Double face
4 Cap. 4: Assacinato
Notas iniciais
LIPE
Senti algo segurar meu pé, era Jack. Ele me fez cair no chão. Dei com o cabo da adaga na cabeça dele. Ele desmaiou.
Me levantei, olhei para Amanda e vi que ela estava quase entrando em pânico. Ela olhava para atrás de mim. Me virei e deparei com meu pai na porta. Deixei a adaga cair. Ele mirava uma arma na cabeça de Amanda. Se ele se atrevesse a atirar, a mataria. Estava a dez metros de distancia dela, mas provavelmente sabe atirar. Então já viu né?
− não... por favor − pedi pra ele.
Antes vira ele em cima de uma arvore lá fora. Por isso cortei meu braço. Queria ver se ele não iria me ajudar. Amanda não o vira. Ela realmente acreditara que cortei meu braço para livrar ela. Mas depois percebi que ele não vale nada. Que pai não socorreria o filho num momento desses? O meu...
− vocês não vão arruinar meu plano... − Jonathan disse com os dentes trincados.
− agente só queria ajudar... − disse Amanda.
−não... − interpus − ele não está fazendo isso por nossa causa...
Amanda olhou pasma pra mim.
− então o que?
−se nós mentirmos dizendo que o matamos... não vai ser bom...
− Como assim?
− Por exemplo: − mordi meu lábio inferior − se você o matar o “objeto secreto” fica em sua posse.
− Mas alguém pode rouba-lo... não? − Amanda não queria acreditar.
− O objeto não existe! − expliquei a ela − Na verdade, é um segredo... mas que não pode ser contado a ninguém, o único modo de você sabe-lo... seria matar a pessoa que conhece.
− Então... o que tem na caixa? − Ela apontou para a caixinha que ganhamos anteriormente.
− Uma bomba... gás venenoso... sei lá!
− Mas por que você não me contou antes?
Olhei para meu pai.
− Eles iam nos matar mais sedo.
Ela pareceu intender.
− Você é bem inteligente para um garoto de 16 anos... − disse Jonathan.
−17! − O corrigi.
− Dá no mesmo... quem vai ser primeiro?
Ele aponto a arma em minha direção, depois novamente pra Amanda.
− Posso me despedir dela pelo menos? − Apontei na direção de Amanda. − Sabe como é né? Namorados e tudo mais...
− argh! − Jonathan fez cara de nojo − Por um momento achei que você era parecido comigo... − Ele fez um sinal de indiferença com a mão, virou a cara e baixou a arma.
Era só isso que eu precisava.
Peguei a adaga e a corda sem que ele percebesse − ele ainda estava olhando, mas não com tanta precisão − Fui até Amanda, lhe dei um abraço − passei a adaga pra ela − e um beijo na bochecha − Sussurrei em seu ouvido: ao meu sinal.
Voltei para o meu lugar com a corda escondida.
− Ela primeiro. − eu disse.
− Hã? − Amanda tinha os olhos arregalados.
Fiz um sinal positivo com a cabeça, ela acalmou um pouco, mas não deixou de sentir medo − ela suava e tremia.
− Sério? Pensei que você fosse bancar o herói.
Jonathan riu em desdém. Aponto a arma na cabeça de Amanda. Achei estranho ele não ter se movido, ele ainda está na soleira da porta. Então, me ocorreu um pensamento, estremeci, olhei em volta... e tive um choque de realidade. O chão começava a se inundar de uma fumaça esverdeada. Veneno. Jonathan apertou o gatilho. Nesse instante tudo se passou em câmera lenta em minha mente.
A bala ia na direção dela. Uma coisa incrível aconteceu. Enquanto eu corria na direção de meu pai com a corda, virei o rosto e percebi que Amanda abria um sorriso. Ela atitou a adaga pra frente em direção da bala e se jogou para o lado. A bala vinha de uma direção, a adaga de outra... um metro... cinquenta centímetros...vinte... dez... cinco... quatro... três... dois... um!
Um barulho horrível ecoou pela sala, como de raspasse chapas de metal gigante uma na outra, junto com uma batida de caminhões feitos de chumbo.
A adaga se chocou com a bala.
Voltei a realidade em tempo normal. Me atirei em cima de meu pai, tirei a arma de sua mão e coloquei a corda de aço em seu pescoço. Ele caiu de joelhos.
− Vai me estrangular? − Pediu ele num tom sarcástico − Lembre-se que sua namoradinha ainda não alevantou do chão...
Gelei. Era verdade, Amanda tinha se atirado no chão para se desviar da bala caso a adaga não conseguisse encontra-la. E também, o chão estava cheio de veneno.
Não pensei duas vezes, bati com o cotovelo na cabeça de Jonathan, não o fez apagar, mas doeu. Larguei-o e corri para ajuda-la. à meio caminho percebo outro detalhe crucial. Os capangas de meu pai sumiram. Cheguei aonde ela deveria estar... isso mesmo deveria. Ela sumiu!
− Amanda!
Olho em volta e percebo que meu pai também sumiu. Uma emboscada. Mas uma coisa que eu realmente não esperava − pelo menos vindo dela − acontece.
Jonathan e seus capangas − todos armados − me cercam do nada. Fizeram um circulo em volta de mim. A uns dois metros de distancia, suas armas são de curto alcance − pelo menos.
Ouve um baque e de repente Jonathan fecha os olhos e vem em minha direção. Não. Na verdade ele vai em direção ao chão, de cara. Atrás dele aparece Amanda. Ela da um giro e ergue a perna, as duas do chão − um golpe de judô − e atinge Rafa na cara, que recua pra trás cambaleante. Jack vem por trás dela e a agarra, segurando os dois braços. Ela se livra de um e da uma joelhada em sua virilha − essa doeu. Resolvi não ajudar, ela está se saindo muito bem.
Logo depois, ela põe uma perna na lateral de sua barriga. Dá um impulso, e atinge o joelho um pouco acima da orelha esquerda de Jack. Com tamanha força ele cai, bate a cabeça e desmaia.
Rafa se recupera. Ele pega a adaga e vai com velocidade em direção a Amanda. Quando ele chega perto ela da um chute incrível em sua mão que a adaga voa longe, depois ela puxa os ombros dele pra baixo e atinge a boca dele com o joelho. A boca de Rafa começa a sangrar, ele limpa com a manga da camisa − sua jaqueta de couro já era. Pega − muito estranho − um garfo do bolso de sua calça, e dá com ele na lateral direita da cabeça de Amanda; mas isso só a deixou mais irritada. Ela arranca a lateral de uma estante de vidro, que por incrível que pareça não quebrou e nem se desmanchou, a estante estava vazia. Amanda bate o vidro na cara de Rafa que, se não morreu, apagou. O vidro se estilhaçou todo, ela pega um caco do tamanho da palma da mão e bem afiado e o oferece à mim fazendo um sinal com a cabeça na direção de Jonathan caído no chão.
− Faz as honras?
Não pensei muito, se não fosse eu iria ter que ser ela. Peguei o caco fui em direção ao meu pai. Hesitei por um momento. Se eu o matasse a guerra para ter a posse do segredo iria continuar. Fui em direção a Jack e lhe cortei o pescoço. Amanda tinha saído da sala. Coloquei o caco na mão do Jack morto e fiz com que um cadáver matasse meu pai.
Antes de sair daquele lugar, peguei a caixinha abri e joguei-a lá dentro, fechei a porta e ouvi uma pequena explosão.
Amanda estava sentada em um tronco caído. Sentei-me ao lado dela.
− Tudo bem?
− Não... como está seu braço?
Avia me esquecido que o machucara. Ele parecia não estar sofrendo muito. Mostrei a ela.
− Está bom.
− Desate... vou fazer outro curativo.
Tirei a faixas que envolvia meu braço. Amanda foi buscar as mochilas que estava perto da porta.
− Acho que não vai mais ser necessário.
− Por que não? − ela veio olhar, e ficou tão pasma quanto eu.
Não havia corte algum.
− Como assim? − Ela pareceu estar falando consigo mesma.
Mesmo assim respondi.
− Deve ser o tal segredo... algo relacionado a isso... mas eu não matei meu pai, eu fiz com que Jack o fizesse...
Amanda estava com os olhos vidrados, e com a mão atrás da orelha.
− O que foi? − Perguntei a ela.
− A garfada... olha. − Ela me mostrou atrás da orelha. Tinha um corte ali. Tinha. Agora só uma cicatriz. O garfo fez tipo à marca da MONSTER. A pele e o cabelo estavam sujos de sangue. Mas o corte havia cicatrizado... que nem o meu.
− Bom... talvez a maldição se impregnou em nós dois. Mas o que realmente está te deixando bolada? Porque eu sei que não é isso...
− Você...
− Eu? O que é que eu fiz?
− Você mentiu pra mim... você cortou seu braço por pura rebeldia... mentiu sobre o segredo... mentiu sobre tudo... nós poderíamos ter morrido! Por que você não me disse que sabia de tudo? Que sabia que seu pai estava nos enganando?
− Para poupar seu sofrimento... e para que realmente conseguíssemos sair vivos...
− De sair vivos eu entendo. Mas, poupar meu sofrimento...?
− Se seu pai mandou...
− Ele não é meu pai!
− Tudo bem... − decidi começar de novo − se Leandro mandou você mata-lo para conseguir o “objeto secreto”... se ele sabia o que era... ele iria acabar te matando. Entendeu?
Ela levou um choque.
− Com certeza ele não sabia...
− Tá vendo? − Gritei pra ela. Amanda deu um pulo− você diz que ele não é seu pai, mas continua defendendo-o.
− Confesso − começou ela − que eu tenho afeto por ele... porque um dia ele foi legal, mesmo que ele, agora, não goste de mim, me bata, ou até me mande fazer coisas absurdas... mas ele foi realmente um pai para mim...
− É... − interrompi − é difícil esquecer que ele um dia fora seu maior herói... e agora se tornou o vilão.
Amanda me abraçou.
− Você esperava que não fosse assim, não é? Então... somos dois adolescentes, talvez os únicos, que tem mais maturidade que seus pais.
Abri um sorriso, ela também. Mas, de repente, ficou séria.
− Lipe...?
− Sim linda.
Ela baixou a cabeça, fazendo com que seus cabelos cobrissem o rosto.
− você disse que não queria estar namorando a Helen... então por que...?
Me lembrei do dia em que dissera isso pra ela. Não quero mentir pra Amanda, mas tão pouco magoa-la.
− quer realmente saber?
Agora ela olhou diretamente em meus olhos. Seus olhos nunca tiveram vida, apesar de ela esconder bem. Desde que a conheci. Ela carrega um olhar vazio... cheio de tristeza e dor. Mas agora estavam piores... não é a toa. Mas também podia perceber que lá... lá no fundo há brilho, calor e alegria. Ela demonstrava esse fundo quando eu pegava em sua mão, quando eu lhe dava um beijo na bochecha, quando a chamava de nomes carinhosos. Mas agora isso não acontecia mais. Pelo contrario, quando eu demonstro algum afeto por ela, seus olhos demonstram dor. Lembrei-me do dia em que se conhecemos, tínhamos 11 ou 12 anos. Ela cantarolava no elevador do prédio. No mesmo dia que se mudamos... fui atrás da vozinha triste e sonhadora. Quando a vi ela estava sentada no elevador parado com a porta aberta abraçando seu corpo. Seus olhos esbanjavam lagrimas. Seus cabelos todos emaranhados, estava usando uma calça jeans rasgada, pés descalços e sua blusa molhada. Quando perguntei o que havia de errado ela dissera apenas: “não é da sua conta”, e fechou a porta do elevador. Desde então comecei a persegui-la. Ela não tinha amigos nem parentes. Mesmo irritada comigo no seu calcanhar, ela parecia feliz por ter alguém.
Puxei-a para mais perto de mim e lhe dei um beijo na testa. Seus olhos verdes esmeralda passaram a ficar cinza.
− Qual problema? − A larguei.
− Do que você está falando?
− Quando pego sua mão ou te beijo você entristece ainda mais.
Ela soltou uma lagrima.
− É que... eu gosto de você.
− Mas então deveria ficar feliz e não triste.
Ela se afastou mais de mim.
− Há dois...motivos... o primeiro é a Helen.
Me lembrei de que tinha que lhe dar uma explicação.
− Eu só estava com ela por causa da Raquel, ela sabia dez de o começo; nunca gostei dela, pelo menos não desse jeito, e ela também não. Eu queria vigiar a Raquel... por que ela andava muito com seu pai. A própria Helen me pediu.
− Mas por que vocês terminaram?
_ Por que eu... não aguentava mais.
_ Ela?
Peguei seu rosto e aproximei do meu.
− Não... você. Você é linda e tudo mais, já estava cansado de manter os caras longe de ti. − ela riu − e se nós namorarmos... eu não precisarei mais manter eles longe de você. Eles vão fazer isso por conta própria... espero. E qual o segundo motivo?
− Perda...
Ela não precisou dizer mais nada. Perdera a mãe quando criança, nunca conheceu o pai biológico, seu pai de criação é um canalha, e nunca teve muitos amigos.
Então era obvio. Quanto mais ela se apegar a mim, maior será a dor quando nos separarmos.
− Ei... eu prometo que nunca vou abandonar você.
_ Sério? É que pra você deve ser diferente: um amor bobo de adolescentes, algo passageiro. Pra mim: é alguém com quem contar... você me aceita mesmo depois disso tudo. Se fosse, até mesmo com a Luli ou o Ricardo... eles iriam ter nojo, medo de mim.
− Eu não vou te deixar... ninguém irá nos afastar. Eu iria até o inferno por você; você passou a fazer parte da minha vida... de mim. Eu realmente gosto de você... não! Gosto é pouco. Nem amor definiria o que sinto por você. É milhões vezes mais.
Amanda me abraçou, quase me derrubando no chão. Depois que ela me largou, percebi que seus olhos mudaram. Não estavam tristes, com dor, pena ou culpa... estavam com vida. Uma Amanda que nunca vira antes: feliz.
− Isso significa muito pra mim. _ disse ela num sussurro.
− Percebi. Vem... vamos voltar para casa. tem um bom caminho pela frente.
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