Dragões ascendentes.
22 A partida
Notas iniciais
Lentamente, o destino traçava o caminho daquelas duas crianças. Sem notar, seguiam o padrão do tear, ao qual tecia todos os futuros acontecimentos. A incompreensão dos fatos fazia com que, Takashi, ficasse apreensivo. Havia deitado-se cedo, depois daquele dia em que ''invadiram'' o monumento e descobriram que, agora, deveriam adentrar em uma aventura.
A respiração, ofegante, devido a ansiedade. Seus pensamentos, desconexos, acabavam por sobrecarregá-lo de maneira inexplicável. Analisar as devidas conclusões é, de fato, impossível. Como conseguiria obter a resposta que tanto precisava, deitado ali? Mas, também, não poderia fazer tudo o que quisesse. Sequer poderia expor o ocorrido à Aurora. Sabia o modo como ela o trataria e as perguntas viriam, cedo ou tarde, como uma saraivada de flechas.
Movimentara-se para a esquerda, trazendo consigo o travesseiro. A tentativa de interceptar a luz, local, foi em vão. Não conseguia dormir, estava realmente perturbado com o que poderia, ou não, acontecer. Uma aventura? Salvar o mundo de uma possível guerra divina? Isso não fazia sentido e cada vez que forçava-se a acreditar no que ocorrera, mais estranho se tornava.
Logo, levantara-se, apoiando ambas as mãos sobre o joelho. Sua cabeça, levemente reclinada, fizera com que os fios alvos transcorresse sobre o cenho. Sustentava um semblante de indignação, o olhar completamente vidrado e a respiração lenta e pesada. Era a sua responsabilidade, mesmo que fugisse daquela ''tarefa'', alguém o faria, mas poderia ser realizado de forma errada e a culpa seria dele.
– Terei de assumir essa responsabilidade e ''zarpar'' rumo à essa aventura. Sim, é a minha escolha, não há outra alternativa. -
Sua voz soou, lentamente, pelo quarto. Dissera as determinadas palavras, voltadas a Dorion, que encontrava-se deitado sobre as patas dianteiras, olhando-o fixamente. Estava decidido... Iria resgatar o tesouro dos ''deuses''. Takashi sempre se perguntava, qual seria a escolha de Kenji. Conquanto, deveria preocupar-se com algo maior: como iria sair, sem que ninguém o notasse?
Os primeiros passos foram realizados, sim, Takashi fora na direção de seu guarda-roupa, pegando algumas vestes que seriam necessárias. Enchera uma sacola com às roupas mais elegantes, um dia já vistas e concedidas por Aurora e decidira que, o seu caminho, seria realizado pela janela. A princípio, concordara que seria uma boa ideia. No entanto, ao desatar as trancas e colocar seus pés sobre o telhado, notou que era a escolha mais estúpida que já fez.
Dorion, seu dragão, encontrava-se em seus ombros. A altura era realmente assustadora, sugerindo que um pequeno deslize o faria esborrachar-se no chão. A queda não seria muito agradável, tendo em vista que, o quarto de Takashi, ficava no andar mais alto da mansão.
Madeixas, albinas, remexendo-se ante à força eólica. Um movimento elegante, bem como irritante, atravessando-lhe o campo de visão. Seus lábios, vermelhos, encontravam-se comprimidos. Gestos que indicavam o quão apavorado estava. Seu casaco, de malha pesada, drapejava no ar. Era presenteado pelo turbilhão de uma rajada de vento, cujo tentava jogá-lo para baixo.
O desespero, então, assomou-se ao seu modo de ser quando, subitamente, houvera um pequeno deslize. Entretanto, conseguira se segurar nas grades de uma janela, evitando a queda. Gotículas, transparentes, escorriam sobre sua testa, indicando o modo desconfortável que era estar em constante adrenalina.
Seu caminho era extenso, composto por telhas escorregadias e grades compostas de ouro. Cada detalhe era de chamar-se atenção, com algumas jóias encrustadas na parede, devidamente separadas. Para que pudesse chegar até o solo, em segurança, deveria percorrer toda aquela extensão e descer pela escada de emergência, mais adiante. Mas, o grande problema é que, os guardas de Aurora, mantinham-se em prontidão.
Eis que, então, seguira sem se preocupar. Os caminhos eram percorridos com muito cuidado e em pouco tempo, encontrava-se logo acima dos homens, trajando uma armadura reluzente com espadas elegantes, cravejadas de pérolas e moldadas a ouro, em seu ''guarda-mão'' e polmo. Seu desafio havia sido concluído, afinal, encontrava-se próximo a escada de emergência, cujo seguia em ''círculo'' até o solo.
Takashi, desesperadamente, saltara do telhado a escada e por um ato de sorte, conseguira dependurar-se nas barras da estrutura. Fora necessário agir rapidamente, pois o barulho despertara os guardas, que ao olharem em direção a manifestação sonora, não acharam nada. Ele levantara-se, então, dos degraus e correu na direção oposta.
Agora, era hora de achar Kenji, ele seria necessário nesta aventura. Todavia, antes de concluir o desvio, trombara com algo. E, naquele mesmo instante, fora para o chão, usando suas mãos — agora raladas-, como apoio. Sua surpresa, então, mostrou-se nítida quando, de repente, Kenji surgira na sua frente. Ambos tiveram a mesma ideia, quase ao mesmo tempo. Se já haviam se decidido, era hora de seguir para uma longa aventura.
Levantaram-se, rapidamente, e partiram em direção ao portão da cidade. Cada qual carregando uma quantidade significativa de roupas. Tiveram de esgueirar-se, placidamente, sem pronunciar uma única palavra no decorrer do trajeto. Afinal, o mínimo ruído, poderia colocar tudo a perder. Já estavam de ''cara'' para o portão, esperando o momento certo para que os guardas fossem vasculhar outras áreas.
Kenji olhara para Takashi, realizando um único meneio de cabeça, dando-lhe a ordem para seguir. Sem delongas, zarparam, correndo desesperadamente, afim de atravessar a grande muralha. Sim, ela recobria grande parte do ''império'', atingindo uma altura excessivamente grande, apenas para evitar criaturas potencialmente perigosas, bem como para dificultar a invasão inimiga. Lá estavam eles, a meio passo da liberdade, já fora dos portões do reino, quando depararam-se com algo inesperado: Sarah e Emily, esperando-os. E o mais assustador- estavam com sacos de roupas, completamente cheios.
O que aconteceria, então, a partir daquele momento? Tudo havia mudado, de uma hora para a outra. A aparição das garotas mudaria todo o percurso. Qual seria o destino de todos? Seriam repreendidos por Aurora, quando retornassem? E retornariam? Não se sabe dizer.
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