A BATALHA DAS 12 CASAS

Passava das nove da noite. A escuridão já havia engolido a Plataforma Celeste. Fazia mais de nove horas desde que a pesada porta da Sala do Tempo fora trancada por fora, isolando o Escorpião e o Aquário no vazio daquela dimensão.

Quando a energia colossal dos Guerreiros Z, acompanhada pela ignição dourada e inconfundível de Kanon, rasgou a estratosfera e varreu a Plataforma Celeste, ela foi recebida com um misto de assombro e urgência.

— Ah, é o papai! — A voz infantil e animada de Goten ecoou pelas colunatas. O garoto vinha correndo a toda velocidade na direção de Aiolia, vestindo a minuciosa réplica da Armadura de Leão que Dendê havia materializado para ele mais cedo. — É o ki do meu papai! E do meu irmão! E o do senhor Vegeta! E o do senhor Piccolo também!

O entusiasmo de Goten apenas confirmou o que o instinto dos Cavaleiros de Ouro já havia identificado.

— Caralho... — murmurou Máscara da Morte. O canceriano se levantou lentamente do degrau de mármore onde estava largado, caminhando até a borda da plataforma e semicerrando os olhos para o abismo escuro na direção da Grécia. O vento quente gerado pela pressão atmosférica distante balançou seus cabelos. — Esses desgraçados estão lá para defender o Santuário ou para afundar o resto do país de vez?

O humor ácido e cínico do canceriano não encontrou eco no semblante dos demais.

— Se os nossos aliados precisaram revelar os seus poderes dessa forma, as táticas furtivas acabaram — decretou Aiolia, apertando os punhos enquanto trocava olhares duros com Aldebaran, Afrodite e Shura. — Chegou a nossa hora.

Ignorando a tensão dos adultos, Goten continuou a sua corrida eufórica pelo pátio, as placas de ouro falso tilintando a cada passo. O garoto, no entanto, freou bruscamente, os olhos arregalados ao quase esbarrar na figura que vinha na direção oposta.

O ex-Grande Mestre marchava em passos rápidos, pesados e rítmicos, sem sequer olhar para a criança à sua frente. O semblante do geminiano e os olhos sombrios fixos em um único alvo no fim do corredor: os aposentos onde Mú e Shaka se mantinham trancados.

A porta de carvalho foi escancarada. O ambiente estava mergulhado na penumbra, iluminado apenas pela oscilação dourada do Cosmo que preenchia o ar denso.

Mú estava sentado à beira do leito onde Trunks jazia. As mãos do Carneiro Dourado pairavam abertas nas laterais da cabeça do garoto, trêmulas pela força colossal que exerciam no plano invisível. O rosto de Mú, sempre moldado na mais polida e professoral serenidade, estava coberto de suor. O maxilar travado e o olhar afiado denunciavam o esforço de sustentar uma mente infantil contra o abismo.

No chão, entre a cabeceira de Trunks e a cama onde Bulma repousava inerte, Shaka se mantinha na posição de lótus. O Karana Mudra continuava erguido, como uma lança invisível afastando os demônios de Pandora.

— Mú — a voz de Saga de Gêmeos trovejou ao invadir o aposento. O tom alto e imperativo foi o suficiente para atrair a atenção dos outros Dourados, que já se aproximavam pelo corredor. — Está na hora.

O Carneiro se manteve inerte, sem sequer piscar.

Saga apertou os punhos e deu um passo pesado para dentro do quarto.

— elevou o tom, a impaciência transbordando.

— Ainda não, Saga — a voz fria de Shaka cortou o geminiano, sem que o virginiano precisasse abrir os olhos.

— Os nossos aliados e o Kanon já revelaram os seus poderes — insistiu Saga, a frustração enrijecendo os músculos do pescoço. — Com essa quantidade absurda de energia exposta no Santuário, Poseidon e Hades vão enviar a sua elite. Precisamos estar lá embaixo agora!

A aspereza na voz de Saga fez com que os outros Cavaleiros de Ouro acelerassem o passo, aglomerando-se na entrada do recinto.

— Eles apenas se revelaram para o inimigo — rebateu Shaka, inabalável. — Atena ainda não nos chamou.

Saga ignorou, dando mais dois passos para dentro do quarto e preenchendo o espaço com sua presença. Mú permanecia em um transe, focado de tal maneira que parecia que apenas ele e a criança existiam no universo.

— Não chegue mais perto. — advertiu Shaka, o tom abaixando. — Já temos pressão o suficiente dividindo o véu astral por aqui.

— Não podemos esperar a burocracia de uma ordem divina enquanto o Santuário afunda! — esbravejou o ex-Grande Mestre.

Naquele instante, a porta do quarto foi tomada. Máscara da Morte, Aiolia, Aldebaran, Shura e Afrodite pararam no limiar, com o pequeno Goten se espremendo por entre as pernas do Cavaleiro de Leão para espiar o que estava acontecendo.

Foi então que Shaka quebrou as pernas do argumento.

— Saga, — o virginiano manteve a postura impecável, mas o peso em suas palavras fez a temperatura do quarto despencar — nós acabamos de forçar um pai a decidir entre a vida da mulher e a do próprio filho no meio de uma Guerra Santa. Estamos lidando com as consequências disso, fazendo o máximo que a nossa humanidade permite com os Cosmos ocultos. E Mú só sairá daqui quando a mente desse garoto estiver a salvo.

Saga parou no meio do quarto, enquanto Máscara da Morte soltou um assobio baixo e arrastado.

Aiolia e Aldebaran se entreolharam, os rostos marcados por um pesar silencioso e devastador. Lentamente, os dois Cavaleiros de Ouro abaixaram o olhar para Goten. O pequeno Saiyajin observava tudo com seus grandes olhos escuros, a inocência rachando diante da dura realidade da guerra.

— O Trunks e a tia Bulma... — a voz infantil embargou, e uma lágrima grossa escorreu pelo rosto do caçula de Goku. — Eles vão morrer?

O som de Goten fungando em um choro contido era a única coisa capaz de cortar o silêncio denso e asfixiante do ambiente.

Saga fechou os olhos por um instante, respirou fundo e os abriu novamente.

— Nos teletransporte para a Grécia, Mú — ordenou Saga, finalmente, a voz destituída de qualquer arrogância após ponderar o limite da situação. — Pelo menos a nós, os que já treinamos.

Do lado de fora, no corredor, Afrodite de Peixes deu um passo à frente. Com um farfalhar suave de sua capa, o guerreiro se abaixou, apoiando um dos joelhos no mármore para ficar na altura do garoto.

— Um Cavaleiro de Leão nunca chora — disse Afrodite. A voz destilava uma gentileza firme, rara e polida, enquanto ele tocava de leve o ombro da armadura dourada de brinquedo. — Por que não vai ao aposento ao lado e pede ao rapazinho esquisito para trazer as caixas douradas que estão com ele?

Goten piscou algumas vezes, secou as lágrimas com as costas das mãos de forma desajeitada e fez que sim com a cabeça, engolindo o pranto.

— O nome dele é Kiki — concluiu Afrodite, antes de se erguer.

O menino deu as costas e saiu a passos lentos e cabisbaixos pelo corredor. Assim que a criança sumiu de vista, Shura de Capricórnio foi o primeiro a intervir, rompendo a formação na porta.

— Eu abro mão do meu tempo na Sala do Tempo — declarou Shura, adentrando o quarto com o olhar afiado. — Se estão emanando energia de conflito físico daquela magnitude no Santuário, eu desço com Saga e Máscara da Morte.

— Eu também vou — acompanhou Aldebaran, cruzando o batente e fazendo o piso tremer levemente sob seu peso. — O ponto mais próximo do Santuário em que a barreira de teletransporte não atua e o inimigo não tem acesso visual imediato é o sopé de Star Hill, Mú. Nos deixe lá, e nós faremos o resto a pé.

O ariano não piscou e nem proferiu uma palavra.

— Eu descerei com Milo e Camus assim que a porta da Sala do Tempo for aberta — sentenciou Shaka, sem desfazer o Karana Mudra.

O som metálico e pesado de ouro ecoou pelo corredor. Kiki de Appendice surgiu na porta, usando sua telecinesia para levitar e guiar as quatro imponentes Caixas de Pandora até ali. Com um aceno rápido do garoto, as urnas de Touro, Gêmeos, Câncer e Capricórnio pousaram no piso, sendo reivindicadas por seus respectivos donos.

Mantendo a mão esquerda espalmada sobre a lateral da cabeça de Trunks, segurando firme a âncora astral do garoto de 10 anos, o Carneiro ergueu lentamente a mão direita na direção de onde Saga se encontrava. Máscara da Morte rapidamente se juntou aos outros três no centro do quarto.

Em um esforço cósmico assombroso, a mente de Mú se dividiu em duas frentes: uma metade continuou guerreando contra os demônios de Pandora no abismo de Trunks, enquanto a outra dobrava o espaço e a matéria, cravando as coordenadas na base da montanha sagrada.

Um clarão dourado cegante engoliu o aposento. Quando a luz se dissipou, Saga, Shura, Máscara da Morte e Aldebaran haviam desaparecido.

Kiki parou na porta do quarto. Com as mãos na cintura, a cabeça inclinada e o semblante franzido em genuína confusão, ele observou a criança desacordada no leito.

— Quem é esse menino? — perguntou Kiki, sem cerimônias.

— É o filho de Vegeta — respondeu Afrodite, de braços cruzados perto da parede.

Kiki estreitou o olhar, os olhos perscrutando a energia vital que emanava do garoto.

— Tem um rapaz idêntico a ele lá no Santuário — comentou o aprendiz, a cabeça agora inclinando para o outro lado, como se tentasse resolver um quebra-cabeça. — E com um 'cosmo' muito parecido... só que adulto.

— Deve ser o reforço da Casa de Capricórnio que Vegeta havia dito que ia buscar. — ponderou Afrodite, os olhos semicerrados enquanto observava Mú e Shaka estáticos, trabalhando exaustivamente nas duas vítimas.

Kiki deu de ombros, não totalmente convencido pelo Cavaleiro de Peixes.

— Há quanto tempo eles estão assim?

— Desde o dia em que Hades e Poseidon ressurgiram — respondeu Afrodite. — Por quê?

Kiki agora observava seu mestre com uma preocupação aguda.

— O Mestre Mú está trabalhando de uma forma que eu nunca vi antes — o aprendiz fechou o cenho, os dois pontos característicos sobre suas sobrancelhas quase se encontrando. — Fazer esse nível de restauração astral mantendo o próprio Cosmo oculto da percepção dos deuses... isso consome uma quantidade surreal de energia vital.

— Mú está há mais dois de dias ininterruptos trabalhando na mente dessas duas vítimas — revelou Aiolia.

— Dois dias?! — Kiki arregalou os olhos e soltou um assobio longo e arrastado.

— É por isso que Afrodite e eu ficaremos aqui em cima — concluiu o leonino, fincando os pés no chão. — Nossa missão agora é cobrir Mú. Se ele se exaurir, nós o defenderemos do que quer que tente invadir esta Plataforma.

Kiki estalou o pescoço, entrelaçou os dedos de uma mão na outra e esticou os braços para frente, preparando-se para o trabalho.

— Bom, então eu vou ajudar o Mestre Mú com o fluxo de energia — disse o Lemuriano, já subindo o pequeno degrau para adentrar o aposento.

— É bom ajudá-lo com o Trunks primeiro — orientou Aiolia, acenando com a cabeça para o garoto de dez anos na cama.

Kiki parou o passo no meio do tapete. Ele olhou para Aiolia, depois para a criança, e balançou a cabeça negativamente.

— Não, Aiolia — corrigiu Kiki, a voz carregada com a certeza de quem enxerga além da matéria. — Trunks é o rapaz adulto que está lá embaixo no Santuário. Eu memorizei a alma dele quando ele chegou.

Afrodite e Aiolia se entreolharam com estranheza.

— Deve ter ocorrido um engano da sua parte, Kiki — retrucou Aiolia, apontando firmemente para os dois leitos. — Estas são as vítimas do ataque inicial. A cientista, Doutora Bulma... e o Trunks, o filho dela.


Do lado dos inimigos, entretanto, a fissura psicológica plantada pela energia de Kanon surtiu efeito.

Nas entranhas geladas do Submundo, as pesadas portas da Giudecca foram escancaradas por uma súbita lufada de umidade salgada que não pertencia àquele reino.

— Que brincadeira de péssimo gosto é essa? — a voz de Poseidon trovejou, fazendo as chamas azuladas dos candelabros vacilarem.

O Imperador dos Mares ingressou no colossal salão do trono se materializando em pura fúria. Ele marchou a passos pesados e firmes, a base do tridente estalando contra o piso escuro, iniciando a subida pela interminável escadaria central. Logo atrás dele, Thetis de Sereia e Sorento de Sirene pararam no sopé dos degraus, assumindo uma posição defensiva na base das pilastras.

Lá no alto, acomodado nas sombras de seu trono, Hades observava a intrusão. Aiacos de Garuda se mantinha de pé ao seu lado, os olhos fixos nos dois Marinas lá embaixo.

— Ah, Poseidon... — suspirou Hades. O Imperador dos Mortos balançou a cabeça negativamente, a voz fria deslizando pela escadaria como gelo. — Sempre tão temperamental.

Poseidon ignorou o cinismo. Ele parou no meio dos degraus, apontando o dedo na direção das sombras do trono.

— Onde está Pandora? — esbravejou o deus dos oceanos, os olhos faiscando. — Ela precisa nos dar uma satisfação!

Hades mal se moveu. Ele apoiou o rosto pálido sobre a mão, o olhar insondável e calmo.

— Poseidon — respondeu ele, com uma paciência irritante e professoral. — Você precisa ser racional em uma guerra. É exatamente por perder a cabeça que você nunca ganha nenhuma.

— Você não está entendendo a gravidade da situação! — rebateu Poseidon, a veia em seu pescoço pulsando.

— Não, meu caro. É você quem não entendeu — Hades o cortou com autoridade. — Força bruta se combate com força psíquica. Não acredito que o Imperador dos Mares esteja alvoroçado e se sentindo ameaçado por aquele bando de selvagens que Atena escondeu nas suas defesas.

— Hades — a voz de Poseidon baixou um tom, trocando a fúria tempestuosa por uma gravidade sombria. — Há um Cavaleiro de Ouro no Santuário neste exato momento.

Hades franziu o cenho de leve, a primeira fagulha de confusão cruzando seu rosto impassível.

— Em vinte anos, Atena deve ter substituído os Dourados que já faleceram — argumentou Hades. — O que importa a patente de um mortal?

— Não se trata de uma substituição, meu caro Hades — Poseidon deu mais um passo escadaria acima, apertando o cabo do tridente. — Alguém que não deveria estar vivo está emanando um Cosmo gigantesco naquela escadaria de mármore. Um fantasma que deveria estar apodrecendo nos seus domínios.

Hades estreitou os olhos.

— A espera pela ação está te deixando com as ideias um tanto desnorteadas, Poseidon. Ninguém escapa do Submundo.

Sorento de Sirene deu um passo adiante, a flauta dourada repousando ao lado do corpo.

— Imperador Hades — o Marina fez uma leve e polida reverência, mantendo a polidez diplomática que faltava ao seu mestre naquele momento. — Receamos que Vossa Divindade não esteja a par de que um ex-General das nossas fileiras se encontra, neste exato momento, sob a bandeira de Atena.

Hades cruzou os longos dedos pálidos sobre o abdômen. A imobilidade de sua postura contrastou com o brilho subitamente calculista em seus olhos insondáveis.

Ex-General Marina?

— Sim — confirmou Sorento, a voz séria. — Kanon de Dragão Marinho.

— Estão falando de Kanon, o Cavaleiro de Ouro de Gêmeos.

A voz áspera de Radamanthys de Wyvern ecoou pelas pilastras. O Juiz do Inferno adentrou o salão principal atravessando o amplo corredor da direita, os passos pesados quebrando a acústica do templo. A simples menção àquele nome fazia o sangue do Juiz ferver nas veias.

Thetis de Sereia estreitou o olhar, voltando o rosto para o Espectro com nítida desconfiança e presunção.

Saga é o Cavaleiro de Gêmeos de Atena — corrigiu a Marina, baseando-se no histórico e nos antigos relatórios do Templo Submarino. — Um dos mais temidos. O homem de quem falamos era um usurpador dos mares.

As vozes cruzadas, o tom de acusação e a desinformação no ar profanaram o silêncio sepulcral que Hades tanto prezava.

O Imperador dos Mortos levantou a mão direita num gesto mínimo. O ar no salão da Giudecca pesou toneladas. A discussão morreu instantaneamente na garganta de Marinas e Espectros.

Seus olhos focaram inteiramente no Juiz de Wyvern.

— Radamanthys — disse Hades, a voz descendo alguns graus na escala de temperatura, soando tão letal quanto a lâmina de uma guilhotina. — Traga Pandora até aqui. Imediatamente.

Radamanthys se curvou em uma reverência rígida perante os dois imperadores. Quando virou as costas para deixar o salão, no entanto, o fogo que queimava em seus olhos era de puro ódio.

O Juiz do Inferno marchou a passos duros pelos extensos e sombrios corredores da Giudecca, o metal escuro rangendo a cada passada pesada. Havia, claro, uma ínfima possibilidade de ser algum truque desesperado de Atena; uma ilusão projetada para desestabilizar o Submundo.

Porém, aquele Cosmo era impossível de ser forjado.

Radamanthys se lembrava perfeitamente da textura daquela energia. Era arrogante e destrutiva. E o que mais lhe embrulhava o estômago: o Cosmo que acabara de explodir na Grécia não era o de um homem no fim de suas forças, como no dia em que haviam colidido no Submundo. A aura que vinha do Santuário era mais poderosa. O fantasma não apenas sobreviveu, como estava no ápice do seu poder.

O Juiz balançou a cabeça bruscamente, tentando expulsar a memória daquele sorriso presunçoso de sua mente.

Em vão.

Se aquele homem era Kanon de Dragão Marinho, o pilar de Poseidon, como ele poderia empunhar o poder dourado de Gêmeos? Servindo a dois deuses?

"Ex-General...", a voz educada de Sorento retumbou em sua memória, causando-lhe asco. Para Radamanthys, cuja lealdade a Hades era a própria essência de sua alma, a ideia de um guerreiro cuspir num deus para se ajoelhar aos pés de outro era uma heresia sem tamanho. Ele havia deixado de servir a Poseidon para comandar o exército de Atena. Mas... a dita deusa da justiça estava assim tão encurralada, tão desesperada, a ponto de entregar sua defesa nas mãos de um traidor assumido?

A espiral de pensamentos foi cortada abruptamente.

Os passos de Radamanthys cessaram. Ele ergueu o rosto, deparando-se com as pesadas portas duplas de ébano e prata. Havia chegado aos aposentos de Pandora. O silêncio que emanava lá de dentro era muito diferente da calmaria que os acordes de sua harpa costumavam trazer ao castelo.