Notas iniciais
Yo!!
Bem, eu ia postar mais cedo, mas o site quis dar problema ^-^
Sem mais, vamos ao capítulo...

Sasuke bateu a porta do quarto mal-humorado. Odiava calor demais, mas também odiava frio demais. E o Canadá era frio, frio demais.

Como se não bastasse, tinha que ficar boa parte do tempo fora de casa, sujando-se na terra feito um porco ou uma criança do jardim. Sempre detestara história.

Por que as coisas não poderiam ser como em biologia, física, química, matemática?... Bom, isso quando estavam cercados pelas paredes da escola, claro, porque também havia as aulas de campo chatas e inúteis.

Perguntava-se quem era a pessoa visivelmente desprovida de qualquer senso que inventara que matérias como sociologia e história teriam algum tipo de participação na construção da vida de alguém.

E o melhor - se sua ironia permitia chamar assim — era ter que ficar numa casa cheia de gente. Dez pessoas, pra ser exato. Como achavam que era possível ou confortável ficar num lugar com dez, dez pessoas?

Multidões. Outra coisa que detestava.

O silêncio que ele tanto gostava e prezava era uma coisa que não existia ali, e seus ouvidos já começavam a ficar seriamente prejudicados. Onde raios estava com a cabeça quando aceitara o convite de Naruto mesmo?

Ouviu alguém batendo a porta. Ótimo. Mais alguém pra incomodar era realmente ótimo. Questionou-se seriamente sobre fingir que não estava ali, mas como as batidinhas leves e delicadas persistiram, resolveu emitir um "O que é?" cheio da boa vontade e disposição pra visitas que tinha no momento.

A porta se abriu, sem que a pessoa dissesse quem era. Mas logo pôpde ver Sakura, com os cabelos ainda molhados, uma calça preta e um casaco roxo que parecia realmente ter vindo de brinde com alguma barbie.

- Um tal de Uchiha Sasuke me disse que talvez eu pudesse passar aqui se quisesse, mas ele está tão mal humorado, que eu acho que vou embora — ela disse, num tom brincalhão infantil.

Ele sorriu, fazendo um gesto para ela se aproximar.

- Do que você está rindo? — ela perguntou.

- Suas roupas de inverno são realmente... Peculiares.

- Ele é lindo, não é? — ela disse, esticando aquele material roxo dos dois lados.

-...É — ele disse, meio duvidoso — Não esperava que você viesse.

- Ora, por que não viria? — ela falou, jogando-se na cama e colocando as duas mãos debaixo da cabeça.

Ele continuou de pé, de braços cruzados — Porque você é a mulher mais teimosa que existe, só por isso.

- Tsc... Sou, é? — ela disse meio debochada e sarcástica, olhando pro teto.

- Exatamente. Só que, mocinha, eu vou ter que tomar o meu banho agora, porque não estou num bom estado, como pode perceber.

Sakura olhou pra ele e meneou a cabeça — Ok, pode ir, eu espero aqui.

Ele sorriu torto, sentando-se na cama, chegando perto dela — Sabe que eu adoro quando você vem com segundas intenções?

- Eu não vim com segundas intenções! — ela apontou o dedo pra ele séria.

- Não mesmo?

- Não mesmo! Até porque a gente vai fazer as coisas com calma dessa vez — ela fechou os olhos.

- Você falando em calma? Conta outra.

- É sério! Eu sou uma pessoa muito paciente, ok?

- Eu bem sei.

- Ainda bem! — ela falou, sorrindo.

- Então 'tá, vou tomar meu banho.

Ele se levantou, mas logo depois foi puxado por ela, que o beijou. Separou-se em seguida, dizendo que esperaria do lado de fora.

....

Tinham aquela manhã de folga, assim como o resto do dia.

Hinata suspirou aliviada por isso. Diferente do que desconfiava que a maioria faria, resolveu não dormir até tarde. Logo que tomou o café da manhã, saiu da casa, ainda não muito acostumada com o muitíssimo bem-vindo céu nublado que sempre se fazia presente.

Podia ver o rio lá embaixo. Parecia um bom lugar pra ficar. Desceu aquele chão inclinado que a levava até lá, distinguindo uma sombra enquanto se aproximava.

Era Shikamaru, ela pôde constatar. Ele falava no celular, mas quando ela chegou mais perto, desligou.

- Temari? — ela perguntou, sentando-se ao lado dele.

- É. Lá dentro não pega muito bem, então achei melhor vir aqui.

Hinata assentiu. Olhou para Shikamaru, que estava com a expressão mais iluminada que o comum. Perguntou-se se tinha sido algo na ligação que o deixara daquele modo.

- A Temari... Está bem? — ela se viu perguntando.

- Sim. Ela está indo pra Nova Iorque.

- Sério?

- Uhum. As universidades entraram em parceiria, algo assim, e ela falou que vai fazer um estágio. Disse que chega no máximo na próxima semana.

- Isso é ótimo!

- É sim — ele riu — só acho que quem não vai gostar muito disso é o Gaara. Temari disse que assim que chegar, vai tirar ele da casa da Sakura e alugar algum apartamento pros dois.

Hinata riu.

- Bom, eu estou voltando. Tchau, Hinata.

- Tchau, Shikamaru — ela fez um aceno com a cabeça.

Olhou aquelas águas tão escuras, e mesmo assim, bonitas. Ela tocaria nelas se não tivesse a certeza de que estavam tão geladas.

Ficou sozinha, contemplando a paisagem e o céu incrivelmente repleto de nunvens por uma meia hora. Era lindo, e às vezes, ela sentia vontade de se mudar permanentemente para o Canadá.

Poderia ficar assim o dia inteiro, se a deixassem, pensou. Em sua cabeça, fazia ritmos que pareciam ser concedidos pela própria natureza, mas toda a harmonia deles foi quebrada por sons de passos nada delicados ou coordenados.

- Hinata! O que faz aqui sozinha? — Naruto se sentava rapidamente no lugar que antes Shikamaru ocupara, com um de seus sorrisos radiantes.

Hinata ficou um pouco surpresa pela proximidade e pela rapidez com que ele chegara até ali.

- Ah.. Sabe como é... Só aproveitando o vento, a paisagem...

- Vento? Está muito frio aqui, não acha?

- Sim — ela riu — mas eu gosto do frio.

- Verdade? Ahh, eu me sinto meio incomodado, sabe? Todas essas roupas, e olha só pras minha mãos!

Hinata riu mais uma vez.

- Sabe do que eu mais gosto em você, Hinata? — ele perguntou, e ela parou a risada, com os olhos arregalados para ele e fortemente corada — Parece que só você entende a genialidade das coisas que eu digo — ela voltou a rir, e ele também. Naruto continou — Mas e então, faz tanto tempo que a gente não se fala direito, como estão as coisas com o seu namorado?

Hinata olhou de um lado para o outro, mexendo as mãos — Ahn? Está t-tudo bem.

- Hm... Não parece. Aconteceu alguma coisa? Pode me falar!

Ela encarou o loiro, que tinha uma ruga na testa e uma sobrancelha arqueada

- É-é que está meio...Anh, mal. Sabe, distância, essas coisas. Acho que não vai mais durar....

- Ah, que pena! Sinto muito.

- Que nada — ela riu, nervosa.

Sentiu-se incomodada. Não, sentiu-se encorajada a fazer o que planejava há muito tempo. Era ruim e cruel, mas necessário. Fechou os olhos. Tomou ar.

- N-Naruto, eu...

Naruto olhou para ela atenciosamente.

- ... Eu...

- Ai estão vocês!

Era a voz de Sai, que chegou perto deles com a respiração ofegante, cansado pela corrida da casa até o rio.

- Ino está chamando pra jogar. Todo mundo vai, só faltam vocês dois.

Naruto sorriu, exclamando algo como "eba", levantando-se energicamente.

Hinata lançou um sorriso tímido, lamentando-se, e ao mesmo tempo aliviada por não ter conseguido falar o que queria para Naruto.

.....

Sasuke estava contente. Ah, sim, estava. Havia ganhado de Sakura no jogo. Por um ponto apenas, mas tinha ganhado. E ela tinha engolido todas as ameaças como "você vai perder feio". No final, ela apenas cruzou os braços, emburrada, e murmurou algo como ele ter somente sorte, só isso, nada mais, e que ela era, obviamente, bem melhor que ele.

Jogou-se na cama e aproveitou sua aparente paz. Que não durou muito tempo. Alguém, alguém muito estúpido, abriu a porta, não, escancarou a porta bruscamente, sem nem mesmo bater. Sim, ele tinha de se lembrar de trancá-la sempre.

- O que você quer, Tenten?

A morena fechou a porta, e trancou-a. Estava séria, e caminhou firmemente até ele. Sentou-se na ponta da cama do primo.

- Tenho uma conversa pendente com você. E não pode mais ser adiada.

Ele levantou uma sobrancelha, entediado — E o que seria, então?

Ela colocou a mão no queixo — Eu me lembro, de alguns meses atrás, um certo Uchiha me dizendo que me explicaria tudo sobre alguns atos estranhos que ele estava tendo. Pois bem, até agora, você não me explicou nada. E não tem mais desculpas, você vai ter que falar agora. Eu já sei que você e a Sakura estão juntos.

Sasuke olhou para Tenten. Só mesmo sua priminha querida para colocá-lo numa situação como aquela. Respirou fundo, contrariado.

- Ok, eu vou explicar cada pequena coisinha. Preste atenção e depois você me deixa em paz, certo? — ele perguntou, como se quisesse firmar um acordo.

- Hm, eu te deixar em paz ou não vai depender do que você disser.

O Uchiha torceu o nariz, ao que Tenten fez um gesto de "vai logo".

- Assim que eu cheguei de Londres, Fugaku me explicou a merda que ele iria fazer. Disse que iria se casar. Com Hitomi Hamasaki, o que já é, por si só, uma tremenda burrice. Mostrou fotos de Hamasaki e de Sakura, e disse, num tom de brincadeira, que eu bem que podia cuidar da Sakura, ou algo assim. Apesar do tom, eu infelizmente o conheço bem o suficiente pra afirmar que aquilo também era uma forma de sugestão. É lógico que eu achei isso absurdamente estúpido, mas vindo do meu pai, não era surpresa. O idiota acha mesmo, até hoje, que Hamsaki tem sentimentos por ele. E o pior é eu, pessoalmente, creio que ele tem por ela.

Sasuke soltou um som de reprovação entre os dentes, e Tenten balançou a cabeça.

- Não mude de assunto, querido — ela advertiu.

Ele a olhou um pouco à contragosto, e continuou — E eu nunca realmente considerei fazer uma coisa tão ridícula, não preciso me submeter a ninguém pra ter o que é meu, porque a Teruya é minha.

- Hm, então por que quis tanto saber da vida da Sakura?

- Primeiramente, esse é um costume meu. Eu gosto de conhecer as coisas antes de vivenciá-las, gosto de saber onde estou pisando. Mas claramente, não foi só isso. Mais que isso, eu queria estar à frente de Sakura, e às vezes, passava pela minha cabeça que não seria de todo o mal se eu pelo menos tentasse ver como seria seguir o conselho de Fugaku. E mesmo que não, fosse o que fosse, eu sabia que que aquela não seria uma família normal, e eu precisava estar vários degraus acima de Sakura, precisava ter uma carta na manga pra qualquer eventualidade, e você me deu essa carta, priminha.

- Hm — ela torceu o nariz — E depois... — Tenten dava ordens, o que irritava Sasuke.

- Depois eu conheci melhor a Sakura, e ví que nós éramos parecidos, e eu comecei a achar que ela poderia não ser tão ruim. Eu pensei que talvez fosse bom juntar o útil ao agradável. Eu sei, era uma grande burrice sem noção alguma — suspirou, cansado — Só que qualquer uma das estapafúrdias coisas que eu planejasse foi totalmente tirada de cogitação quando ela me disse que não me queria.

Tenten fez uma cara de "por quê?". Sasuke suspirou mais uma vez. Detestava ser interrogado e detestava explicar. Desejou não ter aquele sentimento machista que dizia que não se deve bater em mulheres.

- Porque eu percebi que isso me deixou insatisfeito. Ou seja, não era só uma merda de simpatia ou do que você quiser chamar quando consegue ter uma conversa com alguém e não se irritar com isso, eu estava começando a ter outros tipos de sentimentos pela Sakura — ele torceu o nariz com isso — E qualquer coisa que eu planejasse não iria dar certo por causa desse detalhe. Eu ia acabar misturando tudo e iria me ferrar. E não valia a pena correr o risco de me ferrar por algo que nunca teve alguma lógica, na verdade. Eu não sou idiota. Simples assim. Satisfeita?

Tenten ficou calada por alguns instantes, e então encarou Sasuke, com uma expressão de deboche.

- Huh, que tosco, isso. Não acredito em você, Uchiha.

- Eu não me importo se você acredita ou não!

- Pois deveria, porque se eu quiser, conto tudo pra Sakura e acabo com essa palhaçada. Sinceramente, você podia ter inventado uma desculpa melhor, estou desapontada — ela balançava a cabeça, com a boca formando um bico torto.

- Tenten, escuta — ele soprou, fechando os olhos e fazendo gestos de "paciência" com as duas mãos — eu não sei se você acredita ou não, mas não estou nem aí. Eu... Meio que.... — Sasuke agora olhava pro teto, demorando pra se completar — Acho a Sakura legal — ele disse — Entenda, eu não preciso dela pra ter o que já é meu. E a nossa situação por si só já muito complicada e ela também é extremamente jogo duro, então, se você fizer o favor de ficar calada e não estragar tudo, eu agradeço.

- Se é assim, você não precisa esconder nada, não é? Ela tem que saber.

- Saber de que?

- Do nosso grau de parentesco, oras!

- De jeito nenhum! Ela vai começar a achar coisas.... Você devia saber como ela é!

- Sabe, Sasuke, eu posso estar errada, muito errada, até porque você é péssimo em dizer o que sente mesmo, aliás — ela revirou os olhos — você é um desastre sem precedentes nisso, mas... Eu não estou totalmente certa do que você me falou, isso está bastante, bastante confuso, então, eu tenho que deixar tudo em pratos limpos com a Sakura, é meu dever como amiga. Depois, se você estiver dizendo a verdade, as coisas vão se resolver por si só. Além do mais, agora que a gente tem tantos amigos em comum, eu não iria conseguir sustentar essa farsa. É bem melhor que ela saiba pela nossa boca, não é?

- Não é, não.

- É sim! E você vai fazer isso agora.

- Eu não vou não.

Tenten lançou um sorriso diabólico.

- Vai.

Levantou-se de lá, e dirigiu-se para a porta. Ele tinha um péssimo pressentimento sobre isso. Seguiu a morena, que foi apenas até a porta ao lado. A porta de Sakura.

Abriu, sem bater. Aquele por acaso era um hábito dela?

Não tinha ninguém por lá.

- Estão me procurando? — a própria Sakura apareceu na porta, mordiscando uma maçã.

- O Sasuke tem uma coisa pra contar pra você.

- Não tenho nada pra falar!

- Tem sim!

Sakura franziu a testa, sem entender aquela confusão que se instalara em seu quarto.

A morena fitou o primo de modo reprovador.

- Se você não fala, falo eu. O Sasuke é meu primo, Sakura. Isso mesmo, minha mãe é irmã do pai dele e essa coisa toda. Ele tinha me pedido pra guardar segredo, porque... Bem, fui eu quem contou toda a história entre você, Naruto e Karin. Ele me pediu pra fazer isso assim que chegou, e ele não queria que você soubesse disso, por isso, mentimos até agora, pronto — Tenten falava rápido e mexendo as mãos, como se estivesse ansiosa para se livrar de algum peso.

Sasuke fulminava Tenten. Queria matá-la.

Sakura deixou a cabeça pender para um lado. Ainda tinha uma expressão de confusão. Tirou a maçã da boca e apontou o dedo para os dois, com a boca um pouco aberta.

Antes que pudesse falar, Ino surgiu de repente na porta, muito agitada e alterada, pedindo desculpas a Sasuke e a Tenten, dizendo que Sakura tinha de vir urgentemente para ver uma tal "prova do crime", puxando-a pelo braço.

- Ino! Ino! Eu tenho que-

Ela tentava se soltar, mas a loira a puxava, eufórica — Você tem que vir logo!

Sasuke balançou a cabeça, tentando entender o que era aquela confusão toda.

- Estou com vontade de te beijar agora, Tenten — ele disse irônico, sem olhar para a garota — Muito obrigada, de verdade.

Ele lançou o sorriso mais falso que podia, voltando para seu quarto não mais tão confortável assim.

....

- Ino! — Sakura reclamava — Eu tenho que voltar e falar com o Sasuke!

- Vocês têm todo o tempo do mundo pra ficar de melação, mas agora, vai vir comigo!

- Não, não! Tem que ser agora! Você sabia que ele e a Tenten são primos?

Yamanaka puxava a amiga até as outras casas que haviam por ali, sem nem parecer ouvir o que ela estava dizendo. Sakura se perguntava o que diabos tinha chamado tanto sua atenção para que aquela garota de olhos azuis corresse tão desesperadamente.

Assim que se aproximaram de qualquer coisa que Sakura não fazia a menor ideia do que era, Ino a empurrou para detrás de uns arbustos por ali, apontando o dedo em alguma direção que a Haruno tentava agora mirar.

- Ali — Ino sussurrava — na calçada. Está vendo?!

Sakura ficou boquiaberta. Colocou as mãos sobre os lábios para que não soltasse nenhum som alto demais, tamanha foi a surpresa causada pelo que viu.

Notas finais
Então, eu fiquei meio insegura sobre esse capítulo, então qualquer crítica... pode vir, na boa, hehe.
Até o próximo!