Don't hurt me
5 Capítulo 5
Notas iniciais
A sala grande já não concentrava tantas pessoas, e os que ainda estavam na festa, sentaram-se juntos nos sofás, ao redor da mesa de centro. Houveram conversas particulares e partilhadas pelo grupo. Steve estava sentado, e Harley havia chegado por último, ficando na sua outra extrema, tendo uma visão linear um do outro. Por vezes, Harley e Steve trocaram olhares mais prolongados do que o usual.
—Alguém quer mais alguma bebida? — Harley perguntou se levantando com seu copo.
—Cerveja pra mim — Natasha disse.
—Outra — Hill pediu levantando a sua garrafa vazia.
—Whisky, você sabe qual — Tony disse, se virando.
—Ótimo — Harley deu uma risada, pensando como serviria todos.
—Espera, ainda tem o meu pedido — Clint disse, fazendo ela se virar, com uma cara incrédula. — Duas doses de whisky.
—Vá com calma, companheiro — Tony disse. — Você teve uma semana ruim.
Tony se referia aos ferimentos que Clint havia sofrido em uma invasão ocorrida nos últimos dias. Clint ignorou e piscou para Harley, que entendeu o recado.
Harley já havia chego na parte interna do bar, dispondo os copos na bancada, quando Steve deu um último gole no que restava no copo da bebida que Thor o havia oferecido anteriormente. Era algo realmente forte, e era o que ele precisava. Se levantou do seu lugar, caminhando em direção ao bar. Pode ouvir um som vindo de Tony, descontente.
—Ajuda? — perguntou assim que chegou a bancada observando Harley de costas.
—Olha, muito bem vinda — Harley se virou e apoiou-se na bancada onde Steve estava próximo. — Ainda bem que ainda há cavalheiros — disse bem alto, para o grupo ouvir.
Todos deram um sorriso e os rapazes comentaram "deixe disso" e outros comentários do tipo. Steve entrou no bar também, pegando uma bebida para si também, bem próximo a Harley. Ela se aproximou um pouco mais, ficando bem a sua frente, ele parou o que estava fazendo.
—Com licença, Steve — ela disse calmamente, sorrindo. — Preciso abrir a gaveta.
—Ah certo — ele despertou, se afastando do armário inferior.
Continuaram a preparar as bebidas, até que Harley se virou para ele novamente.
—Vai fazer algo amanhã? — questionou.
— Amanhã? Vou estar por aqui resolvendo alguns assuntos, mas depois não, nada — disse mais rápido do que gostaria, e sabia que parecia um pouco inseguro.
—Ótimo, me pegue as oito — ela piscou ao se virar e organizar as bebidas em uma bandeja.
—Pegar, mas onde? — ele virou também, organizando a sua bandeja também.
—Descubra — Harley sorriu, pegando a badeja da bancada e se afastou.
Steve ficou alguns segundos parado, observando ela sair. Pensou em como havia falado, se não havia sido estranho.
—Achei que haviam perdido o caminho — Clint comentou quando Harley chegou próximo aos outros e Steve veio logo atrás.
Ao se sentar, Steve ficou preso a Harley praticamente o tempo todo, a observando falar, rir, contar vantagens, e também ao se movimentar, cruzando as pernas ou trocando de posição no sofá.
—Foi naquela viagem a Rússia, não foi? — Harley perguntou a Tony.
—Ah, aquela do modelo? — ele respondeu divertido.
—Eu tinha 17 anos, o que você esperava? — ela riu de si, e sabia que Steve a observava o tempo inteiro. — Eu queria descobrir a vida.
—Descobriu direitinho, não foi?
—O que eu posso dizer? A Natasha me entende — jogou a bomba para Natasha ao seu lado.
—Eu não quero ser inclusa nisso.
—Ah, certo, russos? — Maria comentou entrando na brincadeira.
—Concluir que os russos são melhores que os americanos é um pouco precipitado — Clint comentou, rindo com Bruce, que se mantia contido.
—Ninguém comentou que são — Harley bebeu sua bebida pelo canudo dentro do copo, lançando um olhar expressivo a Steve. — É um pouco chato falar isso aqui com Steve, patriotismo, sabe?
—Quer saber o que eu acho, Quinzel? — Steve fez uma cara desacreditada.
—Esqueci do Rhodes, — ela continuou — desculpe, estou em um campo minado.
Tony riu do amigo, afinal seu nome de batalha era Patriota de Ferro anteriormente, agora Máquina de Combate.
—Não vamos comparar dessa forma — Steve comentou, desviando de Harley.
—Eu tenho meus parâmetros, aposto que todas nós temos — Harley olhou para as garotas.
—Nós também — Steve respondeu, se referindo a Peggy, que era britânica.
—Eu tenho, levando em consideração Asgard — Thor disse rindo.
—Steve, sei que esse não é o momento, mas amanhã tiraremos tempo para uma conversa — Tony disse, falando pela primeira vez diretamente com o Capitão.
—Certo — respondeu, imaginando se fosse sobre Harley.
—Aquela coisa dos gêmeos, precisamos discutir agora — Tony comentou rapidamente, se levantando.
Steve havia se esquecido daquilo naqueles momentos, mas era um assunto que deveria ser conversado entre os dois.
—Precisamos sim — Steve concordou, levantando-se com Tony.
Ambos se afastaram rapidamente do grupo e conversaram seriamente, Harley os observou de longe, disfarçando. Visivelmente eles discordavam de algo, mas era algo comum, procuravam manter a voz baixa.
Steve e Tony se viraram para o grupo, os observando em silêncio por um minuto. Steve cruzou os braços e Tony colocou a mão nos bolsos.
—Mas, está tudo bem, creio. É um bom trabalho — Tony comentou sem se virar para Steve.
—O grupo está bem — Steve suspirou. — Parabéns, Tony.
Tony deu um sorriso de lado para Steve, estando um pouco alterado por conta da bebida.
—É sua, Capitão. — respondeu simplesmente.
—Eu o considero um líder comigo, Tony. Não só apenas os recursos e a estrutura, bem mais que isso.
—É, eu sei — Tony fez uma careta. — Ela é uma boa garota, Rogers — Tony mudou o assunto, e Steve compreendeu. — Inteligente, ela sabe dar conta... mas você sabe que tenho que protegê-la.
—Eu compreendo, Tony. Não imaginei que você tivesse uma filha.
—Ah, sim. Ela não gosta de que seja público. Agora ela está relaxada, mas é reservada, somos um pouco diferentes.
—Ela é bem jovem.
—Você é um velho, mas tenho que admitir, é jovem também.
Ambos obervaram Harley. Steve sabia o que ela estava fazendo, e estava dando certo. Queria se sentir desejada e ele não pretendia fazer o contrário. Gostaria de conhecê-la melhor, apesar da sua filiação com Tony. Eles podiam se resolver com o tempo.
Harley soltou uma risada alta, Tony sabia que a bebida estava batendo nela. Hora de se retirar.
—Nós temos um desafio aqui! — ela disse alto.
—Certo, e eu tenho um pra você — Tony disse se aproximando, com Steve logo atrás.
—E o que seria, Sr. Stark? — ela colocou as mãos na cintura, se posicionando.
—Você indo bem obediente... — ele começou, pegando-a pelo braço.
—Obediente pro seu quarto — Harley completou, sem se mover. — Qual é, Tony?
Ela olhou descrente pra Tony, que moveu sua cabeça de lado. Natasha deu um sorrisinho, ela sabia o que vinha depois.
—Certo — Harley concordou de mal gosto. — Já sei sua ameaça, Tony.
Levantou-se e se despediu de todos. Steve já estava sentado e deu um suspiro humorado, vendo a relação de Harley com Tony. Ela o respeitava.
Ao chegar no quinto degrau da escada, Harley se virou, apoiando-se no corrimão.
—Rogers, — ela chamou, e todos a observaram — não esquece do combinado — ela completou antes de subir até o mezanino.
Steve a acompanhou com o olhar e quando já estava no outro patamar, ela deu uma última olhada. Natasha o olhou com divertimento nos olhos, eles criaram uma amizade próxima com o tempo.
—O que? — ele disse baixinho.
Antes de dormir, Harley tomou banho e se vestiu com um pijama de um tecido fino e em um tom cinza escuro. Ela sabia que era hora de subir, estava falando demais, chamando muita atenção, então não discordou de Tony.
—Jarvis, tem alguma novidade? Recebi alguma ligação? — Harley perguntou sentando-se na cama.
Sem resposta, ela pegou o celular na mesinha próxima, estranhando muito o silêncio. Não havia nada novo no aparelho.
—Jarvis? — insistiu.
Geralmente ele dava retorno automaticamente. Então ouviu vários barulhos de objetos sendo quebrados, de tiros e lutas no andar inferior. Pegou o robe ao lado, vestindo-o, juntamente com uma arma que ficava em uma das gavetas da escrivaninha em frente a cama. Saiu preparada, e viu que os Vingadores lutavam contra o Legião de Ferro. Não compreendeu nada naquele segundo, apenas deu alguns tiros e se protegeu. Então houve um silêncio.
xxxxxxxx
—Ele disse que matou alguém, mas não havia mais ninguém no prédio — alguém do grupo disse enquanto todos estavam reunidos no laboratório.
—Na verdade, havia sim — Tony disse, pegando seu celular.
—Jarvis — Harley disse, cruzando os braços. — Tentei falar com ele, mas não tive retorno.
Tony parou, e se virou para Harley, notando-a após tudo o que havia acontecido.
—Você. Já sabe que está fora disso — ele disse duro.
Harley se mexeu desconfortável.
—Tony — ela começou, mas entendeu que nada que falasse mudaria as coisas.
—Está fora — ele frisou. — Eu não preciso de você nisso.
Harley se moveu pelo ambiente, pegando uma maleta, abriu, preparou uma das armas.
—Me mantenha atualizada, você sabe que eu... — começou a falar mais profissionalmente.
—Não vamos precisar — ele deu uma risadinha.
—Não diminua meu trabalho — respondeu com uma arma na mão. — De qualquer forma, eu vou sim, vou monitorá-los, não temos mais o Jarvis.
Saiu rapidamente do ambiente, com a maleta e todas os equipamentos que precisava. Steve estava pronto para uma discussão longa com Tony, pois estava totalmente alheio o que acabara de acontecer. Ele era o Capitão, mas com os Vingadores sempre era difícil.
Mais tarde Steve teve um pensamento rápido sobre Harley no meio de tudo o que estava acontecendo; ele teria que adiar o encontro como aconteceu com Peggy nos anos 40. Suspirou.
Fale com o autor