「Down for you」
1 Capítulo único.
Notas iniciais
Fazia um bom tempo que não postava algo nessa conta, por isso mesmo, não pude resistir a vontade de colocar uma One-shot focando em um casal do qual criei um carinho especial.
Tenham uma ótima leitura!
— Takumi, Megumi! — adentrando a porta do bar estava a consagrada Língua-de-Deus, apesar de ter encontrado seus amigos em meio a tantas pessoas, não conseguia deixar de sentir-se constrangida por sua própria notoriedade, uma vez que olhares curiosos sempre pairavam sobre si, em especial quando a mesma se encontrava em algum lugar que oferecesse comida.
— Oh. Se não é a Nakiri-sama! — Takumi logo acenou de longe, levantando-se de sua cadeira, movimento que Megumi que encontrava-se na cadeira ao lado repetiu, acenando para sua amiga.
Erina por sua vez apertou o passo para se encontrar com eles, as mãos firmes ao lado de seu corpo, um movimentar praticamente robótico até que chegasse a mesa.
— Já disse que não precisa me chamar de Nakiri-sama! Apenas Erina!
— Tem coisas que não mudam mesmo, Erinachi! — Megumi falou rindo por de trás das costas de sua mão, mantendo os olhos fechados — uma provocação muito pequena para que pudesse a incomodar, considerando que em um embate neste sentido, a de cabelos azulados certamente perderia para um certo ruivo.
Erina deu um suspiro amigável, sentando-se na do lado oposto ao deles, qual diferentemente se tratava de um canto alemão, e não duas cadeiras separadas. Por um momento, sua mente divagou na possibilidade de Megumi ter ficado com certa vergonha de se sentar de frente para Takumi, afinal, este era um costume de casais.
— Megumi, você fica ótima de cabelo solto — a loira admitiu e viu o rosto de sua amiga chegar ao ponto de ebulição em questão de segundos, lembrava-se bem de ter lido em uma das revistas bobas que Alice tinha algo sobre manter os cabelos soltos para adornar o rosto e mostrar sua beleza, mas para si, a azulada já era bela em seu estilo clássico, por isso, novamente a hipótese de tê-lo feito para outra pessoa pairou por sua mente.
— O-Obrigada! — gaguejou, soltando sua voz relativamente alto, o que lhe causou vergonha ao perceber que uma ou duas pessoas no bar viraram para ver a origem de tal som.
— Mas então, diretora, como tem passado os dias? Muito trabalho? — Takumi se intrometeu, temendo que acabasse em uma conversa de mulher, assim pegando um assunto favorável para ser desenvolvido.
— As coisas têm ido bem. Tivemos a seleção a pouco tempo, — era estranho, ela queria poder dizer. Era muito estranho. Cinco anos haviam se passado desde que aquele grupo havia se formado. Ao mesmo tempo que cinco anos parecia tão pouco, era muito tempo; Agora eles já estavam formados a dois anos, seguindo rumos diferentes na gastronomia, amigos se mudaram, contatos se perderam, mas a essência daquele grupo que se rebelou contra a tirania da gastronomia perfeita ainda ardia em seus corações e os guiava para ideais futuros. — Eu posso dizer que temos muitos prodigi--
— Oe, Nakiri! Engordou?
Sua face, qual antes esboçava certa nostalgia, quase tristeza, mudara da água para o vinho com o reconhecimento daquela voz que lhe era tão familiar.
— O quê!? Está me chamando de gorda!?
Ela se virou impulsivamente para o lado cerrando os punhos, elevando a face para fitar Souma, que se encontrava ao seu lado, de pé, com o seu sorriso assinatura segurando casualmente uma bandeja com quatro masus (copos de saquê), qual ele depositou casualmente na mesa juntamente a garrafa, após, jogando seu corpo ao lado de sua ex-diretora com uma informalidade que apenas ele possuía.
— Eh! Souma! Não se fala isso para uma mulher! — Megumi pontuou, negando com o dedo, porém o ruivo apenas deu um sorriso e virou a face para o lado oposto ao de Erina, sabendo que ela o fuzilava como se a mesma fosse óleo quente, e ele um ovo.
— Bom de qualquer maneira… — Souma se virou para o grupo, praticamente ignorando o acontecido deixando Erina ainda mais irritada. — Não deixem o sake apenas de enfeite, podem tomar. Inclusive você, Nakiri.
— É Erina! — ela revirou, não dando muita atenção a bebida, enquanto por sua vez, Takumi tomava a garrafa disposta na mesa lendo seu rótulo em voz alta.
— Um Tamegawa. Um tradicional sake japones com trinta anos. Boa escolha, Yukihira — apontou o loiro, fazendo com que o mesmo coçou a nuca com um largo sorriso em resposta.
Após isso a conversa continuou, falavam de planos futuros, de como suas vidas seguiam, de como o Yukihira Souma ainda fazia atentados culinários por diversão, dentre outros diversos assuntos, ao menos, até perceberem que uma integrante daquele grupo parecia um tanto quanto silenciosa nos últimos minutos.
— Erina? Tudo bem? — Megumi foi a primeira a questionar, Erina por sua vez elevou o olhar esboçando meio sorriso.
— Nakiri? — Souma questionou logo depois, apoiando a mão pouco abaixo do pescoço da mulher.
Antes que pudesse comentar qualquer coisa que fosse, seu estômago revirou, e em resposta ela contorceu-se para frente apoiando a testa sobre a mesa, e olhando para o lado com a certeza que havia visto seu pai, o saudando com um sorriso idiota no rosto.
— Você está orgulhoso agora papai? — Nakiri falou sozinha, com a face virada para um local onde não havia ninguém, ainda tendo a certeza que seu pai estava ali. Megumi ao perceber o estado de sua amiga levantou-se rapidamente “vou buscar um pouco de água para ela.”
— Oe, oe. Nakiri! — o ruivo insistia movendo o ombro da mesma.
— Parece que a Língua-de-Deus é fraca com doses mais elevadas de bebida, faz sentido considerando o paladar sensível dela — mencionou Takumi, vendo que a garota parecia estar em um tom pálido ainda balbuciando algo — agora inteligível — sobre seu pai. — Você vai ficar aí balançando ela, ou vai levá-la até o banheiro?
Takumi pareceu incomodado com a falta de ação de Souma, o incentivando a tomar alguma atitude, já que Megumi não estava ali naquele momento para amparar sua amiga. Ao mesmo tempo, parte dele tinha alguma ideia sobre os sentimentos que ele possuía pela garota, não era para menos que haviam deixado os lugares disponíveis para que os dois sentassem lado a lado, mas de certa forma, a densidade por parte de ambos não ajudava a desenvolver o relacionamento.
Takumi no entanto era incapaz de negar seu interesse em Megumi, sabia que era evidente, considerando que ambos haviam armado uma viagem para a Itália para fazerem um seminário em nome dos Aldini, mas isso seria assunto para outra hora, já que naquelas saídas esparsas em que apenas os quatro iam, a intenção era mais ter um bom momento entre amigos, do que priorizar assuntos do coração.
— Ei — o rapaz ruivo segurou o braço destro da loira — desajeitadamente o passando ao redor de seu pescoço mantendo sua mão no pulso dela para que não escorregasse — não houvera resistência alguma da parte da mesma, mas ao mesmo tempo, nem um pouco de firmeza. Sem cerimônias, envolveu seu braço por trás da cintura dela, segurando-lhe com segurança e com um pouco de dificuldade. Por mais rude que pudesse soar, ela não era uma mulher leve, o que o fazia querer culpar aquelas curvas quase exageradas da mesma..
— Erina — ele tentou lhe chamar a atenção, mas logo notou que a mão livre dela encontrava-se em frente aos lábios. Por um momento se perguntou se não era melhor que a Megumi a acompanhasse, mas provavelmente um desastre já teria acontecido antes que ela voltasse. — Hey, Erina, não vá fazer algo vergonhoso na frente de todas essas pessoas, eles esperam ver sua comida em um estado não digerido ainda — provocou para receber um olhar nervoso de canto de olho — a velha e boa Erina sempre presente mesmo na pior das condições.
Mas ainda sim, a diferença de altura era um incômodo — parecia que a garota não havia crescido sequer um centímetro, porém ele, dos um metro e setenta e três de quando tinha quinze anos, não manteve nem mesmo lembrança, já chegando a casa de seus um e oitenta e poucos. Ele gostava de acreditar que isso não a tornava frágil, havia algo impactante em sua figura que era adornada por todos os elementos que a compunham — Erina era como… Um croque-en-bouche, imponente, belo, doce e… Certamente seus pensamentos estavam fugindo demais, quase ao ponto de deixar a garota cair ao diminuir a firmeza de seu aperto.
— Shh~~ooumma — ela balbuciou nervosa.
Ele tentava caminhar em um passo que ela pudesse acompanhar, durante o caminho, não pode deixar de pela primeira vez sentir-se incomodado com a quantidade de casais ao redor, disparando um olhar rápido para a mulher que estava em seus braços, porém forçando-se a não mentalizar nada.
Virando-se de costas ele abriu a porta do banheiro, fazendo o possível para amparar a loira qual ainda estava debilitada sem se distrair. Ela se esgueirou dos braços de Souma e se apoiou contra a parede, queria poder dizer a ele que era bom que saísse do banheiro — mesmo que enjoada, sua mente não deixou de correr por locais quais não deveria — porém se quer conseguia soltar algo coerente.
Outra pontada lhe veio como um rojão, a fazendo perder a força das pernas, e o ruivo que ainda se encontrava um tanto quanto aéreo teve o “clic” de rapidamente a envolver pela cintura, puxando o corpo dela para si, fazendo-a encontrar apoio para suas costas em seu peitoral.
— Eh, Erina. Você costumava ser mais firme, hehe.
— Fala isso porque… — Ela tentou revidar, porém a porta atrás deles se abriu um pouco. Ambos, apenas movendo suas faces se depararam com a expressão tranquila do "invasor" se tornar pasma ao vê-los.
— Opa, foi mal — antes que pudessem esclarecer o mal entendido ou deixar suas defesas escaparem dentre os dentes, a porta fora fechada em uma batida rápida junto ao curto pedido de desculpas.
— …
E naqueles segundos que vieram, o silêncio reinou. O enjôo perdeu lugar para uma vergonha imbatível — ao menos por parte da loira, já que sua face brilhava escarlate.
— Eu me viro daqui.
— Tem certeza de que... — Souma tentou questionar sendo cortado rispidamente.
— Eu me viro!
— Vou estar na porta se precisar de mim. — com isso Souma deixou a garota por conta, saindo do banheiro, apoiando suas costas contra a porta, logo cruzando os braços antes de respirar profundamente após abaixar a face, desviando o olhar de soslaio para a porta fechada. Sentiu uma forte necessidade de brigar com Takumi como nos velhos tempos, mesmo que em tese, a intenção dele não fosse que esse cenário acontecesse.
Denso, Souma era denso, mas não completamente ignorante. Porém era fácil afastar tais pensamentos — ela era a diretora da mais prestigiada academia de culinária do oriente, dotada de uma habilidade única, admirada e temida por muitos, e ele? Souma Yukihira, um genial cozinheiro de alto nível mas que mantinha o negócio de seu pai — um pequeno restaurante local. Atualmente, no mundo dos cozinheiros, ele era mais um em um mar de genialidade.
— Uh? — A porta atrás de si se abriu, por cima de seu ombro se deparou com uma Erina de cabelos bagunçados, o corpo ainda curvado para frente e olhar ligeiramente cansado. — Hehe! E ai, Nakiri? Tá zerada?
Ela em resposta apoiou as duas mãos contra a base das costas dele, o empurrando, o que fez com que Souma risse.
Ah, sim, os toques. Pequenos, ligeiros, acolhedores ou calorosos, muitas vezes misturados, com o tempo se tornaram mais frequentes por conta de ambas as partes. Antes Erina sempre se recusava tocar em outras pessoas, apesar de que, no momento em que se envolveu com aqueles que seriam seus amigos para o resto de sua vida, isso aos poucos mudou, enquanto Souma em contrapartida nunca escondeu sua personalidade expansiva, entre toques e provocações, ele gostava de deixar claro sua intimidade (algumas vezes até exagerada) para com os outros.
— Eu te levo para casa.
— Não tem problema, posso chamar--
— Eu te levo — ele insistiu. Um tom mais firme em sua voz, algo que não era comum de Souma. Nisso ela pode entender que ele se encontrava preocupado com ela ao ponto de querer levá-la para casa.
Chegando a mesa, foram recebidos pela feição preocupada de Megumi que segurava firmemente um copo de água em mãos, e o olhar curioso de Takumi, que se mantinha encarando o amigo ruivo, do qual parecia tentar evitar contato visual. Achavam que era melhor encerrar a noite por ali mesmo, e em outro encontro certamente não dar nada de teor alcóolico para Erina — enquanto a de cabelos azuis ia até a porta com a loira, Takumi ficava para trás com Souma, dando-lhe um tapa forte nas costas.
— Ela está esperando a tempo demais — falou, lançando um olhar direto para o rapaz. — Você quase a perdeu uma vez, não arrisque fazer isso de novo. Tenho certeza que se a perder desta vez, será sem volta.
Souma por sua vez sabia da realidade, apesar de que como romântico, ele era um excelentíssimo cozinheiro. Porém, Takumi estava certo a sua maneira, por mais duro que fosse admitir que o conhecimento dele sobre o sexo feminino se estendia bem mais do que o seu.
Despedidas dadas, Erina, agora se sentindo mais consciente, seguiu Souma para o carro do mesmo, não podendo evitar sua mais honesta risada ao vê-lo — antigo, marrom e com a propaganda do restaurante Yukihira ocupando a maior parte da lateral. Por um segundo Souma fez uma cara emburrada, mas não conseguia se irritar com a face sorridente da loira, face que ele inegavelmente achava linda.
Ambos adentraram o carro, Erina levando as mãos em frente ao corpo, as esquentando ao soprar o ar quente de seus pulmões, enquanto nada sutilmente, o ruivo a fitava.
— Ei, Erina.
Abaixando as mãos, a jovem dos olhos púrpuras tornou a face para ele, seu semblante casual demarcado em sua expressão.
— Sim?
— Você é a pessoa para a qual eu quero dedicar minha culinária.
Fim.
Notas finais
Se a história conseguiu lhe chamar a atenção não esqueça de favoritá-la! Isso me incentiva completamente para trazer mais conteúdos ao perfil!
Obrigada pela leitura!
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