Double Date
1 Double Date
Notas iniciais
“Bem, você tem que entrar, e nós já estamos aqui.” Maura respondeu.
Não era nenhum segredo que Barry Frost tinha uma queda pela Detetive Jane Rizzoli. Desde o primeiro dia no Departamento de Polícia de Boston, todos sabiam disso. E depois de meses, ele finalmente tomou coragem para convidá-la para um encontro. Quando ele perguntou, Jane ficou completamente chocada, mas ainda conseguiu dizer que pensaria sobre o assunto, e assim que Frost saiu de perto, ela havia corrido para o necrotério para falar com Maura.
“O que eu faço?” Ela havia perguntado, surtando completamente.
“O que aconteceu?” Maura havia respondido.
“Ele… Eu… O que eu faço?!”
“Jane, se você não me disser direito o que está acontecendo, eu não consigo adivinhar qual é o problema.”
“Frost. Ele me convidou para um encontro.”
“Bem, que fofo.”
“Fofo? Maura, olha para mim. Ele é uma criança. Acabou de chegar aqui. Ele é como se fosse um irmão mais novo. O que eu faço?”
“Eu não sei, Jane, como poderia saber?”
“Você não é o gênio por aqui?”
“Acho que sim.”
“Então me diz, o que eu faço?”
“Aceita?”
“Quê? Não, Maura, eu nunca aceitaria se não... Espera aí,” Jane havia pausado ao ter uma ideia, e olhando para Maura, que tinha uma expressão confusa em seu rosto, ela continuou, “Eu sei o que fazer!”
“Qual o veredito?”
“Um encontro duplo. No sábado.”
“Um encontro duplo?”
“´É, sabe, duas mulheres, dois homens, um encontro…”
“Na verdade, não sei, mas eu acho que entendi o conceito principal.”
“Você vai comigo.”
“Quê? Jane, não!”
“Vamos, Maur!”
“Não.”
“Por quê?” Jane havia reclamado.
“Porque... Eu já tenho outros planos.” Maura havia mentido.
“Urticária, Maura.” Jane havia dito quando percebeu as erupções que involuntariamente apareceram no pescoço de Maura.
Naquele momento, Maura havia soltado um suspiro frustrado e dito, “Tudo bem. Mas quem é meu par?”
“Sei lá... Talvez… Frankie!”
“Quê? Frankie, o seu irmão, o Frankie?”
“É!”
“Mas Jane, eu não gosto do Frankie. Quer dizer, eu não sinto nada por ele.”
“Nem eu sinto nada pelo Frost! Vamos, Maura, você só tem que fingir, e o Frankie vai estar fingindo também, então por favor?” E com isso, Maura ficou completamente convencida.
E agora, lá estavam elas, paradas em frente do restaurante, Maura tentando convencer Jane a entrar.
“Mas Maura…” Jane tentou mais uma vez.
“Jane Clementine Rizzoli,” ela começou, e arrepios correram imediatamente pela espinha de Jane. Normalmente, ela ficava brava e incomodada quando alguém a chamava pelo seu nome completo, mas tinha alguma coisa no jeito que o nome dela saía dos lábios de Maura que a faziam querer ouvi-lo de novo e de novo.
Jane foi tirada de seu transe quando Maura continuou, “Foi você que me fez vir aqui em primeiro lugar, você me deixou toda animada para o meu primeiro encontro duplo, e você vai entrar nesse restaurante.”
Com isso, Maura segurou o braço de Jane, puxando-a para dentro. Enquanto elas andavam para a mesa onde Frost e Frankie já estavam sentados, a mão de Maura deslizou para segurar a de Jane, e tudo em que elas conseguiam pensar era na eletricidade que estava vindo daquele toque.
Elas se sentaram uma ao lado da outra, com seus respectivos pares na frente delas. Alguma coisa na presença de Maura ali com ela que deixava Jane incrivelmente mais confortável do que estaria se estivesse lá sozinha.
Todos eles começaram a conversar e, para a surpresa de Jane, ela estava se divertindo. Conforme a noite foi se desenrolando, Frost percebeu que ela não sentia nada por ele, e mesmo que ele não tivesse dito nada, Jane sabia que ele havia notado, já que não conseguiu esconder como estava desapontado.
Em situações normais, a reação de Frost seria uma coisa que incomodaria Jane. Ela não gostava de partir o coração de ninguém. Mas naquela noite, ela tinha Maura com ela. Sua melhor amiga Maura. Sua genial Maura. Sua Maura.
Jane conseguia sentir o calor que radiava do corpo da loira, e conforme o tempo ia passando, cada vez mais ela se perdia no perfume que ela exalava de Maura ao seu lado. Ela olhou para Maura e seus olhos se fixaram no rosto dela. Nos lábios dela. E pela prieira vez desde que ela havia decidido que elas tinham que ser apenas amigas, ela mal conseguia se controlar. Ela queria beijar Maura. Ela queria poder amar Maura com todo o seu coração. Ela queria Maura só para ela.
Era difícil para Jane entender esse sentimento. Ela sempre havia namorado homens, e nunca pensou que fosse amar uma mulher. Pelo menos não do jeito que amava Maura. E ela lutou contra esse sentimento. Ela lutou com toda a força que tinha em seu corpo, e estava ganhando essa batalha. Até aquela noite. Aquele momento em que Maura estava arrumada, sentada ao lado dela, extremamente linda e completamente perdida na conversa que acontecia na mesa. Até aquele momento em que os olhos de Jane colaram nos lábios de Maura, e ela queria beijá-los.
Ela foi tirada de seus sonhos quando o telefone de Frost tocou. Ela estava de plantão, e havia ocorrido um assassinato. Jane estava de folga, então não teria que se juntar a ele. Pedindo desculpas, Frost se levantou e chamou Frankie para ir com ele, e Maura e Jane foram deixadas a sós.
“Então aqui estamos nós de novo, hein?” Maura perguntou.
“Sim… Nós sempre acabamos assim. Bebendo. Só nós.” Jane respondeu e tomou um gole de sua cerveja. Maura riu e também bebeu um pouco de sua taça de vinho.
Elas continuaram conversando até que Maura disse, “É... Jane, eu deveria ir embora, está ficando tarde e eu tenho que alimentar o Bass.”
“Tudo bem, eu tenho que ir também. O dia começa cedo amanhã.” Ela sorriu.
Quando elas se levantaram, as chaves de Maura caíram no chão, e as duas mulheres se ajoelharam para pegá-las. Jane as alcançou primeiro, e segurando-as em frente ao rosto de Maura, ela provocou, “Parece que eu sou mais rápida.”
Maura pegou as chaves da mão de Jane e ficou encarando-a, enquanto os olhos da morena olhavam diretamente para seus lábios. Ela sorriu levemente e isso pareceu tirar Jane de seu transe.
“Olá,” Maura disse quase inaudível.
“Oi,” Jane respondeu.
E sem aviso, Jane uniu seus lábios aos de Maura. Por alguns segundos, ela se sentiu como se pudesse tocar as estelas. Ela se sentiu como se pudesse fazer qualquer coisa. Ela se sentiu leve, e se sentiu aliviada. Mas o entendimento do que seus atos significavam a atingiu tão rapidamente quanto seus lábios encontraram o caminho para os de Maura, e ela interrompeu o beijo.
Ela se levantou rapidamente e começou a andar em direção à saída do restaurante, mas Maura a seguiu.
Quando a loira a alcançou, Jane parecia confusa e envergonhada, olhando para o chão dizendo, “Desculpa, eu sinto muito, Maur, eu não sei o que deu em mim, eu-“
Maura então colocou seu indicador sobre os lábios de Jane, que parou de falar. E antes que Jane pudesse notar, ela sentiu os lábios de Maura sobre os dela mais uma vez. Agora, levemente. Como se fosse apenas o vento, atingindo seu rosto. Apenas um toque.
Quando elas se separaram, Maura olhou para Jane como se estivesse pedindo permissão. Jane abriu seus olhos lentamente, e acenou afirmativamente com a cabeça, sem pensar duas vezes quando viu o rosto de Maura.
Dessa vez, a loira segurou o rosto da morena com as duas mãos quando sua boca encontrou o caminho para a de Jane novamente. Os braços da morena rapidamente se ocuparam em segurar a cintura de Maura, conforme ela sentiu a loira mordiscando seu lábio inferior, pedindo para entrar. Jane separou seus lábios lentamente, encontrando como resposta a língua faminta de Maura explorando cada centímetro de sua boca.
As mãos de Jane subiram para acariciar os cabelos da loira enquanto as línguas das duas lutavam pelo domínio do beijo. Dessa vez, ela não se sentiu como se pudesse tocar as estrelas. Ela sentiu muito mais. Ela se sentiu como se quando Maura a havia beijado, todos os segredos do universo tivessem sido revelados para ela. Ela se sentiu como se aquele beijo pudesse durar para sempre. Ela se sentiu como se pudesse morrer naquele momento, e ela morreria feliz. Porque agora, ela era amada.
Elas se separaram quando se tornou impossível respirar. As mãos de Jane ainda perdidas nos cabelos de Maura, as da loira ainda segurando o rosto da morena, as testas delas ainda se tocando.
Sem conseguir respirar, Maura sussurrou, “Não peça desculpas. Está tudo bem.”
Jane sorriu e respondeu, também sussurrando, “Que bom que está.”
Maura soltou o rosto de Jane e deu um passo para trás, para olhar as feições de Jane. Ela não conseguia parar de sorrir. As mãos de Jane deslizaram pelos braços de Maura e pararam em suas mãos, trazendo a loira com ela quando começou a andar de volta para o carro.
“Sabe de uma coisa?” Jane perguntou, e quando Maura olhou para ela, continuou, “Esse foi o melhor encontro duplo da história.”
Maura sorriu e fez Jane parar, para que ela pudesse beijá-la novamente, de leve. Um beijo que representava muito mais do que elas poderiam imaginar. Um beijo que representava a promessa de sempre estarem lá uma para a outra. Um beijo que representava esperança. Um beijo que representava amor.
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