Dragon Ball CDZ: A Batalha do Zodíaco
2 A Melodia da Discórdia
A SAGA DOS DEUSES
O sol brilhava sobre a Capital do Oeste, mas o entusiasmo nos jardins da Corporação Cápsula era ainda mais radiante.
— Vamos logo, mãe! O radar já indicou a primeira! — gritou Trunks, pulando para dentro do jato experimental.
Aos nove anos e finalmente de férias escolares, ele via aquela "missão" não como trabalho, mas como a melhor caça ao tesouro do mundo.
— Tenha paciência, Trunks! Não podemos esquecer o protetor solar — retrucou Bulma, ajeitando os últimos equipamentos. — O mundo pode esperar cinco minutos.
A jornada foi incrivelmente eficiente. Com a tecnologia de ponta do novo Radar do Dragão turboélice e a velocidade de voo de Trunks para buscas locais, o que antigamente levava meses, durou apenas duas semanas. Em exatos quinze dias, a dupla cruzou oceanos, desertos e calotas polares.
— E essa foi a sétima! — comemorou Bulma, guardando a esfera de quatro estrelas na maleta blindada. O jato decolou verticalmente de uma ilha remota no Pacífico, rumo à segurança de casa. — Foi mais fácil do que tirar doce de criança. Acho que batemos o recorde!
Trunks riu, relaxando na poltrona do copiloto com as mãos atrás da cabeça.
— O papai vai ficar com inve...
O sorriso do garoto desapareceu instantaneamente.
Um som invadiu a cabine. Não vinha do rádio, nem era uma falha no motor. Era música. Uma melodia de harpa, bela, fúnebre e carregada de uma tristeza paralisante que parecia congelar o sangue nas veias.
— Mãe... o que é isso? — Trunks levou as mãos aos ouvidos, gritando, sentindo seu Ki ser suprimido por uma pressão fria e escura.
O som não vinha de fora; vibrava diretamente dentro de seus crânios, atacando a alma, não os ouvidos. Bulma tentou alcançar os controles, mas sua visão escureceu.
— Trunks...
— Mãe... Faz isso parar! — Ele gritou, caindo de joelhos.
A aeronave parou bruscamente no ar, envolta em uma aura roxa, e começou a descer controlada por uma força invisível, pousando suavemente em um pico rochoso isolado.
Antes que as turbinas desligassem, Bulma e o pequeno Saiyajin tombaram sobre o painel. Não estavam apenas desmaiados; seus espíritos haviam sido trancados em um sono profundo e mágico.
A porta do jato se abriu. O vento uivava lá fora, mas os passos da mulher que entrava não faziam ruído. Pandora, a comandante do exército de Hades, com seu vestido escuro e olhar gélido, observou os dois com desprezo.
— A tecnologia humana é patética diante da música da morte — sussurrou ela.
Com um movimento elegante, ela apanhou a maleta com as esferas. Caminhou para fora, colocou as sete orbes no chão rochoso e ergueu as mãos para o céu.
— Saia daí, Shenlong! E realize o meu desejo!
O céu diurno tingiu-se de um breu sobrenatural em todo o planeta. Raios cortaram as nuvens e o Deus Dragão surgiu, sua forma serpenteante cobrindo o horizonte, aguardando a ordem.
— Diga o seu desejo — trovejou a voz do dragão.
Pandora sorriu, um sorriso que gelaria o inferno.
— Eu desejo a restauração completa! Traga de volta os corpos mitológicos originais de Hades e Poseidon, livres de selos ou hospedeiros humanos! E desperte todos os seus Espectros e Generais Marinas que pereceram!
Os olhos de Shenlong brilharam em um vermelho intenso.
— É um pedido que altera o equilíbrio dos mundos... Mas é possível. Seu desejo é uma ordem.
Um clarão envolveu a Terra. As esferas se ergueram, transformaram-se em pedras e dispersaram-se para os quatro cantos do mundo. Pandora, vendo sua missão cumprida, desvaneceu-se nas sombras, deixando mãe e filho para trás no jato silencioso, enquanto o despertar dos deuses começava.
Longe dali
O sol da tarde banhava o Santuário com uma paz que parecia durar décadas. Saori Kido, a reencarnação de Atena, cuidava pessoalmente das flores no jardim privado do Templo do Grande Mestre. Era um momento raro de silêncio.
De repente, o regador escorregou de suas mãos.
O som da cerâmica se estilhaçando contra o piso de mármore ecoou como um trovão naquele silêncio. Saori paralisou, suas pupilas se contraíram.
— Não... — ela sussurrou, as pernas falhando e levando-a de joelhos ao chão. O suor frio escorria pela sua face nobre. — Esses cosmos... Hades? Poseidon?
A pressão não vinha apenas da terra ou do mar; vinha de todas as direções, esmagadora e absoluta.
— É impossível... — sua voz tremia. — A Guerra Santa só deveria recomeçar daqui a dois séculos. O selo foi rompido antes do tempo. A Terra... a Terra não tem defesas para isso agora!
Enquanto isso, na Plataforma Celeste, acima das nuvens, o dia subitamente virou noite por alguns instantes, deixando um rastro de energia pesada no ar.
— Sr. Popo... o senhor sentiu isso? — perguntou Dendê, tremendo, apoiado com força em seu cajado de Kami-Sama.
— Sim, Kami-Sama — respondeu Sr. Popo. Seu rosto, geralmente inexpressivo, estava agora carregado de um temor antigo. — Um Ki extremamente forte, maligno e divino. Não se parece com nada que já enfrentamos, nem mesmo com Majin Buu. Veio da superfície... mas tem cheiro de morte.
Longe dali, na Capital do Oeste, a Sala de Gravidade da Corporação Cápsula zumbia sob a pressão de 300G.
Vegeta se movia como um borrão indetectável, desviando de lasers e pulverizando drones de treino com movimentos precisos e econômicos. O Príncipe dos Saiyajins estava no auge de sua concentração, o suor evaporando antes de tocar o chão.
Subitamente, ele estancou no ar.
Uma fisgada aguda e gélida atravessou seu peito. Não era dor física, mas uma sensação ruim, um pressentimento visceral misturado a uma súbita alteração na pressão atmosférica que fez seus instintos de guerreiro gritarem.
— O que foi is...?! AAAAH... Inferno!
Distraído pelo calafrio na espinha, Vegeta perdeu o tempo de reação por uma fração de segundo. O último drone disparou um raio de energia concentrada que o atingiu em cheio nas costelas, arremessando-o violentamente contra a parede de metal reforçado. A sala tremeu com o impacto.
Vegeta caiu de pé, limpando um filete de sangue no canto da boca com as costas da luva. Mas ele não olhou para o robô com raiva, nem destruiu a máquina como faria normalmente. Seus olhos estavam arregalados, fixos na direção do horizonte, onde o jato de sua esposa deveria estar voltando.
A fisgada no peito tinha desaparecido, deixando um vácuo pior no lugar.
— Bulma! Trunks! — ele gritou, a voz carregada de uma urgência que ele raramente demonstrava. — O Ki deles... sumiu
Na Sala de Gravidade, o zumbido mecânico cessou, e o silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Vegeta fechou os olhos, ignorando a dor nas costelas, e expandiu seus sentidos para muito além das paredes metálicas da Corporação.
Ele buscou a assinatura de energia vibrante e familiar de Trunks. Buscou a "presença" elétrica de Bulma.
Nada. Apenas o vazio absoluto.
O Príncipe dos Saiyajins sentiu um nó gélido no estômago, uma sensação que ele não sentia desde os tempos de Freeza: medo genuíno.
— Será que aquele moleque está ocultando o Ki de propósito para brincar de esconde-esconde? — murmurou Vegeta, tentando racionalizar, mas seus dentes trincaram. Ele sabia que não era isso. Trunks jamais baixaria sua guarda a zero durante um voo.
Sem se dar ao trabalho de usar o painel de controle, Vegeta explodiu a porta de titânio da sala de treinamento com uma onda de energia e voou pelos corredores até o laboratório principal, deixando um rastro de destruição.
— Velho! — rugiu Vegeta, invadindo o laboratório e fazendo o Dr. Briefs derrubar seu cigarro no café. — O radar da nave da Bulma! Onde eles estão? Eu perdi o contato mental com o Trunks!
— Calma, rapaz, calma... — O Dr. Briefs ajeitou os óculos tortos, percebendo o pânico nos olhos do genro. Ele digitou freneticamente no teclado do supercomputador. — O sinal desapareceu dos nossos satélites há exatos cinco minutos. A última localização foi perto de uma cadeia de montanhas rochosas a leste.
Dr. Briefs parou de digitar. Sua expressão, sempre tão leve, ficou sombria ao ler os dados na tela.
— Vegeta... os sensores não indicam apenas perda de sinal. O altímetro registrou uma queda vertical súbita antes da transmissão morrer. O jato não pousou... ele caiu.
Não houve resposta verbal. Apenas o estrondo ensurdecedor da barreira do som sendo rompida dentro do laboratório. Papéis voaram para todos os lados e os vidros das janelas estilhaçaram quando Vegeta desapareceu no céu, deixando para trás apenas um rastro branco de fúria e desespero em direção ao leste.
No Santuário
Enquanto isso, na Grécia, o Santuário estava imerso em uma penumbra agourenta, mesmo sob a luz do sol. Shun, Hyoga, Shiryu e Ikki subiram as escadarias das Doze Casas em velocidade máxima. Não havia Cavaleiros de Ouro para barrá-los, apenas o eco vazio de templos desguarnecidos, lembretes dolorosos dos companheiros caídos.
Ao chegarem à Sala do Grande Mestre, encontraram Shaina e Marin já ajoelhadas perante Atena. Saori estava de pé, segurando o Báculo Nike com força excessiva, seus nós dos dedos brancos.
— Vocês sentiram — não foi uma pergunta, foi uma constatação de Saori.
— É o mesmo cosmo, Atena — disse Shiryu, sua voz pesada. — Frio, repugnante e imenso. É Hades. E o outro... úmido e avassalador como os oceanos.
— Poseidon — completou Ikki, cruzando os braços, mas com o olhar preocupado voltado para o horizonte. — Como é possível? Nós os destruímos. O Inferno colapsou.
— Alguém rompeu as leis da vida e da morte de uma forma que nem mesmo Zeus permitiria — Saori olhou para o lado, onde uma cadeira de rodas vazia repousava num canto do salão. Seiya não estava ali; seu corpo, embora vivo, permanecia uma casca vazia em seus aposentos privados, imóvel sob a maldição invisível.
— Sem os Cavaleiros de Ouro e com Seiya nesse estado... o Santuário cairá antes do anoitecer. Precisamos de aliados.
Tomada por uma resolução desesperada, o cosmo de Atena envolveu os dois.
— Ikki, Shun, preciso que reúnam todos os cavaleiros de prata e bronze para a defesa da casa de Áries. – Atena se dirige a Shiryu, Hyoga. — Segurem-se em mim. Vamos para o Norte.
Na Plataforma Celeste
O ar estava rarefeito, não pela altitude, mas pela densidade de uma pressão espiritual esmagadora que parecia vir de lugar nenhum e de todos os lugares ao mesmo tempo.
Piccolo foi o primeiro a romper as nuvens e aterrissar. Suas botas tocaram o ladrilho sagrado com um baque seco, e sua capa branca chicoteou violentamente com o vento gélido que soprava. Seus ouvidos aguçados de Namekuseijin captavam não apenas o som, mas uma vibração, um zumbido de energias malignas que faziam seus dentes trincar.
— Kami-Sama... o que é isso? — murmurou ele, olhando para o horizonte escuro.
Instantes depois, o som característico de ar sendo deslocado — shhh-pop — rompeu o silêncio. Goku materializou-se no centro da plataforma. Não havia o sorriso habitual ou a empolgação por uma luta; seu rosto estava marcado por uma seriedade poucas vezes vista.
Logo atrás, o céu foi cortado por rastros de voo. Gohan aterrissou pesadamente, ajeitando os óculos de grau e puxando a gravata do uniforme da universidade, claramente pego no meio de uma aula. Kuririn, Número 18, Tenshinhan e Yamcha pousaram em formação defensiva. Por último, a versão voadora da tartaruga de Mestre Kame girou e parou, com o velho mestre segurando seu cajado com força incomum.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou Kuririn, ofegante, limpando o suor frio que brotava em sua testa careca. — O céu ficou preto no meio do dia! E esse Ki... não tem fim. Ele me dá arrepios piores do que na época do Cell ou do Majin Buu. É... viscoso.
Dendê, que estava encolhido perto dos pilares do templo junto com Sr. Popo, correu até eles. O pequeno Kami-Sama da Terra tremia visivelmente.
— Vocês chegaram...
— Dendê, explique — ordenou Piccolo, mas seus olhos não saíam do templo sagrado, onde a presença parecia ecoar mais forte. — Não é um Ki comum. É diferente de tudo que já enfrentamos.
— Tem uma natureza divina — observou Dendê, fechando os olhos para analisar a assinatura energética. — Mas é corrompida. É como sentir a presença de um Kaioshin, mas mergulhada em sangue e trevas. Não é energia de combate bruta... é autoridade. Uma vontade de morte absoluta.
Gohan, sentindo o peso daquela energia, olhou ao redor, contando as presenças aliadas.
— Esperem... Onde está o Vegeta? — perguntou ele, estranhando a ausência dele.
— É verdade — comentou Yamcha, cruzando os braços, nervoso. — Ele deveria ter sido o primeiro a chegar. Aquele cara nunca perde a chance de ver uma ameaça antes do Goku, nem que seja só para reclamar que chegamos atrasados.
Goku tocou a testa com os dedos indicador e médio, franzindo o cenho em concentração profunda. Ele ignorou a energia maligna por um segundo para buscar a chama ardente e orgulhosa do príncipe.
— O Ki do Vegeta está agitado... muito agitado — disse Goku, abrindo os olhos com preocupação. — Ele não está vindo para cá. Ele está se movendo rápido para o leste, na direção oposta à nossa e à do inimigo.
— O leste? — estranhou Tenshinhan. — Mas não há nada lá além de montanhas e oceano. Por que ele fugiria da luta?
— Ele não está fugindo — corrigiu Goku, baixando a mão.
Piccolo, alertado pela dedução de Goku, tentou imediatamente rastrear a presença de Bulma para confirmar a suspeita. O Namekuseijin focou seus sentidos, tentando filtrar a estática maligna que poluiu a atmosfera, mas encontrou apenas um vazio perturbador onde a energia dela deveria estar. Ele tentou novamente, com mais força, mas não conseguiu sentir o ki de Bulma em lugar nenhum do planeta.
— Eu não sinto o ki de Bulma, — Revelou, finalmente
— Espera... – Diz Gohan. – Já não se passou um ano desde o uso das esferas do dragão?
Silêncio prepondera no ambiente.
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