Draco Malfoy Tem Medo Do Escuro

9 Sobre o Lado dos Maus


Notas iniciais
Bem, esse cap. ficou pronto no sábado, mas eu estava pensando em apagar tudo e reescrever. Não fiz isso porque do jeito que está ele é importante. De qualquer forma... ele não me desce!
Prometo que o próximo será melhor.
Bem, é isso. Boa leitura.

O menino conhecia muito bem aquele lugar. O homem o levava ali quando queria brincar. Ele não gostava das brincadeiras do homem, elas eram dolorosas, machucavam muito. Mas era assim que as coisas funcionavam, os mais fortes deviam subjugar os mais fracos. O homem começou a se aproximar e agarrou o braço fino da criança com força exagerada.

—Tire essa roupa de uma vez! – o homem exclamou bebendo sua cerveja – Está me irritando!

O menino sentiu as lágrimas em seus olhos, mas era assim que as coisas funcionavam, o homem já havia lhe explicado. O pequenino começou a se despir, ele sabia que não devia discutir, só tornaria tudo pior. As coisas eram assim desde que ele podia se lembrar, em seus seis anos de idade ele não podia lembrar-se de um tempo em que as coisas foram diferentes, aquele homem o tocava e feria, mas era o direito dele, afinal. Ele havia tentado falar, mas as pessoas não achavam que o homem era mau. Ele que era um menino mau, já tinha aprendido isso. Um dia quando se tornasse um homem grande ninguém mais iria tocá-lo desta forma.

Assim que tirou a última peça de roupa o homem ordenou que viesse ao sofá, ele obedeceu a passos lentos, e sua demora foi castigada com um bofetão. O homem o colocou sobre suas pernas, batendo nas nádegas do menino, fazendo que implorasse por perdão. Sem pena ou remorso ele enfiou os dedos no ânus apertado, até que sangrasse. Então parou, ele queria continuar, queria causar mais dor, mas podia ver que o menininho estava quase caindo na inconsciência.

Está na hora de tomar seu leitinho – o homem riu, abaixando o garotinho entre suas pernas. O menino negou com a cabeça fracamente, tentando se afastar, mas o homem o puxou de volta. Obrigou-o a abrir a boca, enfiando sua genitália até a garganta do menino. O pequeno mal podia respirar, engasgando-se. O homem enterrava-se cada vez com mais força, até gozar na garganta do menino. Trêmula, a criança vomitou no tapete. – Que feio! – o homem murmurou, o garotinho sabia que algo ruim viria – Desperdiçando o alimento, e ainda suja meu tapete – ele levantou o menino pelo pescoço, ele era tão franzino que homem precisou de apenas uma mão – Você merece ser castigado – sabendo que o castigo deixaria dor e cicatrizes o menino permitiu que os soluços escapassem de sua garganta.

Harry acordou sobressaltado. Que pesadelo horrível! Ele olhou para Draco em seus braços, vendo que ele ainda estava ali, seguro. Abraçou a seu amor com cuidado para não acordá-lo, mas também estava abalado demais para dormir. Os pesadelos estavam cada vez mais frequentes nos últimos tempos.

Era a reunião dos Comensais da Morte. Sem Draco Malfoy para poder ferir, Voldemort não se sentia bem, por isso a reunião, o plano era convocar alguém para achar um trouxa, alguém que pudesse torturar. Ele estava sentado à cabeceira da mesa, ao seu lado esquerdo Belatriz se contorcia nervosamente, ao seu lado direito Snape se mantinha frio e impassível. A forma como Snape agia lhe passava segurança.

Olhando para todos os comensais sentados a mesa, não foi difícil decidir a quem entregar o serviço, ele sabia que Snape faria exatamente o que pedisse, mas queria que ele ficasse ali, e Bela estava quase implorando para ser mandada na missão, embora não pudesse ter certeza se a vítima chagaria até ele sem danos graves, sabia que a mulher estava ávida por agradar.

—Belatriz – ele chamou decidindo-se. Se ela se excedesse, poderia torturá-la no lugar. – Preciso que traga um trouxa, algum desses encrenqueiros fortes deve servir.

—Claro, My Lord. – ela tentava conter o sorriso – Tudo pelo senhor.

—O quero inteiro, Belatriz... – o Lorde ressaltou quando a mulher se levantou.

—Claro, claro... – ela sacudiu a cabeça freneticamente – Com todos os membros.

Voldemort suspirou, ele não tinha certeza do que exatamente Belatriz queria dizer com “todos os membros”, mas podia imaginar que todos os membros estariam em péssimo estado. Ele dava por encerrada a reunião, precisava de um tempo sozinho. Em seu quarto, no escuro, Voldemort se embolou na cama, Nagini rastejou até colocar a enorme cabeça em seus braços. Voldemort tocou o próprio rosto antes de tocar o da cobra.

—Dizem que os animais de estimação parecem com o dono, mas duvido que alguém se pareça tanto quanto nós – ele murmurou sorrindo, a cobra bochinchou indignada – É claro que você não é só um animal de estimação Nagini! – a cobra escorregou, tocando seu rosto, ela era tão carinhosa – Eu fui muito mal com você... te fazendo uma horcrux...

—Não seja bobo... – a cobra respondeu, ela era única que tinha esse direito – A horcrux protege minha vida, e você sabe.

—Mas na época não sabia – ele acariciou a parte de baixo da cabeça de Nagini, fazendo com que balançasse a cauda. – E você era só um filhotinho.

—Não faz mal... – a cobra murmurou – Tudo está bem agora.

Snape andava pela mansão, cruzando com aqueles que um dia tiveram a mesma ideologia que ele, Snape não odiava os Comensais da Morte, Rodolfo e Rabastan Lestrange eram sempre alguém para se ter uma conversa inteligente. A maluca da Belatriz, embora não ficassem um minuto sem brigar, não a odiava. Selwyn era um dos homens mais engraçados que já conheceu, quando não estava em batalha. Mas mesmo que simpatizasse, Snape não hesitaria um segundo em matá-los. Snape não se importava com a vida dos milhares de trouxas, ele não era um homem bom e sabia disso, guerra é guerra, afinal. O que o fez mudar de lado foi, e sempre seria, Lilian Potter. Muito embora conhecesse Hermione Granger; era difícil dizer que um nascido trouxa não pertencia ao mundo mágico quando a melhor aluna que teve em sua vida foi uma nascida trouxa. Lilian era trouxa também, e tinha que admitir que não teria se tornado comensal caso não tivessem brigado. Aquela maldita ideologia foi a causa da primeira ruína de sua vida. Ele suspirou, indo até o quarto de Voldemort.

A batida na porta interrompeu Nagini e Voldemort, a cena de carinho se desfez rapidamente, Nagini se enrolou no chão ao lado da cama, e Voldemort sentou-se na poltrona que havia em seu quarto, pegando um livro da mesinha rapidamente.

—Entre – ordenou.

—Com licença – Snape falou com a voz grave – Eu trouxe sua poção. – ele olhou para Voldemort, segurou um sorriso, o homem segurava o livro de cabeça para baixo. Às vezes ele lhe causava sensações conflitantes.

—Obrigado – ele fechou o livro, remexendo-se ao ver que a capa estava ao contrário, sentindo-se idiota ele se perguntou se Snape teria reparado. Levantou-se, andando até o homem e pegou a poção, ele sentiu o calor de Snape percorrer seu corpo inteiro, a sensação estranha e boa que ele sabia ser o único a sentir quando seus dedos se encostavam.

—Está melhor? – Snape perguntou sério, frio.

—Claro – ele se encolheu um pouco, então virou-se, para se recompor – As poções tem ajudado.

—Fico feliz, My Lord. Agora se me der licença – Snape se virou, pronto para retirar-se.

—Não – a voz saiu de sua garganta antes que pudesse contê-la, agora sua boca estava contra ele! – Fique está noite – ele engoliu em seco, torcendo para que Snape não notasse seu nervosismo.

Snape não notou, por que a ordem o deixou nervoso, embora não transparecesse. —Me quer em sua cama? – perguntou frio.

A ideia de ter Snape em sua cama o arrepiou, ele sabia que não conseguiria dominar ao homem, e a ideia de Snape machucando-o o assustava, pensando bem, ele não seria capaz de machucar Snape.

—Não – ele respondeu firme, deitando-se sob as cobertas e finalmente tomando a poção que Snape lhe trouxe, agora percebia o quanto seu pedido havia sido idiota, Severo já conhecia muito das suas fraquezas, e isso apenas iria expô-lo ainda mais.

—Por que você age como uma colegial perto desse homem? – Nagini havia subido até a borda da cama para falar com Voldemort.

—Eu não faço isso – ele sorriu ternamente para ela – Eu sou mau.

—Claro, Sr. Mau – Nagini debochou.

Voldemort espiou para ver se Snape havia visto aquilo, ele lia o livro que Lorde das Trevas deixara sobre a poltrona tranquilamente. Melhor assim!

Sentado na poltrona, Snape fingia ler abismado. Ele acabara de ver o sorriso doce que Voldemort dera, às vezes era difícil acreditar que este era o mesmo homem que matara Lilian e estuprara Lucio e Draco. Com o homem que destruíra sua vida dormindo bem ao lado, ele imaginou que deveria sentir ganas de matá-lo, mas não sentia... não sentia nada. Alguém bateu na porta, olhando para Voldemort todo embolado na cama ele soube que o homem não levantaria. Snape abriu uma fresta da porta, sabendo muito bem quem estaria do outro lado.

—o que está fazendo aí? – Belatriz, de cenho franzido, tentou empurrar a porta.

—Não é da sua conta, Bela. – Snape grunhiu, sentindo necessidade de proteger Voldemort do olhar da Comensal – O que quer?

—Eu trouxe o homenzinho – ela murmurou – Rodolfo está cuidando dele.

—Vejo que o estrago foi grande – Snape deu um sorriso sarcástico. – Você não consegue se controlar, não é Belatriz?

—Ele está com todos os membros – ela murmurou emburrada– De qualquer forma... – ela tentou empurrar a porta mais uma vez – Você está ocupando a cama do Lord agora, é?

—Isso não é da sua conta, é? – Snape levantou a sobrancelha com desprezo.

—Você é cruel! – ela murmurou forçando a porta sem sucesso

—Caí fora, Bela! – Snape empurrou a porta, tentando fechá-la na cara da mulher

Ela empurrou com o pé, impedindo que fechasse completamente.

—Só me diga uma coisa... – ela murmurou, como se fosse um segredo – Você é o ativo ou o passivo?

—Bela... – Snape respirou profundamente, acalmando-se – Quando o homem estiver bem, peça a Rodolfo que o leve até as masmorras e lhe dê comida. – Snape a empurrou com força, fechando a porta, do outro lado Belatriz gargalhou alto.

Sem acordar, Voldemort murmurou em seu sono. No momento em que ele se remexeu, ajeitando-se nos travesseiros, Snape pensou que estava perdido. Ele sentou-se na poltrona novamente, desta vez deixou seu corpo de lado, em uma posição que podia ver o homem dormir. Oh, Merlin! Estava completamente perdido.

Draco estrava deitado, acariciando Harry, as olheiras do grifinório estavam maiores agora. Ele abriu os olhos e puxando a mão de Draco deu um beijinho na palma.

—Você está bem? – o sonserino perguntou tocando seu nariz no de Harry.

—Estou – Harry sorriu rolado até ficar sobre Draco – Faz uma semana que eu não tenho nenhum pesadelo.

—Que bom – Draco murmurou, ele ergueu a cabeça, tocando os lábios de Harry com os seus, estava preocupado, Harry não estava dormindo direito, mesmo que dissesse o contrário – Você não vai me contar o que são esses pesadelos, vai?

—Não! – Harry desceu os lábios até o pescoço de Draco beijando ali, fazendo o sonserino gemer, ele riu quando Draco envolveu as mãos em seu cabelo, puxando-o na direção de seu pescoço.

Voldemort também despertava. Snape ainda estava ali sentado, impecável, o que fez Voldemort se arrepender mais uma vez, o homem não tinha fraqueza alguma! E olhe só pra ele! Todo encolhido na cama, como pode e esquecer que acordaria enjoado no outro dia. Ele sentou-se na cama tentando disfarçar a dor em seu estômago.

—Você já pode ir agora. – ele disse ao homem, mas Snape não foi, ele sentou-se na cama, e disse algo que Voldemort não entendeu, entendendo que foi uma pergunta ele resolveu falar qualquer coisa – Claro – ele respondeu, sabendo que o melhor jeito de se livrar de algo era concordando.

—Está bem, My lord? – Snape perguntou franzindo o cenho.

—Sim, estou perfeitamente... – lívido de dor, não conseguiu continuar, ele jogou as cobertas rapidamente e correu até o banheiro, vomitando.

Quando Snape entrou, ele ainda estava pendurado no vaso. Era no mínimo estranho ver alguém que tinha tanto poder em um momento tão vulnerável.

—É a poção, não é? – Snape perguntou se abaixando ao lado dele – ela é muito forte.

—Eu não sou fraco. – o lorde das trevas murmurou, um murmúrio de alto convencimento, a cena era patética.

—Eu não disse que é – Snape respondeu sem dar mostras de se importar, ele puxou Voldemort pelo braço, surpreso quando ele cedeu, e colocou-o na cama – Eu quero ver o que você tem exatamente, depois trago uma poção para dor – Merlin! O que ele estava fazendo?! Devia aproveitar a chance e matar o homem, não trazer uma poção para dor. Ele levantou a túnica dele, a pele embaixo dela era branca como uma folha de papel e desprovida de pelos. – Me diga se doer – ele apalpou a barriga de Voldemort até que o corpo dele tencionou, muito de leve, pra relaxar logo em seguida – Doí? – perguntou apertando o mesmo lugar, um estremecimento leve e muito rápido foi o único resultado.

—Não. Estou bem.

Snape desceu a túnica, e se afastou, tinha ficado claro pra ele onde era a dor, e também que Voldemort não iria cooperar. Provavelmente era apenas o estômago sensível por causa da poção para dormir. Ele saiu, quando voltou trazia uma poção para dor, uma poção mais fraca e um prato de sopa quente. Quando o liquido verde da poção desceu por sua garganta Voldemort chegou a suspirar de alívio.

—Agora você tem que comer – Severo sentou ao na cama ao seu lado e entregou-lhe o prato de sopa – Vai ajudar a acalmar seu estômago. – Snape levantou um pequenino frasco que trazia – Essa poção é mais fraca, não vai te fazer mal.

Voldemort era bom em poções, quase tão bom quanto Snape. Ele conhecia aquela poção, e não quis dizer a ele, mas não servia para seus propósitos.

—Se você estiver melhor, pensei que podia me dizer os detalhes do plano contra Harry Potter. – Severo pediu – Aquele em que quer que eu ajude.

—Claro – Voldemort pressionou as mãos muito brancas no rosto ofídico – Noutra hora. – murmurou pensando melhor, Nagini subiu rastejando pela cama e descansou a enorme cabeça em seu colo. – Você pode ir agora.

—My Lord... – Snape se retirou com uma pequena reverência.

Voldemort comeu a sopa, ela trouxe o alivio prometido. Ele se levantou, derrubando Nagini. Procurou no armário alguma túnica apresentável e pegou sua varinha na cômoda.

—O que há entre você e o mestre de poções? – ela sibilou maliciosa.

—Não sei do que está falado – ele respondeu enquanto terminava de se vestir – Não há nada de mais entre Severo.

—Não? – ela se enroscou em torno de Voldemort – Porque às vezes tenho a impressão de que você tem medo dele...

—Cale a boca! – Voldemort alterou o tom de voz, Nagini se desenrolou de seu corpo e se arrastou até debaixo da cama, um sinal bem claro de que estava furiosa. Ele suspirou, nervoso, e saiu do quarto procurando por algum de seus subordinados... Achou Bela quase exatamente no momento em que saiu do quarto.

—My Lord – a mulher sorriu e fez uma reverência exagerada.

—Quero o prisioneiro na sala de reuniões em três minutos, ou buscarei você para ficar no lugar dele – Voldemort sorriu e lhe deu as costas.

Apressada Belatriz foi buscar o homem, não que ela ligasse de ser torturada pelo Lorde das Trevas, mas preferia agradá-lo. Em menos de três minutos o homem apavorado foi atirado pra dentro da sala. Voldemort o olhou, e canto de sua boca se ergueu em um sorriso de puro escárnio. Ben não vivera uma vida livre de pecados, ele nem mesmo era um homem bom, mas para Voldemort isso não importava, ele não estava ali para punir o homem, não era um justiceiro, ele queria apenas acalmar os próprios demônios. Sou mais forte, mais poderoso; eu posso fazer isso, posso fazer o eu quiser. Ele torturou ao homem, com todas as maldições que conseguiu, os gritos o faziam sentir-se melhor, o choro, os pedidos de misericórdia. Ele não era misericordioso. Ele precisava desse sofrimento, ele varria tudo pra baixo do tapete.

Deixando o corpo coberto de sangue para alguém limpar ele retornou ao quarto, era o suficiente, pelo menos por enquanto. Quando entrou no quarto, Nagini ainda estava debaixo da cama, ainda estava zangada com ele. Voldemort encolheu-se na cama, queria que ela se enrolasse em cima dele e falasse as coisas que só ela podia dizer pra ele. Um pouco depois de fechar os olhos, Nagini se esgueirou pra cima da cama colocando a cabeça em seu abdômen.

—Me desculpe – ele pediu suspirando – Eu...Severo...ele... – Voldemort se calou – não é nada.

Nagini continuou em silêncio. Ela não iria cutucar a ferida.

O Lorde lutou contra o sono, tentando se distrair com qualquer outra coisa, finalmente, ele perdeu a batalha e adormeceu.

Era a primeira vez que ele ia ao parque, ele tinha ganhado um enorme algodão doce de cor azul. Era a primeira vez que ele comia algodão doce. Sua mãozinha pequena estava segura dentro da mão do homem, e quando ele lhe sorriu, o garotinho sorriu de volta.

Depois ele o levou para seu apartamento. O quarto do homem era muito maior que o lugar onde ele dormia. Ele não estranhou quando o homem o pegou no colo, nem mesmo quando ele passou as mãos por seu corpo do jeito que um adulto jamais deveria fazer com uma criança. Mas como ele poderia estranhar? Ele tinha acabado de completar 3 anos. De uma forma ou de outra, ele não gostou quando o homem abaixou seu shortinho, ele tentou se afastar, mas o homem falou que ele tinha que pagar pelo algodão doce. Foi a primeira lição importante que aprendeu na vida, nada vem de graça.

Harry acordou de supetão outra vez, respirando com dificuldade. Ele se agarrou a Draco que dormia quietinho ao seu lado, quando a primeira lágrima teimou em cair, ele sentiu-se envergonhado. Ele sentia dor e culpa ao mesmo tempo.

Em seu quarto, Belatriz chegava com um roupão felpudo e uma toalha enrolada nos cabelos.

—É tão bom não estar em Azkaban! – suspirou se atirando na cama ao lado de Rodolfo – Nada como um bom banho!

—Com certeza, não. – ele aspirou seu pescoço, gostava do perfume dela.

—Oh! – Belatriz se virou pra ele com um sorriso maldoso – Tenho uma coisa pra te falar.

—Uma fofoca, você quer dizer? – ele adivinhou rindo, ela assentiu com os olhos brilhando. Rodolfo lhe deu um peteleco no nariz, fazendo com que desmanchasse o sorriso – Você não acha feio fazer fofoca?

Ela ergueu uma sobrancelha, olhando-o sarcasticamente. Afinal, nesse mesmo dia ela havia torturado um homem, ela podia ser horrível, mas podia ver facilmente a diferença entre uma fofoca e uma tortura, não era difícil escolher qual era o pior – Você não está falando sério está? – Rodolfo apenas soltou uma risadinha – Dê qualquer forma... – ela disse, o sorriso malicioso voltando – é algo que vai achar interessante.

—O que foi, Bela? – ele perguntou revirando os olhos.

—O Lorde e Snape estão dormindo juntos... – ela murmurou lambendo os lábios, quando Rodolfo arregalou os olhos o sorriso dela se ampliou – E tem mais... – ela deu uma risadinha nervosa – Ontem... Snape abriu a porta do quarto todo mandão, não me deixou nem espiar pra dentro...

—Você está querendo dizer que Snape fez isso de livre e espontânea vontade? – ele ergueu a sobrancelha, Belatriz assentiu – Não é tão surpreendente. Se você está disposto a fazer tudo por poder...

Ela acenou negativamente com a cabeça – Não acho que é isso – murmurou antes de levantar andando até o armário. Será que era possível que Snape estivesse fazendo tudo isso por poder?