Na segunda-feira de manhã, indo de carro para o hospital,

percebi que meu bairro funciona sem mim.

Lojas abertas, pessoas que caminhavam com sacolas nas mãos

era o que se via.

Conversas descontraídas nos muros das esquinas,

havia bares abertos e pessoas bebendo.

Oficinas de carro, postos de gasolina,

pessoas que poderiam ser paqueras minhas;

todos caminham.

Havia homens e suas famílias,

mulheres e suas famílias;

supermercados com grande entra e sai de clientes.

O bairro estava vivo, as pessoas pulsavam,

isso tudo era novo para mim.

Casas abertas, havia vida dentro delas.

E fora também.

Cheguei ao hospital, e naquela interminável fila, fiquei repassando o que tinha visto.

Fui atendido, fui diagnosticado, voltei para casa,

revi o que já havia visto, escrevi esse poema,

repassei tudo de novo, percebendo a funcionalidade do meu bairro

sem mim.