Draco Malfoy Tem Medo Do Escuro
14 O Plano Contra Voldemort
Draco empurrou Harry outra vez. Por Merlin! O sol já começava a entrar pela janela e ainda não havia conseguido dormir! Harry muito menos, afinal, sua agitação era o motivo de Draco ainda estar acordado. E mal humorado, também estava de péssimo humor. Draco se afastou mais, deitando bem na ponta da cama e deixando o restante para que Harry se movesse a vontade. Harry se virou algumas vezes, depois se aproximou de Draco até colar o corpo no dele, continuando a se mexer.
—Eu quero dormir, Harry... – Draco murmurou, puxando Harry para si, envolvendo-o com os braços na tentativa de mantê-lo parado.
—Desculpa, amor – Harry se afundou no peito de Draco e tentou ficar o mais parado possível, mas não conseguiu manter-se quieto por muito tempo.
—Harry... – Draco sentou-se na cama, puxando Harry junto e lhe deu alguns beijinhos. – Não adianta nada ficar nervoso, não vai poder sair correndo e acusando Snape aos berros. Além disso, ainda vai demorar um tempo para ele chegar – Draco passou a mão pelo rosto de Harry pacientemente.
—Ele salvou você... – Harry murmurou.
Draco podia ver a gratidão e a raiva brigando em Harry.
—Olha, eu devo minha vida a ele... não você – Draco sorriu suave – Mas eu gostaria que não brigasse com Severo... tenho certeza que ele se arrepende... – Draco se calou, aquele era um pedido egoísta.
—Eu não queria brigar... – Harry parecia confuso. Ele passara a gostar de Snape, eles haviam se aproximado por causa de Draco... mas... Seus pais estavam mortos e a culpa era de Severo. Então ele lembrou-se de uma conversa que os dois tiveram há algum tempo. Severo gostava de sua mãe... ela lhe salvara a vida, ele disse. Seria um péssimo agradecimento causar sua morte. E mais ainda Harry teve vontade de esclarecer aquela história – Eu não quero brigar... – ele murmurou.
Draco estava aliviado em saber disso. Ele acariciou o cabelo de Harry com ternura – Quer conversar sobre o que está pensando ou quer tentar dormir? – Harry pareceu pensar durante um tempo. Draco suspirou, Harry não queria falar e não conseguiria dormir. – Podemos falar sobre outras coisas também.
Harry se aconchegou em seu peito. Ele sorriu. Se alguém tivesse lhe dito há algum tempo que se daria tão bem com Draco Malfoy... que o amaria tanto... – Podemos fingir que somos dois caras normais? – Harry se afundou ainda mais em Draco – Que não temos nenhuma preocupação?
—Isso parece muito bom... – Draco puxou Harry, beijando-lhe o pescoço – Somos só nós dois... juntos para sempre... – ele começou a distribuir beijinhos pelo rosto e pescoço de Harry, era tão fácil se esquecerem de todos os outros quando estavam juntos. Virando o rosto de Harry para si ele pediu por um beijo mais profundo.
Harry se virou suspirando, afundou os lábios no pescoço de Draco e aspirou. Queria aquele cheiro gravado em sua memória. – Quero fazer amor com você... – Harry passou as mãos por baixo da camisa de Draco, acariciando-o – Com essa luz... eu adoro o jeito como sua pele fica na luz do sol... eu consigo ver todos os detalhes... – E Harry achava todos os detalhes lindos, embora soubesse que Draco odiava as cicatrizes. Harry também as odiava, elas eram um lembrete constante da dor que ele tinha sofrido. Mas Draco ainda estava ali, vivo. Harry adorava ver cada pedacinho daquele corpo, inclusive as cicatrizes, porque Draco está vivo!
Mas Draco parou, ele tirou as mãos de Harry de seu corpo, corando. Embora não gostasse de suas cicatrizes, não tinha vergonha de mostra-las para Harry. Mesmo que não entendesse como ele podia acha-lo lindo quando tinha o corpo tão marcado, acreditava que Harry realmente achava-o lindo. O motivo de ter parado, nervoso e engolindo em seco, era outro. Como iria falar isso para Harry?
—O que... – Draco respirou fundo, não era nenhum absurdo perguntar isso – O que você diria se eu falasse para invertermos... ah... – ele corou ainda mais, não olhava para Harry, mas podia sentir suas mãos lhe acariciando as costas, tentando acalmá-lo – para... invertermos nossas... ah... posições?
—Eu diria que tudo bem – Harry franziu a sobrancelha, curioso. Eles ainda não tinham tocado nesse assunto, até agora Draco não tinha mostrado interesse nisso... por que será que logo agora...? De qualquer forma, Harry puxou o rosto de Draco e o encheu de beijinhos. Ele corou. – Eu nunca fiz isso...
—Eu sei... eu... – ele beijou Harry, mas quando os beijos se tornaram mais profundos ele se afastou de novo – Você acha que eu pareço a mulher? – ele perguntou subitamente.
—O quê? — Harry sacudiu a cabeça, sem entender de onde saíra aquilo. Obviamente Draco não tinha acordado com um desejo súbito. – Do que está falando?
Ele abraçou Harry – Foi uma coisa que Fred disse... – ele murmurou – Você acha que eu ajo como mulher?
—Pelo amor de Merlin, Draco! – Harry puxou seu rosto encarando-o – Que droga Fred disse pra você?
Draco corou – Ele disse que era obvio que eu era a mulher da relação – ele mordeu o lábio nervosamente – Você acha que eu faço coisas de mulher? – Draco insistiu, corando ainda mais.
Espera um pouco... Como assim Fred disse que Draco era a mulher? Merlin! Algumas vezes Fred era insuportável! — Draco... Você não é mulher. Nenhum de nós é mulher... é por isso que nós somos homo, lembra? – Harry sorriu – Fred é um idiota, ok? Não escute o que ele diz. – Harry suspirou – Aliás... há quanto tempo isso tá te incomodando?
—Algum tempo... – ele murmurou. Não que a situação realmente o incomodasse, ele achava que sua relação com Harry era muito boa... E, na verdade, não se sentia exatamente pronto para fazer aquilo.
—Você podia ter me falado antes – Harry passou as mãos pelos fios loiros, sorrindo docemente – Mesmo se você ... sei lá... brincasse de boneca — Harry deu de ombros ouvindo Draco rir – nem assim você seria mulher, isso é coisa do maluco do Fred! Essa decisão é nossa, Draco. – Harry selou os lábios nos de Draco bem de leve – Temos todo o tempo do mundo para isso, e vai acontecer quando, e se, você estiver pronto.
Draco riu bem mais tranquilo. Ele não sabia exatamente porque, mas quando Fred lhe disse que era a mulher da relação Draco se sentiu... menosprezado. Não que ele tivesse algo contra as mulheres, era só uma droga de cromossomo de diferença afinal, mas o modo como Fred falara... E Draco sabia que Fred gostava dele, que não fora intenção dele fazer Draco se sentir mal.
—Podemos voltar para aquela ideia de antes? – Draco soltou um risinho malicioso, beijando o pescoço de Harry, subindo pelo maxilar, brincando com os lábios em sua orelha...
—Hum... que ideia era essa? – Harry riu, rouco.
— Algo como fazer amor aqui e agora... – Draco riu roucamente também – A luz e calor do sol sobre nossos corpos...
—Isso parece muito bom – Harry murmurou beijando Draco em seguida, Draco correspondeu vorazmente.
Ele foi deitando sobre Harry, rindo e lhe mordiscando os lábios...
Então alguém bateu na porta.
—Ei! Vocês dois! – Fred gritou do lado de fora – Vocês tem uma reuniam daqui a pouco, esqueceram?
Harry e Draco se deixaram cair contra o colchão, Draco gritou para Fred que estavam quase prontos, mas nenhum dos dois se mexeu.
—Acabamos nem dormindo... – Draco gemeu, ele não tinha percebido que já era tão tarde.
—Podíamos ter feito algo bem mais interessante que dormir – Harry grunhiu, ele queria arrancar a cabeça de Fred.
—Guarde a ideia. – Draco riu enquanto ia para o banho, certamente ele e Harry poderiam passar um tempo agradável, juntos, depois da reunião.
Harry queria falar com Severo antes da reunião, mas ele só chegou depois de Dumbledore, frustrando seus planos. A reunião se iniciou. Apenas Harry, Severo e Dumbledore estavam presentes. Snape explicou o plano de Voldemort , de como queria duelar com Harry, mas tendo Severo presente para ajuda-lo caso precisasse. Voldemort estava sendo bastante cuidadoso, o plano podia ser simples, mas todos os detalhes foram pensados para que desse certo. Exceto um: a lealdade de Severo Snape. Voldemort jamais contaria com a possibilidade de ser traído por Snape, e isso o levaria a morte.
Severo estremeceu. Morte. Não queria que Voldemort morresse. Mas porque não queria que Voldemort morresse? A morte era o mínimo que ele merecia. Severo estava inquieto enquanto discutiam o plano. Harry mal olhava para ele, se não estivesse tão nervoso teria reparado. Mesmo notando o clima pesado da sala, Dumbledore prosseguiu a reunião. O plano contra Voldemort também era simples. Harry seria levado, ele e Voldemort duelariam e, se necessário, Severo interviria em favor de Harry, enquanto isso, Dumbledore continuaria procurando as Horcruxes que faltavam. O anel e o medalhão estavam na gaveta, faltavam cinco horcruxes e um modo para destruí-las. Hermione deveria se encarregar de destruí-las, com certeza ela acharia um jeito. Severo ficava cada vez mais nervoso, o plano inteiro dependia de sua fidelidade. Mas havia uma chance... se não encontrassem as cinco horcruxes a tempo e conseguissem destruí-las não poderiam matar Voldemort. Mas e se achassem? E se Severo tivesse que matar Voldemort? Então ele o mataria, porque era o certo a fazer, não?
—Severo? – Dumbledore chamou atrás de sua mesa – Está prestando atenção?
Ele assentiu. Dumbledore lhe deu um sorriso, olhando-o por sobre os óculos, e explicou o plano outra vez. Tudo estava claro? Estava. Ótimo, os detalhes seriam resolvidos depois. Harry já podia ir. Sim, Harry tinha permissão para contar a Draco, Rony e Hermione. Severo ficaria mais um pouco, Dumbledore queria falar com ele. Mais um pouco? Harry sentiu-se frustrado outra vez. Teria que esperar para falar com Snape. Estava ansioso.
—Você quer matá-lo? – Dumbledore perguntou assim que Harry saiu e fechou a porta.
—Eu vou mata-lo. – Severo disse encarando Dumbledore enquanto suas mãos apertavam a capa fortemente.
—Eu acredito, Severo. – Dumbledore levantou-se, ficando de costas para Snape – Mas essa não foi minha pergunta, foi? — Dumbledore suspirou, lembrando-se de sua própria história.
—Eu não quero – ele murmurou, olhando para baixo. Sentia-se tão mal...
Dumbledore veio para perto dele devagar e sentou na cadeira ao seu lado. – Severo... – Dumbledore lhe bateu no braço amigavelmente – Você provavelmente conhece Tom melhor do que qualquer um de nós, ele confia em você, e deve ter mostrado algo que não mostrou a nenhum de nós. – Severo levantou o rosto e Dumbledore o olhou compreensivo – Eu nunca fui a favor da vingança. Se você conseguir um modo de deter Voldemort sem matá-lo, não vejo problema nenhum nisso. É claro, terá que convencer Harry... e provavelmente Draco.
—Eu vou tentar. – ele respondeu olhando para baixo. Por que não podia simplesmente apagar aqueles momentos de fragilidade? Ele apertou o braço no local onde Voldemort tinha apertado sua camisa durante a noite – Às vezes ele parece um bichinho assustado.
Dumbledore sorriu. – Quem diria, não é? – ele esperou que Severo o olhasse – Tudo que ele fizer será sua responsabilidade, Severo.
—Eu vou pensar em algo, ele não vai poder fazer nada.
Merlin! Que dia cheio para Severo Snape. Teve a reunião, decidiram um plano contra Voldemort, então Dumbledore lhe disse tudo aquilo! Será que tinha algo haver com Grindelwald? Era bem possível. Mas Severo não deixaria que Voldemort o cegasse, ou será que já estava cego? Não importava. Acharia uma solução, Voldemort não poderia mais fazer mal a ninguém... e talvez pudesse fazê-lo feliz. Ele estremeceu. Por que tinha que ficar pensando em coisas como essas? Tinha que convencer Harry e Draco a não matá-lo. Isso sim parecia impossível. E agora, ainda por cima, Harry estava ali, parado do lado de fora do escritório.
—Eu preciso falar com você – ele disse com cara de poucos amigos.
—Estou ouvindo – Severo suspirou, querendo acabar logo com aquilo.
Harry respirou profundamente. O que ele tinha em mente não era uma conversa de corredor. – Bem... – ele tomou mais uma respiração profunda, o melhor era ser direto – Você tem algo haver com o ataque de Voldemort aos meus pais?
Não tinha como aquilo ser dito assim... em um corredor.
—Sim.
Ele tinha. O que mais havia a dizer? Não havia mais nada a dizer. Explicações? Não... não havia explicação para algo assim.
—Eu não sabia que era Lilian, se eu soubesse... – ele mordeu os lábios – Eu realmente amei sua mãe.
Harry apenas ficou olhando para ele. Isso não era suficiente. Não era suficiente e ele não podia perdoar Severo.
—Eu implorei pela vida dela, Harry. – Severo suspirou – Só pela dela. Mas ela amava você e seu pai... – Severo se calou, percebendo que não queria que Harry se afastasse dele. Não queria perder a última parte de Lilian. Harry era tão parecido com Lilian! Então porque não conseguia abrir a maldita boca para pedir perdão? – Eu sinto muito.
—Eu também – Harry disse. Ele sentou no chão, sentindo-se um pouco tonto.
Severo se ajoelhou a seu lado. Não podia pedir perdão porque não merecia perdão. Ele sentiu os olhos arderem – Eu realmente sinto muito...
—Eu não vou brigar com você. — Harry murmurou – Eu só quero fingir que nada disso aconteceu... – Ele suspirou, esfregando o rosto com as pontas dos dedos. Tinha visto o esforço de Severo para conter as lágrimas. – Eu... – ele piscou, atordoado – Eu preciso falar com Draco – percebeu, levantando-se depressa.
Severo também se levantou. Ele e Harry ficaram se olhando por um tempo, até que este tomou uma atitude e saiu do corredor, Severo deixou o corredor em seguida. Só depois que não ouviu mais nada Dumbledore saiu do escritório. Bem... tinha presenciado uma conversa bem interessante, suspirou, estava feliz com a atitude de Harry e de Severo, aparentemente tudo ficaria bem.
Enquanto isso, na cozinha, Hermione e Rony surpreenderam Tonks e Lupin aos beijos.
—Ops! – Rony falou virando as costas, Hermione já ia acompanha-lo, e brigar, claro, por que ele tinha que fazer barulho? Não podia sair em silêncio?
—Oh! Vocês dois! – Tonks exclamou, rindo.
—Olá – os dois murmuraram corados. Lupin também estava corado. Na verdade, só Tonks estava animada e não mostrava nenhum sinal de vergonha.
—Podem ficar na cozinha, não tem problema.
Os dois voltaram a entrar sem jeito, procurando algo para comer aleatoriamente.
—E então, vocês dois já estão juntos? – Tonks perguntou puxando assunto, Remus parecia um pimentão de tão vermelho.
Rony também estava vermelho, ele fingiu prestar atenção no copo em cima do balcão, deixando que Hermione respondesse.
—Estamos. – ela disse.
Rony sentiu borboletas voando no estômago. Agora ele fixava o copo para tentar controlar o sorriso, as bochechas ainda estavam vermelhas, mas por outro motivo.
—Vocês ficam bem juntos – comentou pensativa, olhando de um para o outro – Você não acha, Remus?
Lupin sorriu – Também acho.
—Eu não sabia que vocês estavam juntos – Hermione disse, voltando a tarefa inicial de procurar comida.
—Não tínhamos divulgado ainda. – ela riu – Mas daqui a pouco todos vão perceber, então acho que falaremos esta noite.
Hermione sorriu. Rony se virou a tempo de ver Tonks acariciando a barriga lisa. Ele arregalou os olhos.
—Sério?! – perguntou surpreso, olhando de Tonks para Lupin. Hermione fuzilou-o com o olhar.
—Sim! – ela sorriu – Eu vou engordar, vomitar e sentir dores horríveis, não é demais?!
Todos riram com a fala de Tonks, muito embora o riso de Lupin fosse um riso nervoso.
Alheio a cena da cozinha e a qualquer outra coisa que estivesse acontecendo na casa, Severo andava de um lado para outro em seu quarto. Um modo de salvar Voldemort. Um modo de salvar Voldemort? Por que queria achar um modo de salvar Voldemort?
Sentou-se na cama. Lembrou-se dele dormindo, as mãos segurando sua camisa com força. Lembrou-se do chuveiro, onde ele se esfregava até tirar sangue. Ele acariciado Nagini. Ele se encolhendo quando levantou a túnica. As lembranças pulavam em sua mente uma atrás da outra... ah... ele era tão indefeso... Indefeso?! Ele matou Lilian! Estuprou Draco! Torturou Lucius! Indefeso?! O que tinha de indefeso nisso? Severo voltou a andar, meio trêmulo, depois se sentou outra vez. Disse que iria tentar, não disse? Então pensaria em algo. Ele deitou na cama, olhando o teto. Pensaria em algo... qualquer coisa...
Tentando pensar, ele adormeceu. Seus sonhos foram povoados por imagens confusas de Lilian, Harry e Voldemort. Principalmente Voldemort. Severo pensava o que, ou quem, o teria machucado. Era obvio que ele sofrera, embora não soubesse o que ou quando. Era difícil pensar em alguém machucando Voldemort, não porque Severo sentisse muito, na verdade isso até fazia toda a situação mais aceitável, mas era difícil imaginar alguém com coragem e poder para machucá-lo. Ele deve ter sofrido algo na infância ou adolescência, algum fato traumático que o fez ficar com ódio de todos os trouxas.
Já era tarde quando acordou. Sentou-se na cama, perturbado. Não conseguiria mais dormir. Andou pelo quarto, pegando livros de poção, de feitiços, procurando algo que pudesse salvar Voldemort. Tinha que achar um sinónimo para “salvar”, não gostava dessa palavra. Ela trazia muita responsabilidade. Ele continuou a procurar por feitiços e poções, tentando se livrar do peso da palavra salvar. E tudo ficou claro, o que ele precisava não estava em nenhum livro, o que ele precisava era colar os pedaços da alma de Voldemort e transformá-lo em Tom Riddle outra vez. Era possível consertar uma alma? Não, mesmo se todos os pedaços fossem colocados juntos, restariam as marcas das emendas. Mas havia uma solução. Talvez fosse pior que a morte, mas Severo não queria carregar o peso de outra morte nas costas. Aquilo resolveria. Se Harry e Draco aceitassem, aquilo resolveria. Cheio de esperança, Severo começou a trabalhar em uma poção que acabasse com os poderes mágicos.
Só faltava comunicar a decisão... e torcer para que Harry e Draco aceitassem. No jantar! Faria isso logo após o jantar! Não fez, Lupin e Tonks tinham um comunicado a fazer. Casamento! Todos ficaram super felizes, é claro, mas ninguém parecia realmente surpreso como Tonks pensou que ficariam. Harry e Draco desejaram felicidades ao casal e subiram tão rápido quanto haviam descido.
Severo até pensou em ir atrás dos dois, mas a possibilidade de que estivessem furiosos com ele o impediu. Não queria ver seu plano ser destruído tão rápido. Voldemort, ele pensou, o que ele estaria fazendo agora? Severo queria estar lá... se Voldemort tivesse pesadelos. Merda! Não podia pensar assim! Não queria protege-lo, não queria e ponto. Ele estava, estava... mas... era diferente. Só estava fazendo o que era certo, vingança não seria certo.
Voltando ao plano, Severo imaginou se seria melhor falar com um de cada vez ou com os dois ao mesmo tempo. Um de cada vez. Um de cada vez com certeza. Mas Harry, ou Draco? Qual dos dois? Harry deveria estar com muita raiva sua, enquanto Draco sempre gostaria de Severo. Pensando em tudo o que Draco passou nas mãos do homem, decidiu que falar com Harry era a melhor escolha.
Mas achar Harry sozinho era mais difícil do que parecia, Severo trabalhava na poção durante grande parte do dia, e o tempo que sobrava tentava falar com Harry. Não tinha tempo. Queria resolver tudo logo, por mais que a execução do plano de Voldemort dependesse dele, o Lorde poderia mudar de ideia. Tinha que falar com Harry o mais rápido possível.
Já era tarde, Harry estava deitado com Draco entre os braços. Draco tinha se sentindo mal durante todo dia, mal tinha tocado na comida e agora estava um pouco enjoado. Harry estava preocupado, ele esfregava os braços de Draco tentando aquecer a pele gelada. “Vou chamar Snape”, Harry havia dito uma e outra vez, mas Draco o olhava pedindo que ficasse com ele, dizendo que não precisava de poção alguma. Harry não conseguia deixá-lo, assim que ele dormisse, tinha decidido, assim que Draco dormisse falaria com Snape. Ele estava quase dormindo, o rosto contra o peito de Harry. Draco se encolheu ainda mais contra o corpo de Harry. E foi então, quando Harry se abaixou para beijar-lhe a bochecha, que viu as lágrimas nos olhos de Draco.
—O que foi? – ele perguntou meio desesperado – Está com dor?
Draco fez que não com a cabeça e abraçou Harry o mais forte que podia.
— O que foi então?
—Eu te amo – Draco soluçou.
—Eu também te amo – Harry respondeu, apertando Draco nos braços e beijando-o o máximo que podia – Draco... o que está errado? Qual... Qual o problema? – era melhor Draco responder, ou Harry iria aparatar com ele no St. Mungus.
—Eu te amo – Draco repetiu – Muito, muito mesmo.
—Eu sei, meu amor – Harry falou apressado – Mas eu preciso saber por que você está chorando. – ele limpou as lágrimas de Draco e beijou seu rosto e lábios, mais lágrimas caiam. Harry se sentia um idiota inútil.
—Eu não quero que você vá – ele murmurou – Aquilo é muito perigoso... Harry... Harry você não tem que salvar o mundo.
Harry não queria acreditar que era culpado por Draco estar se sentindo mal, mas ele sabia que era. Apertou Draco em seus braços, não sabia o que dizer. Sabia que se Draco tivesse que enfrentar Voldemort, Harry estaria chorando em seu colo e implorando para que não fosse. Sabia também, que assim como ele, Draco iria da mesma forma.
—Não precisa ficar assim – ele falou sem saber o que podia dizer, não queria contar uma mentira e deixar tudo ainda pior – Vai ficar tudo bem. Eu vou voltar para você.
Draco suspirou , ele sabia que Harry não podia garantir que voltaria. Ele podia se verno lugar de Harry, garantindo que voltaria mesmo sem poder dar garantias, tentando proteger Harry a todo custo. Acontece que Draco sabia ser melhor duelista, sabia que conhecia mais feitiços das trevas, conhecia o modo que Voldemort lutava. Aquela luta era sua. Ele não podia deixar Harry em seu lugar.
— Eu não quero que vá, Harry. – ele repetiu. Seu cérebro trabalhava em uma maneira de não deixar Harry ir. – Mandamos outra pessoa... outras pessoas...
— Não dá, primeiro por causa da profecia, depois – ele abraçou Draco e o fez encará-lo – eu não vou ser responsável pela morte de mais ninguém.
Draco estremeceu empalidecendo ainda mais – Morte? – ele murmurou, que droga Harry estava pensando? – E pela sua morte? Quer ser responsável pela sua morte? – ele apertou os ombros de Harry.
—Eu não vou morrer, Draco. – Harry suspirou.
—Não me deixe.
—Eu não vou.
—Eu te amo tanto...
Harry olhou para Draco, ele parecia tão desesperado. Harry o aperto conta seu corpo massageando as costas dele carinhosamente – Eu também te amo.
Draco se deixou ficar ali, abraçado a Harry e sentindo seus carinhos. Aquele era um demônio seu para enfrentar, um passado seu. Draco jamais deixaria Harry enfrentar Voldemort, nunca. Ele tomou uma respiração profunda antes de se afastar. – Então quero aproveitar o tempo antes da missão com você, só com você.
—Claro – Harry sorriu e beijou Draco – Eu vou voltar, Amor.
—Você não ousaria não voltar – Draco sorriu dando um beijo de leve nos lábios de Harry. Queria tanto fazer amor com ele, mas ainda não estava se sentindo muito bem. Draco se ajeitou na cama, se agarrando em Harry e deixando que ele o acariciasse.
—Tem certeza que não quer que eu peça uma poção ao Snape? – Harry perguntou após lhe beijar a testa, os braços fortemente envoltos ao redor de Draco.
—Nem pense em sair daí! – Draco sorriu, virando o rosto para poder beijar a bochecha de Harry – Eu quero dormir desse jeito para sempre.
—E sabe o que eu quero, Draco Malfoy? – ele perguntou rindo, estava pronto para responder quando alguém bateu na porta, Harry fez uma careta – Que não batam na porta do nosso quarto de madrugada – ele murmurou pronto para levantar e atender.
Draco o parou – Não vai sair daqui – ele riu e esticou o corpo para alcançar a varinha na mesa de cabeceira, depois se ajeitou perto de Harry outra vez e abriu a porta.
E agora Severo estava parado diante da porta aberta, constrangido ao ver o modo como Harry envolvia os braços em Draco e Draco em Harry. Draco soltou um risinho, piorando seu estado. Harry pensou ter visto um leve rubor nas bochechas do professor.
—O que foi, Severo? – Draco perguntou – É meio tarde. – madrugada, na verdade.
— Eu precisava falar com Harry – ele engoliu em seco, olhando para os dois – Em particular.
—Não pode esperar até amanhã? – Harry perguntou, não queria deixar Harry sozinho.
—É meio urgente – Severo disse nervosamente, queria acabar com aquilo de uma vez. Se pelo menos pudesse fazer Harry aceitar... se pudesse... já seria uma grande coisa.
Harry olhou para Draco , que apenas assentiu e foi para o lado. Harry sorriu e beijou a testa de Draco.
—Volto logo – ele murmurou antes de seguir Snape.
Severo seguiu na frente, ele não trocou uma palavra com Harry, não explicou nada, nem mesmo olhou para trás para ver se Harry o seguia. Ele seguia, e quando Snape abriu a porta de seu quarto ele entrou. Harry arfou, torceu o nariz. O quarto tinha um cheiro forte, ou melhor, o quarto tinha muitos cheiros. As diversas poções nas prateleiras exalavam de cheiros insuportavelmente doces a algumas fumaças azedas que queimavam o nariz.
—Por Merlin! – Harry exclamou sacudindo a cabeça para desnublar o cérebro – Não tinha outro quarto para que preparasse as poções?
—Tinha – Severo hesitou, talvez fosse melhor convidar Harry para conversar em outro lugar – Mas estou tão acostumado que não vi necessidade.
—Hum – Harry murmurou , ele achava difícil que alguém pudesse se acostumar àquilo.
Mas Harry sentou mesmo assim e Severo finalmente fechou a porta. Harry não parecia estar bravo, na verdade parecia bem calmo, talvez essa conversa fosse menos difícil do que imaginava.
—Bem... – ele começou sentando-se em frente a Harry e por algum tempo a conversa ficou apenas nesse “bem”, Harry esperando pacientemente – Então ...É sobre o plano... – E Snape percebeu que ele não sabia como entrar naquele assunto de forma alguma. Deveria ter ensaiado um discurso, pensado no que dizer. Era um idiota.
—Voldemort mudou de ideia?
—Não, não! – Severo assegurou imediatamente, acabando com a dúvida de Harry e fazendo que respirasse aliviado por um breve momento – É sobre o nosso plano... algo que eu gostaria que pudéssemos mudar.
—Ah! – Harry soltou surpreso – Claro, pode falar.
—Não quero que Voldemort morra – Severo disse de uma vez, e pela cara de Harry, não havia sido uma boa ideia.
—O QUÊ? – Harry gritou levantando-se – Você enlouqueceu? – riu uma risada que não tinha nada de divertida – Enlouqueceu, não é? – seu corpo todo tremia, de raiva. Pensar em tudo que Voldemort fez a ele, a Draco e a um número muito maior de pessoas o deixava nauseado, que Snape quisesse salvá-lo, o deixava furioso. Ele olhou para Snape, esperava uma resposta, mas o professor continuava sem olhá-lo e em silêncio – Não – Harry disse calmamente – Não vai acontecer.
—Eu...
—Não! – Harry explodiu outra vez – Quem você pensa que é? A Madre Teresa? — Severo levantou um olhar confuso, claro, ele nem sabia quem era Madre Teresa. Não importava, Harry não estava com paciência para explicar – Olhe tudo que ele fez... tudo... ele merece! – Harry apertava as mãos em punho – Ele merece.
—Eu sei... – Severo fez uma pausa para ver se Harry o interromperia, mas ele estava sentado novamente, os dedos massageando as têmporas enquanto ele ouvia o que Severo tinha a dizer – Eu sei que é difícil de acreditar, mas ele é... ele é ... medroso. Ele tem pesadelos horríveis... e... eu não sei o que aconteceu...
Severo continuou falando, explicando porque Voldemort deveria ser mantido vivo. Os sonhos sobre o garotinho que fora terrivelmente maltratado na infância voltaram com força. Harry sempre soube que aquele menino era Voldemort, e se Severo não estivesse tão preocupado em conseguir o apoio de Harry teria reparado que os pesadelos de Harry e os pesadelos de Voldemort eram os mesmos. Severo não sabia de toda a gravidade do que Voldemort passara, ele desconfiava algumas coisas, mas não sabia. Harry sabia tudo, da infância destruída, a adolescência infernal que ele teve, o começo da vida adulta sem esperança a não ser matar e machucar todos que o cercavam. Sua sede de poder. Quando Harry pensava em Voldemort, a primeira palavra que vinha a sua cabeça não era assassino, não era estuprador, não era vilão. A palavra era louco. As outras vinham depois, mas a primeira era sempre louco.
—Eu ajudo – Harry disse antes que percebesse, talvez fosse consequência de passar tanto tempo dentro da cabeça de Voldemort – Acho que eu sei como convencer Draco, mas vou precisar de uma penseira.
—Claro! – Snape falou sem pestanejar, feliz por não ter que discutir o assunto com Draco – Eu vou deixar uma na sala que usamos para fazer a reunião, vai estar lá nas primeiras horas da manhã.
—Certo – Harry suspirou – Mas eu queria te pedir uma poção , Draco está enjoado e com dor de cabeça, ele estava meio tonto está tarde...
—E só agora que você me diz?! – reclamou Severo, catando imediatamente uma poção e entregando a Harry.
—Você conhece o Draco – Harry disse, então sacudiu o frasco – Obrigado.
—Não, Harry – Severo meneou a cabeça respeitosamente – Eu que tenho que agradecer.
Harry apenas sorriu para ele antes de sair. Estava com pressa de voltar ao quarto para ver como Draco estava. Draco estava encolhido de lado e muito quieto, Harry não soube dizer se ele estava realmente bem. Quando chegou mais perto, Draco lhe sorriu. Harry sorriu também, balançando o frasco da poção e puxando Draco para cima.
—Você não precisava incomodar Severo, eu não estou mal – Draco disse emburrado.
—De nada – Harry lhe apertou a bochecha – É sério, Draco, eu estou preocupado com você – ele beijou a bochecha que tinha apertado – Por favor, Draco... – ele deu mais um beijinho.
Draco pegou a poção de Harry e bebeu de um gole só. Fez careta, que troço horrível.
—Sobre o que Severo queria falar? – Draco largou o frasco na mesa de cabeceira, fez Harry se deitar e, depois de apagar a luz, deitou ao seu lado, o rosto bem próximo ao de Harry, esperando uma resposta.
—Coisas... – Harry respondeu. Ele bocejou, fingindo sono, mas Draco continuou esperando resposta – Foi sobre o plano... Severo queria fazer uma modificação.
—Modificação? – Draco quase pulou de preocupação. Que modificação?
— Não vai ficar mais perigoso, ok? – Harry acariciou a bochecha de Draco – Eu vou conversar com você sobre isso, mas amanhã. Agora eu só quero te abraçar e dormir.
Draco sorriu, ele puxou Harry contra si e passou o braço em sua cintura. As testas estavam quase coladas – Eu te amo – ele murmurou.
—Também te amo – Harry murmurou de volta.
Na manhã seguinte, Draco acordou primeiro. Na verdade, ele não tinha dormido muito, estava preocupado com Harry. Ele tinha se mexido durante a noite, agora estava esparramado na cama, ocupando todo pedaço em que Draco não estava. Olhando Harry todo esparramado na cama, Draco sorriu, mordendo o lábio. Harry estava tão bonitinho desse jeito. Sem conseguir se conter ele acariciou o rosto de Harry, que se mexeu resmungando. Draco afastou a mão e apertou os lábios para conter o riso. Divertindo-se com a reação de Harry, Draco aproximou os lábios da orelha de Harry bem devagar e... soprou, em resposta Harry se encolheu todo tapando o rosto com o braço. Draco soltou uma risadinha antes que pudesse se controlar, então se aproximou novamente do ouvido de Harry e soprou. Desta vez, além de se mexer e resmungar, Harry piscou os olhos enquanto se acostumava com a luz.
—Draco? – ele perguntou sonolento – O que está fazendo?
—Desculpa, amor – Draco sorriu, colando o rosto no de Harry e lhe beijando a bochecha – Eu não resisti.
Harry riu, ainda sonolento, e passou os braços pela cintura de Draco, apertando-o. Ele encaixou o rosto com o de Draco e começou a lhe massagear as costas – Vamos dormir – ele murmurou dengoso.
Draco se sentiu tentado, era muito bom sentir os carinhos de Harry. Ele suspirou – O que você queria me falar? – ele se afastou para poder sentar na cama.
Harry passou as mãos pelo rosto afastando o sono e sentou também – Você precisa saber que eu não vou concordar se você não quiser...
Harry respirou fundo, e Draco o olhou aflito – O que é?
—Como eu disse, não vai ficar mais perigoso, nem nada – Harry engoliu em seco. O tempo de espera, embora breve, foi suficiente para fazer Draco bufar – Severo não quer matar Voldemort.
—Como...?! – Draco piscou tentando absorver a informação – O que... o que...?
Harry colocou um dedo sobre os lábios de Draco – Olha, antes que você diga não, eu preciso te mostrar uma coisa – Harry mordeu o lábio, ele não sabia se o que ele iria fazer era certo – Eu preciso te mostrar umas lembranças.
Harry levantou puxando um Draco bastante confuso pela mão. Se Harry não tivesse colocado sua mão sobre os lábios de Draco... ainda assim ele não falaria nada. Draco estava chocado demais, ele não tinha pensado na morte de Voldemort, estava tão preocupado com Harry. Agora que a vida do homem era posta em suas mãos, ele pensou que queria, queria que Voldemort morresse, queria ele o mais longe de si mesmo, de preferencia no inferno. Mas não disse isso, ele seguiu Harry em silêncio até a sala que estavam usando para discutir os planos.
—Uma penseira? – ele murmurou ao ver o objeto prateado em cima da mesa – O que... ? Você vai me mostrar lembranças de Voldemort?
Harry assentiu.
—Como conseguiu essas lembranças? – Draco perguntou, esperando que Harry não tivesse se metido em nenhum problema.
—Meus pesadelos – Harry murmurou
Draco pegou sua mão, acariciando-a – Eu não vou gostar disso, vou? – com um aperto no coração, ele viu Harry negar cabisbaixo – Você vai ficar bem? – Harry assentiu
—Eu acho que devia te mostrar porque... – Harry apertou a mão de Draco – Acho que... acho que tem haver com o que aconteceu... – ele sentiu a garganta apertar e não conseguiu terminar de falar, mas não era necessário.
—Então me mostre.
Harry escolheu as memórias com cuidado. Ele escolheu três.
Draco já tinha visto uma penseira, mas nunca tinha entrado em uma. Ele se curvou e se aproximou da substância prateada devagar, quando chegou perto demais se sentiu sendo puxado, seus pés saíram do chão e ele teve a sensação de estar caindo em um abismo interminável, depois seus pés estavam no chão a cena formada ao seu redor.
—Que coisa horrível!
—Eu também detesto – Harry respondeu, ao mesmo tempo em que um garotinho entrava correndo pela porta da frente.
Eles estavam em uma sala não muito rica, mas bastante ampla. Uma mulher e um homem passaram pela porta logo depois, Harry os seguiu e Draco também. Os dois buscavam o garotinho.
—Tom! – a mulher chamou, seu rosto vermelho – Tom, seu demônio! Apareça aqui agora!
A mulher e o homem continuaram andando, lado a lado, pela casa. Harry e Draco os seguiam de perto. Ao parar na porta da cozinha a mulher deu um grito. O pequeno Tom Riddle, de apenas quatro anos apontava uma faca na direção deles do meio da cozinha.
—Largue isso Tom – o homem ordenou, Tom apenas sacudiu a faca para ele, tremendo.
Quando o homem começou a caminhar em sua direção, Tom começou a andar para trás aos tropeços, o homem o encurralou no canto, sorrindo ao arrancar a faca de suas mãos.
—Seu peste! – a mulher disse com raiva – Como ousa levantar uma faca em nossa direção?
—Assim sou obrigado a te castigar.
O olhar no rosto do homem o fez correr até o menino, mas não havia nada que pudesse fazer. Draco deixou a mão pender próxima ao rostinho apavorado.
—O que ele vai fazer com o garotinho, Harry? – ele perguntou desesperado.
Em menos de um segundo Harry estava a seu lado, os braços em volta de Draco – Vamos embora – Harry disse, mortalmente arrependido de ter levado Draco até aquelas memórias.
—O que ele vai fazer, Harry? – Draco perguntou e tremeu ao ouvir o garotinho gritar enquanto era arrastado para fora.
— Isso é só uma lembrança, Draco – Harry o apertou nos braços – Não podemos fazer nada.
Draco escondeu o rosto na curva do pescoço de Harry e sentiu ele lhe apertar.
—Eu vou te tirar daqui – Harry murmurou
Draco sentiu um puxão, e quando abriu os olhos estava de volta à sala de reuniões, ainda nos braços de Harry. Ele encarou-o, sua respiração difícil.
—O que ele fez com o garotinho? – Draco soluçou.
—Não se torture com isso, meu amor – Harry murmurou acariciando o rosto de Draco, mas seu olhar foi claro o suficiente para que Draco entendesse.
—Ele é muito pequeno, Harry... – Draco agarrou a camisa de Harry – Muito... muito pequeno...
—Ele era pequeno – Harry disse firme na tentativa de acalmar Draco – Agora ele é Voldemort, e eu preciso dá sua decisão – ele beijou a testa de Draco. Estava arrependido de ter mostrado o passado de Voldemort para Draco.
—Quanto tempo durou?
—Draco, você não precisa se torturar com...
—Quanto tempo? – Draco repetiu firme.
Harry suspirou – Ele tinha três anos, com nove sua magia se manifestou pela primeira vez e ele rompeu uma veia no cérebro do homem, mas alguns dos outros alunos não gostavam dele e decidiram... – Harry fechou e abriu os olhos em um movimento lento – decidiram que deviam continuar... continuar. – Harry soltou o ar – Depois em Hogwarts houve um professor que se interessou mais do que devia. Voldemort o matou, mas só depois de se formar. Foi a última vez.
—Que horror – Draco soltou, e não achou mais nada para falar.
—Eu sei – Harry lhe beijou a bochecha – Mas não fique pensando muito nisso.
—Tudo bem – Draco suspirou e segurou a mão de Harry – Você vai me contar sobre o novo plano?
Harry abraçou Draco – É bem simples, para falar a verdade...
E Harry lhe explicou o que mudou no plano.
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