Notas iniciais
Apesar do jeito que começa o capítulo, juro que não tem nada +18. Juro juradinho.

— Vem, entra.

O convite foi dado com um sorriso. Sorriso torto, malicioso, mal intencionado. E o homem gostou. Era exatamente aquele tipo de mulher que ele procurava toda noite: as fáceis. Ele soube, no momento em que a viu na boate, que não seria preciso muito para ela o convidar para entrar. Ela praticamente gritava que queria um homem, com aquele vestido curto, a maquiagem carregada e o falar dengoso. Mulher fácil.

Sangue fácil.

— Olha que vou aceitar o convite... - sussurrou o homem enquanto atravessava a soleira da porta altivamente, como se conquistasse uma vitória. Antes de puxar a mulher para um beijo, analisou por alguns segundos seu rosto. O mais curioso era que ela não era nem feia nem velha para estar assim desesperada. Bochechas um pouco cheias demais e nariz um tanto quanto largo, mas o geral não era ruim. Atraente, até. "Melhor pra mim" pensou, apertando os lábios contra os dela "Comida bonita é sempre mais apetitosa."

Apenas parte da sua mente ia registrando a casa da mulher. Uma sala bem mobiliada, com sofá baixo e uma bela televisão. Um vislumbre de uma cozinha de aço inox, brilhando como se nunca tivesse sido usada. Várias fotos na parede do corredor, que curiosamente não eram da mesma família. Inúmeros quartos no andar de cima, todos com as portas fechadas. Se o homem não estivesse tão distraído com os beijos e a incômoda tensão nos caninos, ele teria notado o quanto aquilo parecia suspeito.

A casa parecia nunca ter sido habitada.

— Hm... Você quer conhecer o meu quarto? - A pergunta tinha o mesmo tempero do sorriso — as segundas intenções eram quase tangíveis. Interrompendo os beijos, a mulher se encostou em uma das portas fechadas, mordendo o lábio inferior enquanto dava uma risadinha. O homem se empertigou. Por que não se divertir um pouco antes de se alimentar?

— Claro que sim, linda... — ele não esperou que ela abrisse a porta. Assim que a mulher deu um passo para o lado, liberando a porta, ele girou o trinco e entrou. Suas pupilas levaram menos de milésimos de segundo para se acostumarem com a escuridão, mas o cérebro demorou um pouco para entender a cena. Aquilo não era um quarto.

Era uma sala de tortura.

Antes de pudesse reagir, sentiu uma picada no pescoço... E então um líquido queimando em suas veias. Sua visão nublou e os joelhos fraquejaram.

— Supresa, vampiro imundo.

Notas finais
Eu disse: nada de +18. E aí, o que acharam?