Dragões ascendentes.
24 Desespero carmesim
Notas iniciais
Como, uma criança, deve portar-se diante de tamanha dificuldade? Sim, Takashi permanecera estático, por tempo indeterminado. Vira um homem ser lançado, à sua frente, ao passo que a vitalidade presente em seus olhos esvaia-se. E ao pensar que tudo isso, talvez, voltasse a ocorrer... Seu estômago embrulhava. Ó, tolos, seguiram por um caminho que, agora, mostrava-se sem volta.
Em meio àquela floresta, jazia o lusco-fusco, deixando-os imerso na escuridão que aproximava-se. A batalha fora recente e a perturbação, mental, ainda o deixava apavorado. Sequer conseguia interceptar o modo como seu corpo tremia. A respiração, ofegante, os pensamentos incertos e o coração acelerado, bem como suas pupilas dilatadas.
Com sete anos de idade, já havia enfrentado o que adultos, normais, sequer sonhariam, ou poderiam supor aguentar. Todavia, era o seu ''dever'' manter-se vivo, por Yoko, a mulher que lhe criou. Dês daquela destruição, em seu vilarejo, que sua vida modificou-se completamente. Agora, estava envolvido em lutas e apenas desejava parar, com aquela matança. Ter a vida de um homem, retirada por sua mão — ou não-, era algo extremamente difícil de aceitar.
Embora soubesse que toda aquela cena fora necessário para que pudessem viver, simplesmente julgar o fato de cessar a vida de um homem, o deixava embriagado em seus próprios pensamentos. Era inteligente, mas o ocorrido mostrou-se demais para ele. Lá estava Takashi, novamente, ajoelhado. Em sua visão, embaçada, retratava a mesma visão diversas vezes. Mas não do que havia ocorrido e sim do que ocorreria, se continuassem seguindo.
Fora apavorante, afinal, era Emily quem previa tudo. Qual o significado daquela visão? Bom, a jovem de cabelos ruivos poderia responder. Tendo em vista que o seu semblante lhe entregara, ela afastou-se. Estava tão apavorada quanto ele. Logo, Kenji, aproximou-se dela, com toda a sua gentileza e inqueriu em um tom calmo.
– Me diz, Ly, o que está acontecendo? -
O diminutivo, ''ly'', era usado com uma inocência incômoda. Conquanto, quem poderia culpá-los? Eram apenas crianças, realizando o papel de pessoas adultas. A vida, naquele instante, estava obrigando-os a crescer. Em cada minuto, uma nova descoberta e em todas elas, o desespero beirava vossos corações.
Sarah mantinha-se próxima de Takashi, com suas mãos, pequenas, sobre às costas do garoto. Ela sussurrava algo, que ninguém conseguia distinguir. Cada ''casal'', em um determinado local. Eis que, então, a voz de Emily percorrera toda a localidade.
– Iremos nos separar, de forma ''trágica'', em meio a essa divisão, muitas coisas ocorrerão. N-não sei dizer o que vi, mas é assustador. -
Não demorara muito, para descobrirem o que aconteceria. Afinal, poucos segundos depois, o solo cedeu. Ah, sim, fora realizado um pandemônio, com a terra desabando sobre todos. Sarah, por sua vez, agarrara Takashi com firmeza e ambos acabaram caindo na mesma região. O mesmo, no caso, ocorrera com Kenji e Emily.
– Onde estamos?- Inquiriu, Sarah, ao levantar-se atordoada. Ela auxiliara o garoto que, naquele instante, observava fixamente o enorme buraco em que encontravam-se. — Nos separamos deles, Takashi, o que iremos fazer?- O jovem continuara sem lhe conceder a resposta que buscava, no entanto, mantinha-se atento em algo... Mas, no quê?
– C-corre, Sarah!- Sua voz continha um resquício de pavor, fazendo com que a jovem aderisse a esta mesma situação. Sem delongas, ele a pegara no braço, retornando por um caminho incompreensível. Todavia, depararam-se com uma parede. Agora, estavam encurralados.
– O que foi, Takashi, o que aconteceu? — Ela elevara os dedos até o rosto alvo, do jovem, acariciando-o. Logo, notara o quão frio estava. Aquele momento apenas piorou quando, de repente, Dorion agitou-se nos ombros do menino. Era um sinal de perigo, isso tornou-se claro.
– Um sem alma. — Levantou-se, rapidamente, puxando Sarah para detrás de si. A garota estava assustada, bem como ele. Mas, agora, nada poderia se fazer. Eram apenas crianças e um sem alma, segundo as lendas, não era um humano, tampouco um monstro. E sim uma criatura das trevas, cujo poder é imensurável.
Transcorrendo em meio a umbra, à criatura surgira. Trajava um manto, de coloração escura, recobrindo todo o rosto e, certamente, deixando apenas os olhos amostras. Estes, também, eram completamente brancos, denotando a ausência de iris. Em ambas as mãos, embora estivesse no breu, notaram a presença de duas lâminas. O ser seguia, com sede de sangue, a passos curtos na direção das crianças.
A cada passo a respiração de Takashi tornava-se mais pesada... Era medo. Dorion agitou-se, granindo, mas uma luz fora expelida rapidamente, jogando o filhote de dragão contra a parede. E antes que o garoto pudesse soltar um grito, em nome do seu amigo, outra emanação de energia o lançara na mesma direção. Fora rápido demais, não havia notado nenhum movimento.
O grito de Sarah, entretanto, o fizera levantar-se no mesmo instante. Onde ela estava? Não conseguia enxergar, sim, mas podia sentir sua presença. Todavia, aquela presença maligna ocultava qualquer desfecho benigno, que a situação pudesse ter. Novamente, a voz da jovem fez-se ouvir. Contudo, o medo travara as suas pernas. Uma criança, de sete anos, não poderia fazer nada... Talvez fosse o fim.
Em sua mente, a voz de uma mulher, era Yoko. Dizia que apenas aqueles que não acreditam em si, é que desistem. Sendo criança, ou não, deixaria sua amiga morrer? Era mesmo um covarde? O garoto que ela criara nunca fora assim, ele agiria, mostraria-se útil. Esse é o verdadeiro significado, por detrás de tudo.
Lembrara do treinamento que recebera, com Aurora, bem como o de seu mestre guiando-o de forma sublime. Levara, então, a destra na direção da pequena espada, cujo mais parecia um brinquedo e seguiu na direção daquela voz, doce. Dorion, então, aparecera bem ao seu lado, ao passo que com sua pequena chamas, pôde auxiliar Takashi.
Ambas as mãos envolveram o cabo da lâmina, um brilho incessante reluziu, entorno do rapaz. Parecia protegido por uma áurea divina. A criança simplesmente avançou, sem temor, contra o sem alma. Ele mantinha Sarah envolvida por suas mãos pálidas, erguendo-a do solo com um único braço. Por fim, sua investida fora jogar contra o menino, que pensou ser incapaz de segurá-la. Mesmo naquela desvantagem, abrira os braços e a recebera. A mesma aura que o protegia, parecia lhe conceder uma força inimaginável.
Deixara sua amiga no chão e seguira contra o ser. O ''monstro'' rodopiara, no ar, com ambas as armas, moldando o vento ao seu redor. Seu primeiro ataque, fizera com que uma lufada de vento rasgasse a dimensão. Logo, aço contra aço, fora chocado. Uma dança incomum, de fato, para uma criança. Takashi duelava como adulto, recuando e avançando. O clangor do metal, contra metal, assemelhava-se ao de um martelo contra uma bigorna.
Madeixas, albinas, remexendo-se ante ao sabor da brisa, presente, combinado com os movimentos. Olhos, azuis, semelhantes ao cintilante céu da primavera. Um belo jovem, capaz de fazer frente a uma criatura das trevas. Eis que, subitamente, a espada transpassara o corpo imaterial e lâmina adquirira um tom escarlate, sugando o corpo daquele ser, para o objeto.
Ao término, ajoelhou-se completamente exausto, seu corpo já não aguentava mais. Dorion, cujo mantivera-se ao lado de Sarah todo aquele tempo, fora ao seu encontro, apenas para verificar se estava realmente tudo bem. Lágrimas foram expelidas pela jovem, de longas madeixas douradas, uma bela elfa, digna de uma princesa.
Em um lado completamente distante, Kenji e Emily caminhavam em meio ao breu. Subitamente, um rugido se fez presente. Ambos, quase ao mesmo tempo, olharam para trás... Sim, era o começo de uma nova batalha. O que será que lhe esperam? Bom, impossível dizer.
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