DraMione - SongFics
4 Preciso Dizer Que Eu Te Amo
Notas iniciais
Então Hermione sente seus olhos se encherem de lagrimas, apenas ao ver aquela cena. Ronald Weasley, seu noivo, deitado apenas de sunga em cima de Pansy Parkinson. Ele, ao vê-la, se levantou rapidamente.
– Hermione, eu posso explicar... – ele disse então as lagrimas caíram.
– Explicar o que, Ron? Uma coisa que estou vendo? – ela perguntou. – Você, Ronald Weasley, é um completo idiota! – ela disse, tirando o anel de noivado e tacando no chão. – Nunca mais olhe na minha cara de novo, Ronald! – falou e deu um tapa na cara do ruivo, saindo daquela casa logo depois.
Aparatou para qualquer lugar, não se importando se os vizinhos iriam ou não ver. Ela parou em um lugar conhecido por ela, mas desde que ficara noiva de Ron nunca mais havia ido. Correu em direção aos grandes portões e não se importou de entrar direto dentro da Mansão. Correu até o tão conhecido quarto e assim que entrou, viu o loiro encostado na janela, fumando um cigarro.
– Preciso da sua ajuda. – ela disse simplesmente.
– E quem você pensa que eu sou pra te ajudar depois de tudo, Granger? – perguntou com tom irritado e irônico de sempre.
– Não é quem você é, Malfoy, mas depois de tudo o que aconteceu aqui você é o único com quem eu posso falar. – ela disse, cruzando os braços e então o loiro virou, indo até ela e soltando a fumaça em sua cara.
– E porque acha que eu vou te ouvir? – perguntou com seus rostos próximos.
– Porque de acordo com tudo o que eu sou para o ministério eu posso te acusar de – pigarreou – estrupo, abuso, tortura e uso da varinha para torturar, machucar e oprimir a mim. – ele sorriu irônico.
– Adoro quando você esquece a pose grifinória e vem para a Sonserina. – ele a puxou pela cintura e a beijou. Um beijo ao qual ela retribuiu, mas logo se separaram. – O que quer de mim, Granger? – perguntou e apagou o cigarro na parede mais próxima, deixando uma marca.
– Que me escute. – ela disse, bufando e se sentando na cama.
Ele se sentou ao seu lado e ela se levantou, sentando em seu colo e passando o braço pelo seu pescoço. Afinal, era assim desde que tiveram aquela conversa no ultimo ano de Hogwarts depois da Guerra. Era assim desde que viraram mais do que amigos, viraram amantes.
– Você estava certo o tempo todo. Ronald me traiu e eu nem sei se vou conseguir dormir depois dessa. – ela desabafou e ele riu.
– Agora diga, Granger, quantas vezes eu te falei que essas saídas para recobrar o turno perdido eram para encontrar uma amante? – ele disse e ela bufou.
– Lição de moral agora, Malfoy? Esqueceu do que a Greengrass fez contigo? – ela disse e agora ele bufou.
– Agora não é hora de lição de moral de uma coisa que eu já esqueci, Hermione. – ele disse e ela sorriu triunfante, mas também feliz. Eram poucas as vezes que ele a chamava pelo nome e toda vez que ele o fazia ela adorava. – Quem quer falar é você e quem tem que ouvir sou eu. – completou, bufando em seguida.
– Sabe, eu sempre achei que ele fosse o cara certo pra mim. Os cabelos ruivos, as sardas fofas... – ele bufou. Odiava quando ela fazia isso. – Mas ele me traiu e se eu não fosse quem você sabe que eu sou eu estaria ainda na frente dele, quebrada em pedaços. Mas é o que eu falo, eu posso estar quebrada por dentro, mas ele nunca verá o que eu choro...
– Por trás desses olhos castanhos. – ele murmurou o que já estava cansado de ouvir.
– Exatamente. – ela suspirou. – Ele é um idiota. – ela concluiu.
– Conte-me uma novidade. – ele murmurou.
– Você é um idiota! – ela brigou.
– Disse uma novidade, não um fato que eu sei desde o primeiro ano. – ele bufou, assim como ela fez logo depois.
– Está bem, você vai me ouvir ou não? – perguntou e ele bufou. Já havia perdido a conta de quantas vezes ele havia feito aquilo só a ouvindo falar do pobretão.
– Diga, Granger. – ele murmurou.
– Sabe, eu disse tudo pra ele. Deixei ele entrar, me consumir e ele me fez isso. Ele me fez sentir bem, mas sabe de uma coisa? – ele fez que não. – Você acabou me fazendo sentir melhor do que com ele. – confessou, fazendo ele dar um meio sorriso. – Eu pareço tão, sei lá, indiferente com tudo isso, mas ninguém consegue ver a parte quebrada dentro de mim e é ai que você entra, me ajudando apenas por eu ser quase como você. – ela deitou a cabeça no peito dele e começou a chorar. – Porque ele é tão idiota, por quê? – ela perguntou entre soluços.
Draco já havia se acostumado com o lado bipolar de Hermione. Por um segundo se mostrava forte e no outro estava chorando em seu ombro. Ele apenas a puxou pela cintura para mais perto dele, a fazendo molhar sua camisa com as lagrimas.
– Agora a única coisa que me resta é o finjo ser. Uma pessoa forte e intocável. – ela sussurrou e Draco sorriu, se lembrando de todas as vezes que ele mesmo a tocou.
– Não acho você tão intocável assim. – ele murmurou e levou um tapa no braço.
– Você é muito idiota, na boa! – ela disse irritada.
– Não tanto quanto o Weasley, já que você sempre achou que ele era o cara certo. Mas ele te traiu e se você não fosse quem eu sei que você é estaria ainda na frente dele, quebrada em pedaços. Mas é o que você me diz sempre, não? Você pode estar quebrada por dentro, mas ele nunca verá o que você chora por trás desses olhos castanhos. E sabe, você não parece tão indiferente pra mim, sendo que quem sai com a camisa molhada depois que o Weasley faz a merda sou eu. – ele disse e ela sorriu fraco.
– Mas isso não faz de você um não idiota! – ela disse rindo.
– Faz de mim menos idiota que ele. – ele falou e ela riu.
– Isso eu descobri que você é naquele dia na Torre de Astronomia. – ela disse e ele suspirou.
– É, o dia que a máscara caiu. – ele disse e ela suspirou.
– Mas se não fosse por isso eu não estaria aqui agora. Depois do Ronald ter me sugado, depois me cuspido. E sabe, por isso eu culpo a mim mesma. – ela suspirou. – Acho que não conseguirei ver ele por um bom tempo. – ela disse e limpou as lágrimas. – Mas sabe de uma coisa, se eu chorar não vai ser mais por fora. Não, eu não vou chorar mais por fora. Não mais. – falou e ele deu um meio sorriso.
– Está bem, você precisa de roupas. – ele disse pensando.
– Pra que? – perguntou confusa.
– Pode ficar aqui até arranjar uma casa pra você ou pelo menos até você expulsar o Weasley da sua, o que não vai acontecer. – ele disse e ela suspirou.
– Vou trazer minhas coisas. – ela disse se levantando.
– Vai conseguir ver o Weasley depois de tudo? – ele perguntou preocupado. Preocupação. Desde que ficaram amigos, essa palavra só se refere a ela e sua mãe, que estava dormindo a essa hora.
– Acho que não. – ela disse bufando e o olhou pidona.
– Ah não! – ele disse entendendo.
– Por favor, Draco! – ela pediu chegando perto dele.
– Nada disso! – ele disse cruzando os braços. – Eu não vou ir na sua casa! – ele disse.
– Draco... – ela se aproximou. – Loiro... – sussurrou e viu ele relaxar os músculos. Ela sabia que sempre que o chamava de loiro conseguia o que queria. Ele suspirou.
– Cinco minutos. Nada mais, nada menos. – ele disse e ela sorriu, aparatando para sua antiga casa.
Foram em direção a porta e ela suspirou, abrindo a mesma e puxando o loiro para dentro. Foi em direção ao quarto e viu Ronald chorando na cama, com as mãos tampando o rosto. Assim que ouviu a porta ele olhou, vendo os dois. Hermione viu que Draco já tinha em rosto sua expressão de que ia humilhar Ron mais uma vez, mas ela interferiu.
– Não. Por favor. – ela pediu e ele bufou.
– Só uma vez. – ele pediu e ela fez uma cara carrancuda. – Está bem. – ela foi em direção ao guarda roupa, mas Draco não aguentou. – Olá Weasley! Belos olhos! – ele disse irônico e ouviu a morena bufar.
– Draco, o que eu falei? – ela perguntou de dentro do closet então saiu.
– Veio buscar as coisas? – Ron perguntou com a voz embargada e ela assentiu, pegando seu perfume de cima da cômoda e colocando dentro da bolsa. – E o que ele faz aqui? – perguntou com nojo.
– Veio me ajudar. Draco, pode pegar um quadro lá em baixo pra mim? – ela pediu.
– Tô com preguiça. – ele disse e ela bufou.
– Te recompenso depois! – ela disse apenas para ele entender e ele sorriu, virando e descendo as escadas.
– Desde quando são amigos? – ele perguntou, enquanto ela pegava as roupas intimas na gaveta.
– Não te interessa, mas desde Hogwarts. – ela disse seca e continuou procurando roupas dela, indo para a cama e pegando seu travesseiro, o qual apenas conseguia dormir com esse. – Com certeza eu vou levar isso! – falou e colocou dentro da bolsa.
– É O DA PÊRA OU O ESTRANHO? – ouviu Draco perguntar num grito.
– Acho que na sua língua o estranho! – ela disse rindo e ouviu passos, logo depois Draco entrando com um grande quadro.
– Você vai mesmo levar esse quadro? – Ronald perguntou.
– Granger, acho que o Weasley está falando com você! – Draco disse, encostando no batente e colocando as mãos no bolso.
– Draco, eu juro que se você não calar a boca eu te bato que nem no seu aniversario! – ela disse irritada e ele se calou. Ela olhou Ron. – Por enquanto só vou levar isso e o quadro de minha mãe. Depois volto para pegar o resto. Não venha atrás de mim e nem pense em mentir para Harry e Gina se dando como o coitadinho. – ela disse e pegou na mão de Draco.
– E Weasley, sério, chorar por uma mulher é a coisa mais gay que eu já vi! – Draco disse o que estava coçando a língua para dizer.
– Vai se... – Hermione aparatou antes que Ron terminasse o xingamento.
Apareceram no quarto de Draco e ela começou a bater nele, que ria descontroladamente e segurou seu pulso.
– Calma, Hermione. – ela parou e suspirou. Ainda não conseguia se controlar ao ouvir ele a chamar pelo nome.
– Draco, o que eu te falei sobre humilhar meus amigos? – ela disse, cruzando os braços.
– Nada de humilhar o testa rachada, o cabeça de cenoura, a Weasley fêmea e Di-Lua Lovegood na sua frente. – ele falou irônico e ela bufou, se jogando na cama dele e deitando no travesseiro que havia trago. – O que está fazendo? – ele perguntou parecendo irritado.
– Indo dormir, o que acha? – ela disse.
– Na minha cama?! – ele perguntou nervoso.
– Sim, e você vai para o quarto de hospedes! – ela disse e ele riu.
– Ah, não. Quem vai é você! – então ele deitou na cama e fechou os olhos. Sentiu uma cabeça em seu peito e ouviu um barulho de choro. – Granger, tá tudo bem? – perguntou.
– Não, você não sabe o quanto doeu ver o Ron daquele jeito. – ela disse chorando e ele virou na cama, a abraçando.
Ela se aninhou em seus braços e ficou ouvindo ele cantando para ela dormir. Quando isso aconteceu, bateram na porta e ele mandou entrar, levantando lentamente da cama e vendo sua mãe.
– O que aconteceu? O que a Granger faz aqui? Porque ouvi um barulho de choro? O que aconteceu? Ah é, eu já fiz essa pergunta. – ela disse bufando.
– O Weasley traiu a Granger e ela veio pra cá. Ai ela deitou na minha cama cismando em dormir ali e eu acabei deixando. – ele explicou rapidamente.
– Está bem, mas ela vai ficar por quanto tempo? – perguntou.
– O tempo necessário pra ela esquecer o Weasley. – ele disse suspirando. Narcisa assentiu.
– Durma um pouco, filho. – ela deu um beijo em sua testa e saiu do quarto. Draco trancou a porta e deitou na cama. Hermione se aninhou em seu peito e depois de um tempo a observando, ele acabou caindo no sono.
***
Draco observava Hermione rindo na piscina com Gina e Narcisa. Potter estava ao seu lado, também observando.
– Como ficaram amigos? – perguntou de repente.
– Weasley macho. – ele disse tragando o cigarro. Hermione olhou para eles, os chamando com a mão. Draco negou e ela revirou os olhos.
– Ela parece estar bem com você. – ele disse. – Devo me preocupar com isso? – Potter perguntou e Draco sorriu.
– Eu sei cada segredo dela que você nem imagina. O pior de tudo, Potter, é que ela deu um jeito de me mudar. – o loiro declarou tragando o cigarro mais uma vez. – Ela está na minha casa a duas semanas e nem lembra mais quem é o Weasley. – ele o olhou de esguelha. – Acho que você não precisa se preocupar. – deu de ombros, tragando o cigarro mais uma vez.
– Você gosta dela. – ele declarou se levantando. – Só acho melhor você dizer logo, antes que a perca. – então foi para perto da namorada. Hermione falou com ele rapidamente e depois saiu da piscina, indo em direção a Draco.
– Vem pra piscina comigo. – ela pediu e ele negou. – Tá com vergonha de mostrar o peitinho? – ela se jogou em cima dele, apertando seu mamilo.
– Porra, Granger, quer se queimar? – ele perguntou irritado, apagando o cigarro e o depositando no cinzeiro.
– Desculpa. – ela o olhou com os olhos brilhando e parou meio ajoelhada meio sentada entre as pernas dele. Ele a olhou e viu os olhos brilhando e o sorriso.
Não é a hora certa.
– Ficar só do lado de fora? – ele perguntou e ela sorriu, assentindo. Ele sabia que ela o puxaria, mas iria mesmo assim. Não aguentava ver ela chateada. – Okay, Granger, você venceu. – ela comemorou levantando e estendendo a mão a ele, que pegou e se levantou. Tirou a camisa e viu ela babando um pouquinho. Riu e foi com ela para a piscina, sentando ao lado de Narcisa.
– Cadê ela pra te colocar pra arrumar o quarto. – Narcisa comentou rindo.
– Draco, vem, por favor! – Hermione o chamou de dentro e ele negou com a cabeça. Ela mergulhou e emergiu perto da borda, apoiando nas pernas dele.
– Não. – ele disse e ela olhou pidona para Narcisa, que riu.
– Não adianta. Ele odeia piscinas. – ela disse e Hermione bufou.
– Draco, sério, vem, só um pouco, aproveita. – ela pediu e ele olhou para o Potter e a Weasley, vendo os dois se agarrando. Então olhou novamente para Hermione, que tinha os olhos brilhando.
– Dez minutos. E não mais. – ele disse e ela comemorou. – Mas deixa eu entrar so... – então ela o puxou para dentro, gargalhando ao ver a cara de cu que ele fez.
– Para de ser viado, Malfoy! – ouviu a voz do Potter e revirou os olhos. Hermione pulou nas costas dele, enroscando as pernas em sua cintura e dando um beijo em seu pescoço.
– Te recompenso depois. – sussurrou e ele balançou negativamente a cabeça, rindo e afundando.
***
Eles estavam na cama. Deitados e falando coisas que já viveram juntos. Hermione chorou cinco vezes ao todo quando se lembrava do Weasley. Ele estava hesitante. Ele nunca ficou assim com ela, mas estava com medo. Achava que aquela era a hora, mas não conseguia. Num momento, os dois ficaram em silencio, apenas se olhando. Os olhos castanhos atentos a qualquer movimento dele. Os cinzas atentos simplesmente a ela. Então os dois se encontraram. E viram que queriam dizer algo.
– Draco...
– Hermione... – falaram ao mesmo tempo e sorriram. – Diga. – ele pediu.
– O que você quer? – ela perguntou e ele suspirou. Ela sentiu o cheiro mentolado chegar às suas narinas.
Draco se sentia como naqueles filmes clichês. O cara bonito querendo falar para a mocinha que sempre desprezou que a ama. Mas tinha medo de perdê-la. Afinal, ela havia saído de um namoro sério a vinte dias. E a morena o fazia bem. Muito bem, por sinal. Não podia deixar que ela fosse.
– Draco. – ela o chamou e ele a olhou. –Diga. – pediu e ele suspirou. Era agora. Ou a ganhava, ou a perdia.
– Eu amo você, Hermione. – ele disse baixo. – Você não sai da minha mente de jeito nenhum, não sabe quantas noites de sono eu perdi só pensando em você e cada noite que você passou aqui, sumindo de madrugada para comer alguma coisa, me fazendo fazer coisas que eu nunca fiz antes. – ele suspirou. Ela estava estática. – Quando eu fico longe de você o tempo parece passar tão devagar e, mesmo que você me queira assim, eu não quero ser só seu amigo, nem só seu amante. Eu preciso de você, Mione. – ele terminou e fechou os olhos, virando para cima.
Mais cinco minutos em silencio. Ele sabia que ela estava digerindo o que havia acabado de ouvir. Então sentiu ela deitando em cima de si e o observando. Passou a mão em seu rosto e contornou seus lábios com o dedão. Então, lentamente, juntou seus lábios aos dele, num singelo selinho, que o fez abrir os olhos e encarar os castanhos da morena.
– Draco, eu não sei o que dizer. – ela sussurrou e ele assentiu. – Eu simplesmente nunca imaginava isso. – acrescentou e respirou fundo. – Mas... Eu sei que deve ter sido impossível pro rei da Sonserina dizer isso para uma sangue-ruim da Grifi... – ele pousou o dedão em seus lábios. – Desculpe. – ela pediu e respirou fundo. – E, mesmo que seja muita idiotice pensar isso, ou sentir isso, mas foi você quem me ajudou depois de tudo, você quem enxugou minhas lágrimas e eu acho que esse sentimento não veio de agora, mas sim de Hogwarts. Só faltava um pontapé inicial para eu chegar nessa conclusão. – ela disse e ele ergueu a sobrancelha. Hermione sorriu e juntou seus lábios novamente. – Eu amo você, Draco Malfoy. – ela disse e viu os olhos cinzas brilharem.
– Hermione... – ele repreendeu num sussurro e ficou por cima dela, aprofundando o beijo.
Ele havia jogado. E havia ganhado o maior prêmio.
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