A escuridão ameaçava afogá-la. Ela se acalmou. Ouviu uivos e silvos. Um grito distante. Sentiu um frio de gelar a espinha. O que fora aquilo? Sons de harpa? Talvez a melodia de um anjo? Bem, Nero tocava harpa, e Lúcifer era um anjo também. Ela riu da própria ironia.

Qual a sensação de estar sozinha no mundo? Não muito boa, pode ter certeza. O fato de não ter se amarrado a um só homem pelo resto da vida até contribuía para sua solidão, mas não se arrependia. Tivera loucas paixões, e ultrapassara a fase de urgência de procriar. Seu relógio biológico já soara mil alarmes, mas ela não se importava com isso. Não mais.

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Vivera muito, intensamente. E conhecera caras fantásticos e incríveis, com uma vida tão desregrada quanto a dela. No ramo em que ela trabalhava, ninguém poderia fazer planos a longo prazo, pois o amanhã poderia não existir.

E aqui estava ela, entremeando lugares lúgubres, duas cavidades vazias no lugar dos olhos, com um buraco de bala no estômago. Em breve estaria do outro lado, seja lá qual fosse seu destino final. Não guardava revoltas e arrependimentos consigo. Só esperava que o outro lado fosse um lugar legal.