Double face
12 Cap. 12: Falsa
Notas iniciais
Finalmente sábado. Acabei ficando completamente recuperado em duas semanas. Agi normalmente com a cópia da minha namorada, como se não tivesse nada errado com ela. Encontrei meus amigos, Rick percebeu também que ela estava estranha, então… resolvemos dar um fim nisso, uma armadilha… que seria posta em prática ainda hoje.
Alevantei da minha cama, me lavei e vesti algo simples, uma camiseta cinza e calça jeans. Despenteei os capelos e desci.
Encontrei Kelly e Tomas na cozinha, tomando café. Sentei-me na bancada com eles.
− Como vai? – Perguntou minha cunhada.
− Até que bem… e vocês?
− Aham… Vou levar Kelly para no Dr. Drew – Tomas que respondeu − e depois vamos ao cinema com a Ket, quer ir também?
− Tenho outros planos… Levar ela no médico? O que ouve?
Os dois se olharam e sorriram um para o outro, Tomas pegou na mão de sua esposa num gesto amoroso. Eles realmente se amam… Muito mais forte que o meu amor pela Amanda? Será?
− Estou esperando um bebê. – Disse Kelly. – Soubemos quando você ainda estava em coma, iriamos contar assim que saísse do hospital.
− Nossa… Meus parabéns! – Fiquei feliz por eles, vou ter mais um sobrinho, talvez um garoto dessa vez.
− Mas… teremos que nos mudar. O apartamento é grande e vocês como companhia seria ótimo, mas…
− Acho que esteja na hora da mamãe se casar de novo. – Completou Tomas – Mas comigo aqui vai ser impossível, eu não deveria te contar mas, acho que a mamãe vai demorar para faze-lo… − Ele chegou mais perto e sussurrou – A mãe tá namorando.
Muita coisa mudou desde que eu sai, umas famílias aumentando, aliens descendo para a terra.
− É muita novidade… tem mais? Não quero ser pego de surpresa.
− Quer apenas as boas ou as ruins também?
− As duas, é claro.
− Começo por quais?
− Desde que comece. – Paciência já tá se esgotando aqui!
− A Luli vai viajar para um campeonato de talentos, o teu sogro vai casar, a Amanda – não sei se ela te contou – vai vir morar conosco…
Me afoguei com o suco, quase cuspindo tido na cara de meu irmão.
− O que? Como assim? Morar aqui?
− Deixa me explicar. – Começou Kelly – É temporário, enquanto eles viajam para a lua de mel. Vai ser durante um mês e pouco, além do mais o cara que a mamãe está namorando é parente dela!
− Por parte de pai?
− Não. De mãe, é um tio dela, ou seria primo o certo?
− Na verdade – Disse Tomas – É filho de um primo do pai da mãe da Amanda… tecnicamente são primos.
− Intendi tudo. – Que carinha mais complicado. – Mas achei que ela não tinha parente.
− Foi mamãe quem disse… E ele é muito parecido com a Amanda. Deve ser padrinho.
− A Amanda só tem características da mãe! – Estou cada vez mais confuso.
− Estamos falando na personalidade. – Disse Kelly.
− Pera aí. Vocês chegaram a conhecê-lo?
− Sim Lipe, ele veio aqui jantar. Acho que vocês se darão muito bem. Ele é muito extrovertido, achei ele engraçado. Ele detesta mármore. – Ela riu até se acabar. – Quem é que detesta uma pedra? Ainda mais mármore?
A Amanda. E pode ser que esse cara seja o pai dela.
− Me diz uma coisa. – Encaro-a nos olhos. – Ele gosta de chocolate?
− Adora – Tomas respondeu… − Tanto que a noite peguei ele no flagra comendo.
É. Com certeza é o pai dela.
Chego à casa do Rick. O espaço é aconchegante e bonito. Decorado com vermelho, creme e verde claro.
− Oi Lipe, entra ai.
Ele estava com uma péssima aparência. Seus cabelos ruivos estavam oleosos e espantados, tinha olheiras, e ainda vestia pijama.
− O que ouve cara? Eu sofri o acidente e você está acabado?
− Estudando, estudando e estudando. Medicina não é fácil cara.
− Pois é. Cadê ela?
− Logo vai chegar. Então… vamos mesmo tentar matar a garota? Você quer ir para a cadeia de vez? Foi encoberto da ultima, mas um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Sem falar que eu não arranjaria mais emprego algum! Lipe…
− Não vamos mata-la. Vamos apenas fazer um pequeno corte. E se ela é nossa amiga, nunca nos entregaria.
− Mas ela não pé a Amanda! Tá, também não é um alienígena. Você acha o que? Que vai sair uma gosma verde dela?
− Então o que ela é?
− Um ser humano – Ele passa a mão nos cabelos. – Olha, você anda vendo filmes de mais. Que tal sairmos com ela, o dia todo. Entramos na água, fiquemos tempo demais no sol. Tudo isso. Jogamos até uns alhos se te agradar. Mas sem cortes.
− Se ela é humana, é uma gêmea dela? Um clone feito em laboratório? Acho que ela é um ser diferente de nós.
Ele ri e faz um gesto negativo com a cabeça.
− Por isso os diferentes elementos. Ok?
− Posso machuca-la fingindo ser sem querer?
− Não…
A campainha toca, ela chegou. E lá vamos nós passar o dia com uma estranha.
O dia ocorreu perfeitamente normal, a não ser pelo fato de que ela não agiu um minuto se quer como a Amanda. Ela comeu a mesma comida que nós, entrou na água, até machuquei ela – é claro que Rick me deu um tapa por isso – fingindo ser acidente. Mas no final das contas tudo indica que ela é humana.
Amanda senta no sofá da sala, cansada, quase dormindo. Tudo reações humanas.
− Fofa… − Ela se vira na direção do Rick. – Que tal dormir aqui hoje? Pode ser?
− Claro… Aonde eu durmo?
− Ali mesmo. – Rick corre buscar cobertas e um travesseiro. – Nós dois iremos dormir no quarto ok? Para você não pensar que iremos te violar.
− Claro! – Ela parece visivelmente aliviada.
Vou junto no quarto do Rick. Ele ponha um colchão no chão.
− Por que ela não dorme no quarto da Luli, se ela está fora?
− Luli disse que não queria um alienígena no seu quarto. – Ele ri – Ela também percebeu que a Amanda está diferente e entrou na tua vibe. Mas está provado que ela é humana ok?
− Ok. Você venceu. Mas e se…
− Lipe! Chega. Vai buscar um jarro d’agua pra mim. Eu moro de sede à noite.
− Por que eu?
− Você é hospede.
Mostro a língua para ele. Saio e vou para a cozinha pego o jarro. Decido ver a Amanda. Talvez ela não durma e esteva apenas fingindo. Ah cara! Eu dou muito infantil. Não existem essas coisas. Eles apenas a mudaram. Talvez ela esteja sofrendo. Sendo torturada e tenha um grampo em sua pele, de modo que não possa tira-lo. E se abrir a boca morre. Mas quero lhe dar um beijo. Penso até em seus gostos modificados, mas quem não muda nunca?
Me aproximo, ponho a jarra de lado. Ela está dormindo, nem se mexe. Dou um beijo em sua testa. Mas reparo que há algo brilhando. Ela pôs algo carregar na tomada. O celular eu acho. Puf. Que abusada, gastando energia doa outros.
Fico em pé e pego a jarra, mas ao toca-la noto que o celular dela esta ao lado. O que, então, ela pôs carregar? Só pode ter sido ela, pois o fio entra embaixo das cobertas. Minha curiosidade é tão grande que não resisto e a descubro para ver.
Ela está com roupa, mas sua blusa está erguida, o cabo entra abaixo dela. Nas costas.
Viro-a e tomo um susto. Eu estava certo e errado. Ela não é um alienígena. É um robô.
O fio está conectado nela, há uma parte da pele erguida, mostrando como é uma maquina perfeita. Mas como explica o sangue? E o fato de ela comer? Entrar na agua?
Mas o que importa é que ela não é a Amanda, ela á falsa.
Não penso duas vezes. Corro chamar Rick.
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