Don't You Remember
1 Capítulo único
Notas iniciais
Uma mulher extremamente linda e triste se preparava para entrar eu seu carro. O coração já estava longe, estava indo embora junto com um certo supervisor, dono de seus sentimentos há anos. Mas ele havia escolhido uma vida solitária, ou melhor, havia escolhido uma vida ao lado de outra mulher. Os dois se amavam muito, mas a bagunça que ele fazia era grande demais e alguém sempre saía ferido, geralmente ela.
–Ei, está tudo bem? – O melhor amigo da moça perguntou.
Um sorriso falso foi estampado por ela.
–Está sim. – Respondeu após suspirar.
O rapaz, sincero, respondeu:
–Te conheço melhor que você mesma. Você está assim por ele, não é?
Ela suspirou novamente, os olhos marejados. A dor se tonando mais forte a cada segundo. O jovem amigo puxou a moça para ele e abraçou-a apertado. Ela desmoronou. Antes que piorasse ela se recuperou e afastou-se.
–Quer que eu vá com você? – Nick perguntou preocupado.
–Não. Preciso ficar sozinha Nick. Agradeço a preocupação.
Ele suspirou, beijou a testa dela, pediu que se cuidasse e se foi. A mulher entrou em seu carro, ligou-o e foi para casa. Quando chegou foi até o interruptor mestre e ligou as luzes da casa toda. Assim que largou a bolsa na poltrona conferiu suas correspondências. Ao ler o nome Sam Braun uma recordação invadiu sua mente.
“Ela estava sentada, sozinha, em uma sala qualquer, olhando a única foto com o pai que haviam tirado de bom grado depois de descobrirem o parentesco. Ele olhava para ela com um sorriso orgulhoso, carinhoso, amoroso... Ela sorria lindamente. Estava feliz como há tempos não ficava. Ela sempre amou Sam, mas descobrir que ele era seu pai no mesmo momento em que descobriu que ele era um assassino era demais para a ruiva. Ainda assim ela continuou amando Sam, era difícil ficar perto dele, afinal os dois tinham personalidades fortes, mas naquele dia foi diferente. Ela se sentiu filha dele, sentiu-se amada.
–Hey, posso entrar? – Um certo supervisor perguntou enquanto dava três batidinhas na porta.
Ela apenas assentiu. Gilbert Grissom entrou na sala e sentou-se ao lado da bela mulher que não tirava os olhos da fotografia. Pensou em muitas coisas para lhe dizer, mas não achava nenhuma suficientemente boa para a ruiva em questão. Deixou-se levar pela emoção e apenas disse:
–Ele se foi Cathy, mas eu estarei aqui para sempre. – Ela o abraçou enquanto seu choro descompassado e descontrolado ecoava no ambiente. Ele logo a envolveu. – Eu prometo Cathy. Vou estar aqui para sempre.”
Ao voltar para a realidade Catherine sussurrou:
–Você não cumpriu sua promessa, Gilbert...
Ela enxugou as lágrimas e olhou novamente para a carta. Sam, desde que descobrira que era pai da moça, escrevia cartas que deveriam ser entregues mensalmente depois de sua morte. Cathy não tinha clima algum para ler aqui, só queria um bom vinho. Jogou as cartas junto com a bolsa, retirou os saltos, abriu os quatro primeiro botões da camisa social feminina e foi até a adega pegar um bom vinho. Estava decidida a tomar uma garrafa sozinha naquela noite. Voltou com duas taças, nunca trazia apenas uma, era algo dela. Não sabia por que, mas nunca pegava apenas uma. Encheu a sua taça e, antes de se sentar, ligou o som. Deixou na rádio que Linds havia sintonizado antes. Sentou-se e logo uma música começou a soar. (Sim, tá na hora de ouvir Adele! Don’t You Remember babys)
“When will I see you again?
You left with no goodbye, not a single word was said
No final kiss to seal any sins
I had no idea of the state we were in”
(Quando vou ver você de novo?
Você partiu sem um adeus, nem uma única palavra foi dita
Nenhum beijo final para selar qualquer pecado
Eu não tinha idéia do estado em que estávamos)
Catherine sentiu as lágrimas quentes rolando pela face de anjo que tinha. A dor que parecia antes poder ser suportável agora mostrava que nunca, nem que mil anos se passassem, sumiria, cessaria, desapareceria. Ela teria de conviver com aquela dor da perda para sempre. Gilbert Grissom nunca mais ficaria com ela.
“I know I have a fickle heart and bitterness
And a wandering eye, and a heaviness in my head
But don't you remember, don't you remember?
The reason you loved me before
Baby please remember me once more”
(Eu sei que tenho um coração inconstante e amargurado
E um olhar errante, e um peso na minha mente
Mas você não se lembra, você não se lembra?
A razão pela qual você me amou antes
Baby, por favor, lembre de mim mais uma vez)
Tomou todo o vinho que estava em sua taça e logo a encheu novamente. Repetiu essa atitude mais três vezes e sentiu-se um pouco zonza, mas nada que não estivesse acostumada. Queria apenas esquecer Gilbert. Nada mais que isso.
“When was the last time you thought of me?
Or have you completely erased me from your memories?
I often think about where I went wrong
The more I do, the less I know”
(Quando foi a última vez que você pensou em mim?
Ou você me apagou completamente de suas memórias?
Porque muitas vezes eu penso onde eu errei
E quanto mais eu penso, menos eu sei)
Por um momento ela se perguntou se a cantora não estaria cantando ao vivo e para ela, porque nunca uma música havia falado tanto do que ela estava sentindo como aquela.
“But I know I have a fickle heart and bitterness
And a wandering eye, and a heaviness in my head
But don't you remember, don't you remember?
The reason you loved me before
Baby please remember me once more”
(Mas eu sei que tenho um coração inconstante e inseguro
E um olhar errante, e um peso na minha mente
Mas você não se lembra, você não se lembra?
A razão pela qual você me amou antes
Baby, por favor, lembre de mim mais uma vez)
Cathy começou a chamar por Gil baixinho enquanto lembranças invadiam sua mente. Cada beijo, cada toque, cada sentimento que sempre ficava a flor da pele quando se falava dos dois... Por que tinha que acabar daquela maneira tão dolorosa?
“Gave you the space so you could breathe
I kept my distance so you would be free
I hope that you find the missing piece
To bring you back to me”
(Eu te dei o espaço para que você pudesse respirar
Eu mantive minha distância, assim você iria ser livre
Eu espero que você encontre a peça perdida
Para trazê-lo de volta para mim)
Como ela queria trazê-lo de volta... Mas quem ama de verdade quer ver o outro feliz. Se ele seria plenamente feliz com Sara Sidle... Quem era ela para atrapalhar aquilo. Ela sabia, apenas, que ela nunca mais seria a mesma Catherine Willows.
“Why don't you remember, don't you remember?
The reason you loved me before
Baby, please remember me once more”
(Por que você não se lembra, não se lembra?
A razão pela qual você me amou antes
Baby, por favor, lembre de mim mais uma vez)
Uma tempestade caía do lado de fora e ela abraçou as penas tentando controlar as lágrimas. A última frase da música foi repetida pela ruiva que sentia seu coração, agora, completamente morto.
“When will I see you again?”
(Quando vou ver você de novo?)
Quando os últimos acordes foram ouvidos por Cathy alguém tocou a campainha. Deveria ser Nick que, com todos os últimos acontecimentos e essa tempestade, teria ido ficar com ela com medo de ela fazer alguma besteira. Levantou-se e caminhou, ou melhor, arrastou-se até a porta com a taça de vinho na mão, enxugando as lágrimas. A campainha soou novamente.
–Já vai. – Ela disse enquanto colocava a mão na maçaneta.
Girou-a lentamente e, quando abriu a porta, os olhos ficaram esbugalhados.
–Boa noite Willows, eu estou aqui porque tenho uma promessa a cumprir. Preciso de um teto, comida, amor e Catherine Willows até o último segundo da minha vida, será que você poderia me dar tudo isso? – Gilbert Grissom, completamente encharcado disse com um sorriso lindíssimo nos lábios.
A moça não conseguia acreditar no que estava vendo e ouvindo. Ele havia voltado por ela mesmo? Ou aquilo era só o álcool fazendo efeito? Não, não podia ser o álcool ainda.
–Será que você pode me responder, porque o frio aqui não está muito agradável... – Ele disse sem graça.
Em um segundo ela estava olhando para ele assustada, no outro estava pulando em seus braços, abraçando-o apertado e sorrindo enquanto as lágrimas, agora de felicidade, caiam... Ele entrou com ela no colo, fechou e trancou a porta sem para de beijá-la e foi direto para o conhecido carpete da sala. Deitou-a delicadamente ali e, olhando nos olhos dela, sussurrou:
–Percebi como não posso ficar sem você Catherine Willows. Não entendo como, mas eu sou você, e você é tudo que eu tenho. Isso é feitiçaria? Porque eu amo você...
Ela sorriu e respondeu com um beijo. Ela julgou ser o melhor o beijo da sua vida, mas a noite estava apenas começando. Se amaram ali mesmo, no carpete da sala. Não havia alguém mais que ele ali mesmo. Quando o dia estava quase chegando novamente Gil adormeceu. Cathy, com toda aquela felicidade, não conseguiu dormir. Resolveu ler a carta de Sam. Abriu-a sem fazer muito barulho e começou a ler silenciosamente:
“Minha querida,
Hoje eu parei para pensar... Acho que você deveria dar tudo de si para esse tal de Gilbert Grissom. Percebi o jeito que vocês se olham e, nunca pensei que falaria isso, vocês foram feitos um para o outro. Se permita ser feliz minha filha. Não tenha medo disso. Eu posso te oferecer qualquer bem material, mas como o pai que quero tentar ser, mesmo depois de morto, te dou esse conselho porque bens materiais passam. O dinheiro não me livrou da morte, mas o pouco tempo que eu fiquei ao seu lado me mudou completamente. Você pode até achar que não, mas eu mudei.
Sei que você deve estar confusa com essa minha carta, mas eu não posso deixar de admitir que Gilbert Grissom é o único homem capaz de te fazer completamente feliz, e você também sabe disso. Eu espero, do fundo do meu coração, que você pense nisso com carinho, afinal você é cabeça dura como eu. Não repita meu erro. Sua mãe era tudo que eu queria e precisava, olha onde parei por causa desse orgulho bobo, idiota.
Espero que você seja muito feliz minha pequena Mugs, você merece.
Entregue seu coração a Gilbert Grissom.
Um beijo carinhoso daquele que sempre te verá como a pequena Mugs.
Sam Braun, ou apenas...
Seu pai.”
Catherine abriu um sorriso enquanto as lágrimas rolavam. As palavras de Sam estavam meio confusas e repetidas, mas ela sabia que era difícil demais para ele demonstrar aqueles sentimentos. De todas as cartas àquela era a que havia lhe tocado mais. Ah, se ele tivesse chegado antes... Não! Ela chegou no momento certo.
A ruiva olhou para o amor de sua vida ali, dormindo como um anjo, coberto apenas por um edredom, voltou o olhar para cima e agradeceu a tudo quanto era santo por aquele milagre... Gil havia escolhido aguentá-la até o último segundo de sua vida. Era bom demais.
–Pode deixar pai... Eu vou entregar meu coração a ele...
Cathy ficou algumas horas olhando Gil dormir, depois fez o café da manhã dos dois e foi acordá-lo com beijos e cheiros no pescoço.
–Por favor, me acorde assim todos os dias. – Ele disse com aquela voz rouca de recém-acordado que ela tanto amava.
–Posso até te acordar assim todos os dias, mas tem uma condição para isso meu bem. – Ela disse olhando para aqueles olhos tão azuis.
Ele sentou-se e olhando para ela em dúvida perguntou:
–Qual?
Ela olhou bem no fundo daqueles olhos e pediu, corada:
–Casa comigo?
Gil, pego de surpresa, ficou de boca aberta. Ela sabia qual seria a resposta, por isso começou a sorrir. Quando voltou a si ele disse:
–Eu preciso responder? Porque se você precisa de mais alguma resposta, eu grito para o mundo inteiro ouvir que sim! E sabe por quê?
Ela negou com a cabeça enquanto sorria mais.
–Porque eu te amo, Catherine Willows Grissom.
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