Dragão Escarlate
15 Capítulo 14 - Anúncio
Notas iniciais
—Mais uma vez, o mundo será ameaçado. – Sua voz era clara e calma, ela parecia saber exatamente o que iria dizer. – Uma ameaça do passado retornará, e vocês devem se atentar para como prosseguir daqui para frente.
Todos no salão estavam completamente calados. Depois de ver as pessoas mais poderosas do mundo demostrando total respeito à pessoa que anunciou o possível fim do mundo, ninguém conseguiria reagir. Ela continuou:
—Há algumas eras, um monstro chegou à Terra. Esse ser não era do tempo, ele foi trazido por ações de poderes temporais e espaciais muito fortes. – Apesar do assunto completamente desesperador, ela mantinha a calma como se já houvesse dito aquilo milhares de vezes. – Dotados de informações privilegiadas, alguns indivíduos foram capazes de combater a criatura. Não se enganem, ela destruiu muito da civilização da época, mas após a batalha, entrou em um estado de dormência. Em um futuro relativamente próximo, a criatura despertará novamente. E após, o mundo realmente pode chegar ao seu fim, dependendo de como pretendem agir.
Ela não estava olhando para ninguém em particular enquanto falava (o que era de se esperar, já que era cega), mas assim que abri a boca para falar algo, ela imediatamente virou o rosto para mim, como se soubesse que eu ia dizer algo e onde eu estava.
—Mas como que você sabe dessas coisas? Falou de coisa que aconteceu a um tempão e ninguém sabe e de coisa que ainda vai acontecer. – Eu perguntei, sem prestar atenção nas outras pessoas à nossa volta.
Alguns SS se incomodaram com a minha fala, mas antes que pudessem demostrar, a moça de terno branco respondeu:
—É uma pergunta válida. Os poucos que me conhecem me chamam de ‘A juíza’, aquela que conhece o passado, presente e futuro. – Ela respondeu, de forma simplificada. – Meu intuito é ajudar como julgo melhor, às vezes julgando literalmente.
—Mas se você sabe o futuro todo, qual número eu...
—Doze. – Ela me interrompeu e voltou-se novamente a todos. – Múltiplas ameaças se apresentarão. Atenham-se.
Ela entregou o microfone e saiu pelo mesmo caminho que entrou, andando elegantemente em uma perfeita linha reta. Todo mundo estava em choque com o que havia acontecido, todos com exceção do nosso diretor e da SS japonesa ao seu lado. As pessoas mais poderosas do local se reuniram no centro e tiveram uma pequena discussão em voz baixa, da qual eu não consegui pegar nenhuma informação.
—Eu posso terminar agora? – Eu perguntei, pegando uma Lydia extremamente em choque do chão pelo pulso e levantando-a. – Eu meio que tava no meio de um negócio aqui, sabe?
Acho que alguns dos SS tinham se esquecido do evento inteiro, mas após me ouvirem e armarem um breve acordo, o careca pegou o microfone:
—Nós temos o bastante. Aqueles que já tiverem lutado podem deixar a arena e voltar para casa. – Ele parecia impaciente. –O restante que ainda vai lutar, iremos fazê-lo rapidamente.
—Tá, mas eu ainda não... – Eu comecei, mas fui interrompida por uma onda de gravidade bem em cima de mim que quase me jogou no chão. Firmei bem os joelhos e senti a minha raiva me forçando a liberar um pouco de energia, o que facilitou.
O SS careca trocou um olhar com o Hayata e parou o que estava fazendo sobre mim.
—Você também pode ir, garota.
Eu larguei a menina no chão de novo e fui andando em direção à saída, para onde o resto dos meus amigos já estava se dirigindo. Muitos outros participantes também estavam saindo, vários deles ainda nem tinham lutado. Aparentemente, receber seus ranks e lutar contra uma das maiores ameaças que a humanidade já encontrou não estava nos planos deles.
No corredor, a caminho do saguão pelo qual entramos, vimos os profissionais que haviam capturado os Lontrorus trocando-os de jaula. Após passarmos, olhei para trás e percebi que a Blair estava conversando com um deles, mas ela logo veio correndo, segurando a barriga como se estivesse com dor. Não dei muita atenção, estava focada no anúncio feito pela tal Juíza. Dessa vez, não era mais sobre pudim ou rank.
—Alicia, você está fazendo uma cara estranha. – Disse Dandara, tentando descontrair – Chega a parecer que você está... pensando.
—Mas é claro poxa, depois do anúncio, até eu fico preocupada. – Eu virei para ela, concentrada. – Se eu, a pessoa mais forte do mundo com certeza, não ficar mais forte, todos os meus amigos vão morrer.
—Por mais que você se ache muito forte, eu acho que a gente também pode ajudar um pouco, sabe? – Ela respondeu. – Nós começamos a treinar bem antes da ameaça ser anunciada, acho que com esforço podemos ficar fortes o bastante.
Blair ainda estava um pouco para trás, segurando a barriga, mas acompanhando a turma. Mia conversava com Steve um pouco mais para frente. Enquanto conversávamos, G parecia extremamente pensativo, até que pareceu perceber algo após a fala de Dandara.
—Nós realmente começamos a treinar muito antes do anúncio, e até tivemos a batalha contra o lobossauro adiantada. – Ele falou, mais para si mesmo do que para nós. – Chega a parecer que o nosso diretor já sabia o que ocorreria, não é mesmo?
Agora que ele tinha falado, realmente parecia. Considerei um pouco a situação e me lembrei de quando a Juíza fez o anúncio.
—Para falar a verdade, ele e a moça japonesas foram os únicos SS que não mostraram muita surpresa com a notícia. Será que eles falaram com ela antes?
—Isso é uma observação boa, de onde a gente estava não dava para ver muito bem as expressões no rosto deles. – Dandara disse, concluindo o que estávamos pensando. – Nós começamos a ser treinados para catástrofe muito antes do resto.
—Não é meio estranho que a gente vai salvar o mundo e o nosso pagamento é em pudim? – Eu indaguei. – Tipo, não to reclamando, eu aaaaaamo pudim, mas com um negócio desses na linha, podia até ter comida melhor.
Nós continuamos a discutir até chegar no ônibus. Olhando para trás, quase deu dó de sair do prédio, ele realmente era muito bonito. O jatinho dos SS continuava ali, mas eles obviamente estavam terminando as avaliações.
Pegamos o ônibus de volta para o ‘orfanato’, e eu obviamente dormi imediatamente depois de entrar e me sentar (a linda aqui precisa do soninho da beleza né). Quando chegamos, já era relativamente tarde, mas como não havíamos comido, fomos direto ao refeitório (e pode crer, o detector de metal pirou quando a Mia passou embaixo).
Passamos pelos corredores conversando pouco, todos ainda um pouco chocados com o anúncio de possível fim do mundo. Chegando ao refeitório, o meu ânimo melhorou um pouquinho, tinha pudim! Não era costume ter pudim na janta, mas provavelmente era uma exceção como comemoração ao teste de ranks.
Peguei o meu prato e coloquei um sanduíche, pudim e peguei um achocolatado também. Fui me sentar à mesa, acompanhado do G e de Dandara. Por algum motivo, não havia visto Mia desde que chegamos e nem Blair, mas comemos a comida com gosto, não percebemos o quão faminto estávamos.
No meio do nosso banquete silencioso, a nossa queridíssima Blair resolveu mostrar as caras. Ela chegou um pouco descabelada, com o seu prato, e se sentou na frente do G.
—Desculpa gente, eu estava resolvendo uns probleminhas no meu quarto. – Ela disse, pescando uns brócolis do prato (ela estava bem fitness esses dias). – Parece que teremos que ficar muito mais fortes né...
—Pois é, e eu já até sei que que eu vou fazer. – Eu disse entusiasmada, terminando de comer o meu pudim. – Eu vou treinar pra caramba, até estar tão forte que meu sopro de fogo vai atravessar o mundo e me acertar pelas costas.
Os três me encararam por um instante e começaram a dar risada, quebrando o clima de tensão antes presente.
—É, eu acho que a gente devia começar a treinar mesmo. Talvez não a esse ponto, mas bastante. – Disse Dandara, também terminando de comer.
—Realmente, eu já tenho alguns planos de como melhorar, mas toda ajuda é bem-vinda. – Disse G, que já tinha acabado de comer e estava esperando.
Rapidamente acabamos de comer e nos dirigimos aos quartos. Apesar de ser ótimo ter uma roupa diferente, eu realmente já estava me acostumando com aqueles pijamas (apesar de que precisava de cores novas). Entrei no meu cafofo e fui direto para o banho, me trocando de roupas em seguida.
—Acho que você pode acabar sendo mais útil do que eu pensava no futuro. – Eu disse para o meu livro sobre monstros e fui me deitar.
A partir de amanhã, todos nós treinaríamos muito mais a sério.
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