Drag Me To Hell
2 Capítulo II - O Pacto
Notas iniciais
Fazia duas semanas que ela tinha fugido, deixando o corpo de seu tio sobre sua cama, levando apenas o necessário. Conseguiu fugir de Long Island sem ser vista, com o dinheiro que arranjou, foi para San Francisco, e passou a viver pelas ruas. A crueldade do mundo a deixava de boca aberta, mas não de medo, de admiração, pela coragem que as pessoas tinham, e, até porque, ela foi cruel, talvez ela fosse cruel, talvez a vida tivesse deixado-a assim, talvez... A garota estava perdida, conseguira fugir de Nova York, mas, o que iria fazer? Uma pergunta sem resposta. Ela iria acabar ficando louca, não tinha contato com ninguém, as pessoas tinham medo de se aproximar, ela não os culpava, sua aparência estava horrível, toda vez que tentava sorrir uma expressão entre maníaca e sanguinária (os dois, talvez) aparecia. Passou-se semanas e ela continuava isolada. Logo após, meses. Até que, em um dia qualquer, ensolarado, ela seguiu caminho para o Monte Ótris. Estranho. Pessoas diziam que era perigoso, mas ela sabia exatamente o que fazer. Roubara um carro qualquer, fez ligação direta e sequestrou uma mulher, acelerou, indo em direção ao Monte. A mulher se debateu a viagem inteira, amordaçada e amarrada, seus gritos saiam abafados, suas fracassadas tentativas de abrir a porta deixavam-na frustrada. Georgina apenas ria de seu desespero. Chegaram em um caminho que já não dava para usar o carro, Georgina desceu e puxou a mulher violentamente. Então, as duas seguiram caminho a pé até o topo. Ah, demorou, pois, algumas vezes, a mulher se jogava Monte abaixo, em desesperadas tentativas de fuga, mas apenas se machucava cada vez mais. Uma hora depois, estavam no topo. Uma caverna cheia de estalactites e musgo se abria a sua frente, no meio da mesma, continha uma grande pedra. Georgina não soube dizer se foi coincidência ou não, apenas andou com a mulher até a pedra e deitou-a na mesma. Tirou de sua mochila várias velas, espalhou-as pela caverna e acendeu-as. O vento não estava forte, então as velas não apagavam. Havia prendido a mulher a pedra, de modo que não poderia fugir. Andou lentamente até a mulher, que se debatia e tentava gritar. Sem sucesso. De sua bolsa, tirou uma pequena faca e fez cortes por todo o corpo da mulher. Recolheu o sangue que escorria com um pequeno frasco de vidro e o arrolhou. Sentou no chão, de costas para a entrada da caverna, e fechou os olhos. Melou seu próprio rosto com o sangue da mulher, fez o símbolo Iluminatti e disse:
— In nomine Dei nostri Satanas Luciferi excelsi! Em nome de SATAN, o soberano da terra, o rei do mundo, eu comando as forcas das trevas para conferir o seu poder infernal sobre mim! Abram totalmente os portões do Inferno e venham adiante do abismo para me saudar como sua irmã e amiga! Concedam-me as indulgências de que falo! Eu aceitei o seu nome como parte de mim! Eu vivo como o animal do campo, exultando na vida da matéria! Eu favoreço o justo e amaldiçôo o corrupto! Por todos os deuses do Inferno, eu ordeno que todas estas coisas de que falo venham a se realizar! Venham adiante e respondam seus nomes pela manifestação dos meus desejos!
OH! ESCUTEM OS NOMES!
OH! ESCUTEM OS NOMES!
OS NOMES INFERNAIS! — Gritou, seu grito ecoou por toda a caverna, ao ouvir, a mulher se debateu e chorou mais ainda. As velas se apagaram. Um ar frio tomou conta do local. A mulher ficou imóvel. Um minuto depois, as velas apagadas, frio intenso, a mulher abriu os olhos bruscamente. Georgina piscou, e a mulher agora estava na entrada da caverna. Seus olhos totalmente negros, uma aura de medo a rondava.
— Meu senhor. — Disse Georgina, fazendo uma reverência.
— Você tentou. E conseguiu. Agora diga-me o que quer. — A mulher falou, com uma voz masculina e tenebrosa.
— Senhor de todo o inferno e de todo o mal, eu quero poderes. Poderes mentais. Não basta torturar estes humanos apenas fisicamente! Torturemos mentalmente! Por que não? Sacrificarei uma virgem por mês para ti! — Georgina se apressou em dizer.
— Quero algo mais. Você me dará a SUA alma. Lhe darei os poderes, e você ficará na terra, e eu controlando sua alma, você se matará, pegarei sua alma, e você vai voltar para terra. Mas — Ela ri. — Não totalmente.
— Sim... Claro, meu senhor. — Diz Georgina, engolindo em seco.
— Vamos, estou esperando. — Fala, impaciente, a mulher. Georgina pega sua pequena faca, a qual fez os cortes na mulher, e, logo após respirar profundamente, crava-a no próprio peito, evitando gritar de dor. Cai no chão, sangrando. E sua ultima visão como viva e com alma, foi uma mulher possuída. Não sabia quanto tempo havia ficado daquele jeito, mas quando acordou, ainda estava no Monte Ótris, com a faca cravada em seu peito, a mulher estava morta na entrada da caverna, que estava começando a ser incendiada. Georgina se apressa em pegar sua mochila e jogar a mulher no fogo. Ele cumprira o que dissera? Só havia um modo de testar. Desceu a colina e achou o carro roubado que ela conseguira, entrou e acelerou, saindo dali. Parou em um beco qualquer de San Francisco, onde dois homens se drogavam.
— Olá rapazes. Ainda tem alguma coisa para mim aí? — Ela perguntou. Um dos rapazes levantou e sacou a arma.
— Tem nada pra tu não, ô tia, se manda! — O homem armado fala. Georgina sorri. Talvez tivesse telecinese. Olhou diretamente para a arma, que, em menos de um segundo, fez a vontade de Georgina. A arma girou na mão do homem, que atirou contra si mesmo, na própria cabeça.
— Poxa... Queria mesmo algo... — Falou, irônica, e olhou para o outro homem, diretamente para seus olhos, em questão de segundos o homem começou a se contorcer, Georgina sorriu e cravou sua faca no pescoço do mesmo.
— É, meu senhor, o senhor cumpriu. — Murmurou e saiu do beco, arrombando um carro qualquer e indo embora.
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