Depois de deixarem Skyea para trás, Perya e os outros finalmente retomaram sua jornada.

O próximo destino era Olceos, o Reino dos Elfos Oceânicos, localizado praticamente do outro lado de Draconia. De acordo com Perya, mesmo seguindo em um ritmo constante, a viagem poderia levar aproximadamente cinco meses.

— Cinco meses?! — Tera exclamou, incrédulo. — Vocês estão falando sério?

— Infelizmente — respondeu Perya.

— Eu poderia estar em casa agora...

— Você poderia — disse Perya, olhando para ele. — Mas seus pais confiaram a você a proteção do Fragmento Celeste.

Tera suspirou profundamente.

— Eu sei...

Ele ainda não parecia muito satisfeito com a situação. Apesar disso, desde que havia deixado Skyea, sua atitude começava a mudar aos poucos. Ainda reclamava bastante, mas já não parecia tão determinado a abandonar o grupo.

Asami caminhava ao lado de Perya.

— Tenho certeza de que você vai acabar gostando da viagem.

Tera olhou para ela.

— Isso vai demorar.

Perya riu.

— Então temos cinco meses para tentar.

Depois de algum tempo caminhando, Perya observou uma região mais afastada da estrada.

— Acho que deveríamos parar por um tempo.

Todos concordaram.

A viagem seria longa, e não havia motivo para desperdiçar todas as oportunidades de descanso.

Enquanto Serena e Haku se acomodavam, Perya olhou para Asami.

— Quer treinar?

Asami sorriu.

— Você sabe que eu nunca recusaria.

Serena imediatamente levantou uma sobrancelha.

— Vocês acabaram de lutar contra Kuronemi e ainda querem treinar?

Perya deu de ombros.

— Precisamos continuar evoluindo.

Haku concordou.

— Desde que não exagerem.

Asami então ergueu as mãos e criou uma barreira ao redor da área onde elas treinariam.

— Assim podemos lutar sem destruir o lugar.

Tera observou as duas entrarem na barreira.

— Vocês sempre treinam juntas?

— Sempre que podemos — respondeu Perya.

Tera cruzou os braços.

— Então vou assistir.

Perya sorriu.

— Só não pisque.

As duas assumiram suas posições.

Perya ativou suas Luvas Flamejantes.

As chamas envolveram seus braços.

Asami, por sua vez, concentrou sua energia sombria.

Por alguns segundos, nenhuma das duas se moveu.

Então Perya desapareceu.

O impacto de seu primeiro soco fez a barreira estremecer.

Asami conseguiu bloquear no último instante, mas Perya girou o corpo e acertou um chute que a fez recuar.

Asami rapidamente recuperou o equilíbrio e avançou.

As duas começaram a trocar golpes em uma velocidade impressionante.

Soco.

Bloqueio.

Chute.

Esquiva.

Contra-ataque.

Tera ficou cada vez mais surpreso.

— Elas realmente treinam desse jeito?

Serena sorriu.

— Perya sempre foi assim. Ela gosta de testar seus próprios limites.

— E Asami?

— Asami não fica atrás.

Perya conseguiu acertar um golpe no abdômen de Asami, fazendo-a deslizar vários metros.

Asami se levantou.

— Você está mais rápida.

— E você está mais resistente.

Perya avançou novamente.

Asami bloqueou dois ataques consecutivos e respondeu com uma sequência de golpes rápidos.

Perya conseguiu bloquear alguns, mas acabou sendo atingida no rosto e recuou.

Ela limpou o canto da boca.

— Essa foi boa.

Asami sorriu.

— Eu tenho treinado.

— Percebi.

Perya então aumentou a intensidade.

As chamas de suas luvas ficaram maiores.

Asami também concentrou mais energia.

O combate voltou a ficar extremamente equilibrado.

Foi então que Asami decidiu mostrar algo novo.

Ela recuou alguns passos.

Perya franziu a testa.

— O que foi?

— Quero mostrar uma coisa.

Asami fechou os olhos.

Sua energia sombria começou a se espalhar pelo corpo.

Diferentemente de um escudo convencional, a energia não permaneceu separada dela.

Ela começou a se moldar sobre sua pele.

Uma camada fina de energia negra surgiu sobre seus braços, pernas, peito e ombros.

Perya arregalou os olhos.

— Você criou uma armadura?

Asami assentiu.

— Passei algum tempo tentando descobrir uma maneira de utilizar minhas barreiras de uma forma diferente.

A energia se ajustava aos seus movimentos sem restringi-los.

— Em vez de criar uma defesa ao meu redor, eu concentrei a proteção diretamente sobre meu corpo.

Perya abriu um sorriso.

— Isso é incrível!

— Ainda não sei qual é o limite dela.

— Então vamos descobrir.

Perya avançou.

Seu punho flamejante atingiu a armadura.

O impacto fez Asami recuar alguns centímetros.

Perya atacou novamente.

E novamente.

Cada golpe era mais forte que o anterior.

Asami continuava resistindo.

Perya então aumentou ainda mais sua força.

Seu punho atingiu o peito da armadura com tanta intensidade que uma onda de energia percorreu a barreira ao redor delas.

Asami deslizou para trás.

Mas continuava de pé.

— Parece que funciona — disse ela.

Perya sorriu.

— Então vamos testar outra coisa.

Asami desfez a armadura.

Toda aquela energia começou a se concentrar em suas mãos.

Perya observou enquanto uma estrutura semelhante a um arco surgia diante dela.

— Um arco?

— Outra coisa que comecei a desenvolver.

Uma flecha de energia sombria apareceu.

Perya percebeu imediatamente o que Asami pretendia.

— Então você quer testar sua técnica contra a minha?

Asami sorriu.

— Quero.

Perya fechou os punhos.

As chamas cresceram violentamente.

Ela concentrou sua energia até sentir o fogo percorrer todo o seu corpo.

— Então vamos fazer direito.

Perya assumiu sua posição.

— Rugido do Deus Dragão de Fogo!

Ao mesmo tempo, Asami disparou sua flecha.

As duas técnicas colidiram no centro da barreira.

Por alguns segundos, nenhuma delas parecia conseguir superar a outra.

Então a energia começou a escapar.

A barreira de Asami começou a rachar.

— Perya!

— Eu sei!

As duas tentaram controlar suas técnicas.

Mas era tarde demais.

A barreira explodiu.

Uma enorme onda de energia lançou as duas para lados opostos.

Serena e Haku imediatamente correram até elas.

— Perya!

— Asami!

As duas estavam machucadas, mas conscientes.

Haku começou a utilizar suas habilidades de cura.

Pouco a pouco, os ferimentos foram desaparecendo.

Perya se levantou e respirou profundamente.

— Foi bom.

Asami também se levantou.

— Foi.

Tera olhava para as duas como se ainda estivesse tentando entender.

— Posso fazer uma pergunta?

Perya olhou para ele.

— Claro.

— Por que vocês fazem isso?

— Isso o quê?

— Lutam com tanta força uma contra a outra.

Perya ficou pensativa por alguns segundos.

— Porque precisamos confiar uma na outra.

Tera franziu a testa.

— Confiar?

Asami respondeu:

— Quando lutamos de verdade, não podemos simplesmente esperar que a outra pessoa facilite as coisas.

Perya assentiu.

— Se eu não mostrar minhas forças e minhas fraquezas, Asami não saberá como me acompanhar. E o mesmo vale para mim.

Asami olhou para Perya.

— É uma maneira de aprendermos juntas.

Perya sorriu.

— Quanto mais entendemos como a outra luta, mais conseguimos ajudar uma à outra.

Tera ficou pensativo.

— Então vocês conseguem ficar mais próximas através da luta?

Perya olhou para Asami.

Por um breve momento, as duas trocaram um olhar silencioso.

— Acho que sim — respondeu Perya.

Asami sorriu.

— Algumas pessoas conversam para se conhecer melhor. Nós duas também fazemos isso lutando.

Tera soltou uma pequena risada.

— Ainda parece estranho.

— Você se acostuma — respondeu Perya.

Depois de descansarem por mais alguns minutos, o grupo voltou a organizar seus pertences.

Enquanto retomavam a caminhada, Perya percebeu que seu corpo ainda parecia diferente depois de todas as batalhas recentes.

Mais forte.

Mais resistente.

Mas ela ainda não entendia completamente o motivo.

Sabia apenas que havia algo dentro dela que continuava crescendo.

Algo relacionado à sua verdadeira origem.

Talvez, algum dia, ela finalmente descobrisse o que aquilo significava.

Por enquanto, porém, havia uma longa estrada pela frente.

Olceos ainda estava muito distante.

E, sem que nenhum deles soubesse, o próximo reino guardava desafios que seriam ainda maiores do que aqueles que haviam enfrentado em Skyea.

O grupo continuou caminhando.

Um passo de cada vez.

Em direção ao Reino dos Elfos Oceânicos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.