Don't wanna be alone.
5 V - Ceremonials
Notas iniciais
A única vantagem daquela escola, era que os professores quem mudavam de sala, não os alunos, o que economizava batucadas de bengala pelo corredor. O resto das aulas do dia foram bem objetivas, apenas apresentações e mais apresentações, até que o sinal demonstrava o fim da aula. Apenas senti o grande fluxo de pessoas escapando para fora, me deixando, aparentemente, sozinho.
Eu estava enganado.
– Ei, qual seu nome? — Questionou uma voz feminina.
– Joseph, e você? — Respondi esboçando um leve sorriso.
– Clarice, prazer em te conhecer. — Disse com sua voz de soprano. — Você sobe ou desce a rua? — Perguntou-me ainda em pé.
– Eu subo. — Respondi ligeiramente.
– Quer vir comigo?
– Claro! — Afirmei me levantando lentamente.
– Precisa de ajuda? — Ofereceu a mesma.
– Sim sim, agradeço. — Disse segurando o braço da mesma.
Conversamos durante todo o caminho de volta, e fora a melhor coisa que me acontecera desde que cheguei nessa cidade. Clarice era uma pessoa extremamente doce, divertida, dedicada e caridosa. Os 15 minutos pareceram poucos, portanto paramos em uma sorveteria a caminho de casa e continuamos a conversar por uma hora.
– E aí, eu acabei vomitando todo o bolo que eu tinha comido — Disse Clarice quase engasgando de tanto rir.
– Meu deus, imagino a cena! — Balbuciei em meio a risadas gritantes.
– Então, você sempre foi assim? — Perguntou Clarice, já cessando os risos.
– Assim como? Moreno? Ou cego? — A perguntei enquanto sorria.
– Cego. — Disse depois de uma risada sem graça.
– Desde os 10 anos. Foi um acidente muito idiota, mas já me acostumei. É ruim? Sim, mas tem suas vantagens. As pessoas te fazem mais favores. — Soltei as palavras com extremo bom humor, e os assuntos voltaram a variar com uma extrema velocidade.
Clarice me deixou em casa e nos despedimos. Foi engraçado como consegui uma melhor amiga em 5 horas.
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