Dores Reais
4 Capítulo 3 - Sorrisos
Notas iniciais
"Sorrisos"
Será que a morte é como adormecer? Os olhos vão ficando pesados, o corpo mole e dormente... a falta de força para se mover? Estou quase na marca dos cem cortes, cem feridas, cem cicatrizes. Será que até tal marca, não morro? Já são noventa e um. Até qual número terei que chegar para morrer? Cem? Duzentos? Trezentos? Mil?! A cada dia me sinto pior... a tristeza vai aos poucos me tomando, se apoderando de mim. É como se eu fosse vidro apenas aguardando para ser quebrado, esmigalhado. E a cada dia que passa, me sinto mais perto do fim. Várias pessoas dizem que o meu sorriso é um dos mais belos que já viram. Mas outras pessoas dizem que os mais velos sorrisos estão estampados nos rostos de suicidas... para disfarçar a dor e a tristeza por trás deles. Sorrisos tão... falsos, mas aos olhos dos outros, tão verdadeiros...
Será que mil cortes serão o suficiente para o fim? Eu quero, desejo e anseio a morte como as pessoas querem dinheiro. Como querem casas, ou uma boa vida... e como viciados querem drogas. Seria possível morrer de dor? Se for, ou fosse, eu morreria logo. Ou já estaria morta há muito tempo. Quanto falta para o fim definitivo? Espero que pouco...
Por: Lily
19/08/2013 — 05:18 am
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Mais uma redação. É incrível com tais coisas, como escrever ou desenhar aliviam o seu interior. Pena que após um tempo, deixam de ser suficiente. Depois de um tempo outras coisas são necessárias para o peso da dor ser retirado de suas costas... é como ver a luz do sol depois de realmente muito tempo. É como sentir o frescor de uma brisa brincar com seus cabelos e fazer cócegas em seu rosto. é como se fosse um mundo onde somos livres. Eu diria que é assim quando aquele peso mortal e esmagador sai de suas costas. Seja quando escreve, seja quando se desenha. A paz. Uma sensação difícil de ser sentida. Difícil como respirar ao ser sufocada por algo. O problema, é quando depois de escrever, escrever, escrever e escrever ou desenhar, desenhar, desenhar e desenhar a paz não vem. Ainda é um sonho distante. Então... eu pego um pequeno objeto para alcançá-la. Mas isso custa caro. E a dor, após instantes de alívio, se multiplica infindavelmente. Volta como um tsunami em direção a uma ilha ou algo do gênero. E a paz se torna ainda mais distante.
Como algo pode ser assim? Tão difícil de ser conquistado, e a cada vez que você tenta, se torna mais difícil?... Os dias passam, rolam, mudam e ninguém nota o quão destruído você está por dentro. Destruído e esmigalhado. E os dias continuam a passar, e você a sofrer. E os dias continuam a passar, sem ninguém notar seus sentimentos. Ou sequer você.
***
Dor...
Dor, possua-me,
agarre-me em teus braços infindos...
Dor, ganhe-me,
receba-me em teu olhar acolhedor...
Dor, aqui estou,
clamando por ti,
querendo-te...
Leve-me, tome-me ó Dor!
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