Dores Reais
3 Cronômetro
Notas iniciais
Estava em um quarto pequeno e sem muita iluminação. A única lâmpada do lugar oscilava no teto, presa por alguns fios e sua luz já não conseguia permanecer forte por menos de alguns segundos. Seus olhos tentavam se acostumar a aquele cenário, piscando freneticamente.
O garoto tenta massagea-los com as mãos, mas percebe que estas estavam atadas e presas a cadeira na qual se sentava. Seus pés estavam igualmente presos e sua boca encontrava-se coberta por uma tira de feltro.
“Eu... Eu não queria fazer isso... Mas...” Um garoto loiro, vestido com uma blusa de malha fiada e um short extremamente curto de couro preto, fala com voz chorosa. “Eles não me deixariam... Não me deixariam morrer com você.” Ele apoia a cabeça nas pernas do outro.
Tenta sorrir para acalmar o garoto que agora derramava lágrimas em suas pernas. Vê-lo daquele jeito o deixava triste, além de lembrá-lo que iria deixar a única pessoa que se preocupara consigo neste mundo.
O garoto loiro se levanta e desprende a fita que estava na boca do outro. “Bask... Meu coração dói... Sinto-me culpado por ter... Lhe envolvido em meus pecados...”.
“Não se culpe. Eu que me comprometi em lhe seguir, e não me arrependerei nunca do que fiz.” O moreno repreende ao outro. “Eu nunca vou me arrepender de ter feito tudo para estar com a pessoa que eu amo, Nikky.”
“Eu não mereço ser amado... Sou uma pessoa suja e um pecador sem opção de voltar.” Diz, subindo na cadeira onde estava Bask e se sentando de frente para ele.
O outro só sorri, tentando aconchegá-lo em seu ombro, mesmo sem usar as mãos. A dor de estar a ponto de perder aquele que se posicionava a sua frente o fazia ter vontade de chorar; ele morde o lábio. Não poderia mostrar sua tristeza na frente de Nikky.
“... Não posso demorar... Eles poderiam vir até aqui...” O loiro puxa um revólver de caráter antigo de dentro de seu short. “Saiba que você estará agora presenciando a minha primeira e última boa ação.” Ele passa suas mãos pelo pescoço do outro, aproximando seu rosto.
“E você, saiba que suicídio também é pecado.” Bask ri.
“Eu nunca soube muito de religião... Mas acho que levar um assassino para o inferno pode ser considerada uma coisa boa.” O garoto se aninha ao peito do outro mais uma vez e o beija, disparando a arma em direção a sua nuca.
O projétil caí no chão, fazendo um som metálico. Uma poça de sangue se forma em baixo da cadeira.
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