Dor
1 One-shot - Dor
Notas iniciais
Antes de mais nada: feliz aniversário, Yuu! *-*
Bem, essa é uma fic de aniversário, mas dessa vez não se passa no aniversário dele - não necessariamente, pelo menos. Eu ia fazer do aniversário dele, mas acabei não fazendo isso - a anterior era, mas ficou muito estranha (e pequena). Enfim, interpretem no dia do ano que quiserem, mas é após eles mudarem para a nova Ordem.
Ah, se não perceberam na sinopse e no disclaimer, é uma Yullen.
Espero que gostem! ^^
One-shot – Dor
(Allen’s POV)
Era a terceira semana consecutiva em que eu não via nem a Ordem nem outro exorcista. Era a terceira semana consecutiva desde que eu “fugira” de tudo e de todos – exceto daquele que mais desejo fugir, eu mesmo.
Desde que foi apresentado o fato ao meu respeito, eu tenho fugido. Fugido para não ver os rostos amedrontados e cheios de ódio. Ódio pelo que eu sou – ou pelo que eu virarei –, ódio por eu tê-los usado. E o medo de que eu os mate.
Eu não os culpo. Eu mesmo me temo. Temo a hora em que eu perderei o controle, temo pelos meus companheiros. Eu não suporto pensar que terá uma hora em que eu irei tentar matá-los – matar a minha família. Mas eu sou o 14º. Eu sou um noah... Eu sou o inimigo. O inimigo de todos os exorcistas que lutam contra o Conde.
Porém, havia outro motivo. Tão grande quanto a fuga do medo, tão grande quanto meu próprio medo. Eu fugia da indiferença. O ódio, o medo... Esses eu ainda suportava – sabia que, pelo menos, ninguém seria pego de surpresa, ninguém seria um alvo fácil. Mas a indiferença...
Eu fugia daquele que evoluía de ódio à indiferença, Kanda Yuu – grande progresso!
Porque, querendo ou não, eu havia caído em níveis muito mais baixos do que seria capaz de perdoar. Um pecador.
Eu desejava aquele que desde o início nunca gostou de mim – eufemismo do ano – e que aos poucos deixou de admitir minha existência. Eu o desejava – e, ouso dizer até que o amava – e isso era o que menos suportava; que, para ele, eu fosse tão importante quanto um cadáver de akuma. Enquanto nós brigávamos, eu sabia que ele era honesto – e sabia ainda que eu era honesto – e isso me alegrava; ele era tão diferente, tão simples... Nunca mentiu e disse que gostava de mim, mas eu não me importava. Contanto que ele me reconhecesse como um ser – talvez não humano, mas vivo – estaria de bom tamanho... Até...
Até ele ouvir. Até o anúncio de que eu era o inimigo de todos eles. A partir desse momento, minha fortaleza desabou. A única pessoa que eu não queria que mudasse, mudou. Tudo que eu queria era continuar nossas brigas, muitas vezes sem sentido, para que eu ao menos pudesse me manter são.
Mas até isso fugiu por minhas mãos.
E, se eu não estava vivo para ele... E se eu teria de manchar as mãos de algum de meus companheiros... Então... Não havia motivo para viver. Viver com o medo e a indiferença destrói o mais forte dos homens... E esse não é meu caso.
(Yuu’s POV)
Três semanas. Três semanas desde que vi o Moyashi pela última vez. Três semanas desde que me senti realmente vivo. Como ele teve coragem de fugir dessa maneira?
Então, sendo assim, eu tive de buscá-lo. Pois eu não poderia permitir que ele sumisse – devo, obviamente, manter a certeza de que ele ainda é o Moyashi da Ordem, não devo deixá-lo perder o controle – e esse é todo o motivo.
E é por isso que não posso permitir que ele faça essa idiotice.
- MOYASHI! – berrei, cada nervo de meu corpo gritando para correr. Uma ira tomava conta de mim. Ira... E medo. Medo de lhe perder.
- K-Kanda...? – ele piscou surpreso, virando-se para me encarar – O-O que faz aqui?
- Impedindo um idiota. – resmunguei me aproximando com três passos largos e dando um soco em sua cara. Ele caiu no chão, assim como a faca, que voou longe e quicou com um barulho abafado – O que você planejava fazer com isso, seu retardado?!
- E-Eu... – ele não tentou se erguer, o rosto virado. Os olhos vagavam pelo chão lentamente, uma expressão perdida expressa no rosto – Só... Não queria... Manchar as mãos de ninguém... – ele sussurrou.
Ajoelhei-me em sua frente, ainda extremamente irritado.
- Moyashi idiota. – murmurei agarrando seu queixo com uma mão, lhe forçando a me encarar – Nunca... Nunca mais faça isso. NUNCA! Entendeu?
- S-Sim... – ele desviou o olhar de meus olhos. As pálpebras caíram de maneira adorável enquanto seu olhar se fixava em um ponto específico. Sorri debochadamente e me inclinei.
- Você é meu.
(Allen’s POV)
Eu havia tentado me matar – hesitei na hora, mas tentei. Eu peguei uma faca em uma loja qualquer – pouco me importava o que era, na verdade, contanto que fosse capaz de tirar uma vida – e fugi para a floresta que me lembrava da única boa memória que eu me permitia ter.
Kanda.
Mas a memória se transformou em realidade quando ouvi a voz rouca e irritada soar tão próximo de mim. Foi com muita surpresa que notei que não era uma alucinação. O exorcista japonês estava ali. E meu coração acelerou debilmente, da mesma forma como sempre fazia.
Seu cumprimento não foi gentil – mas eu nunca esperaria algo gentil dele, não mesmo. Seu soco foi forte, deixou uma dor em minha bochecha e me fez cair. Mas o toque em meu queixo foi surpreendentemente caloroso. E gentil.
Meu coração, a essa altura, já estava parecendo um tambor. Eu mal ouvia suas palavras em meio às batidas de meu coração. Eu nunca fiquei tão feliz de ver seu rosto irritado. Ele nem parecia um demônio... Só... Um anjo... Muito, muito, muito cruel.
Seus olhos escuros estavam presos ao meu rosto com uma severidade misturada à preocupação. Seu rosto pálido era longo, a testa tapada pela franja azul escura. Os fios eram presos em um rabo de cavalo alto, que deixava boa parte de seu rosto à mostra. Inclusive seus lábios...
Lábios que logo se tocavam aos meus.
(Yuu’s POV)
Eu o senti tremer, mas pouco me importei. Colei nossos lábios sem pensar muito, uma mão lhe apertando a cintura fina e a outra ganhando lugar entre seus fios. Fios macios que se enrolavam em meus dedos enquanto eu lhe acariciava a cabeça.
Logo ele correspondia com algum receio, os lábios se movimentando vagarosamente com os meus. Abrindo-se e permitindo a entrada de minha língua.
Seus olhos se fecharam, escondendo o cinzento nebuloso, e ele se ajoelhou em minha frente, tentando não interromper o beijo enquanto diminuía nossa diferença de tamanho. Senti seus braços se entrelaçarem sobre meus ombros e ele gemeu fracamente em meus lábios.
O modo como seu corpo todo parecia ter estremecido com isso foi maravilhoso.
Nossas línguas se tocaram, ávidas para conhecer uma a outra, e o beijo evoluiu de casto e hesitante para algo faminto e agressivo.
A guerra em nossas bocas durou até o ar faltar, quando fomos forçados a nos afastar para conseguir oxigênio o suficiente para continuarmos conscientes.
- Y-Yuu... – ele murmurou embriagado, deitando o rosto em meu ombro – Eu te amo...
- Você é meu. – repeti, ainda lhe acariciando os fios – Somente meu. Portanto, somente eu posso lhe machucar, somente eu posso lhe matar quando for a hora... E somente eu posso te amar. Entendeu? – terminei com um sorriso gentil, ao que ele erguia a cabeça e me encarava com os olhos arregalados.
- Você... Está falando sério? – ele sussurrou parecendo sem ar – Você tem certeza de que me quer ao seu lado...?
- Até a morte. – concordei, me inclinando um pouco para lhe beijar os lábios novamente. Um selar gentil que não durou mais que alguns breves segundos – Se você permitir.
- Sempre. Sempre seu. – ele sorriu amplamente, me abraçando com força, demonstrando mais vivacidade que eu jamais vira em si – Só espero que não se arrependa.
- Posso dizer o mesmo, meu Moyashi. – lhe afastei com um leve empurrar nos ombros para lhe tomar os lábios, tentando lhe demonstrar toda minha certeza. Toda minha paixão.
Porque o Moyashi sempre seria somente meu; eu seria o único a poder lhe tocar, o único que pode ver seu rosto de prazer. O único que pode ouvir sua voz enquanto lhe abraço pela noite, e o único que pode marcá-lo. Ele é meu... E é o único que terá meu amor.
Notas finais
Bem, espero que tenham gostado. Eu amo o casal, sério! *-*
Mais tarde devo trazer uma capa para a fic, no momento nada certo. Enfim, obrigada por lerem, e deixem uma autora muito feliz com um review, ceeeeeerto?
Ciao, ciao! o/
Bacio! ;*
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