Double face
24 Cap. 23: Papai?
Notas iniciais
Luli
A batata da minha perna esta me matando. Que dor!
Já faz sete horas que estamos caminhando. Pra onde? Um laboratório ou algo assim. Mandy explicou que iria nos levar para o seu criador. Mesmo não podendo lembrar-se dele, ela tem tipo um GPS. Isso é muito foda!
Rick e Helen estavam indo mais devagar. Ultimamente eles ficaram bem próximos. Amanda, minha melhor amiga, ou ex melhor amiga… não sei o que pensar em relação a sua nova personalidade, estava idêntica em tudo, a não ser pelo fato de ter matado seu namorado.
Eu sei que irá parecer nojento. Mas eu já passei por poucas e boas nessa vida. Eu e Mandy retiremos o cérebro do Lipe. Ela disse que com o cérebro era possível recuperar seu “eu”. Como não conseguimos abrir o crânio. Trouxemos sua cabeça. Eu sei, eu sei… Por que não o levemos inteiro? Ele é muito pesado. E temos que cuidar das duas prisioneiras.
Perguntei para Mandy se a alma dele já não teria ido embora. Ela me olhou com cara feia e disse que, se era assim ela não tinha alma. Fiquei realmente confusa. Será que isso não passa de um sonho muito louco?
Acho que você não conhece minha história. Vou lhe dar um resumo de minha vida.
Não me lembro da minha mãe. Fui criada por meu pai, meu irmão e uma vizinha… que era minha madrinha. Era? Sim… Ela morreu quando eu tinha sete anos. Ela me contou que perdi minha mãe ainda muito nova… e passou a tomar conta de mim porque meu pai era malvado. Eu era pequena. Não achava meu pai malvado. Na verdade falava pouco com ele, achava que ele estava sempre no trabalho. Mas estava errada. Ele bebia.
Depois que Catarina, minha madrinha, morreu, meu teve que cuidar de mim. Inúmeras vezes eu e meu irmão passemos fome. Meu irmão, Caíque, desistiu da vida… começou a usar drogas, andar com má companhia, etc. etc.
Antes disso ele era legal. Tínhamos um refugio um no outro. Mas depois que Catarina morreu nossa vida virou um inferno.
Também entrei num mau caminho. Passei a me prostituir para poder comer, caso contrario… teria morrido de fome. Nosso pai nos desprezava. Ele não dava a mínima pra gente. Eu poderia ter arranjado um emprego comum. Acredite eu tentei. Mas eu era muito nova, e as pessoas conheciam meu pai. Então tive que entrar na onda.
Ricardo me encontrou certo dia. Ele tinha de alguma maneira, descoberto que éramos irmãos. Como não quis ir com ele, acabou denunciando meu pai… e ele foi preso. Meu irmão me abandonou e sumiu no mundo. Fui morar com Rick por não ter escolha. Mas essa ficou sendo a melhor decisão que tomei na vida.
Ouço um suspiro de alivio do meu lado. Olho para Mandy. Vejo um brilho em seu olhar, que esta direcionado a um portão do outro lado do asfalto.
− É aqui? − Rick pergunta.
− Sim – ela responde entusiasmada. – Meu criador… finalmente vou conhecê-lo… meu pai. – Ela sai saltitante. Quase derrubando Amanda e Raquel.
Ela chega ao portão abre-o e se dirige para o meio da mata.
− Hey Mandy! Não vamos seguir a estrada? – Corro atrás dela – Sendo puxada pela corrente.
Ela não fala nada, apenas continua correndo. Rick e Helen se apressam atrás de nós.
Depois de alguns minutos, chegamos numa pequena clareira. Levamos um baita susto, paremos todos de supetão.
Havia um homem apontando uma espingarda em nossa direção. Atrás dele se via uma entrada, para algo que me parecia tipo um bunker. Paremos todos lado a lado. Mandy levantou as mãos em sinal de rendição.
Ela estava prestes a falar alguma coisa. Mas o homem, de repente, abaixa a arma. Seu cabelo é preto, liso, volumoso e muito espantado; sua barba estava por fazer; tinha olhos azuis; e era muito forte. Usava calças jeans surradas e um moletom simplesinho. Ele parecia emocionado. Encarava Rick ou eu. Não dava pra saber. Rick estava do meu lado. Achei-o estranhamente familiar. Rick estava chorando. Eu estava completamente perdida. Não entendia nada.
O homem, ainda nos encarando, sussurra:
− Rick? É você?
Rick larga Helen. Ele vai até o homem e eles se abraçam.
− Pai… − Ouço Rick dizer.
Eu, Mandy, Helen, Raquel e Amanda, fiquemos quietas… observando. Depois de se abraçarem. O Homem abre os braços pra mim.
− Luli… minha pequena…
Ainda não entendendo nada, fico encarando.
− Quem é você?
− Luli… − Rick responde – Esse é nosso pai. Nosso pai biológico.
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