Denebola

Depois de passar séculos escolhendo algo “adequado” a ocasião, depois de descobrir que meus pais também haviam sido convidados e insistirem que eu devia ir com eles, já que não iria com Adriacci, depois de suportar um percurso de mais de meia hora com eles conversando sobre mim como se eu não estivesse presente, depois de receber inúmeras mensagens de Avalon avisando para eu chegar na hora… o infeliz tem a cara de pau de se atrasar e dizer que talvez vá.

Sabia que meus pais iriam, eu tinha conseguido ver a lista, mas achei que não importaria muito. Mas agora, já que Avalon está atrasado, eles decidiram me arrastar junto. Eu poderia dizer não? Para meu pai, até que podia, mas não conhecem minha mãe… antes que eu consiga terminar de pronunciar uma palavra, ela já apresentou todo um discurso de o por que eu devia acompanhá-los. E isso acabava com meus planos de atualizar minha imagem na frente daqueles seres humanos que eram responsáveis por metade da economia do país.

Todas as pessoas que eu falei (leia-se “olá”, “boa noite” e “como vai?”. Exatamente nesta ordem) me ignorarem completamente. E quando eu tentava sair de fininho, alguém passava na minha frente me fazendo: A) esbarrar nessa pessoa. B) quase cair, e só meus pais e as pessoas que conversavam com eles perceberem. C) as duas coisas, tirando a parte de ninguém perceber.

— Den, sorria um pouco. Você não poderia fazer essa cara com seu chefe. – olhei para minha mãe, sorrindo daquele jeito brilhante que ela havia me ensinado quando íamos tirar fotos. — Bem melhor.

— Vou pegar uma bebida. – falei para meu pai escutar. Meu tio e ele usavam isso como código de “preciso de um tempo dela.” Ele sorriu para mim, entendendo.

Se, pelo menos, ele tivesse dito algo para eu fazer, como por exemplo: “Fale com tal pessoa”. Eu poderia me livrar deles, mas como eu não havia recebido nenhuma tarefa específica, e quando eu perguntava se tinha algum assunto importante a ser discutido ali, a única resposta recebida era “é apenas um coquetel em que as pessoas vão para se exibir e para fazer apresentações.”

Realmente ótimo para apresentações, eu já conheço todo mundo. E a maioria me encarava apenas como mais uma desocupada. Meus pais (para pessoas que ficaram tão felizes com meu novo emprego) pareciam esquecer que eu também precisava desenvolver relações profissionais, mesmo que para Adriacci.

Olhei para o bar que estava a alguns passos de distância, mas com uma multidão enorme envolta. Respirei fundo, me preparando para atravessar, quando senti uma mão no meu ombro. Por um instante achei que seria um mais um filhinho de papai vindo com uma cantada mais antiga que meu avó. Mas me virando, vejo meu chefe.

— Não acredito que vai beber, não sei se lembra, mas isso aqui também é trabalho. – chega atrasado e ainda reclamando.

— Estamos em um coquetel, não tem problema beber um pouco – respondi tentando não descontar minha raiva nele. Não agora que a menos de uma semana recebi meu primeiro elogio.

— Não teria se você, já não tivesse bebido três taças de champagne, duas de vinho e eu não quero saber o que era aquela coisa verde que o filho do Dimont deu a você. – pisquei repetidamente, eu consigo não matar essa coisa na minha frente, eu consigo… Não, eu não consigo.

— Você esteve esse tempo todo aqui, me espionando e me deixando com aquele bando de loucos! – falei um pouco mais alto do que pretendia, mas ignorei os curiosos que se voltavam. – Você disse que não viria!

— Eu disse que talvez não viesse. Tenho coisas mais importantes para fazer do que vir para essa palhaçada. E fale mais baixo. – ele rosnou a última parte para mim.

— Você poderia ao menos ter me enviado uma mensagem avisado que chegou, já que desenvolveu esse hábito quando queria que eu chegasse na hora! – ele saiu me arrastando pelo braço, e não sei como achou um lugar sem tantas pessoas.

— Eu disse para falar mais baixo, não se sabe, mas não gosto de chamar atenção. – Avalon largou meu braço,

— Não chamou nem um pouco de atenção me arrastar ate aqui. Tenho certeza de que ninguém notou – enfatizei fazendo um gesto amplo para várias pessoas, que agora tentavam disfarçar que nos olhavam. – Maravilha, agora eu tenho outro namorado problemático.

— Como? – a expressão de choque dele, quase me fez rir.

— É isso que eles estão pensado agora. Não sou muito conhecida por namorar pessoas “adequadas”, e pelo que sei você não é muito conhecido. – por favor que ninguém tenha tirado uma foto para incluir na galeria de “péssimos namorados de Denebola Riddle”. Ele ficou me encarando durante alguns segundos, depois sorriu, na verdade foi quase uma risada.

— Então você é mesmo A Denebola Riddle. Pensei que fosse apenas coincidência os nomes. – revirei os olhos. Ótimo, pelo jeito meu chefe também conhecia meu passado publico sujo.

— Ok, vamos deixar claro uma coisa. Eu era uma adolescente, inconsequente e irresponsável que saia com qualquer um. Mas isso já passou. Eu mudei. Posso ser inexperiente no trabalho, posso ate ser incompetente, mas por favor, não comece com as brincadeirinhas. – só queria ter pegado outra bebida.

Avalon parecia considerar minhas palavras, e comecei a duvidar da seriedade dele. Eu pensei que ele já sabia quem eu era, por isso, mesmo que me irritasse com as várias reclamações, ignorei. Mas se era verdade que Avalon pensava que era apenas coincidência, eu estava muito próxima de ser demitida, na melhor das hipóteses.

— Isso não faz diferença, estou jugando você pelo seu trabalho, não pelo que já fez. Metade dessas pessoas tem mais podres do que uma menina riquinha que se aproveitava do dinheiro do pai. – ele fez uma pausa, e por um instante achei que estivesse desconcertado – Não avisei que estava aqui, por que queria ver como interagia com eles. Geralmente não venho a esses eventos, então é muito provável que venha sozinha nas próximas vezes, e preciso garantir que saiba como agir. – agora fudeu tudo. Era mais um teste. Um que eu fiquei grudada nos meus pais durante todo o tempo.

— Imagino que eu tenha falhado miseravelmente nessa questão. – tente parecer calma, quem sabe você consiga Den.

— Até começar a gritar comigo, estava na média. – ele pensou um pouquinho. – Um pouco abaixo pela bebida excessiva.

— E a parte de eu estar grudada nos meus pais durante todo o tempo, não influenciou em nada? – perguntei tentando achar o motivo da futura bronca.

— Sinceramente, não me importa muito. Na verdade o que me surpreendeu foi você parecer… calma e centrada durante todo o tempo. – minha cara devia ter virado um ponto de interrogação – Você é muito expressiva, ate mesmo quando esta sozinha. Percebi isso desde o dia em que entrou na minha sala a primeira vez.

— Então… tirando eu gritar com você e ter bebido, eu me sai bem? – antes que ele pudesse responder, eu continuei – Mas eu não disse nada, na maior parte do tempo eles só me ignoraram, e eu devo ter caído umas três vezes.

— Se você tiver parado para ouvir já é suficiente. – ele parecia achar algo divertido, eu até conseguia sentir uma aura de bom humor. – Acho que seu problema, é na verdade, que as pessoas ainda te associam a adolescente problemática que você foi. Um conselho, pare de tentar provar que não é mais a adolescente, eles vão perceber com o tempo.

Nesse momento, eu estava até esperando um tapinha na cabeça igual quando eu era criança, e isso não me incomodou. Sorri para meu demônio pessoal, que até estava servindo para alguma coisa. E acho que ele tem razão quanto a bebida, por que Avalon sorriu para mim, foi apenas um pequeno movimento nos cantos da boca, mas ainda era um sorriso.

— Obrigad…

— Den está tudo bem? – meu pai chegou com a cara de “quem é esse?”.

— Esta. – incrivelmente bem – Pai, esse é meu chefe, Avalon Adriacci. Av-Adriacci, meu pai, Yerik Riddle. – apresentei rápido, antes que Avalon percebesse (se já não tivesse percebido) a cara de poucos amigos do meu pai, que mudou rapidamente para um sorriso que deixaria mamãe orgulhosa, embora eu conhecesse meu pai bem demais para não saber que ele ainda estava olhando para Avalon com desconfiança.

— O misterioso Avalon Adriacci, finalmente pude conhecê-lo. – meu pai disse enquanto apertava a mão de Avalon.

— Me esforço para ser discreto. – ele comentou.

— Eu percebi – meu pai olhou para a esquerda, onde havia um grupo de umas cinco pessoas ainda olhando para nós. E eu achando que tinha puxado a ironia da minha mãe. – Bom, imagino que agora vá ficar com ele, vou falar com sua mãe. Foi bom conhecê-lo Adriacci. – Ele saiu. Peguei uma taça de champagne remanescente de um garçom que passava, provavelmente indo reabastecer sua bandeja.

— Você realmente vai beber mais? – o tom dele estava muito próximo com o rosnado que eu havia recebido a pouco tempo.

— Desculpe, juro que esqueci. – falei bebendo mais um gole e colocando em uma mesa próxima. – Pronto, vamos ao trabalho. Agora pode me dizer o que viemos fazer nesse evento maravilhoso? – Avalon agora estava parado na minha frente, me encarando naquela pose de general, que ficava incrivelmente sexy.

— O que eu vim fazer aqui foi avaliar você em ambiente público durante o trabalho. Você veio aqui para mostrar que pode ser uma boa representante da Adriacci.

— Se viemos apenas por isso, já sei que estou abaixo do que você esperava. – estou começando a concordar com ele. Eu não devia ter bebido – Não tem ninguém com quem você queira falar? Ninguém a quem você queira ser apresentado? Iniciar uma negociação informal? Algo do gênero? – perguntei me surpreendo pela falta de interesse dele nas pessoas a volta, e um pouquinho de medo, já que ele veio apenas para me testar. Quem sabe algum bom negócio possa distrai-lo de minha péssima performance.

Avalon soltou um suspiro frustrado, como se eu tivesse lembrado ele de algo ruim.

— Sim tem alguém. Mas sinceramente não tenho um pingo de prazer em conversar com um desses humanos. – Ele indicou um gesto para as várias pessoas a certa distância conversando. – Por isso não venho a eventos como esse. – Tentei esconder meu sorriso. Quem sabe eu possa ainda salvar minha imagem como funcionaria elogiável.

— Algum negócio novo que não está no planejamento? – perguntei como quem não quer nada. Embora isso tenha chamado a atenção dele, pela forma como me olhou.

— Não acredito que você possa fazer alguma coisa quanto a isso.

— Pelo menos diga, eu tenho mesmo que saber como sua assistente. – falei usando a postura que profissional que eu andei ensaiando. O que o fez ficar com extremamente reto.

— Detesto dizer isso, mas você tem razão. Christopher acha que seria bom para promover mais nossa imagem a associação com uma grife de roupas. Ele disse que analisou várias, mas o perfil mais compatível com a Adriacci, e portanto, que geraria menos problemas seria a Narcissus.

— Você está brincando? – perguntei sem acreditar. – Posso tem uma conversa com o presidente para você. Talvez a previa de um acordo, se ele estiver de bom humor.

— Como? Você? – havia tanta descrença na voz dele, que me fez ficar ofendida.

— Tá, pode ser por um motivo pouco ético. – Avalon estava abrindo a boca, provavelmente para recusar – Ele é meu tio. – Adicionei rápido – Mas eu posso conseguir. Volto já. – estava me virando para falar com meu passaporte para ser elogiável novamente, quando ele segurou meu braço.

— Não vou duvidar da sua capacidade de persuasão, quem sabe você realmente possa ter, mas o que você vai dizer? – pensei um pouquinho.

— Basicamente, cumprimentar, perguntar como vão os negócios, falar do meu novo emprego, ver como ele reage, se tiver uma reação boa, falar que os dois têm estilos semelhantes em algumas coleções, e mais algumas coisas para fazê-lo pensar por si próprio sobre uma coleção juntos. Está bom para você? – perguntei enquanto ele parecia analisar minha estratégia.

— Sim, está bom. – Comecei a me afastar dele, mas percebi que Avalon estava me seguindo alguns passo atrás. Olhei para ele, mas reprimi qualquer frase ou gesto que pudesse ser desagradável, esse era o momento de melhorar minha nota esta noite.

Andei entre a multidão procurando Tom, o meu querido presidente da Narcissus. Eu amava os vestidos que eu ganhava de presente de aniversario, pena que ele parou quando eu tinha dezoito. Embora Tom fosse, tecnicamente, meu tio, não nos damos muito bem. Mas sei como a cabeça dele funciona, e sei que ele adora coisas lucrativas, e um acordo com a Adriacci com toda certeza seria.

O problema é que ele sempre estava cercado de bajuladores, o que sempre tornava difícil de achá-lo em uma multidão de homens que sempre usavam o clássico preto em eventos de gala. Mas por sorte, eu conhecia alguém que sempre conseguia encontrá-lo, e sempre era fácil achá-la. Mesmo quando ela tentava se esconder no meio do jardim cheio de arbustos.

— Seryn, pare de tentar se esconder no escuro, sua pele é clara demais para não se ver. – falei enquanto ela se virava na minha direção. E como sempre ela assumiu aquela expressão de “isso é ridículo”, era sempre isso quando eu fazia um comentário relacionado ao albinismo.

— Não é você que veio praticamente arrastada, com essa roupa ridícula. – pelo visto ela ignorou dessa vez o comentário. Olhei para o que ela usava, um vestido longo, com decote canoa, com mangas curtas e o toque final, uma fenda iniciando no meio da coxa.

— Você pode não gostar, mas não pode dizer que é ridículo. – Falei obrigando ela a dar uma volta – Na verdade, se quiser me dar, estou aceitando. – ela fez uma careta como se dissesse “é todo seu”.

— Mas veio me procurar por que? Você parecia bem ocupada – ela sorriu diabolicamente para mim. – Outro namorado?

— Você viu? – perguntei decidindo se eu a esganava ou não.

— Não vi, eu ouvi, estava bem escuro ali. – Ela falou como se fosse obvio. – Não imaginei que se envolveria com seu chefe.

— Com meu chefe? Aquele ser lindamente diabólico? De jeito nenhum – Falei ignorando que talvez o dito cujo estivesse me ouvindo, com essa parte ele não se importaria.

— Lindamente? Que adjetivo estranho. – ela sorriu daquele jeito de novo. O que me fez querer que o tio Tom tivesse feito ela usar algo mais revelador do aquilo.

— Isso não é importante. Ele só é meu chefe, e é horrível. Nunca vi criatura para perturbar mais do que Avalon Adriacci. – acabei desabafando – Mas onde está seu pai? Preciso falar com ele, é meio urgente. – Falei antes que ela pudesse continuar com aquele assunto.

— Seu chefe é o Adriacci? Então te entendo e concordo com seus pensamentos. – ela começou a andar e supus que ela estava me levando para o pai.

— Você conhece ele? – perguntei meio surpresa.

— Sabe a sede da Adriacci? Eu projetei. – ela falou como se não fosse nada demais ter desenhado um prédio de dezesseis andares.

— Você? Me desculpe a surpresa, mas não sabia que você trabalhava em projetos tão grandes. – adicionei antes de parecer o tio Tom, que sempre menosprezava o que ela fazia.

— Aquilo foi pouco comparado ao que eu já fiz. – ela parou e apontou para um amontoado de pessoas – Por favor, a partir daqui vá sozinha, não sabe o trabalho que tive para fugir dele.

— Pode deixar.

A quantidade de pessoas ali fazia o bar parecer completamente livre. Nunca entendi o que o Tom tem. O ser mais crítico e desagradável que eu já conheci. Superando ate mesmo meu demônio pessoal. Mas ele sempre estava cercado por pessoas influentes, sempre todos diziam o quão incrível ele é. Acho que no mínimo alguém da família é da máfia. Por que é a única explicação para tanta gente dizer que o ama. Isso ou um pacto com o demônio.

— Tio Tom – praticamente gritei para fazer algumas pessoas se afastarem. O que funcionou, e ainda chamou a atenção dele. Que estava para variar, perfeitamente arrumado, sempre me pareceu que ele usa o mesmo gel de cabelo que o Superman.

— Minha sobrinha favorita. – ele disse, o que duas pessoas saírem imediatamente do lado dele – Achei que não viria dizer um “oi”. – Traduzindo: “saia daqui”. As vezes eu gosto que estejamos cercados de pessoas.

— Eu não seria tão mau educada assim. – sorri enquanto algumas pessoas olhavam para mim com clara desaprovação. Pessoas chatas iguais a ele, que novidade.

— Fiquei sabendo que consegui um bom trabalho. Me desculpe não ter ido a comemoração, mas estive ocupado – respirei fundo, enquanto algumas pessoas riam.

— Sim, na Adriacci. Assistente pessoal de Avalon Adriacci – Algumas pessoas olharam impressionadas para mim. – Mas espero que não tenha tido nenhum problema com a Narcissus. – ainda bem que eu sempre falava isso, senão Tom suspeitaria do meu interesse nessa conversa.

— Nada demais. Só gosto de estar a par dos meus negócios. Mas como vai seu novo emprego? Perdoe-me a curiosidade, mas quase ninguém conhece seu chefe. Muitos pensam que ele nem existe. – incomum. Mas talvez seja apenas curiosidade como ele disse. Ou quem sabe ele também está pensado em algo com a Adriacci;

— Ele é bem real, eu garanto. E…

— Você poderia apresentá-lo a mim? Sempre me interessei pela Adriacci.

Tentei não demonstrar o meu choque. Tinha algo seriamente errado. Tom Natassya jamais demonstra claro interesse em nada, nem em ninguém. Ele sempre espera os outros procurem-no, não o contrário, por isso ele sempre pode negociar a seu favor. Mas agora, esta pedindo para eu apresentá-lo ao Avalon.

— Verei o que posso fazer por você tio. – falei com um sorriso charmoso. – Foi bom vê-lo.

Ponto positivo, fazer qualquer coisa com a Narcissus será fácil. Ponto negativo, o interesse dele pela Adriacci não parecia coisa boa. Se bem que Tom é o ser mais chato e ganancioso que eu já conheci, e conheci gente pra caramba. Pode ser só o ego dele querendo ser o primeiro parceiro comercial da Adriacci. O máximo que poderia acontecer, seria meu tio enlouquecer todo mundo com as exigências dele.

— E aquela parte de sugerir delicadamente um acordo? – ouvi Avalon perguntar. Nem tinha percebido que estava indo na direção dele. Se bem que eu não sabia que ele estaria próximo aos jardins, nem sabia que haviam bancos ali.

— Acredite, ele está interessado. Eu não precisei nem sugerir. – falei sentando ao lado dele. – Não se vai fazer diferença, mas meu tio não é uma pessoa muito legal. – tentei usar o adjetivo mais leve para caracterizá-lo, regra número um da família, nunca ofenda um parente na frente de um estranho.

— Prefiro tirar minhas próprias conclusões – Avalon falou levantando e indo na direção que eu tinha vindo. Fiquei momentaneamente na dúvida se eu devia ir, ou não. Mas seguindo a filosofia que minha mãe havia inventado, melhor pecar pelo excesso que pela falta. Podemos dizer que corri atrás dele nesse momento.

Mas fui um pouco lenta, por que quando cheguei lá, Avalon já estava conversando com meu tio. E esse estava com aquele maldito sorriso convencido. É mais fácil eu ter ganhado pontos com meu tio do que com meu chefe. Não consegui ouvir por causa do som das várias conversas próximas, e eu decidi não me aproximar demais daquilo. Mas em menos de dois minutos de conversa, eles apertaram as mãos, e Avalon estava vindo em minha direção.

— Depois de amanha temos uma reunião com a Narcissus. – ele informou quando chegou próximo a mim. Quando ele terminou de falar, tive a impressão de que eu teria sérios problemas nessa negociação.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.