Notas iniciais
Eu madrugando pra fazer a fic, mas acho que valeu a pena xoxo

O tempo foi se passando, mas nunca deixou de doer, nenhum pouco. Estava morando com o meu, ele era gentis mas não me sentia em casa, fico pensando se um dia poderia me sentir em casa novamente sem minha mãe aqui. Meu tio era um homem legal, esforçado e um pouco tímido. Tinha 37 anos e não havia formado família.

Era noite e eu estava no meu quarto — meu tio adaptou o sótão da casa para mim, colocaram uma cama, já tinha uma escrivaninha, uma janela pequena no teto. Pendurei algumas fotos, colei desenhos que fazia, pendurei uns objetos de decoração, fiz uma pilha com meus livros e me sentia em um lugar agradável, já tinha minha cara. Eu estava prestes a pegar no sono, mas recebi uma ligação. Peguei meu celular com receio já que havia recebido muitas ligações de pessoas tentando me confortar pela morte da minha mãe e cada vez só me fazia lembrar mais dela. No visor vi que era meu melhor amigo Tyler.

Tyler era meu melhor amigo de infância, éramos vizinhos e nossas mãe já eram amigas de longa data, depois da sexta série começamos a estudar no mesmo colégio e nossa amizade só se intensificou. Erámos confidentes, fazíamos tudo juntos. Desde o acidente não nos vimos muito, me mudei para os meus tios e uma atmosfera tensa se criou entre nós. Ty era como um filho para minha mãe e acho que não sabe mais como lidar com toda a situação.

—Yla- o meu apelido variava com o humor dele- Não diz nada... Eu sinto que deveria estar mais presente nesse momento, mas não sei como fazer... Estou com saudades... Depois de tudo que aconteceu. É... Eu tô aqui sabe?

De qualquer maneira era uma ligação para me confortar, mas vindo dele senti que não precisava ser forte:

—Ty, eu quero a minha mãe- comecei a chorar- é a única coisa que eu quero.

—Eu sei disso, mas tenta ficar calma, ainda tem pessoas que te amam, e querem seu bem.

Ele tinha razão, ainda havia essas pessoas e o mundo tinha que continuar, não podia me isolar do resto do mundo.

—Eu só não sei o que fazer, eu queria você aqui, poder desabafar, acho que desde que aconteceu eu não tenho interação com quase ninguém- passei a mão em meu rosto, soluçava de tanto chorar — Eu...

—Posso ir aí? – ele disse num suspiro, parecia triste também.

Meia hora depois a campainha tocou, minutos depois ele estava no meu quarto, eu não me olhei no espelho, mas devia estar com a pior cara do mundo. Eu levantei e o abracei, ele sussurrou em meu ouvido:

—Vai ficar tudo bem- deu uma pausa- com o tempo.

Ele desceu fazer um chá para mim, eu liguei as luzes e passei o dedo em uma boneca, uma boneca que minha mãe me dera, mas agora, parecia que tudo me fazia lembrar ela, cada toque cada detalhe, eu se lembrava de cada dia como se tudo que eu vivi ao seu lado passasse em uma fita, como um filme. Tyler chegou com chá, sentou-se na cama em meu lado e não disse nada, mas ele sabia que apenas a presença dele me fazia ficar bem.

—Eu não sei quando vou voltar a escola- disse por fim- não sei quanto tempo vou demorar pra me recuperar, se eu ao menos pudesse pedir uma opinião a minha mãe, ela saberia o que eu deveria fazer.

Já me disseram muitas vezes que as palavras tem poderes, mas eu não imaginava o quanto, eu havia delirado, eu tinha certeza que sim. Minha mãe havia atravessado a porta do meu quarto, ela parecia um fantasma, mas como se ainda fosse humana com o mesmo brilho, o mesmo sorriso.

—M-m-ãe?!?- gaguejei, coloquei o chá no criado mudo, e fui mais perto,

—Kay? O que você esta fazendo?- perguntou Tyler

—Você não esta vendo minha mãe ela... ela está aqui- eu apontei pra ela

—Kay, você precisa dormir- ele parecia incrédulo

—Ele não me vê e nem me ouve Kayla- ouvir a voz da minha mãe de novo foi acolhedor, mas horripilante- Só você, você enxerga os mortos agora, Yla- ela sorriu

Notas finais
"O de enxergar os mortos." Arrepios?? eu tive uahsuahush