Minha visão estava turva e escura, tudo o que conseguia fazer era correr, correr incansavelmente pelas ruas esburacadas, com lágrimas cruéis que insistiam em cair mas que se tornavam completamente nulas pelas gotas de chuva. Minhas mãos e minhas roupas estavam manchadas de sangue. Por que? Por que acreditei aquela mulher? Pensar que ela teria as respostas para minhas perguntas. Por que não dei ouvidos aquele garoto? Este que só queria me ajudar. Fui uma idiota, agia como uma idiota e agora estou fugindo das consequências dos meus atos.

Em questão de segundos minhas lamentações foram interrompidas quando me vi caida no chão. Sentei-me e olhei à minha volta, a chuva estava mais fraca e não fazia ideia de que lugar era aquele. A rua permanecia em silêncio, ouvia-se somente os pingos de água de encontro com o chão, encostei-me no muro de uma casa, encolhida tentava limpar as lágrimas que desciam livremente pelo meu rosto. Suspirei fechando os olhos tentando processar tudo aquilo que tinha acontecido, voltando ao começo de toda aquela história, foi tudo tão rápido, só queria entender...por que comigo?

***

Era meu primeiro dia de aula, não queria ir para a escola, mas Cinthia, dona do orfanato em que vivia, insistiu que eu fosse e não pude recusar, ela dava muito duro para cuidar de mim e eu a respeitava muito, era como uma segunda mãe. Enquanto penteava minhas curtas e levemente bagunçadas mechas de cabelo branco, pensava de onde vinha aquela minha aparência tão peculiar, afinal, até onde minha memória me levava, minha mãe tinha cabelos longos e louros com os olhos cor de mel e meu pai tinha as mechas negras como a noite e os olhos de um castanho muito escuro que entravam em harmonia com a tonalidade da pele morena, quanto a mim, era branca, inteiramente branca, o cabelo, os olhos e a pele, era estranho, mas resolvi aceitar apesar das perguntas que provavelmente nunca teriam respostas.

Chegando na escola, passei pela entrada ignorando todos os olhares e cochichos, entrei na sala e arrumei meus materiais. Fiquei alguns segundos pensando em nada até que uma garota me chamou, era muito bonita, tinha os cabelos longos e loiros com algumas mechas escuras, com os olhos verdes e vívidos e a boca pequena e frágil destacada pelo forte batom vermelho. Ela me deu as boas vindas, foi a única, seu nome era Diane e a mesma parecia ser muito legal e foi muito gentil comigo, mas ainda não sabia se podia confiar nela, as pessoas costumavam me enganar muito facilmente. Quando bateu o sinal todos os alunos sairam correndo da sala. No momento em que fui sair, senti alguém segurar o meu braço, olhei para trás assustada, era um garoto, e me encarava como se estivesse analisando cada canto do meu rosto. Incomodada com o olhar curioso, puxei meu braço com força, fazendo-o soltar.

— Perdeu alguma coisa no meu rosto por acaso?

Ele sorriu de canto. — Não precisa ficar nervosa docinho, só queria ver como era de perto o rosto da novata. — Ele sorriu levantando meu queixo com a ponta dos dedos, era como se estivesse debochando de mim mas ao mesmo tempo, seu olhar parecia sério e misterioso.

— Bom, agora já sabe. — Disse afastando sua mão e me virando em direção à porta.

— Espera! — Ele tocou no meu ombro, fazendo com que me virasse irritada. — E-eu...- Parecia que estava tentando encontrar as palavras certas para falar, mas eu não estava com paciência para esperar.

— Se não quer nada, deixe-me ir! — O empurrei para o lado e sai irritada para o refeitório.

Peguei meu lanche e sentei-me ao lado de Diane, ela me disse que, de todas as pessoas que conhecera, eu era única que ela havia realmente gostado, e aquele comentário me deixou muito feliz.

— Então...por demorou para sair da sala?

— Ah, isso...um garoto idiota resolveu me barrar na sala.

— Quem era? — Ela me encarou curiosa.

— Eu sei lá, era alto, cabelo preto, olhos azuis...

— Dylan? Já era de se esperar. — Ela riu.

— Esse é o nome dele? Bom saber...

***

Graças a ela eu tive ânimo para ir para a escola, no entanto, comecei a escutar todas as noites vozes que me diziam sempre a mesma frase: "Os fios de seda dourados e as palavras de um falso sorriso, são a máscara de um destino cruel". Mas eu só ignorava, pra mim aquilo tudo era fruto da minha mente. Mas foi naquele dia que eu descobri o pior. Era quarta-feira e Diane não havia ido à escola, me senti sozinha novamente, sem ela nada era divertido. Querendo um pouco de paz, fui até o pátio e me sentei embaixo de uma árvore. Fiquei um tempo pensando até sentir a presença de outra pessoa, e esta acabou se sentando do meu lado.

— O que você quer?

— Oi pra você também. — Ele sorriu.

— Dylan, eu não tô afim de papo...

Seus sorriso se desfez. — Maia... — Eu olhei para ele. — Eu preciso conversar sério com você.

— Sobre...?

— Sobre Diane...sua "amiga"...pode parecer loucura mas, não confie nela e, seja o que for, jamais tire o seu colar...

— Você tem noção do que está falando?

— Tenho. — Ele parecia incrivelmente sério.

— E por que confiaria em você...?

— Porque, caso contrário, você vai se arrepender da escolha quando for tarde demais.

— Ma-

— Hasta la vista. — E, após se levantar, saiu acenando de costas.

Passei o resto do dia pensando em suas palavras, aposto que era mais uma de suas brincadeiras estúpidas. No final das aulas recebi uma ligação, era Diane, atendi imediatamente.

— Maia, você não vai acreditar! Eu falei sobre você para minha mãe e ela disse que conhecia os seus pais! Conhecidência, não? — Parecia animada do outro lado da linha. — Me espere aí! — E desligou o telefone antes que pudesse responder.

Estava na portaria esperando Diane pra seja lá o que for quando um vi um carro estacionar-se diante de mim. A janela do banco de trás se abriu lentamente e ela estava lá, acenando animada para mim, abriu a porta do carro e bateu uma das mãos no banco sinalizando para que eu entrasse. Com receio, e um pouco de medo, sentei-me do seu lado fechando a porta.

— Então, você deve ser a pequena Maia, suponho...? — A mulher que estava no banco da frente se virou para mim.

Chegava a ser tão bonita quanto a filha, seus cabelos era loiros e brilhantes e seus olhos eram azuis faíscantes e sedutores destacados pelo delineador, os lábios perfeitamente desenhados e sensuais com o batom vermelho dando ênfase, assim ficava tão bonito nela quanto em Diane. Eu não à respondi e ela riu. — Não precisa ficar nervosa, pequena... — Ela passou seus dedos finos e delicados sob as maçãs do meu rosto. — Sabe...você tem os olhos da sua mãe, pequenos e expressivos...encantadores.

— Mi-minha mãe?! Você realmente conhecia ela?!

— Não só conhecia, como éramos amigas... — Ela suspirou. — Mas depois que ela e seu pai desapareceram...nunca mais soube nada sobre eles, para ser sincera, pensei até mesmo que tivessem levado você também...mas pelo visto não. — Ela pareceu satisfeita e aliviada.

— Mas...a senhora não sabe onde eles estão?

— Bom, talvez eu saiba, mas preciso da sua ajuda para encontrá-los querida...me ajude e ajudarei você também...

— Tudo o que precisar! — Segurei em sua mãos com força. — Só, por favor, me ajude a encontrá-los...

Ela sorriu tocando em meu colar. — Ótimo, eu só preciso disso... — Ela segurou a pequena pedrinha de diamante que estava presa na correntinha.

— Eu...eu não posso...senhora...foi minha mãe quem me deu...

— E é exatamente por isso que preciso dele, o colar antes era dela, talvez tenha alguma pista que possa me ajudar a encontrá-la...agora, vamos logo, me entregue.

Fitei-a enquanto segurava o colar, logo as palavras de Dylan começaram a martelar em minha cabeça, "não confie nela" "jamais tire o seu colar..." . — Sinto muito, eu não posso, quero muito mesmo ver meus pais denovo, mas de outro jeito...por favor...

Sua expressão mudou instantâneamente logo formando uma cara assustadora, como se derrepente a ovelha se revelasse o lobo. — Você não vai me dar o colar...? — Balancei a cabeça negativamente, recuando para trás. — Pois bem, Diane meu amor, faça as honras... — E, antes que pudesse alçancar a maçaneta da porta, Diane avançou contra mim me fazendo bater a cabeça com força, derrepente meus olhos começaram a se fechar e logo tudo se tornou preto.

***

Senti minha consciência voltar aos poucos, abri meus olhos lentamente com a visão ainda meio embaçada, tentei levantar o braço mas não consegui, olhei para baixo com (muita) dificuldade e vi que estava com os braços, pernas, cintura e pescoço presos em um tipo de maca posta de pé. Comecei a me debater tentando sair, mas isso só me machucava mais ainda. Com a respiração descontrolada, rolei meus olhos por toda a extensão do lugar que me era possível de olhar, parecia um laboratório, dos lados tinham algumas máquinas, a maioria de testes de D.N.A, na minha frente havia uma grande mesa cheia de agulhas, lâminas, seringas, um caderno de anotações e alguns lápis espalhados, a sala era escura, sendo iluminada somente pela pequena lâmpada que soltava um fraco feixe de luz branca acima da minha cabeça.

— Olha só, parece que alguém finalmente acordou... — A mulher passou do meu lado e parou diante de mim. — E então, está confortável?

Não respondi, apenas continuei encarando-a, estava com raiva, muita raiva. Ela sorriu — Ah e...obrigada por emprestar seu precioso pingente, essa coisa atrapalhava todos os meus planos. — Ela o jogou no chão e pisou em cima quebrando-o com facilidade, uma luz fraca emanou daquele mesmo ponto logo depois se apagando. Fuzilei ela com o olhar, aquele colar era a única lembrança que me restava dos meus pais. As lágrimas começaram a descer pelo meu rosto, cerrei meus punhos mordendo o lábio inferior com força sentindo o gosto metálico começar a escorrer. Ouvi mais passos se aproximarem, Diane passou por mim acompanhada de dois homens de terno, ambos ficaram ao lado da mulher, a garota estava entre eles e me encarava com o olhar triste enquanto os homens permaneciam estáticos.

— Vocês três, preparem as coisas, vamos fazer alguns experimentos nessa minha magnífica criação. — Seus olhos ofuscaram, como chamas azuis e poderosas. — Ah querida, você deve estar tão confusa...mas não se preocupe, logo suas respotas serão respondidas. — Ela riu assustadoramente, clicando eu um botão e derrepente senti um dos meus braços serem libertos, ela o segurou com força. — Hum...por precaução...vou fazer isso...vai doer um pouco querida... — E com uma de suas lâminas ela perfurou minha pele, o líquido vermelho começou a escorrer, então pegou um pequeno pote de exames e colocou o sangue nele. — Isso pode ser útil...

— Seu monstro! — Ela segurou meu braço com mais força fazendo mais do meu sangue escorrer enquanto olhava ameaçadoramente para mim.

— Como descobriu tão rápido? — Seu sorriso irônico fazia minha raiva aumentar mais ainda.

Estava sentindo um ódio que nunca havia sentido antes, era como se estivesse fora de mim. Uni todas as minhas forças, respirei fundo olhando para ela e logo depois quebrando as travas que prendiam meus braços e pernas. — Eu vou te matar... — Com as mãos, segurei a trava do pescoço e o quebrei fazendo o mesmo na cintura, caindo no chão logo em seguida.

— Ah...meu... — Ela sorria de ponta a ponta. — Está funcionando mesmo... — Chamas azuis surgiram nas suas mãos, ela me pegou pelo pescoço apertando com força enquanto ria descontrolada. — Isso meu bem, fiquei com raiva, sinta raiva, faça seu sangue ferver! Ah, é como uma colírio para os olhos!

— Você...é louca... — Dizia com dificuldade tentando respirar sem sucesso.

Ela me jogou com força no chão, Diane e os dois homens se aproximaram, ela estava com um capacete em mãos, como aqueles de videogame.

— Misturar magia com a tecnologia dos humanos pode ser perigoso mas é perfeito para a nossa ocasião. — Ela andou até Diane. — Você é a minha "humana" perfeita...é claro que seria melhor se a outra criança estivesse aqui, mas você já é suficientemente útil para mim... — Ela pegou o capacete e se aproximou de mim.

— Eu não tenho ideia do que está falando, mas não se aproxime, não toque em mim... — Recuei um pouco para trás, peguei discretamente uma agulha que estava na mesa e quando ela estava próxima, perfurei seu braço. Ela gritou de dor, os homens tentaram me pegar, mas com uma rapidez de outro mundo consegui desviar dos seus ataques e sair. Para impedir que eles me alcançassem, quebrei as paredes com força usando socos e chutes incrivelmente fortes, não sabia de onde havia vindo toda aquela força mas não tinha tempo para pensar, só agir. Do outro lado tinha uma grande sala de recepção, no final do corredor tinham duas portas de vidro, tentei ir até lá mas senti alguém segurar minhas pernas na hora em que fui correr me fazendo cair no chão. Senti meu sangue ferver, me virei bruscamente chutando o rosto da pessoa, que era Diane, ela foi para longe de encontro com a parede, me levantei mas não conseguia sair do lugar.

— O que...?

— Feitiço de paralisia. — Ela sorriu triste. — Sinto muito Maia, eu não queria te machucar, mas se não o fizer, eu é que vou acabar sofrendo...

— Eu vou matar você e a sua mãe! Sua traidora duas caras! — Rugi de raiva tentando fazer meus pés se mexerem.

— Sinto muito. — Ela se levantou com dificuldade, no seu rosto desciam lágrimas enquanto sorria. — Sinto muito...amiga... — Ela pegou uma adaga do bolso, suas mãos queimaram e as chamas envolveram a adaga fazendo uma luz forte se expandir pelo lugar por um milésimo de segundo e logo depois voltar para o objeto em suas mãos. — Isso vai doer um pouco...mas prometo que vai passar logo. — Ela se aproximou de mim mancando, apontou a faca reluzente na direção do meu crânio.

Cerrei os punhos levantando o braço, e, num piscar de olhos, ela ja estava do outro lado da sala novamente, eu usei toda a minha força e raiva fundidas em um só golpe. Os homens que antes estavam no laboratório se aproximaram de mim e me seguraram com força.

— Senhora Natasha, pegamos ela! — Um deles gritou.

— Me soltem seus cretinos! — Mordi o braço de um deles com força fazendo sangrar, o homem gemeu de dor dando um soco no meu rosto, cuspi o sangue no chão tentando me livrar do gosto horrível e metálico.

A mulher apareceu, consegui vê-la passando pelos escombros das paredes, estava assustadora, seus olhos pareciam fogo, seu cabelo estava maior e com uma coloração forte, no lugar das unhas haviam garras enormes e ela sorria para mim. — Pare de insistir tanto querida... — Ela segurou meu rosto com força arranhando num local perto dos olhos. — Eu vou cuidar muito bem de você... — Ela apontou uma de suas garras para o meu peito.

— Vai me matar...?

— Não, claro que não, só vou deixá-la desacordada por um tempo, assim vou poder fazer meu plano dar certo sem que você me dê trabalho... — Ela começou a penetrar a garra em mim, fechei os olhos com força.

Uma barulho forte de explosão ecoou pelo lugar, abri os olhos e uma bala acertou em cheio a testa da mulher fazendo-a cair desacordada no chão e logo depois acertou os dois homens, ouvi algo que parecia ser uma moto, olhei para trás com dificuldade e vi Dylan descer e se aproximar de mim.

— Eu falei pra você não confiar nela, por que tinha que ser tão teimosa? — Se aproximou da mulher, que já estava com os olhos abertos novamente, apontando a arma para sua testa. — Me reconhece? Não, mas é claro que não, nunca me viu...eu sou uma das crianças que você tanto procura. — Ele sorriu e atirou, mas ela conseguiu desviar se pondo de pé rapidamente. Com as mãos, conseguiu fazer um vaso de planta pairar sobre o ar e logo depois ser lançado sobre Dylan, que cambaleou para trás.

— Foi bem mais fácil te encontrar do que eu imaginei...- Ela sorriu e se virou para mim, desfez o feitiço que prendia meus pés me pegando no colo. — Vou levar você e depois eu cuido dele.

— NÃO!! — Me soltei dela jogando-a no chão, comecei a chutar seu rosto. — ME DEIXA EM PAZ SEU MONSTRO!!

— Não machuque ela... — Diane finalmente acordou, se levantando e andando até mim. — Ela é minha mãe...

— ELA TEM QUE MORRER! — Chutei a barriga da mulher que cuspiu sangue, me virei para Diane. — Vocês estão acabando comigo... — Comecei a chorar. — Quase me mataram... — Segurei o braço dela fazendo-a soltar a tal adaga, peguei e finquei no seu peito, um feixe de luz azul atravessou seu corpo junto com o sangue que acabou sendo espirrado em mim. — Só estou fazendo vocês pagarem na mesma moeda... — Soltei a adaga ensanguentada junto com o corpo inanimado da garota. Olhei para minhas mãos que estavam sujas de sangue. — O que eu fiz...? — As lágrimas desciam ainda mais. — Por favor, que isso seja um pesadelo... — Olhei para Natasha e ela já estava melhor, tentando quase que inutilmente levantar-se do chão. Olhei para Dylan que ainda estava caído no chão. — Sinto muito, amigo. — Respirei fundo e sai correndo do lugar, lá fora estava chovendo, mas eu só queria sair dali o mais rápido possível.

***

E agora aqui estou eu, sentada no chão, toda molhada e chorando, tem como ficar pior? Deitei a cabeça nos joelhos, estava sozinha, abandonada. Pelo menos era isso que pensava até ouvir o som do motor de uma moto, ergui a cabeça para cima e vi Dylan olhando para mim preocupado, ele desceu da moto e se aproximou de mim.

— Você está bem?

— Dy-Dylan? — Limpei minhas lágrimas. — Você...como...ela te machucou?

— Não eu...eu consegui despistar ela... — Ele sorriu.

— Dylan...me desculpa... — Abracei ele com força. — Eu fui fraca e te deixei para trás...

— Ei, calminha...tudo bem...eu estou bem... — Ele retribuiu o abraço. — Não foi sua culpa... — Ele me segurou com força e me levantou. — Vamos embora daqui, vou te levar para um lugar mais seguro. — Disse me colocando na garupa da moto e se sentando na minha frente. — Acho melhor se segurar.

— O-ok... — Corei discretamente segurando firme na sua cintura.

***

Finalmente chegamos no nosso destino, era um apartamento simples, a cozinha ficava perto da entrada, tinha uma cama com uma televisão de frente para a mesma e um armário do lado, o banheiro ficava em uma porta ao fundo, a janela se encontrava ao lado da porta e tinha alguns quadros desconhecidos nas paredes.

— Bom, esse é o meu apartamento... — Ele entrou e eu o segui. — Sinta-se à vontade, mi casa és su casa.

— Ok.- Ri baixinho. — Ahn...Dylan, você se importaria se eu fosse tomar um banho? E...pegasse alguma roupa emprestada? Eu estou toda suja de... — Olhei para as machas de sangue. — Bem...

— Tudo bem. — Ele pegou uma camisa, um short e uma toalha. — Essas são as menores que tenho, espero que sirva...

— Eu também. — Ri entrando no banheiro.

Depois de tomar banho, me troquei colocando sua camisa, ela ficou grande em mim, parecia mais uma camisola do que uma camisa, mas não me importei, coloquei o short que ficou um pouco largo mas que serviu quase perfeitamente em mim. Sai do banheiro e vi ele sentado em uma cadeira, estava enfaixando a mão.

Sentei-me na cama o observando. — O que houve?. Ele me encarou desviando o olhar em seguida meio corado, fiquei meio confusa com a reação. — Ah, isso...bom eu estou cuidando de alguns machucados, nada muito grave... — Ele sorriu. — Acho melhor você se deitar.

Assenti com a cabeça e me deitei. — Dylan... — Ele olhou para mim. — O que ela queria comigo? A mulher disse para mim que eu era a criação dela...

Ele soltou um longo suspiro. — É complicado...mas vou tentar te explicar...bom, seus pais junto com os meus, faziam parte de um grupo de feiticeiros e humanos, essa associação tinha como objetivo criar uma nova raça humana, eles diziam que seria "a mais perfeita harmonia entre o bem e o mal". Para tornar esse objetivo real, eles usaravhumanos para fazer rituais para invocar anjos e demônios e depois aprisioná-os e roubar de seu sangue, muitas vezes esses rituais custavam a vida dos mortais. Misturando os dois tipo de sangue, eles então tinham que injetar em um corpo, porém não podia ser em qualquer um, tinha que ser uma alma pura e inocente, ou sejam dois pequenos bebês que duas mães carregavam em sua barriga, você e eu. Nossos pais aceitaram, mas logo mudaram de ideia quando viram que os níveis de energia vital estavam passando diretamente dos limites, como se fosse explodir. Os pais imploraram para que aquilo fosse parado, mas Natasha, a líder, não aceitou, então nossos pais fugiram. Meu pai era um feiticeiro, então ele criou dois objetos que travariam todos os nossos poderes. O seu colar e o meu anel. — Ele me mostrou o anel que tinha em um dos dedos. — Eu sei de tudo isso por que mues pais me contaram...

— Mas onde eles estão...?

— Mortos...

— Ah...eu sinto...muito...

— Não sinta. — Ele sorriu fazendo carinho no meu rosto. — E não se preocupe com ela, eu vou te proteger...com a minha vida... — Sorri olhando para ele com as bochechas rosadas.

Ele se sentou novamente na cadeira, voltando a dar atenção aos machucados. Relaxei meus músculos pela primeira vez desde o começo de toda aquela confusão, olhei para Dylan, ele estava concentrado em seus ferimentos, sorri fechando os olhos e sussurrando um "obrigado" antes de finalmente fechar os olhos e adormecer.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!