Dragoste si Umbra - Amor e Sombra

10 "E sua alegria virou cinzas em sua boca...''


Aquela viagem foi um erro, um grande erro. O breve romance com Borislav também, ambos acabaram de coração partido.

Com o passar dos tempos o brilho dos olhos da menina,assim como seu perfeito e branco sorriso desapareceram,ainda que não por completo, porém para aqueles que a viram nascer eles haviam sumido, no dia da chuva mais perturbadora e medonha que já cercou o vasto território Hilderland.

A menina encontrada depois de um tempo na clareira onde ficara toda a noite gritando agoniada, e ferindo o próprio corpo,tinha agora a aparência completamente modificada,os olhos que apesar de negros tinham um brilho quente e magnífico,agora eram rígidos e impassíveis,como se toda o brilho de vida ali presente fosse arrancado e no lugar deixado apenas uma dor muda,carregada eternamente.

Os traços meigos e delicados ainda que raramente envoltos por vestidos agora estavam ainda mais brancos,devido a falta de contato com a luz do dia,sua vida se resumia agora a ficar dias e mais dias trancafiada decorando leis e regras,nunca mais cantou nunca mais bordou,cavalgava apenas nas primeiras horas do dia,mas o gosto por armas esse ficou ainda mais forte,e agora ela dominava por completo a as artes da guerra.

–---Deveria dormir um pouco, comer um pouco, talvez se tomasse um pouco de sol... Adda até começou, mais logo foi atravessada por uma resposta precisa.

–---Não, obrigada tenho outras coisas para fazer. Todos os dias a única coisa que ela fazia era escrever cartas e mais cartas, proferir sentenças, executar sentenças, mas principalmente ela se empenhou em fazer das terras Hilderland,ainda mais prósperas e seguras com nunca foram antes,as leis e regras antes rígidas,agora eram inflexíveis e inquebráveis,a honra para os Hilderland era levada até mais a serio do que por qualquer Tully já existente.

Era uma manhã chuvosa típica do norte, e lá estava ela no alto da muralha em torno do castelo, era ali único momento em que ela se permitia fraquejar e chorar,desde que Brandon morrera á mais de um ano ela agora uma bela donzela já florescida de quatorze quase quinze anos,ali ela era apenas uma menina assustada contemplando as estrelas.

–---- O que você quer Borislav? Limpou uma lágrima com as costas das mãos.

–---- Como sabia que era eu? Borislav era um guerreiro extremamente silencioso isso o permitia surpreender seus inimigos.

–---- Além do fato de você ser o único que sabe que venho aqui, você cheira a almíscar. Ela continuava olhando para o céu.

–---- O que você tanto olha, nunca viu estrelas antes que tem que olhar para elas com tanta atenção? A voz dele queria adotar tom de sarcasmo e brincadeira, coisas que para Ilona já não tinha mais graça.

–---- Não são só estrelas, são todas as lágrimas e pedidos que já fiz. Ela disse olhando para ele com o mesmo olhar cortante que tinha no dia em que sua vida toda desmoronou, aquele era seu décimo quinto aniversário, o dia de seu nome, mais parecia o dia de sua morte.

Ele nada disse apenas ficou ali,ao lado dela,como sempre fazia.

No mesmo dia lá estava ela sentada ao lado do pai em frente a lareira,com um cálice de hidromel,e um pão doce na mão.

Nesse instante Borislav entrou, quase derrubando a porta, Ilona logo se levantou seguida pelo pai.

–---- Aconteceu alguma coisa? Ela logo perguntou Borislav não era o tipo de homem que esqueci as boas maneiras.

–---- Perdoe-me pelos modos mas,sim aconteceu algo com seu tio,Vayer,foi capturado por um grupo significativo de selvagens,em uma vila,e pelo visto eles pretendem marchar sob o norte.

–---- Minha nossa. Volgan não podia acreditar Vayer era experiente não era o tipo de homem fácil de ser apanhado, ele estava retornando de Porto Real, levara com sigo cerca de trinta homens, do escalão mais baixo já que era uma viagem pacífica, era.

–---- Um número significativo de selvagens, quantos? Ilona já de pé tinha mil ideias na cabeça sempre pensava e criava estratégias rápidas de mais e isso era bom, porem precipitado.

–---- Cerca de quinze a vinte mil, senhora. Borislav sabia que aquele número não era pouco, levando em conta que selvagens se agrupam a selvagens pelo caminho todo, se resolvessem marchar rumo às terras Hilderland, teriam pelo menos trinta mil homens.

–--- Como assim o que vamos enfrentar? Volgan olhava firme para a filha, com medo da resposta.

–---- O senhor acha mesmo que eles vão pegar o meu tio, por um motivo banal?Eles querem uma garantia, sabem que não faremos nada enquanto um dos nossos estiver com eles, meus irmãos estão fora, o senhor deve cuidar do castelo e enviar os alertas para nossos vassalos. O tom em sua voz era firme de quem não mudaria de ideia.

–---- E quanto a você, o que você fará? Volgan sabia a resposta.

–---- Vou lutar até que o ar já não chegue mais a meus pulmões, até que meus joelhos cedam ao peso de meu corpo, vou lutar até que cada filha da puta desses selvagens esteja morto, e meu tio esteja a salvo. Os olhos dela tinham um brilho quase doentio.

–---- Perdoe-me senhora mais acha mesmo que conseguirá cavalgar por quase seis dias sem descanso, e lutar para interceptar um ataque de selvagens. Borislav não duvidava dela, apenas queria ver se ela era aquilo que seus homens diziam, “A menina nascida da guerra”.

–---- Acha que não consigo, eu sou Ilona da casa Hilderland, a primeira em duzentos anos, fui feita para algo além de me casar e ter filhos. Borislav e Volgan sabiam o que ela queria dizer com aquilo, uma menina Hilderland nascia,à guerra com ela viria.

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