Dr. Fullmetal

1 Dr. Fullmetal


Notas iniciais
YOOOOOOOO Olha faz tempo que escrevi isto, mas nunca soube quando deveria postar, porém agora saiu o filme vou aproveitar e postar esta fic que AMEI escrever! Basicamente é sobre a guerra de Ishval e como ela seria se o Ed estivesse nela (ok pessoas, o Ed aqui é mais velho, maior de idade mesmo, sim ainda teve a treta da transmutação humana, mas isso é OUTRA história dentro deste universo que criei!) Acreditem eu procurei muitas cenas sobre este tema para poder escrever! Se algum facto estiver errado digam-me! Boa leitura!

Quando a guerra começou alguns soldados foram de livre vontade dizendo às suas mulheres que teriam saudades e que voltariam para os seus braços, despediram-se dos seus filhos com um sorriso no rosto e estes gritaram aos seus amigos que o seu pai era um herói, ele fizeram festas de despedida com seus amigos onde recordam dos tempos em que eles eram crianças.

É escusado dizer que a maioria dos soldados não voltou.

Mulheres, filhos e amigos. Tantas pessoas deixadas para trás de coração aberto, destroçadas enquanto aguardam pelo corpo para poderem se despedir uma última vez, porém existe uma guerra civil em Ishval. Muitos enfrentam a triste realidade de que não poderiam dizer adeus para sempre.

No entanto não existia homens o suficientes no exército, após o Fruher decretar o extermínio da raça presente naquelas terras. Muitos foram arrastados de suas casas, outros alistaram-se, todos os homens que conseguissem carregar uma arma eram aceites sem segundo pensamento.

Mas pouco eles sabiam que quando entrassem nas terras de Ishval, era como um bilhete só de ida para o inferno, o mundo não lhes daria uma segunda oportunidade para voltar. A cor que iria os perseguir para o resto das suas vidas seria o rubro do sangue das vítimas, o cheiro a pólvora das suas armas e o som das ordens que seguiam. E para os alquimistas, só o verdadeiro inferno os poderia castigar adequadamente.

Os alquimistas chegaram ao campo de batalha depois de três anos. O motivo da presença deles era só uma: Serem armas de guerra que não dariam um único pensamento antes de matar quem fosse necessário. Tantos inocentes que morreram sem saber como, alguns eram queimados, outros enterrados sobre pedras, alguma explosão os iria atingir, o gelo os iria ferir.

Existia muita escolha de como morrer naquela guerra.

Para além dos alquimistas existiam também aqueles que teriam que limpar o caminho para eles, aqueles que se apontassem uma arma era certo que a pessoa a sua frente iria morrer. Os snipers. Esses sempre veriam a sua vítima morrer da forma mais fria possível e no entanto da forma mais gentil, impedindo que sofressem com qualquer outra morte que algum alquimista lhes daria.

Roy Mustang estava irritado com tudo, ele sentia que quanto mais estalava os dedos mais a sua vida era sugada, o seu senso de humanidade se tornava nulo e de que o certo e o errado se misturavam. Aquilo não era o que ele acreditava, ele tinha estudado, se esforçado, dedicando grande parte da sua vida em que os alquimistas protegiam o povo. E aqui está ele, a matar a longa distância com um simples estalar de dedos, sem ter coragem para olhar no rosto das pessoas que seriam queimadas por ele, só ouvindo os gritos deles, aqueles gritos que iriam assombrar a sua mente durante a noite.

E os seus olhos, eles estavam diferentes, eles eram os olhos de um assassino.

A sua tia não estaria orgulhosa dele, as suas irmãs certamente teriam medo de o olhar nos olhos. O seu rosto agora não era diferente daqueles bastardos de fato azul que alegavam ser do exército e que abusavam do seu poder batendo no bordel da sua tia.

— Roy. — Ao longe alguém o chama, porém ignora com facilidade. — Roy Mustang. — Desta vez o seu cérebro permite que ele reconheça a voz. Uma voz que ele não ouvia desde os tempos da academia, um dos seus poucos amigos, ou talvez até mesmo melhor amigo. Maes Hughes.

Olhando por cima do ombro ele dá um meio sorriso cansado com esforço. Porque o faz? Talvez por ver um rosto conhecido, talvez para alívio próprio, mas Hughes entende aquilo como se ele dissesse para o acompanhar, como se ele fosse bem-vindo, e é exatamente isso que ele faz, o homem de óculos o segue. Eles os dois sobem até um local onde tinham disponibilizado água para os soldados.

O alquimista lava o rosto tirando todas as cinzas e grãos de areia, mas não consegue lavar o seu cansaço ou o sangue que o manchava.

— Então também vieste para cá. — Hughes comentou olhando com atenção para o rosto de Mustang. — Mas o teu olhar está diferente.

Ficou um silêncio pesado entre eles.

— O teu também. — Os seus olhos são provavelmente frios, pois Maes tem um sorriso triste no rosto. — O olhar de um assassino. — Depois de uma breve surpresa passar pelo seu rosto ele suspira.

— É.

Ambos afastam-se do grupo querendo espaço de todos para poderem falar entre si, afinal fazia anos e era bom falar com alguém que fazia lembrar o passado agradável, não que o cheiro a morte desaparecesse ou as faces com medo desaparecessem.

— Desde quando estás por cá? — Perguntou Mustang olhando para o acampamento dos militares, mas sem realmente estar focado neles, na realidade a sua mente estava longe, num lugar onde nem ele sabia onde era.

— Desde o princípio, eu acho. — Hughes sentiu um peso de mil toneladas cair sobre os seus ombros. — No princípio era diferente Roy. Existia uma constante luta para controlar os violentos e para proteger os habitantes, mas as coisas foram piorando. — Ele engoliu o seco. — Eles deram armas às crianças, as mulheres levavam bombas, os homens armas… Nós tentamos salvar aqueles que queriam a paz, aqueles que queriam viver. Só que cada vez eram menos ou nós ficamos cada vez mais cegos. — A sua voz ficou sombria, ela tremia e o alquimista sentiu que ele não era a pessoa certa para o ajudar, ele nunca foi a pessoa certa para ajudar, esta guerra é o exemplo perfeito disso. — E então, o maldito Fruher… — Ele apertou as mãos de raiva, mas todo o seu corpo tremia. — Mandou os exterminar. Mandou terminar com uma raça inteira. Por quê? Porque realmente isto começou? — Ele olhou no fundo dos olhos de Roy.

— Eu não sei. — As palavras saíram baixas e indefesas.

Porque ele já não sabia mais.

Todo era tão confuso para si.

Eles simplesmente disseram para ele matar e ele fez, como um cão. Era a isto que o seu professor estava a se referir? Era a este sentimento de inutilidade? Que ele não poderia fazer nada se não seguir ordens que ele não queria e que desejava nunca ter que seguir? Oh, mas ele fez, ele fez sem questionar em voz alta, sendo um bom cachorro.

Um cão dos militares.

— Hughes, como chegamos a isto?

— Parece que hoje estamos ambos sem respostas para tudo. — Isso fez com que ambos dessem uma risada sem graça. — Pelo menos na academia sempre sabíamos a resposta. E para que conste, eu fui o melhor aluno, sempre.

— Cala-te. — Ordenou em tom de brincadeira. — Ambos sabemos que e sempre fui melhor que tu. — Ele dá um sorriso de canto. — Podes perguntar a todas as senhoritas.

— Isso não vale!

Ambos riem um pouco.

Pelo menos ambos poderiam fingir que tudo estava bem, alguns minutos não fariam mal.

— Lembras-te? Na academia sempre falávamos do futuro… — Ele atreveu-se a olhar para os homens que pareciam mortos, tanto por fora como por dentro.

— Falávamos de um futuro lindo. — Mustang deu um sorriso cansado

— Desculpem-me pela interrupção, mas o senhor é o Capitão Hughes? — Perguntou o homem com um saco de cartas e outro saco peculiar com ele. Maes concordou com a cabeça. — Tem uma carta de uma senhoria Gracia.

Ele pegou a carta com um grito, talvez até mesmo um guincho, enquanto olhava para a carta como se ela contivesse todos os segredos da alquimia. Roy pode dizer com toda a certeza que ele estava assustado.

— O que é? — Perguntou preocupado.

Poderia ser uma carta dos superiores a afirmar que os Ishvalianos tinham-se organizado de novo, com armas prontos para atacar novamente. Isso seria muito mau, todos os homens estão cansados demais para lutar, não daria certo, eles teriam inúmeras baixas e…

— É o meu futuro lindo. — Afirma mostrando a carta com um sorriso estúpido no rosto.

Era uma mulher

Ele agora tem vontade de fazer um churrasco com o corpo dele. Daria para alimentar muitos deles. As pessoas iram-lhe agradecer e ninguém sentiria a falta dele. Sim, é um plano perfeito.

Sentindo a aura mortífera de Mustang, Maes fez o que qualquer um sem consciência faria: A ignorou. — Ela está a minha espera na Central este tempo todo! — Do nada parece que comicamente Hughes percebeu algo, deixando o homem que trouxe a carta assustado e Roy com vontade de rir dele. — Esse tempo todo sozinha? — Ele comenta mais para do que para os presentes. — O que eu farei se ela me trocar por outro homem?! — Grita do nada e Roy só aprecia o espetáculo. Já o homem ao lado, aquele soldado que entregou a carta, não sabe se deve ficar com medo ou partir e entregar o resto das coisas, porém seria desrespeitoso partir sem o seu superior dizer para ele o fazer. — Não… A Gracia não trocaria um homem bom como eu. — Concluiu para si mesmo. — Mas...

Mustang decide entrar na brincadeira, assumindo o rosto que fazia quando estava na academia quando competia com Hughes. — Hughes… — Chamou atenção deste para ele. — Vou-te avisar de uma coisa. — O outro arqueou a sobrancelha. Roy assume pose dramática de olhos fechados. — Acontece muito em livros e filmes… — Ele olha para ele dramaticamente e estende a mão fazendo de conta que é uma arma. — O homem que fala muito da família ou da namorada no campo de batalha… — Ele dispara com a “arma”. — Acaba morrendo cedo.

— Ei! — A cara de irritado de Maes valeu a pena o esforço da pequena encenação.

— Desculpe capitão… — Chamou atenção o homem que lhe entregou a carta. — Posso-me retirar?

Hughes olhou para o homem reparando no saco extra dele dando um sorriso de canto. — Esse saco é para o Dr. Fullmetal? Deixa-me adivinhar 8 maços de tabaco e três pares de óculos novos.

O homem riu um pouco. — Quase, ele desta vez mandou 10 maços de tabaco.

Maes assobiou. — Aquele homem parece uma chaminé. — Comentou rindo da sua própria piada. — Corre, ambos sabemos como o Doutor fica sem a sua nicotina.

— É para já, Capitão! — Gritou e fugiu em direção ao acampamento.

O de óculos deu uma boa risada enquanto via o soldado correr, Mustang não sabia quem era esse tal Dr. Fullmetal, certamente ele parecia o tipo de pessoa ele deveria ter medo, pelo que Maes acabou de afirmar. No entanto, ele estava mais curioso do que propriamente assustado. O Alquimista do fogo olhou para Hughes com aquele olhar que só ele conhece.

— Eu conheço esse olhar. É aquele de quando eu sabia a resposta e tu não, então tu silenciosamente exigias que eu te dissesse qual era. — Com um sorriso de canto Maes gozou de Mustang com gosto e o homem só manteve aquele olhar intenso. — Ok, ok eu falo. Só para de me olhar assim. Sinto que vou virar churrasco. — Definitivamente Roy tinha que saber quem era essa pessoa, pois foi só Maes se lembrar dele voltou a ficar alegre como se não tivessem a falar antigamente de coisas marcantes. — Olha, é complicado explicar mas ele é simplesmente o único alquimista daqui que não está rotulado como tal, porque ele usa Alkastry para curar os feridos, pelos visto é alquimia de Xing. Mas apesar de ele ser um médico ele tem a língua mais afiada que qualquer superior do exército e muitas vezes se recusa a tratar os oficiais superiores para cuidar dos soldados mais feridos. Além que ele é conhecido pela sua perna e braço de metal e claro que por estar sempre a fumar. — Roy arquei a sobrancelha perguntando-o porque de que a última informação era importante. — Acredita Roy, eu nunca o vi sem um cigarro na boca por mais de cinco segundos, eu juro que já o vi a dormir com um. É insano!

Mustang sorri um pouco com o pensamento da pessoa que Hughes descrevia, parecia ser alguém que ele gostaria de conhecer.

— Interessante. Já não se encontra pessoas assim no exército. — Comentou ele da boca para fora.

O Capitão deixou o seu rosto se tornar uma careta.

— Ele só se alistou para a guerra.

Oh, isso era triste.

— Faz sentido. — Os olhos vagaram pela areia do deserto para tentar afastar a sua desilusão. — Este deserto não tem nada a oferecer por mais que o país insista. — Os seus olhares caíram para o horizonte, para uma imagem destruída. — O que ser que tem aqui que vale tanto esforço? De certeza que não é só areia. — Mordeu o lábio inferior, ele nunca tinha partilhado estes pensamentos com ninguém, não era seguro partilhar tais segredos que só trariam desgraça aqueles conhecedores deles.

— Sim. Isto é demais para uma guerra civil. — Os olhos de Hughes brilharam em reconhecimento. Ambos tinham mentes parecidas, pensavam de maneira equivalente, isso era bom, ter alguém assim por perto era bom.

O silêncio estabeleceu-se entre eles, as suas mentes corriam, mais rápido do que qualquer coisa. Pensavam nas coisas que fizeram para deixar esta antiga terra, que tinha um povo que adorava o seu Deus, destruída e sem ninguém para continuar as orações, assim deixando o seu Deus esquecido.

Ele deseja fortemente que existam ainda pessoas para adorar aquele Deus.

Os sons de alguns passos pesados ecoaram marcando a areia do deserto, ambos entraram em alerta, não de propósito, mas sim porque os seus instintos de sobrevivência estavam ligados desde que a guerra começou. Porém em vez de um inimigo, à frente deles estava uma pessoa com uma farda do exército de Amestris, com um manto que cobria a sua cabeça e uma arma enrolada num pano igual ao do seu manto.

Quando a pessoa destapa a cabeça, Roy sente a respiração ficar presa na garganta.

Mas que coisa...

— Há quanto tempo, Major Mustang. — A voz dela era pesada, os seus olhos frios e tão mortos quanto a sua aura. — Vocês se lembra de mim?

Até ela ficou com os olhos de um assassino.

Desculpe professor, eu não consegui protegê-la.

— Riza Hawkeye. — O nome dela saiu com clareza da sua boca, os olhos dela se suavizaram um pouco, talvez ela não tivesse à espera que ele se lembrasse, mas ele lembrasse. Como poderia esquecer da mulher que o seu professor pediu para proteger? — Faz algum tempo.

— Anos. — Ela retificou-o. — Anos, Major.

O capitão olhou entre eles e sentindo a atmosfera ficar pesada ele achou melhor parar antes que ele tivesse que ir buscar uma lâmina para a cortar de tão densa que iria ficar. Afinal, como melhor amigo autoproclamado de Roy Mustang, ele deve o ajudar.

— Que tal nós voltar ao acampamento e assim o Roy pode-me apresentar a sua amiga?

Ambos concordaram com a cabeça e seguiram para o acampamento, o caminho foi silencioso, o único som entre eles era dos seus pés a se enterrarem na areia e o som das suas respirações pesadas do calor do deserto. Alguns soldados os cumprimentavam enquanto passam, alguns olhavam para a Riza, provavelmente não tinham visto uma mulher em meses, mas ela não se abalou por isso.

Todos pararam num sítio que tinha algumas caixas de mantimento fazias e se sentaram. O alquimista do fogo teve que ser o primeiro a falar, porque um existia algo que estava a comer o seu cérebro.

— Como? Porquê?

Ela olhou para baixo, depois para as suas mãos que tremiam.

— Eu queria proteger pessoas. — A sua voz era tão destroçada. Roy se pergunta onde aquela mulher doce que ele conheceu após a morte do seu professor estava. — Por favor, diga-me, Major. — Parecia que ela estava a implorar, Mustang não queria ouvir isso, mas foi ele que pediu não foi? Ele e a sua grande boca. — Eu supostamente deveria estar a defender a nação… — Por momentos ela olhou nos olhos dele. — Por que estou assassinando-a? — Ele não sabia. Ele já não sabia mais. — A alquimia, que era para ser usada pelo bem das pessoas… — Não, só para, por favor. Já nada faz sentido. — Porque está sendo usada para massacrá-las?

Isto foi por causa do seu estúpido sonho, porque ele falou demais e partilhou o seu sonho com alguém que estava fragilizado que que iria o seguir cegamente. A culpa daquela mulher estar assim era dele. Só dele.

Afinal, ele não destrui-o só a vida dos Ishvalianos.

Ele era muito bom a foder as coisas, mesmo que não fosse de propósito.

— É porque esse é o trabalho de um alquimista do estado. — Uma voz que Roy conhecia e odiava respondeu. Eles não deveriam ter-se sentado ali, não com aquele ser tão perto deles. Solf J. Kimblee. — Porque um soldado que deveria estar a defender a nação a está assassinado? Porque essa foi a missão dada a todos nós, soldados. Estou errado? — Os seus olhos se encontraram com os dos três, eles eram gelados. Se Roy acha que eles os três têm os olhos de um assassino Kimblee tem os olhos de alguém louco com sede de sangue, algo bem pior que um monstro.

As suas mãos se enrolam em punhos. — Estás a dizer para aceitarmos esta brutalidade?

— É verdade. Por exemplo… — Levou a mão queixo ironicamente e deu se seguida um sorriso sádico olhando diretamente na Riza. — A senhorita ai. Está a fazer cara de “estou fazendo isto contra vontade”. — Ela muda de expressão para algo triste. — Mas quando mata o inimigo, ela pensa “Acertei! Ótimo!” e se orgulha de suas habilidades. — A Riza olha como estivesse em pânico, Maes não se atreve a fazer nada e Roy está prestes explodir de raiva. — Tens a certeza que não sentes satisfação, nem por um instante, de faz um trabalho bem feito, senhorita Sniper? — Kimblee quase tem vontade de rir da cara dela. Divertido demais. Bom demais.

Mustang está pronto para se colocar de pé para fazer este calar. Ele quer tanto apertar a garganta dele e o fazer morrer suas mão. Ele já é um assassino, não é? Porque não aproveitar? Ele pode dizer que estava louco. Ele poderia dizer que Kimblee o atacará primeiro. Ele tem tudo a seu favor.

No entanto, antes que ele possa fazer algo, uma sombra aparece atrás de Kimblee e pressiona algo no seu pescoço que faz o gritar de dor. Então um cigarro apagado cai no chão e o homem de botas pesadas, de casaco longo vermelho e óculos tem o sorriso de uma raposa no rosto. Kimblee olha com um olhar assassino por cima do ombro, a aura assassina fez tremer os presentes, mas ao homem só fez o sorriso crescer ainda mais.

— Sempre soube que farias um ótimo cinzeiro, seu filho da puta. — O olhar assassino de Kimblee intensifica. — Agora, estás a ouvir isto, é o som maravilhoso que existe quando a tua boca está fechada. — Num movimento rápido o homem pressiona com um dedo, o sítio onde existia a queimadura, com força. — Então vai ser um merda para outro local onde eu não te veja.

— Eu vou arrancar-te esse braço de metal. — Ameaçou Kimblee.

O homem riu alto e deu-lhe um olhar de morte. — Acredita, seu filho de uma puta mal comida, se alguma vez eu tiver que te salvar. — O seu sorriso tornou-se sádico. — Eu vou-te dar a morte mais lenta e dolorosa possível. — Kimblee soube que aquele homem não estava a brincar, ele nunca estava. — Desaparece, antes que eu te arranque as tuas duas mãos neste instante.

Kimblee levantou-se e andou em passos lentos para longe, sem nem sequer olhar para trás, mas as pessoas se afastavam por causa da sua aura assassina. O homem simplesmente bufa de descontentamento, retira das suas calças um maço de cigarros e coloca um na boca, ele chuta a caixa em direção ao grupo e se senta num salto espalhando pernas como se nada fosse, ajustando de seguida os seus óculos ligeiramente caídos no nariz. Ele atira o isqueiro para Hughes que o apanha facilmente.

— Fazes-me o favor Hughes? — Ele pede como se nada tivesse acontecido anteriormente. O homem acende uma chama com o isqueiro charmoso e o homem louro aproxima cigarro do fogo acendendo este. Ele provou o cigarro com gosto e soltou a fumaça pela boca. — Sempre útil, como sempre, Capitão. — Afirmou sarcasticamente para Maes.

Ele lançou o isqueiro para o de capa vermelha e este pegou-o facilmente e guardou de novo este nas calças. — O que for necessário para pagar a minha dívida.

O louro soltou uma risada com gosto. — Meu amigo vais ter que me acender muitos cigarros antes de estar livre dela. — E riu mais um pouco. O seu olhar foi para a Riza que ainda tinha o olhar abalado, o seu rosto suavizou perante ela. O cigarro ficou preso no canto da boca e o resto soltou o fumo com uma destreza que ele nunca tinha visto. — Riza, Kimblee é a pessoa com menos razão do mundo para falar. Aquele pedaço de merda estaria melhor a fazer de tapete no escritório do Fruher ou a assustar as criancinhas do que a dar lições de moral a qualquer pessoa. — Ele piscou para ela de forma brincalhona.

— Mas Doutor… — Doutor? Este deve ser o Doutor que Maes falou, a descrição batia certo.

— Nada de Doutor aqui. — Ele resmungou. — Repete depois de mim “Vai para a merda Kimblee!” — Ele gritou e olhou na direção para onde o assassino tinha ido com um olhar traquina no rosto.

— Doutor, eu não posso.

— São ordens médicas. — O sorriso tornou-se ainda mais divertido. — Como médico eu aconselho a gritar bem alto, do fundo dos teus pulmões, com toda a tua vontade, um palavrão bem dito e saudável com um nome que ninguém gosta. — Ele balançou as sobrancelhas arrancando um riso pequeno da loura, ele deitou fumo fora da boca e voltou a falar. — Que tal gritarmos todos juntos? — Olhou o grupo, Maes tinha aquele sorriso que Roy sabia que alinharia, o louro percebeu logo que o Capitão estava de acordo, Riza deu um aceno a afirmar e então ele olhou para o Roy.

Mas ele ficou parado por momentos.

— Oh, vá-la cara bonita, estás com medo que ele venha e te estrague o rosto? — Ele pegou o cigarro com os seus dedos finos, inclinou a cabeça para o seu lado e Roy não conseguiu desviar de como os cabelos louros deslizavam atrás dele. — Vou-te contar um segredo: Ele não vai.

Era definitivo. Roy Mustang estava cativado por este médico.

— Já que são ordens médicas quem sou eu para negar?

O louro bateu com força nas suas costas com força, fazendo ele dar um pulo, por conta da ação inesperada. — É esse o espírito! Pela saúde! — Maes gargalhou. — Aos três.

— Um… — Riza começou olhando para os três homens a sua volta.

— Dois… — Maes olhou como na academia quando estava prestes a vencer de Roy.

— Três! — O louro soltou com aquele sorriso sorrateiro.

— Vai para a merda Kimblee! — Os quatro gritaram bem alto, atraindo olhares estranhos para eles, mas quando o silêncio entre eles se instalou eles olharam entre si e iram, como já não riam há algum tempo.

Foi uma boa gargalhada. Os ombros tensos ficaram relaxados, os olhares sem vida, ficaram um pouco mais brilhantes, as marcas de cansaço não desapareceram mas a alegria momentânea parecia que os deixava revigorados. Tudo estava bem, mesmo que fosse por uns simples minutos.

O cigarro do louro se apagou, ele tirou o maço e colocou outro na boca, o isqueiro saiu das suas calças, Hughes estava pronto para pegar este mas o de casaco vermelho o atirou para Roy que o pegou por mero reflexo. O objeto parecia tão errado nas suas mãos, era perigoso nas suas mãos, com aquelas luvas.

— Ainda não fomos devidamente apresentados. Eu sou Ed, mais conhecido como Dr. Fullmetal, mas eu prefiro Fullmetal. — Proclamou olhando para os seus olhos. Oh, ele ainda não tinha reparado o quanto brilhantes eram os olhos do médico e na sua cor era peculiar, não era castanho nem caramelo, eles eram dourados, como puro ouro. — Apesar dos traços de Xing, acredito que sejas de Amestris. Que tipo de nome eu devo esperar?

Ele acha que se perdeu nos olhos dele, eles eram simplesmente a coisa mais viva que ele tinha visto nos últimos tempos. O isqueiro ainda está na sua mão, mordendo o lábio e pensando duas, três, quatro vezes, ele tira a luva, Maes arregala os olhos e o sorriso de Ed parece mais suave, ele acende a pequena chama do isqueiro e o Doutor aproxima o seu cigarro dele, suspirando de alívio mal sentindo a nicotina no seu corpo, mas nunca perdendo o contacto com o olhar de Roy.

— Roy, Roy Mustang. — Ele se apresenta finalmente. Entrega o isqueiro em mãos e volta a colocar a luva.

— Roy Mustang. — Ele repete. Dá um sorriso inquietante e depois se afasta do Major e olha para o céu. — O céu continua azul.

Os três olham para o céu.

Sim, pelo menos isso ainda não tinha mudado.

Ed, Dr. Fullmetal ou Fullmetal.

Ele não se iria esquecer

Notas finais
Espero que tenham gostado! Eu amo o Ed como Doutor xD kkkkkkkk Para as pessoas compreenderem este universo que criei: Basicamente, todos os personagens da idade do Ed (ou amigos dele) aqui são todos mais velhos! O Ed e o seu irmão realizaram a transmutação humana e para tentarem recuperar o corpo de Al eles foram para Xing e aprenderam Alkahestry. Ed foi para a guerra, procurando dentro do exercito por formas de trazer o corpo do seu irmão) e Al ficou em Xing, pq assim descobririam que eles cometeram um crime. ESPERO QUE TENHAM GOSTADO DO UNIVERSO! (o próximo cap é como se fosse um extra kkkk) Existe uma pitada de RoyEd, mas só um pouco :3 Bjs