Notas iniciais
Sim, não postei ontem. Sei e me desculpem, mas estava passando muuito mal! Música 7 - Yesterday - The Beatles Boa Leitura! *-*

Ontem. Oh, ontem. Os problemas pareciam tão longe. Como se não existissem em sua vida. Afinal, desde que ela o havia perdoado por tudo, desde que se conheceram melhor, desde que ele a beijou... Tudo parecia tão feliz, tão colorido. Mas como se não bastasse, ela era de outro. Sempre pertencera a outro.

E então, tudo o que era colorido, ficou escuro. Ela o deixou. Foi embora sem ao menos se despedir. Sem ao menos agradecer por toda a felicidade que ele a dera. Por todo amor que ele a presenteou. Com todas aquelas palavras doces e sinceras que saíram de seus lábios, apenas para que ela se fosse. Com o outro. Weasley.

Se lembrou de uns dias depois que sua vida havia sumido. O convite chegando no bico da coruja branca com algumas penas pretas que ele a dera. Você está convidado para o casamento de Ronald Weasley e Hermione Granger. Ah, aquela xícara fazia falta. Riu amargurado dos próprios pensamentos. Não era da xícara que falava.

E o engraçado para ele era pensar que ela ficaria ali, ao seu lado. É claro que não. Seu coração sempre pertencera àquele ruivo idiota. Ele sabia que todas aquelas noites não dariam em nada. Ela só estava o usando enquanto o ruivo não voltava de missão. Nunca achou que a certinha faria isso com ele algum dia.

Tragou o cigarro mais uma vez, olhando pela janela de seu quarto na mansão. Viu as luzes coloridas iluminando toda a cidade. Desde que se mudara apreciava aquela visão como um apreciador de obras de artes. Ele a imaginava andando por aquele lugar. Com o Weasley. Suas risadas sendo direcionadas a ele. Seu amor sendo roubado por ele.

Olhou o relógio e viu que estava atrasado. Pegou o paletó em cima da cama e o vestiu, pegando o presente e aparatando para a igreja. Parou do outro lado da rua e viu a multidão acumulada na porta da mesma. Boa parte ruiva. Revirou os olhos, sorrindo de canto. Por mais que odiasse o Weasley, a senhora Weasley o havia ajudado na guerra. Ela era uma boa pessoa, e não era sua culpa por ter tido um filho tão imbecil.

Viu quando todos entraram no lugar e depois de um tempo viu um carro estacionando na porta da igreja. Ele não havia visto, mas sabia que era ela. E isso foi apenas confirmado quando uma cabeleira ruiva saiu na frente, estendendo a mão e ajudando a outra a sair. Ela estava magnífica. Então a Molly saiu da igreja, falando algo para Hermione, que pareceu deixa-la puta.

– COMO ASSIM ELE AINDA NÃO CHEGOU?! – ela gritou irritada e ele ergueu a sobrancelha, rindo baixo. Weasley, Weasley... Fazendo merda até no dia do casamento.

Viu quando Molly tentou acalma-la, mas não adiantou. Então ela simplesmente sumiu. Aparatou, no caso. Ele atravessou lentamente a rua, indo em direção à igreja. Viu quando as duas ruivas o avistaram.

– O que você está fazendo aqui?! – Gina perguntou e ele pegou o convite de dentro do terno, a entregando. Ela ficou pasma. – Merda, Hermione. – murmurou irritada, o devolvendo o convite.

– Com licença. – ele disse e entrou na igreja.

Viu quando todos o olharam e ficaram alguns confusos e alguns com raiva. Ele apenas ignorou, sentando em um lugar ao lado esquerdo. Pegou o celular e viu cinco chamadas perdidas. Granger. Ergueu a sobrancelha vendo o celular começar a tocar novamente. Não atendeu. Quando parou de chamar, ele apenas o desligou, o guardando.

Ficou um tempo vegetando até ver o Weasley entrando na igreja irritadíssimo. Sorriu de canto, vendo ele começar a discutir com o Potter. Então ligou o telefone novamente, que depois de alguns segundos começou a tocar novamente. Ele atendeu.

– Acho que seu noivo chegou. – disse simplesmente, desligando em seguida e desligando o celular.

Depois de mais alguns minutos, chegou aos seus ouvidos que a noiva havia chegado. Depois de um tumulto, a marcha começou. Viu ela entrando com Arthur. Mas diferente do normal, ela procurava por alguém ali. E quando seus olhos se encontraram, ele soube que ela procurava por ele.

Ele viu arrependimento naquele olhar. E viu um pedido de desculpas. Ele negou uma vez com a cabeça e ela olhou para a frente novamente, engolindo em seco e forçando um sorriso. Depois de ouvir o padre falar as mesmas baboseiras de sempre, chegou a hora do sim. Ele ficou atento aos movimentos de Hermione. Viu ela engolir em seco, esfregar o dedão no dedo indicador, espalhar o batom e piscar duas vezes seguidas a cada piscada. Então viu a desgraça acontecer antes mesmo de acontecer.

– Você, Ronald Weasley, aceita Hermione como sua legitima esposa, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até o fim de suas vidas? – o padre disse.

– Sim. – ele disse e Draco sorriu de canto.

– Você, Hermione Jean Granger, aceita Ronald como seu legitimo esposo, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até o fim de suas vidas? – o padre repetiu.

A morena olhou para Rony com os olhos arregalados. Olhou em volta e seu olhar parou nele. Ele estava ali para ver de camarote ela indo para os braços de outro. Então, disfarçadamente, ele se levantou e saiu da igreja, aparatando para seu quarto. Não conseguiria ver ela dizer o sim. Era doloroso demais. Acendeu mais um cigarro e sentou na ponta da cama, escondendo o rosto entre as mãos.

Não sabe por quanto tempo ficou ali, apenas pensando. O amor era um jogo fácil de se jogar até ontem, porque sofria tanto naquele momento? Ouviu um som de aparatamento e respirou fundo, olhando ainda pela janela e bebendo um pouco da Absolut no copo e tragando o cigarro mais uma vez.

– Vá embora. – ele disse simplesmente.

– Não enquanto não conversarmos. – ouviu aquela voz irritante de sempre.

– Volte para seu marido, Granger. – ele finalmente a olhou. – Nem sei o que você está fazendo aqui. – ele disse apagando o cigarro na parede.

– Você sabe muito bem. – ela disse cruzando os braços. – Você não sabe o quanto foi difícil simplesmente sair dessa casa quando eu achava que estava sentindo algo por você! – ela disse irritada.

– Então porque saiu?! – ele gritou irritado.

– Porque eu não sabia mais o que fazer! Eu não podia sentir nada por você! Eu odiava você, minha família odeia você, meus amigos odeiam você! Eu não podia simplesmente ir contra eles por causa de um amor! – ela gritou.

– Então você é infeliz para que eles sejam feliz?! Adorei sua forma de viver, Granger! Sinceramente, eu adorei! – ele disse debochado.

– Eu não tenho escolha quanto a isso! Por favor, não me faça sofrer por isso! – ela pediu com as lágrimas caindo de seus olhos.

– Que merda, Hermione! Se você não quer sofrer, porque veio aqui?! Porque simplesmente não foi com seu marido imbecil e ficou nos braços dele a noite inteira como você sonhava que seria sua lua-de-mel?! – ele perguntou irritado.

– Porque eu não conseguiria viver mais sem você! – ela gritou e ele respirou fundo.

– Você fez sua escolha quando o padre perguntou. Agora saia dessa casa e não volte. – ele mandou e ela caiu ajoelhada no chão.

– Por favor, Draco. – ela pediu entre lágrimas.

– Não tenho mais nada a falar, Hermione. – ele disse amargurado.

– Eu amo você. – ela disse e aparatou. Ele caiu sentado na cama, passando as mãos nos cabelos, os bagunçando.

***

Dezenove anos depois

– Mais uma, por favor. – o loiro pediu para o barmen, que o obedeceu, servindo mais uma dose de whisky barato. Que ele bebeu num gole, sentindo a garganta queimar.

Ouviu o sininho e olhou a televisão. Passava uma notícia sobre um assassinato na tevê. Então sentiu um cheiro familiar e respirou fundo, acendendo mais um cigarro, que tiraram de sua mão.

– Cansei desse seu vício. – ouviu uma voz familiar e olhou, vendo a morena com os olhos vermelhos e inchados.

– O que faz aqui? – ele perguntou e ela apontou a tevê com a cabeça. Ele olhou e viu a reportagem sobre o assassinato de Ronald Weasley e seu filho, Hugo Weasley.

– Simplesmente o mataram. Depois de um ataque à Gringotes. – ela disse com as lágrimas caindo. Então tragou o cigarro. – Além de levarem o dinheiro, levaram a vida do meu filho junto. – ela disse. A fumaça saindo de seus lábios lentamente.

– Não vou dizer que sinto muito, se é o que espera. – ele disse pegando o cigarro de seus dedos e tragando o mesmo uma vez, o apagando.

– Não, não espero isso de você. E eu não vim aqui atrás de você, se é o que acha. – ela disse e ele ergueu a sobrancelha.

– É, você não sabe mentir muito bem. – ele disse e ela sorriu amargurada.

– Porque eu não fiquei com você? – perguntou para si mesma. Então o telefone dele tocou em seu bolso e ele pegou, atendendo.

– Sim. – falou.

– Pai, onde o senhor está? – ouviu a voz de seu filho.

– Já estou voltando, Scorpius. Pergunta pra sua mãe se ela quer alguma coisa. – ele pediu e ouviu o filho repetir a pergunta.

– Não, só quer jantar mesmo. – ele disse.

– Okay, já estou indo. Tchau. – e desligou. Pegou a carteira e pagou as bebidas, olhando para a morena. – Eu sinto falta do ontem. – sussurrou para ela, saindo do estabelecimento.

Notas finais
Próxima Música - Fancy - Iggy Azalea