Dorme comigo

1 Eu sempre te amarei


Não eram raras as vezes em que alguém acabava por tropeçar em Shu Sakamaki adormecido pelos corredores do colégio em que o loiro estudava. Mas com certeza quem o fazia com mais frequência era Yuma Mukami, e o maior sempre acabava ou irritado ou frustrado pela falta de resposta de Shu como naquele momento, Yuma segurava o primogênito Sakamaki pela gola do uniforme, mas Shu se quer se deu ao trabalho de abrir os olhos.

— Me responda seu idiota! — exigiu o vampiro de cabelos castanhos, o loiro apenas suspirou. Só queria que o maior fosse embora, queria dormir em paz, acordado suas dores emocionais eram fortes demais. E ter aquele homem diante de si falando daquela forma, como se ele não significasse nada, como se não fosse nada, só fazia tudo pior. Yuma largou Shu bruscamente, o menor se desequilibrou e teria caído se não tivesse o apoio da parede atrás de si. Abriu os olhos apenas para ver Yuma lhe dar as costas indo em direção a sala de aula. — Não sei porque ainda falo com você Sakamaki. É perda de tempo.

Shu escorregou pela parede até estar sentado no piso. Não entendia, realmente não entendia porque ele não se lembrava de si. Se ele o odiasse, se o culpasse pelo incêndio no vilarejo ele entenderia. Afinal ele mesmo se culpava, mas Edgar não se lembrar dele o destruía. Não sabia o que era pior quando achava que ele estava morto, ou agora quando ele reapareceu com um novo nome e sem se lembrar que o loiro se quer existiu, quanto mais que foram amigos. Se permitiu adormecer mais uma vez para afastar a dor de ter sido esquecido pela pessoa que mais amou.

***

Mais uma noite quente de primavera, Shu decidiu que o melhor era dormir ao ar livre. Pouco se importando com as aulas que tinha naquela noite o mais velho dos Sakamaki subiu para o telhado da escola se largando em um canto qualquer onde pudesse adormecer. No entanto quando o loiro estava quase adormecendo uma outra presença se fez ali.

— O que você está fazendo aqui? — era a voz de Yuma, Shu abriu os olhos lentamente e olhou para o outro com sua expressão em branco como sempre. Aqueles encontros estavam sendo frequentes o suficiente no últimos dias para irritar o castanho e deixar o loiro ainda mais deprimido. — Você está me seguindo? — os lábios de Shu se curvaram em um mínimo sorriso pela suposição do mais alto. Algo que não aconteceria era Shu seguir o outro, ainda mais quando Yuma deixava óbvio que não gostava do primogênito Sakamaki. — Do que está rindo? — perguntou o Mukami um pouco mais irritado andando até o loiro e mais uma vez o agarrando pelo suéter cor de creme. — Me responda!

Seus olhos se encontraram e permaneceram assim fixos um no outro por vários segundos que pareceram mais tempo. Por alguma razão Yuma sentiu sua raiva desaparecer diante daqueles olhos azuis que brilhavam com algo que o castanho não conseguia definir cada vez que olhava para si.

— Diga alguma coisa. — Yuma pediu baixinho, quase num sussurro. Shu tocou o rosto do castanho com delicadeza em uma carícia que o surpreendeu.

— Dorme comigo. — pediu. O Mukami sentiu seu rosto se aquecer e teve certeza de que estava corado.

— O que você quer dizer? — Shu sorriu de novo para o rosto vermelho de Yuma.

— Quero dizer exatamente o que eu disse. — O loiro respondeu sonolento e deitou sua cabeça no ombro de Yuma.

— O que... — o ruivo tentou protestar, mas o loiro já havia adormecido.

O Mukami abraçou o corpo de Shu e se sentou no chão com o mesmo adormecido em seus braços. Acariciou os cabelos loiros enquanto olhava para o rosto sereno que ficaria vigiando até o fim das aulas naquela noite.

***

Depois de dormir com o loiro em seus braços naquela noite no colégio Yuma não conseguiu deixar de pensar nele, ou de procurar os braços dele para adormecer mesmo nas noites em que não havia aulas, buscava pelo calor de Shu na mansão dos Sakamaki, mesmo sabendo o quão arriscado era para ele ir naquele lugar. Não conseguia para de pensar em como era suave a pele de Shu ou como os simples toques dele em si o faziam se arrepiar, se aquecer por dentro; ou como seu coração acelerava com um simples sorriso dele. Yuma não era tolo, ele sabia o que estava sentindo por Shu. Sabia que estava apaixonado, mas tinha medo de assumir amar alguém que outrora achou que odiava.

— Yuma, porque está tão calado hoje? — o castanho quase se surpreendeu com a voz de Shu, esteve tão perdido em pensamentos que tinha se esquecido que a razão deles estava deitado em seu peito e abraçando sua cintura. — O que se passa nessa sua cabecinha? — Shu perguntou, embora já imaginasse o que era. Yuma havia mudado consigo, ele mesmo havia mudado. Agora finalmente os dois pareciam mais com quando era duas crianças naquela vila no interior.

— Nada de interessante. — o castanho sorriu e fez carinho nos cabelos do mais velho em um silêncio confortável que durou vários minutos. O Sakamaki respeitaria o tempo e o silêncio de Yuma, sabia que quando ele estivesse pronto lhe diria o que sentia. O loiro escondeu o rosto no pescoço do outro e ficou ali, apenas aspirando o cheiro natural dele misturado ao perfume que cheirava a limão que ele usava, e apreciando os dedos ásperos pelo trabalho na horta em seu pescoço. — Shu... — Yuma chamou depois do que pareceram horas de silêncio.

— Hum?

— Eu... eu acho que estou apaixonado por você. — Yuma disse de uma vez, e sentiu seu rosto arder. Shu tentou se levantar, mas o maior o manteve onde estava. — Acho que sempre estive. — o Mukami completou baixinho, alto apenas o suficiente para Shu ouvi-lo. O Sakamaki sorriu, sabia que aquela era a forma do castanho dizer que o amava.

— Isso é muito bom. — Shu respondeu com a voz um pouco mais sonolenta.

— É?

— Sim. — O loiro plantou um beijo no pescoço de Yuma e sorriu quando o maior se arrepiou e soltou um suspiro. — Eu também amo você Yuma. — se ergueu se apoiando no peito do Mukami para beija-lo, dessa vez nos lábios, que se encaixavam como se fossem feito um para o outro. Um beijo apenas de lábios, sem malícia, mas cheio de ternura e amor. Seus lábios se separaram, mas seus olhos se conectaram profundamente enquanto as mãos de Yuma seguravam Shu com força apenas para ter certeza de que aquilo era real. E era real, bem real, e os dois esperavam que fosse para sempre, ou enquanto suas vidas durassem. — Eu sempre te amarei.

Notas finais
Também postado no Spirit e no Wattpad.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!