Notas iniciais
Sabe quando eu fiz o primeiro esboço desse capítulo? Depois do desastre da seleção brasileira contra a seleção alemã. Eu parei de ver o jogo depois do segundo gol e fui fazer qualquer outra coisa. Acabei vindo escrever mais kkkkkkk Meu coração não aguenta esse tipo de coisa. D: (Imagina se eu tivesse ficado até o fim do jogo?!) Aliás, não é de se admirar que o capítulo tenha ficado… Bem… Melhor descobrir por você mesmo. Te encontro nas notas finais.

Max acordou no meio da noite suando frio. Ele se sentou na borda da cama apoiando seus cotovelos nos joelhos e segurando a cabeça entre as mãos. Ele sentia tonturas, uma dor de cabeça insuportável, sentia-se enjoado. Respirar era uma tarefa difícil, ele não conseguia puxar o ar devidamente pelas narinas, só não estava sufocando por conta da quantidade mínima de ar que entrava por sua boca. Parecia que seu coração estava bombeando muito mais do que o que sua capacidade aguentaria. Ele ouvia cada batimento em seus ouvidos. Além disso, ele se sentia deprimido, como se tivessem tirado algo muito importante de perto dele, ele sentia o vazio da perda. Uma parte de si queria se entregar ao sentimento e deixar que a morte cuidasse de tudo, acalmando sua alma e descansando seu corpo. Na verdade, ele sentia como se já tivesse morto e os sentimentos fossem sua alma presa no limbo eterno.

Tentando afastar a sensação, fez seu caminho praticamente se arrastando até o banheiro, acendeu a luz, se arrependendo imediatamente quando seus olhos protestaram e ele quase caiu com a pontada que sentiu nas têmporas. Assim que abriu os olhos percebeu que sua visão estava com pontos brilhantes que não o deixavam enxergar direito. Maxwell fechou a porta do banheiro com cuidado para não fazer barulho e ligou o chuveiro, se pondo embaixo d’água sem se importar se molhava seu pijama e suas meias. Ele ficou vários minutos apenas sentindo a água batendo em seu rosto e escorrendo por seu corpo, aproveitando cada gota que o deixava um pouco menos arruinado. E encostando a cabeça no azulejo frio do box, ele deixou sua mente vagar por qualquer pensamento que ela quisesse, sem se manter preso a nenhum deles ou se forçar a prestar atenção.

Ele ficou surpreso quando seu pai bateu na porta pedindo que ele se apressasse. Havia realmente passado tanto tempo? Ele não sabia que horas havia levantado também, logo não tinha como ter certeza. O menino tirou a roupa e a pôs pendurada no lugar da toalha que pegou para se enrolar. Ao passar por seu pai, o mesmo pôs a mão em sua testa e disse que ele parecia pálido, perguntando se ele estava bem, porém ele não respondeu nada e foi se vestir para a escola. Max não gostava de faltar a não ser que fosse extremamente necessário e naquele momento ele não se sentia tão mal, estava péssimo, mas havia melhorado um pouco. Por precaução ele levaria todos os seus documentos para o caso de piorar e ser obrigado a ir ao médico. Pouco antes de sair, ele se olhou no espelho em seu guarda-roupa, se assustando. Seu olho direito estava com a íris em um tom de vermelho sangue. O que isso significaria? Ele não tinha ideia, mas sua visão não estava mais ruim então ele decidiu apenas por um óculos escuro para sair, evitando lesões causadas pela claridade.

Foi só por os pés para fora de casa que a sensação ruim foi diminuindo. A cada passo mais perto da escola, menos sintomas eram perceptíveis e o sentimento de morte parecia cada vez mais distante. Chegando na escola ele já conseguia respirar muito bem, não sentia o enjôo ou a dor de cabeça.

Maxwell entrava pelo portão quando foi puxado com violência para trás. Ele olhou para os lados, tropeçando em suas próprias pernas, tentando continuar de pé e viu que era Lin. Ela não o olhou nem uma única vez, continuava o puxando para mais longe da escola. Max protestava e chamava sua atenção, mas ela o ignorava e o dava puxões mais fortes de vez enquando para que ele não recuperasse completamente o equilíbrio. Ao ver o primeiro beco, ela o empurrou contra a parede, o fazendo bater com as costas e o imprensou com o braço contra o peito dele. Max era alguns centímetros mais alto que ela, porém isso não a impedia de encará-lo de perto, olho no olho, ou óculos. Ele notou que ela estava usando lentes de contato azul.

– Tira o óculos e diz o que você fez! — Lin pronunciou em tom ameaçador.

– Qual é o seu problema?!

– Ah, então você quer saber? — Ela riu sarcasticamente. — Olha, ontem, se seu me lembro bem, eu caí de um andar, bati a cabeça e fiquei desacordada com um maluco no meio da floresta! — Max abriu a boca para falar, mas ela bateu o braço contra o peito dele o apertando ainda mais. — Depois de eu não saber o que aconteceu na hora, eu tive que sair correndo no escuro pra achar o ônibus que ia me levar pra casa pra eu tentar dormir e não conseguir de tanta dor! Você era o único ali na hora que eu desmaiei! Você fez alguma coisa! O. Que. Você. Fez?!

– Eu não fiz nada! — Ele gritou.

– Então tira essa merda desse óculos e diz me olhando nos olhos! — Ela gritou de volta, agora com o antebraço contra o pescoço do menino e o ameaçou com o punho fechado. — Agora!

– Tá, calma! — Ele tirou os óculos do rosto e eles acabaram caindo no chão. — Eu não fiz nada…

Houve um momento de silêncio com os dois se olhando.

Lindsay, que até agora segurava um semblante raivoso, parecia relaxar e aos poucos foi o soltando, deixando os braços caírem ao lado do corpo. Então começou a andar para mais dentro do beco, voltando até Max depois.

– Você também não dormiu. Tá parecendo um panda com essa olheiras. — Ela pôs a mochila no chão e ele fez o mesmo. — Toma, eu nunca usei essas. — Ela jogou para ele um frasco pequeno que estava no bolso de seu short.

Olhando o conteúdo da garrafinha, ele viu um líquido transparente que envolvia duas lentes de contato verdes. Ele tentou dizer algo, mas uma voz interrompeu sua linha de pensamento.

– Lindsay?

– Josh! — Ela olhou para o cara alto vestido com um casaco de couro falso preto e uma calça jeans a mesma cor, rasgada em vários lugares.

– O que “cê” ta fazendo aqui? — Josh passou a mão pelos cabelos castanhos e arrepiados, cheios de gel. — Quem é esse cara?

– Ele? — Lin olhou para Maxwell. — Ele é um idiota qualquer. Ninguém importante.

– Logo vi. — Josh riu. — Gata, eu to indo buscar as coisas lá no Ed, quer ir comigo?

Ela sabia que “buscar as coisas” significava “encher a cara” e que Ed na verdade não era uma pessoa e sim uma casa onde os amigos dele se juntavam pra fazer baderna. Mesmo que fosse de manhã cedo ainda, talvez ela conseguisse dormir em algum canto, já que ela sabia voltar para casa e não estaria sozinha.

– Claro, não tenho nada melhor pra fazer. — Ela foi andando com Josh.

Max estava com raiva. “Um idiota qualquer”? Quem Lindsay pensava que era? Ela não tinha o menor direito de falar assim com ele. Ela o havia arrastado para essa situação. Ele poderia ter ido embora e a largado desacordada no meio do bosque com um monte de animais fazendo sons estranhos. Mas ele não fez isso, ele conseguiu acordá-la e eles saíram de lá juntos. Ele não ouviu nem uma palavra de agradecimento. Ela não foi a única a ter uma noite difícil. Ele não tinha culpa do que havia acontecido. E ela não tinha motivos para falar assim dele.

O garoto olhou os dois descendo a rua em direção ao centro da cidade, Josh com o braço ao redor dos ombros de Lindsay, depois ele viu as horas no relógio, ainda daria tempo de entrar na escola. Ele pegou a mochila que ela tinha largado no chão de qualquer maneira e seguiu seu caminho portões a dentro para suas aulas.

Lin tinha caminhado pouco quando Josh lembrou que precisava visitar rapidamente um amigo que morava em uma casa que eles já haviam passado. Ele pediu para que ela esperasse do lado de fora. Ela vestiu o casaco preto que até agora carregava amarrado ao redor de seu quadril. O dia estava ensolarado, porém várias nuvens podiam ser vistas. Em sua cabeça,os pensamentos da noite anterior. Ela estava tão cansada que achou que cairia em um sono profundo e só acordaria na manhã seguinte, mas ela estava errada. Ela começou tendo pesadelos alguns meses após completar quinze anos de idade e eles eram uma mistura de coisas sem sentido que a deixavam com sentimentos indescritíveis. Ela acordara gritando e chorando várias noites até conhecer Bonnie e elas começarem a sair para beber. Apesar de ainda ter os pesadelos vez ou outra, ela não se lembrava deles e só sabia que os teve ao perceber que seu rosto e travesseiro estavam molhados de lágrimas. Ela achou que fosse esse o motivo da noite ter sido um cansativo desastre até se olhar no espelho de manhã, se deparando com duas íris vermelho-sangue no lugar de seu habitual preto, do qual tinha tanto orgulho. Por algum motivo, achou que a culpa era de Max, mas não tinha nenhum fundamento nessa constatação e, depois de ver que ele também tinha um dos olhos de cor diferente, presumiu que talvez a razão não fosse uma ação do garoto, mas algo que tivesse acontecido aos dois na floresta.

Vários minutos se passaram até que Joshua voltasse a aparecer e Lin já estava quase desistindo de o acompanhar. Contudo, ao andarem mais para longe da escola, ela perdeu o fôlego. Parecia que alguém havia agarrado sua garganta e não a deixava respirar. Também uma forte dor de cabeça a deixou tonta. Ela instintivamente levou a mão ao pescoço e deu alguns passos para trás.

A sensação sumiu.

Josh não havia percebido que ela não estava mais ao seu lado e continuou andando, falando sozinho enquanto ela tentava o acompanhar. Ela dava um passo para frente e tudo voltava, ela recuava e se sentia melhor. Ela testou quatro vezes antes de seu acompanhante sentir sua falta.

– Pirralha? — Ele olhou para trás. — O que aconteceu?

– N-nada. — respondeu. — Eu só… É que… Eu lembrei de um negócio… Eu tenho que fazer…

– Quer que eu vá contigo? “Vamo” no Ed depois. Não é a mesma coisa sem você, gata.

Ela sorriu forçadamente para ele. Ela gostaria de poder ir, mas algo mais intrigante acontecia.

– Na verdade não. É coisa com minha mãe, sabe como é.

– Ah, falou. — Ele começou a andar de costas. — Te vejo… Por aí então…

Josh voltou a caminhar em direção ao seu destino e Lin voltou correndo em direção a escola.

Nesse meio tempo, Max se concentrava em sua aula de Matemática, anotando tudo que a professora dizia. Ele estava chateado pelo que acontecera antes, mas tentava ao máximo se concentrar. Ele olhava no relógio, queria voltar para casa e dormir.

De repente ele sentiu uma dor aguda em suas têmporas e perdeu a capacidade de respirar. Era esse o sinal, ele iria ao médico agora. Assim que conseguiu juntar forças, se dirigiu a enfermaria da escola, concluindo que era mais prudente que ir ao posto médico com risco de desmaiar.

O caminho pelo corredor foi difícil. As dores e sufocamento iam e vinham estranhamente rápido até pararem quando ele alcançou a porta desejada. Ele disse a enfermeira da escola o que estava sentindo e ela deu uma olhada rápida nele, o dizendo que não parecia ter nada errado além de sono e que se acontecesse de novo ele deveria voltar para que ela ligasse para alguém o levar ao posto médico. Porém ele não sentiu mais nada.

Dado o fim das aulas, ele saiu pelo portão da escola com a intenção de comprar alguma besteira para comer no caminho de casa, mas reparou Lin sentada no chão, com as costas encostadas no muro da escola, ouvindo música. Max deu meia volta quando ela se levantava para falar com ele e a ignorou, mesmo que ela o chamasse pelo nome várias vezes.

– Max, eu tenho que falar com você! — Ela corria para o alcançar.

– Me deixa em paz. — Max disse em tom sério sem a olhar.

– Olha, me escuta, eu tenho que te contar uma coisa! — Lin interrompeu seu caminhar entrando na frente e pondo a mão no peito dele. — É sério.

– É? Muito legal, vai contar pro seu amigo punk-rock que eu não não quero saber! — Ele desviou dela e continuou em direção ao ponto de ônibus.

– Olha, garoto, não quer que eu te conte, tudo bem, você sente na pele. — Max se afastava cada vez mais. — Se você entrar no ônibus, eu vou junto e te sigo até em casa. Vou te encher até você me ouvir. A não ser que você vá a pé. Eu não vou andar até o quinto dos infernos pra te seguir.

Lindsay acabou tendo de gritar as últimas frases, mas ele ouviu perfeitamente e murmurou um “ótimo” para si, passando direto pelo ponto.

Max olhou para trás e viu a menina sentando novamente na calçada, segurando a cabeça entre as mãos. Ele achou curioso, mas não pensou muito sobre isso e prosseguiu em frente. E poucos passos depois, o mal estar de mais cedo o atingiu em cheio, o fazendo cair de joelhos no chão. Novamente olhou para Lin. Ela estava se contorcendo, abaixando a cabeça cada vez mais por entre os braços, então ela se arrastou um pouco para o lado que ele estava, provocando um alívio instantâneo.

Sem saber muito bem o que havia acontecido, Max se pôs de pé e deu um passo pra longe, causando toda indisposição novamente e voltou para perto dela que ao ver que ele se aproximava também se levantou.

– O que diabos foi aquilo?

– Não sei — Ela mantinha um rosto sério e olhar brincalhão. -, mas parece que agora não posso largar do seu pé nem se eu quiser.

Notas finais
E não se esqueça de deixar um comentário e acompanhar a história para saber quando acontecer a próxima atualização. Se você realmente está gostando por que não dar uma recomendação e compartilhar com seus amigos? Deixaria a autora muito feliz. Vejo vocês no próximo capítulo. Até mais. o/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.