Dragões Imperiais

4 Soldados não nascem da coragem


Os quatro magos, escolhidos pelas forças do exército, estavam separados do resto dos novos recrutas e de outros que não foram tão bem nos testes, Alex e Sara estavam no centro e nos cantos estavam Blem e Richet. Os quatro posicionados em linha como uma equipe, mas nem de longe eles sabiam e iriam trabalhar uns pelos outros caso fosse preciso, eles estavam de igual para igual no seu atual posto, mas nenhum colocaria sua língua ao dizer que está no mesmo nível que os outros três, eles haviam recebido ordens do capitão para que aguardassem naquele lugar que eles receberiam ordens de uma pessoa que veio justamente para encontrá-los naquela base.

Então lá estavam os jovens, esperando, Alex percebia enquanto isso o quanto eles eram diferentes, enquanto Blem batia os pés no chão sucessivamente e Sara mordia suas unhas das mãos de nervosos ambos, Richet nem mesmo parecia estar nervosa, mas para Alex, ele sabia que ela só queria parecer mais forte que os outros em equilíbrio mental. A pessoa já estava na base desde alguns minutos atrás, deveria estar conversando com o capitão enquanto isso, será que seria a rainha, ou mesmo o general para lhes ingressar no exército, quem será que poderia ser, com toda certeza deveria ser alguém importante.

Alex começou a sentir uma dor de cabeça, ele colocou as duas mãos nas laterais de seu rosto e começou a apertar suas pálpebras com força, a dor em sua cabeça era muito grande, mais o que lhe causaria tamanho desconforto, será que era tudo sua empolgação, não, olhou para os lados e viu seus colegas se contorcendo de dor também, ele nunca tinha sentido isso antes, mas então se lembrou da primeira e principal regra quando os magos são treinados.

— “Nunca lute contra alguém que lhe dê dores de cabeça” – disse em voz baixa Richet, os outros três olharam para ela assustados, ela então fazendo bastante esforço, apontou o dedo indicador em uma direção na frente deles.

Uma aura enorme e vermelha como sangue vinha na direção dos mesmos, quanto mais próximo a pessoa se aproximava mais a dor era intensa, com certeza era um mago bem poderoso. Então eles puderam ver o corpo da pessoa, era uma mulher bem alta, ela com certeza era mais alta que os quatro ali de pé, ela tinha um corpo magro e ao mesmo tempo forte, seios pequenos, pernas e braços musculosos, apesar de que estavam sendo cobertos por longas vestes que cobriam quase que completamente seu corpo, ela usava um uniforme escuro(ele mais se parecia com o uniforme da policia montada canadense, no caso cinza), era um sobretudo cinza bem escuro, quase chegando ao negro com dois bolsos nas laterais de sua cintura, botas longas também da mesma coloração, o sobretudo era preso por um cinto de couro marrom, segurado por uma fivela dourada, parecia ser bem caro, o sobretudo tinha mangas longas e ombreiras de pano douradas, de mais em seu peito, no lado direito ela tinha duas medalhas e logo acima delas um emblema em formato de olho na coloração também dourada, eles já tinham visto aquele emblema, ele também era usado pelo capitão Contraforte, representava a cidade de Tesouro e só pessoas da elite usavam aquilo no peito. Já a mulher em si, ela tinha um longo cabelo ruivo, que se aproximava mais do rubro ou vinho, seus olhos eram vermelhos como poças de sangue, assim como sua aura mágica, o batom que estava em sua boca também era de vermelho vinho.

Ela veio fumando na direção dos quatro e quando chegou frente a frente com eles, os mesmo caíram no chão, Sara quase que completamente inconsciente, ela olhou com olhar severo para os mesmos, parecia muito estar os julgando como animais inferiores, aqueles olhos de sangue fixos, aquilo chegaria a dar medo em criançinhas, ela olhou para eles no chão, principalmente para Sara, deu uma tragada em seu cigarro, queimando um pouco a ponta acessa que estava contrária de sua boca, encheu os pulmões e quando soltou o ar uma fumaça branca dançou se dissipando no céu. Richet tentou se levantar para ficar de frente com a mulher.

— Tudo bem, fiquem aí sentados durante alguns segundos, daqui a pouco o efeito das suas dores de cabeça vai passar e já poderão me seguir – disse a mulher.

— Você seria quem senhora? – perguntou Blem.

O cara mais debochado do lugar parecia um anjo perto de alguém que lhe colocasse medo, pensou Alex.

— Eu sou Forza, Helena Forza, capitã das forças armadas expedicionárias do lado de fora dos muros da cidade, ou seja, eu cuido da merda que acontece aqui fora, mesmo a merda que seu capitão faz, enquanto Norman fica fazendo seu show na cidade – disse a ruiva.

Alex sentiu vontade de rir das coisas que ela falou, mas preferiu ficar quieto, ainda sentia dores. Aos poucos Sara voltou a ficar consciente, Alex e Blem ajudaram a deixar a garota sentada com mínimos cuidados, a capitã não parecia estar nem um pouco preocupada com nenhum deles, ela parecia olhar de forma debochada para os quatro, mas mesmo assim algo era claro, ela não deixava escapar um movimento sequer deles, claramente estava os testando.

— Fui chamada aqui para ser a sua guia na cidade de Tesouro – disse a capitã Forza.

Estavam já se sentindo um pouco melhores, então pode ser visto os rostos de felicidade e encanto dos soldados.

— Sim, eu irei lhes guiar até a cidade e vocês camponeses, finalmente poderão ter uma audiência com a rainha, vai ser como uma vaga, se ela gostar de vocês e de seus poderes, vocês poderão ingressar no exército e até mesmo se tornarem guardas particulares da rainha, mas caso vocês não agradem ela..., enfim, é meio complicado, mas resumindo, vocês não passaram de vermes no país e nunca mais serão reconhecidos, claro, ainda serão reconhecidos como mais idiotas que se esforçaram muito para não ganhar nada além de umas medalhas feitas de latão – completou a capitã.

+Mais tarde no mesmo dia+

— Vamos, já perdi tempo demais no meio desses camponeses! – gritou a capitã esperando os quatro em uma carroça puxada por dois cavalos negros, eles que iriam levar toda a carga, seja ela humana ou armamento até a cidade.

Eles enfim haviam chego até a carroça de madeira, ambos levavam cada um uma mochila em suas costas, Blem sendo o mais ousado em um só pulo entrou na carroça que balançou para os lados durante poucos segundos, Sara pisou sobre a roda e subiu delicadamente no veículo, Alex e Richet subiram apoiando suas mãos na parte alta e dando um impulso no corpo, Richet não gostou de Alex ter subido da mesma forma que ela, apesar desse motivo ser totalmente ridículo para aguçar sua raiva. Os magos deram adeus para muitos, agora antigos colegas, acenavam em alegria, a única que não acenava era Richet.

— Vamos Pégaso, Árion – disse Forza, ela deu um grito, estilo cavaleiro e bateu a guia com força, então os dois cavalos começaram a andar seguindo a direção de uma trilha, a qual eles já eram acostumados a tomar todas às vezes. De longe, no meio da multidão, o capitão Contraforte observava a saída dos cavalos, preocupado.

Gritos de soldados amigos dos quatro melhores puderam ser ouvidos até de centenas de metros pelo meio da floresta, com a distância as árvores engoliram a base no horizonte, árvores altas que abrigavam diversos tipos de animais e feras eram a nova e única visão do grupo, sem a importância de para qual lado se olhasse. Alex arrumou sua bolsa sobre outra que mais parecia ter sido jogada, então ele se sentou ao lado de uma grande caixa de madeira, virado de frente para Richet no apertado lugar.

— Ei, todos vocês querem se tornar soldados da cidade? – jogou no ar Alex, querendo saber quais eram os desejos de seus colegas. A pergunta surpreendeu Sara, que logo depois abaixou a cabeça como se tivesse se sentido triste com aquilo, Richet então tomou a iniciativa de falar.

— É claro, eu irei entrar no exército e provar que sou muito melhor que qualquer um de vocês, tenho certeza que facilmente alcançarei um posto bem alto, posso me tornar até uma capitã em poucos dias, ou mesmo general – disse Richet com o peito estufado de confiança, Forza que escutava tudo deu um sorriso pela tamanha ousadia e petulância em falar isso estando ao lado de uma capitã como ela, entretanto ela lembrou de um rosto, um homem, que chegou ao posto de general em apenas uma semana.

— Ela sempre se sentindo a superior, já lhe disse Alex, vamos lutar juntos, seja no exército ou não, acima de tudo eu prezo por lutar ao lado de meus amigos – disse Blem certeiro em suas palavras.

— Eu quero com toda a certeza entrar para o exército e provar que posso ajudar as pessoas, provar para mim mesma que sou capaz, provar que não sou uma fera – disse Sara ainda de cabeça baixa, Blem e Richet caíram na gargalhada pelas palavras da pequena garota morena, Alex tinha percebido que a mesma estava triste e não achou graça naquilo. Forza mesmo virada de costas para eles tomou conhecimento da situação.

Há mais de dez anos atrás, uma família vivia sozinha e feliz com sua casa fixada no pé de uma grande montanha, a guerra tinha destruído tudo o que estava por perto, tudo culpa de magos que só infestaram o mundo como fungos e destruíam tudo o que não lhes convinha, a família era composta por um casal e sua filha pequena, uma menina que também havia recebido o dom da magia e ela gostava de brincar com seus poderes na maior inocência do mundo, ela podia copiar a habilidade de qualquer pessoa, só de ver algum músico tocando certo instrumento ela conseguia tocar igual, conseguia jogar igual outras crianças só de os observar jogando, mesmo conseguia correr na velocidade de um cão ao observar um, isso era algo estupendo, mas seus pais não se agradavam muito com aquilo, eles eram meio receosos em relação aos portadores de magia e sempre que viam e menina usando magia eles lhe enchiam de tarefas, lhe forçavam a fazer quase todas as tarefas da casa quando ela era vista usando magia, praticamente lhes dava nojo a magia, eles tinham medo de qualquer dia ela perder o controle da magia e matar alguém, então eles lhe mantinham presa dentro da casa.

Certo dia o casal voltava para casa do meio da floresta, eles haviam ido até um campo em que pegavam água em um poço com baldes, eles faziam aquilo todos os dias, a mulher nem sempre ia, já o homem tinha que ir todos os dias, já que ele era mais forte, aguentava mais peso. Certo dia quando voltavam do lugar eles passaram por dois homens, eles pareciam bem alterados, já ficando receosa, a mulher se escondeu atrás do homem, os dois começaram a mexer com a mulher, pedindo para saírem juntos, curtirem juntos, foi claramente um caso de assédio e quando o marido se irritou e quis espancar os dois homens, ele logo se arrependeu, eles mostraram ser possuidores de magia, os magos quebraram os baldes de água e machucaram muito o homem, mesmo quase o matando sufocado, passaram a mão na mulher como se ela fosse um objeto e com medo ela não fez nada. Quando a noite caiu e os pais chegaram na casa, eles pareciam ter tido suas almas quebradas, a tristeza pelo ocorrido não era suficiente para entrar em palavras, mas algo realmente os tirou do sério, eles viram a menina Sara usando magia dentro de casa, ela se segurava nas paredes usando as mãos, talvez tivesse copiado essa habilidade de algum inseto, quando os viu chegar logo pulou no chão e cruzou as mãos para trás, sabia que eles não gostavam de ver a menina usando magia e rapidamente começou a pedir desculpas, mas isso não adiantou de nada.

Naquela noite Sara apanhou e muito, toda a dor e vergonha que os pais sentiam foi depositado na garota, a partir daquele dia eles começaram a tratar ela como um animal, batiam nela sempre que a mesma parecia, só parecia ter usado magia ou que passasse na cabeça de um dois que ela usou, lhe chamavam de fera e falavam que ela iria sair machucando os outros se usasse magia e quando a garota tentava falar que ela iria usar magia para ajudar os outros ela apanhava mais do que de costume, ela sempre teve seu dom reprimido e quando completou cerca de dezesseis anos seus pais lhe mandaram para a base do exército, não por que queriam que ela se tornasse mais forte, uma pessoa melhor, mas sim pelo fato de quererem se livrar logo dela.

De volta ao presente

— Sim, eu acho que é um motivo besta, acho que devo ter outra razão para querer entrar no exército, mas foi isso que me veio na cabeça – disse Sara que começou a cair na gargalhada junto deles, mesmo que por fora ela estivesse rindo, por dentro ela estava chorando.