Dragões Imperiais
11 Titãs e necromantes
— Seja bem-vinda capitã Helena Forza, espero que tenha sido bem recebida em meu humilde castelo.
— Obrigado, rainha, vim até aqui por sua convocação, qual assunto você quer tratar comigo – respondeu Forza que no caso estava conversando com a rainha da cidade.
— O assunto em específico envolve a abdicação de seu título – esclareceu a rainha que se ajustava em seu trono junto dessas palavras.
+No campo próximo da cidade+
Já nos arredores da cidade de Tesouro, em um posto dos soldados expedicionários, comandados por Forza se encontrava Alex e Rebecca, juntos de mais meia dúzia de soldados, eles tinham acabado de desovar o corpo do senhor que se transformava em aranha em um dos necrotérios comandados por Diane, entretanto como a vida de um soldado que trabalha em um país onde pessoas podem explodir sozinhas é sempre corrida, Forza tinha recebido um chamado para ajudar os soldados sobre o que fazerem contra uma ameaça que havia sido capturada no meio da floresta local. Helena estava indo ao encontro da rainha, por isso não poderia ir até lá para resolver o assunto, então mandou Alex e Rebecca irem até o posto para tomarem suas próprias estimativas. Saberem de que tipo de ameaça se tratava.
— Não sei nem por qual razão a capitã mandou esse homem até aqui para inspecionar o caso, ele nem soldado é e mesmo que seja um, sua aura me parece fraca – disse um dos soldados bem baixo, mesmo assim Alex escutou e fez uma cara feia olhando de lateral.
Rebecca ao escutar essas palavras, caiu na gargalhada quando via que Alex estava sendo subestimado daquela forma, ela até parou e segurou o estômago de tão alto que ria daquilo.
— E você nem para me ajudar, pelo que parece você é bem importante por aqui também, menina lobo – disse Alex com certa raiva da risada dela.
Os soldados que trabalhavam ali, nas forças expedicionárias não usavam grandes armaduras de metal como aqueles que se mantinham dentro da cidade, eles usavam roupas normais, grandes sobretudos acinzentados, em seus ombros eles tinham faixas vermelhas o que poderia representar qual o posto que eles serviam, botas de couro e medalhas douradas, Alex pensou que realmente todos os soldados deveriam usar aquela medalha, ou mesmo pingente, dourado, era a marca registrada da cidade, mesmo que esses trabalhassem do lado de fora da cidade, ainda assim faziam parte do exército, comandados por Forza, que era comandada por Normam.
— Então Steve, onde está a tal ameaça capturada por vocês? – perguntou Rebecca, ela esperava uma resposta de algo que realmente fosse importante enquanto se dirigia para a um dos soldados que ali estavam.
Steve era um homem meio baixo, ao mesmo tempo forte, ele tinha um cabelo ruivo e olhos que pareciam queimar, pele clara e um sorriso bem expressivo estampado em seu rosto, Alex não sabia se ele estava feliz de estar fazendo aquilo ou se aquele sorriso parecia meio psicótico. Steve abriu seu punho ao mesmo tempo que movia seu braço em uma direção, mostrando para onde Rebecca deveria ir.
— Pode ir senhorita Rebecca, você e seu....amigo, desçam as escadas e encontraram com a criatura – disse Steve, sendo totalmente cordial para com eles. O lugar era um grande estabelecimento de madeira, com grandes vidraças, na parte de dentro era como uma taverna, uma grande quantidade de mesas e cadeiras, deveriam ser para os soldados conseguirem passar seu tempo livre, de frente para a porta, em um canto reto da entrada estava uma fotografia da capitã, mas eles não queriam nada naquela sala, Rebecca guiou Alex até uma entrada de um portão de ferro, ela tateou na parede ao lado da porta de ferro e seus dedos encontraram com uma alavanca, ela puxou o mecanismo levemente e isso fez com que a porta de metal de contraísse para o lado até se tornar uma passagem bem grande que dava de encontro com uma escadaria.
Alex e Rebecca estava descendo uma longa escadaria de madeira com as paredes feitas de pedra, tochas mantinham a descia iluminada, o loiro não fazia ideia de para onde estava sendo levado, quando estava quase perguntando que lugar era esse Rebecca se pronunciou.
— É aqui que eu atualmente vivo Alex, não tenho uma casa na cidade ou em algum tipo de campo com moradia que nem você, a maioria desses homens tem família nos murros da cidade, mas eu não, eu morro aqui, não exatamente aqui embaixo, mas sim no andar de cima dessa construção no qual estávamos, eu morro aqui e tudo por causa da senhora Forza, ela me deu um lar e me tornou um soldado – dizia Rebecca.
— Mas você é bem forte, tanto com a capitã quanto com os outros capitães, acho que você se destacaria pela sua força em qualquer lugar – respondeu Alex. Isso abriu um sorriso no rosto da menina, seu rosto deu uma leve corada.
— Ao contrário de você, que quase morreu cerca de dois dias atrás nem sem saber o que te atacava – disse Rebecca caindo na gargalhada, como se a morte lhe divertisse.
Os dois continuaram descendo até chegarem em uma sala, Rebecca que foi na frente, entrou no lugar e logo se apoiou no batente da porta, quando Alex terminou de descer as escadarias também, notou o comportamento incomum da garota morena.
— Me desculpe pelo que você vai ver aqui, não me inflige de dano mental nenhum, pelo menos não mais, mesmo assim eu já me desculpo pelo que nós fazemos aqui, acho que desde sua infância você vem falando de um sonho de derrotar os dragões imperiais, Forza conversou comigo sobre esse assunto, você queria se tornar um soldado e lutar contra eles, um guerreiro que veste não uma armadura de metal, mas sim uma armadura de honra, só a sua cara de bobo te entrega, ela mesma fala que você quer apenas fazer o que é certo, então esse lugar não é o lugar certo para você...- continuava falando Rebecca.
— Do que você está falando Rebecca, eu admiro muito o que vocês fazem, quero derrotar os opressores, assim como a Forza fez – respondeu o loiro ao parar no último degrau da escada.
— Eu acho bom que você não se tornou um soldado, nós, principalmente os comandados por Forza, os soldados expedicionários, capturam magos que podem se tornar uma futura ameaça e fazemos um reconhecimento com eles, nós matamos tudo o que pareça ser um inimigo, desde animais até mesmo crianças, isso tudo para não sofrermos que nem a cidade sofreu com tantas mortes – disse Rebecca.
Alex ficou calado, não quis continuar a conversa com Rebecca, ele desceu o último degrau e se deparou com inúmeras grades, um lugar feito para prender animais, um ambiente meio escuro, com poucas fontes de iluminação, bastante umidade que escorria pelas paredes e um eco no mínimo alto quando as palavras eram ditas. Alex colocou a mão no ombro de Rebecca, ficando bem de frente para ela e deu um sorriso, que não era para fazer ela ficar feliz, mas sim para se sentir bem.
— Não se preocupe, eu não irei odiar você ou a capitã, vocês seguem ordens, eu descordo dessa regra de sair por aí matando as pessoas que são uma ameaça, mas o exército já faz isso há anos, eu lembro até hoje no meu primeiro dia, eu cheguei na base de treinamentos sem nenhum amigo ou mesmo conhecido, bem tímido, uma garota começou a se enturmar comigo, eu sentia que iriamos nos tornar bem apegados, já havia me soltado mais por ter uma amiga do meu lado para me apoiar naquele lugar, então foi aí que ela simplesmente morreu, mataram ela isso pelo fato de ter perdido o controle, ela começou a perder os controles de seu poder enquanto treinávamos um contra o outro, foi nesse momento em que ela começou a explodir o ambiente na sua volta e atirar rajadas de magia em várias direções, uma me atingiu em cheio, eu tentei bloquear com um escudo, mas esse foi derretido e eu perdi um dedo nessa história, aqui, meu dedinho em falta – terminou Alex, mostrando o seu dedo perdido.
Rebecca, que já estava de frente com Alex, lhe deu um forte abraço, envolvendo seus braços no tórax dele, já que o mesmo era mais alto.
— Obrigada Alex por me apoiar – disse ela bem suavemente, agora bem próxima do corpo de Alex ela teve um curto vislumbre da morte da menina na qual Alex falava.
— E então, temos um trabalho a ser feito, não é mesmo – disse Alex, Rebecca concordou, saiu de perto dele e continuou levando ele pelo meio daquele lugar cheio de grandes.
Alex conseguia observar no chão, grandes manchas de sangue, já secas de algum tempo atrás, correntes que certamente eram usadas para segurar esses magos, foram andando até que chegaram de frente para com uma cela, nela, um pequeno menino de cabelos castanhos e vestes bem rasgadas estava de joelhos contra o chão, com cerca de quatro pares de correntes em cada um de seus braços, ele estava totalmente imobilizado, ao lado dele, mas no lado de fora da cela, um guarda estava de prontidão, apenas vigiando o garoto.
— Enfim, estou aqui, qual o motivo de tanto medo ao ponto de vocês chamarem a senhora Forza, qual a magia do garoto, ele é tão forte assim ao ponto de usarem tantas correntes mágicas? – Rebecca estava enchendo o soldado de perguntas e ele apenas responde uma delas.
— Magia titã – estas foram as únicas palavras do soldado, que se retirou do ambiente, logo depois que viu que Rebecca estava ali para encerrar o seu serviço de vigia.
Ambos a morena e o loiro engoliram em seco, eles sabiam do que se tratava a magia titã, mas nunca tinham encontrado com alguém que tivesse essa magia antes, todos sabiam do que se tratava a magia titã, era para usuários dessa magia estarem extintos, mas lá estava aquele garoto, mesmo com certo receio, Rebecca estava desacreditada de que o garoto realmente tinha magoa de titã, um menino que não deveria nem ter dez anos. Mesmo assim era seu trabalho, ela se aproximou do menino e agachou ao seu lado, para conseguir ficar mais perto do mesmo.
— Tenha cuidado, eu fui convencido do que um titã é capaz – disse Alex.
— Alex, está vendo essa corrente jogada no chão perto do seu pé, segure ela na mão e tente usar sua magia – disse Rebecca.
Seguindo as instruções, Alex segurou uma corrente em uma das mãos e na outra ele tentou invocar uma espada, quando viu que não conseguiu ele fez força, estava concentrando sua magia naquela região, mesmo assim não conseguiu fazer nada.
— Você deve estar se perguntando o que aconteceu, eu não sei de onde vieram, mas todos os postos de soldados têm algumas dessas correntes, se um mago tocar nelas ele não pode expandir seus poderes, mesmo assim ele não se torna normal, ele ainda fica com a mesma força e resistência que ele tinha antes, mesmo que esse garoto quisesse, ele não conseguiria sair daqui de forma nenhuma – esclareceu ela a dúvida.
Ela voltou sua atenção para garoto, que bem baixo parecia estar falando alguma coisa, repetia uma palavra que Alex tinha pronunciado, ela chegou com o ouvido bem perto da boca dele e conseguiu escutar a palavra “titã”, ele parecia estar começando a ficar consciente novamente.
— Onde, onde, onde...ONDE ESTÁ A VILA DOS TITÃS?! – gritou o garoto, sua voz como o grito foi tão forte ao ponto de tremer o lugar, ele então começou a se debater das correntes, elas tremiam e sacudiam como ondas, as travas que as seguravam nas paredes se tencionavam cada vez mais, mesmo assim ele não conseguiu sair do lugar e se acalmou novamente.
— Alex, posso ficar um tempo a sós com o menino? – perguntou Rebecca, ele sabia que seria perigoso, mesmo assim ele obedeceu.
Rebecca se levantou e ficou de pé na frente do garoto, ela então pegou o molho de chaves das correntes que estava logo ao seu lado na grade da cela. Alex tinha se escondido em uma parede, tudo isso por que não queria deixar ela sozinha.
— Vou te contar uma pequena história, pode ser bem impactante para você, mesmo assim eu lhe darei essa notícia, todos os titãs estão mortos, todos foram ou se mataram ou foram mortos em combate contra outros magos, você deve estar se perguntando, mas a magia titã é invencível, pelo menos é o que você deve achar garoto, pelo menos isso é o que os adultos falam para as crianças, mas não se engane, pessoas com a sua magia estão todas mortas – disse Rebecca, ela parecia bem fria, mas sabia que isso era o certo a se fazer, ela não queria dar falsas esperanças para uma criança.
O menino ao ouvir essas palavras, se debateu mais uma vez, as algemas se tencionaram e faziam fortes barulhos nas paredes do ambiente.
— Os titãs, pelo menos no último meio século eles foram sendo usados como escudos, muitas guerras aconteceram nos últimos cinquenta anos ou menos, guerras por poder, por soberania, guerras de deuses e guerras contra magos insuperáveis, sim, todos os titãs foram mortos, mesmo com magias tão poderosas quanto a deles. Sua espécie foi extinta, a minha foi a mesma coisa, nós, no caso os necromantes, não éramos considerados os magos mais fortes, ou mesmo os mais eficientes, mesmo assim nós lutávamos em muitos combates, foi então chegada a hora em que foi descoberta uma magia que todo necromante tinha que dava a capacidade de reviver uma pessoa morta, era uma troca de alma, o necromante se matava e dava a vida para uma pessoa que já morreu, não importa a quanto tempo foi, por fim, começou a caça, todos os necromantes começaram a ser caçados de todas as formas possíveis, a única regra era que tinham de ser capturados vivos, mas não falavam nada sobre o quão feridos fossem, nessa época, muito dinheiro era dado em troca de cada cabeça necromante, já outros prendiam necromantes em suas próprias residências para usar o poder da vida quando chegasse sua hora. Com centenas de necromantes capturados em todo o país, foi então que os homens foram os primeiros a serem usados para reviver mortos, logo então as mulheres foram presas e estupradas todos os dias para que nascessem crianças com o poder da necromancia, crianças que nascessem sem magia eram mortas, já as que nasciam com essa magia eram usadas da mesma forma que os adultos, para saciar o desejo da vida após a morte...sim garoto, minha espécie foi extinta assim como a sua, apenas para saciar o desejo de outras pessoas – disse Rebecca.
O garoto parecia bem mais calmo do que antes, as palavras de Rebecca chegaram até ele, ele respirava tranquilamente agora, parecia ter aceitado tudo isso.
— Era para eu ter sido morta também, mesmo assim, a senhora Forza me encontrou e me treinou, como uma filha e agora te vendo nessas condições você me faz querer poder te ajudar – falou Rebecca, decidida de que se ela demonstrasse que o jovem não seria uma ameaça ela pudesse libertar ele.
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