como se tivesse esquecido completamente o motivo da reunião.

CHRIS: Votar? Oh, claro, como se isso fizesse alguma diferença agora. — Ele pega uma tigela de pinhas e a vira dramaticamente no chão. — Surpresa: não vai ter votação hoje!

Os campistas trocaram olhares incertos. Seth, que já estava meio de lado, ergue a mão com uma expressão que misturava ceticismo e tédio.

SETH: Então... por que estamos aqui mesmo?

Chris leva a mão ao peito como se tivesse sido pessoalmente ofendido, mas o gesto é tão exagerado quanto sempre.

CHRIS: Porque eu adoro a companhia de vocês, é claro! — Ele dá uma gargalhada. — Tá bom, mentira. Tenho um anúncio. E é ótimo. Para mim.

Cyrus franze o cenho. Minyoung limpa as lentes dos óculos. Tommy inclina o corpo à frente, claramente curioso. Chris abre aquele sorriso largo que normalmente precede alguma catástrofe.

CHRIS: Passei o dia inteiro refletindo sobre uma punição apropriada para este ser humano aqui — aponta para McConnor — e cheguei a uma conclusão genial.

Ele pausa. Longamente. Só pra deixar todos desconfortáveis.

CHRIS: A única punição pior do que ser meu estagiário... é ser um campista de novo! Por isso, a partir de agora, McConnor está oficialmente de volta ao jogo! Isso mesmo, de volta à disputa pelo milhão!

O silêncio que se seguiu foi quase cômico.

MCCONNOR: O quê?! — Ele pulou da pedra como se tivesse levado um choque.

As reações explodiram. Um coro de protestos surgiu entre os campistas, misturando indignação, surpresa e puro desespero.

TOMMY: Espera... você tá falando sério?

CHRIS: Seríssimo. Mais sério, impossível!

Chris então caminha até McConnor e o empurra gentilmente, ou nem tanto, de volta ao grupo, completamente alheio à expressão de horror dele.

CHRIS: Aproveitem. Agora que ele voltou ao time, eu vou estar bem mais... criativo. — Ele ri, malicioso. — Boa noite!

E com isso, ele gira nos calcanhares e sai assobiando uma melodia macabra. Os campistas, agora oficialmente um Top 8, permanecem ali por um momento, paralisados, como se ainda tentassem entender o que tinham acabado de ouvir. Por fim, começaram a retornar lentamente para a cabine, cada um perdido em seus próprios pensamentos e alguns mais revoltados que outros.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MCCONNOR: Ok. Então deixa eu ver se entendi isso direito. Fui eliminado, virei saco de pancada de experiências do Chris, escapei de fadas assassinas, gnomos surtados e robôs psicopatas… e agora estou de volta como participante? — Ele solta uma risada nervosa. — Eu nem sei se quero ganhar isso. Mas com a minha sorte, provavelmente vou acabar indo até a final. E se for eliminado de novo, ele me puxa de volta. Isso aqui virou um ciclo de sofrimento. Pelo menos... tem um milhão de dólares no final, né? — Ele suspira e abaixa os ombros. — Quer dizer... espero.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

A câmera corta para Chris do lado de fora da antiga tenda dos cafés, agora em reconstrução por estagiários desmotivados. Pilhas de cápsulas de espresso e filtros jogados jazem em caixas ao fundo.

CHRIS: Bem, isso foi um belo desfecho pra um episódio caótico. E sabe de uma coisa? Tô cansado de robôs. Próximo episódio, vamos voltar às raízes! Nada de tecnologia. Só o bom e velho sobrenatural nonsense que vocês tanto amam. — Ele sorri para a câmera. — Eu prometo: cabeças vão rolar. Literalmente? Talvez. Figurativamente? Com certeza. Então, quem vai ser o primeiro eliminado após a fusão? Será que o McConnor vai sobreviver ao seu próprio retorno? E será que alguém vai conseguir dormir depois de ver o Bozo 2.0 nos sonhos? — Ele aponta diretamente para a lente. — Descubram tudo isso no próximo episódio de Drama Total: Floresta dos Mistérios!


Notas finais
E McConnor está de volta na competição! Bem, posso garantir que ele vai causar um impacto, independentemente de quanto tempo ele dure na competição nessa segunda tentativa. E o romance de Willow e Tommy, hein? É um grande enredo da temporada e que eu planejei bem desde o início e eu espero estar executando bem. -- "PfFrqqru vrqkdyd dowr, pdv r vrqkr ydl vh iuxvwudu. Flhqwlvwd féwlfr, hvtxhfhx txh hvwá hp Wlslndqlcdz? Srgh frqvwuxlu, gxylgdu, dwé whqwdu frqwhvwdu Pdv vxd flêqfld mdpdlv yhqfhuá r vreuhqdwxudo."