Dragon
2 Capítulo 2# Matt e Lyra
Notas iniciais
P.o.V. Matt:
Lyra desabou no choro. Os restos da pequena casa jaziam como um túmulo para Albert e Sally Hartman.
Matt sentiu os olhos arderem com lágrimas. Eles não tinham para onde ir. A casa dos Hartman se situava entre duas pequenas vilas, mas eles não tinham família ou amigos lá. O garoto abraçou a irmã carinhosamente e deixou que a melancolia o dominasse.
–O quê faremos agora? -Sussurrou Lyra em meio aos soluços.
Matt fitou o horizonte. O sol lentamente se erguia por trás das montanhas rodeadas de árvores. Se fossem para uma das vilas, o melhor que poderia acontecer era que fossem mandados para um orfanato. E ele não gostaria de viver eu um. Assim, a floresta parecia a única opção.
–Não sei. -Ele respondeu tristemente.
–Vamos ver o quê... O quê podemos recuperar. -Murmurou Lyra enxugando inutilmente as lágrimas que teimavam em escorrer pelo seu rosto.
Os gêmeos arrastaram os pés em direção ao que um dia fora a sua casa. O fogo ainda ardia em alguns lugares, mas a maior parte havia se apagado. A maioria das coisas havia sido carbonizada, mas ainda havia alguns objetos úteis.
Lyra se abaixou e pegou alguma coisa do chão. Parecia um colar, ou algo assim. Matt se aproximou e pode ver sobre o seu ombro o colar que a mãe deles costumava usar. Era uma corrente de ouro, com um pingente em forma de dragão.
O garoto se afastou, deixando a irmã envolta em pensamentos. Então ele tropeçou em algo e caiu nas brasas, queimando as mãos. Matt levantou apressadamente e assoprou as mãos para diminuir a ardência.
Ele havia tropeçado em uma estranha pedra polida. Estava envolta em carvão, mas quando o garoto a pegou e esfregou com a blusa, pode ver que possuía uma cor estranha, um azul escuro levemente esverdeado. Matt nunca havia visto algo parecido.
Então, de repente, uma pergunta surgiu na cabeça do menino. O que causou o incêndio? Parecia algo sem sentido, porém, o garoto começou a pensar se aquela estranha pedra teria alguma relação com o fogo, afinal, mesas não pegam fogo sozinhas.
Matt varreu o local com o olhar. Aquilo poderia ter sido um dia a sala? O cômodo não era grande, e se aquela pedra estava ali...
–Matt! -Chamou Lyra ao perceber que o irmão observava confuso o objeto. -Está tudo bem?
O garoto se aproximou e assentiu quase que imperceptivelmente. A irmã parecia ter conseguido superar temporariamente a morte dos pais, e agora tinha uma expressão indecifrável.
–Encontrou algo? -Perguntou a garota esperançosa.
–Apenas esta pedra, mas não acho que venha a ser útil. -Respondeu, mostrando o objeto em suas mãos.
Lyra observou a pedra intrigada, e Matt notou que ela usava o colar da mãe. Ele parecia menor do que o garoto lembrava, mas ele não discutiu. Lentamente ele se afastou e voltou a procurar coisas que viessem a ser úteis.
P.o.V. Lyra:
Lyra havia encontrado o colar sob um objeto de madeira não identificado. Ela arrastava os pés a procura de objetos úteis, quando notou um leve brilho sob uma placa de madeira. Ela se abaixou e puxou cuidadosamente a joia.
O pingente em forma de dragão brilhava intensamente, e as escamas douradas refletiam os primeiros raios solares. Seus pequenos olhos de rubi pareciam brilhar tristemente pela morte de sua antiga dona. A garota fitou o colar por algum tempo, e então, decidiu usa-lo como lembrança.
Assim que o colar se fechou em torno de seu pescoço delicado, ela sentiu uma onda de calmaria subir pelo seu corpo e se espalhar por todo ele, fazendo com que ela se sentisse mais compreensiva em relação a morte de seus pais. Eles estavam mortos, não tinha como voltar atrás. Ela precisava aceitar e seguir em frente, por quê agora eram apenas ela e Matt. E ela tinha que ajudar o seu irmão.
Lyra ergueu os olhos e viu Matt encarando algo.
–Matt! -Chamou. -Está tudo bem?
O irmão se aproximou lentamente e assentiu. Ele parecia extremamente abalado e confuso. Ela também se sentia assim, mas de um jeito diferente. Ela sabia que precisavam arranjar um lugar para ir, agora que tinham perdido quase tudo o que tinham. Ela ainda estava muito triste com a morte de Sally e Albert, mas, ela percebeu, desde que pusera o colar se sentia mais forte, mais capaz.
–Encontrou algo? -Perguntou curiosa em relação ao objeto que ele trazia nas mãos.
–Apenas esta pedra, mas não acho que venha a ser útil. -Respondeu ele, mostrando uma estranha pedra de tom azul esverdeado.
A garota fitou o objeto, e lentamente o irmão se afastou. Ela suspirou e continuou a busca, imaginando onde passariam a noite.
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