Drácula- A lenda continua
4 Ordo Draco
Notas iniciais
POV JONATHAN HAKER
Já se passavam das duas da madrugada, olhei em meu relógio de bolso, não era nada valioso, herança de família, sempre o carregava comigo. Estava em um beco escuro e a pouca luminosidade que tinha era devido à lua cheia. Depois da morte do líder da Ordo Draco, e da Lady Jayne a caçadora de vampiros tudo estava bagunçado na ordem, uma nova organização seria feita, eu só não sabia o que esperar disso tudo.
Não sabia se devia me envolver a fundo com essa organização, mesmo já tendo feito alguns favores para eles, não conseguia me imaginar como o novo líder, a cabeça da chapa. Mas precisava aceitar e concordar com uma coisa, Alexander Grayson precisava ser destruído, e se minha única saída fosse me unir a Ordo Draco, não pensaria duas vezes.
Estava perdido em meus pensamentos que só notei que havia mais alguém no beco quando observei uma sombra se aproximar, virei-me de frente para ela, devido à escuridão não pude identificar de quem se tratava.
—Quem está ai?—O estranho manteve-se calado—Acho melhor dizer quem está ai—Seus passos aproximaram-se.
—O que um homem tão bonito faz sozinho em um beco sujo e escuro?—A voz era feminina, e por um momento parecia que eu a conhecia.
—O que faz aqui?—A estranha parou de caminhar, eu já conseguia enxergá-la bem, porém não pude acreditar no que meus olhos estavam vendo.
—Aposto que deve está surpreso não é mesmo Jonathan?
—Lucy?—Realmente eu estava pasmado, Lucy estava parada ali em minha frente, usava um vestido branco, o mesmo estava banhado em sangue, assim como sua boca—O que aconteceu Lucy, de quem é esse sangue?
—Não se preocupe, ele não é meu—Soltou uma risada arrepiante—Eu não consigo controlar, é mais forte que eu, só sinto necessidade de me alimentar a toda hora, essa vontade nunca passa, por mais que eu beba e beba, eu continuo sentindo sede.
—Eu não estou entendendo nada Lucy, o que aconteceu com você? Porque está falando essas coisas, e pela última vez de quem é todo esse sangue?
—De muitas pessoas Jonathan, acho que de duas rameiras e dois soldados—Ela levou o dedo indicador ao lábio limpando-o—Teve também um velho nojento que tentou me agarrar.
—Você matou essas pessoas?
—Não, não Jonathan, eu apenas me alimentei deles.
—Realmente você não está nada bem, acho melhor levá-la para sua casa—Estendi meu braço—Vamos Lucy.
—O que? Ir com você? Nem louca, eu sei me cuidar Jonathan Haker, eu dispenso sua ajuda.
—Não sei por que ofereço minha ajuda, aliais está na cara que você só queria estragar meu relacionamento com Mina.
—Ah, pelo amor de Deus, a Mina já não gostava mais de você, acontece que ela encontrou coisa melhor.
—Cale-se!—Ordenei.
—O que será que ela está fazendo agora com o Alexander, pois fiquei sabendo que ela se mudou para a mansão Carfox, a Mina realmente não é nada boba.
—Acho melhor sair daqui.
—Alexander tem aquela postura de homem mal, acho que isso deixou a minha amiga caidinha, afinal qual mulher não se encantaria por um homem daqueles, culto, milionário, inventor, aposto que deve ser bom de cama também.
Não precisava escutar aquelas bobagens, queria que Lucy calasse aquela maldita boca, então avancei sobre ela agarrando seu braço, apertava sua pele com força, mas parecia que ela não sentia nada, muito pelo contrário, começou a gargalhar alto.
—Vai usar a força bruta contra uma donzela Jonathan? Realmente você é muito baixo—A mesma segurou em meu pescoço apertando minha carne furiosamente—Nunca mais atreva-se a me tocar dessa forma, você não sabe do que sou capaz, só não o mato porque iria desperdiçar seu sangue, afinal já me encontro bem alimentada—Lançou meu corpo contra alguns latões de lixo—Foi bom vê-lo Jonathan, nos vemos por ai.
—Passei a mão no pescoço sentindo-o queimar fortemente, quando dei por mim Lucy já tinha desaparecido, eu estava novamente sozinho, lembrei da conversa que tivera com Van Helsing mais cedo, quando ele me contara sobre o ataque que sofrera de Alexander, eu começava a ligar os pontos, ainda sem conseguir acreditar, contudo a questão era que Lucy agora era uma vampira, assim como Drácula.
[...]
—Espero que não o tenhamos feito esperar muito senhor Haker.
—Tudo bem, o importante é que vieram.
—Então, pensou em nossa proposta?—O homem que me perguntara era alto, o mesmo que havia me procurado noite passada, corpo forte e cabelos escuros, tinha uma aparência bem séria, uma pessoa normal saberia que não era uma boa ideia se envolver com aquele sujeito, talvez esse fosse o meu problema, eu não era tão normal assim. Foster, esse era seu nome, pelo menos fora o que ele me dissera, com ele estavam mais três homens, todos trajando roupas escuras, sem contar às capas que protegiam seus rostos.
—Sim, eu pensei e já tenho uma resposta—Foster cruzou os dedos—Querem minha ajuda para acabar com aquele sugador de sangue, então eu os ajudarei—Um sorriso maquiavélico se desenhou no rosto de Foster.
—Decisão inteligente meu caro Haker, não poderia escolher lado melhor para se unir, contamos com sua ajuda é claro, amanhã a noite faremos um ritual.
—Ritual?
—Exatamente, nossa organização costuma fazer muitos rituais, mas não se preocupe, será um ritual de boas vindas, precisamos apresentá-lo para os demais, você terá um papel fundamental na Ordo Draco a partir de agora, também quero apresentar nossa nova caçadora.
—Entendi, faremos isso tudo amanhã?
—Isso, nos encontre em nossa sede amanhã a noite neste mesmo horário.
—Estarei lá amanhã.
—Excelente senhor Haker, sinto que uma nova era se aproxima, sua chegada em nossa organização vai nos reestruturar novamente, então poderemos acabar com aquele demônio.
POV LUCY
—Eu quero vê a minha amiga—Estava parada em frente a mansão Carfox, um empregado da mansão bloqueava minha entrava, eu já estava furiosa com aquele maldito, já calculava um jeito de avançar em seu pescoço e abocanhar sua carne, foi quando avistei Mina, ele vinha caminhando apressadamente.
—Eu a conheço, pode deixá-la entrar—Mina pediu para o empregado, passei por ele indo me encontrar com minha adorável amiga.
—Oh... Mina—A abracei apertado—Estava preocupada com você, desde que soube da explosão do ressonador do senhor Grayson.
—Está tudo bem Lucy—Mina me abraçou sem muita vontade.
—Que bom—Nos afastamos—Eu fui te procurar na pensão, foi então que fiquei sabendo que tinha se mudado para cá.
—Alexander me convidou para passar uma temporada aqui, ele se sente mais seguro comigo ao lado dele.
—Entendo—Coloquei uma mecha dos meus fios loiros atrás da orelha.
—Mais o que te trás aqui?
—Não seja indelicada Mina, já disse, estava preocupada com você, sou sua amiga ainda.
—Amiga—Ela sorriu sem humor—Primeiro você diz está apaixonada por mim, até tentou me beijar, depois teve um caso com Jonathan, eu realmente não acho que seja minha amiga ainda Lucy.
—Suas palavras me ofendem profundamente—Abaixei o rosto, claro que só estava fazendo um drama para impressioná-la.
—Lucy, eu acho melhor ir embora, já não temos nada para falar, eu não lhe desejo mal, mas também não a quero por perto.
—Nunca vai me perdoar Lucy? Eu só estava magoada com seu desprezo, apenas usei o Jonathan, não sinto nada por ele, você sabe muito bem para quem meu coração está guardado—Levantei meu rosto fitando-a.
—Não fale mais isso, pare com esses olhares, sabe que nunca vou poder retribuir esse tipo de amor.
—Então pelo menos me deixe continuar sendo sua amiga, eu imploro que me perdoe Mina, sua amizade é muito importante, já que não posso ter seu amor, não me prive de conviver com você.
—Lucy eu não sei, ainda estou triste pelo que fez, não é algo que se esquece fácil, ainda mais porque você fez com a intenção de me machucar.
—Mina eu não entendo, você ainda sofre pelo Jonathan? Pensei que não o amasse mais.
—Não sofro por ninguém, acontece que você era minha amiga, e ele era meu noivo, foi um golpe muito forte.
—Sei que não agi da melhor forma, mas foi à única vez que fiz algo de errado com você, pensei que merecia uma segunda chance, misericórdia amiga, não seja tão dura comigo.
—Vejo que você não vai desistir não é mesmo Lucy?—Balancei a cabeça negando—Tudo bem, talvez eu possa reconsiderar esse pedido de perdão.
—Isso que dizer que vamos voltar a ser como éramos antes?
—Acho que sim—Empolgada me joguei nos braços de Mina, dessa vez ela também imitou o gesto e me abraçou, senti-la novamente perto me deixava imensamente feliz, nem todo sangue do mundo era capaz de me satisfazer se eu não a tivesse, se eu não tivesse Mina em meus braços.
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