Don't You Remember
1 CAPÍTULO ÚNICO
Notas iniciais
I finally found someone Bryan Adams cantada por Kurt e Blaine (http://www.youtube.com/watch?v=LaXjRKAUyYo)
Red Taylor Swift cantada por Blaine (http://www.youtube.com/watch?v=t8FizVKazkg)
Blaine andava lentamente pelos corredores sem se importar com o que acontecia ao seu redor. Seu olhar era vago e seus passos um pouco apressados para uma visita casual. Suas mãos suavam e o velho homem ainda não tinha certeza se aquilo ajudaria ou apenas seria mais uma de suas tentativas frustrantes. Ele já havia perdido a conta de quantas vezes chorara naquele dia, mas por ele, choraria quantas vezes mais fossem necessárias para acabar com aquele sofrimento.
Abriu a porta lentamente segurando as flores em uma mão e um objeto escuro em outra. O quarto estava claro e bem arrumado como sempre as serventes o deixavam, mas Blaine não conseguia ficar naquele lugar por muito tempo. Forçou um sorriso e caminhou até a cama onde estava um homem de cabelos brancos cochilando. As flores agora repousavam em um vaso sob a mesinha e Blaine caminhava até o certo homem.
Era incrível que mesmo com seus vividos 62 anos ele ainda continuava lindo. Seu cabelo tinha o mesmo corte de antes e sua pele mostrava que todo aquele tempo gasto se hidratando havia valido a pena. Seus olhos descansados o deixavam com um ar tão... Sadio. Blaine nunca deixou de amar Kurt um minuto sequer, e jamais pensou nessa possibilidade. Se perguntavaàs vezes o que o outro homem via em si, ele era apenas mais um velho de cabelos brancos e seus velhos vícios em gravatas borboletas.
Semanas atrás quando visitara o marido naquele mesmo quarto, sofrera três vezes mais do que o normal. O homem não se lembrava de ter conhecido nenhum “BlaineDevon Anderson” em toda sua vida e foi naquele momento que Blaine percebeu que Kurt precisava de si mais do que nunca. Levou uma semana para fazer Kurt acreditar que era casado consigo e ainda tinha dúvidas se Kurt realmente se lembrava ou estava somente fingindo para evitar outra sessão de explicações, fotos e tudo mais.
Suas mãos agora estavam juntas, e como exatamente todas as outras vezes que isso acontecia Blaine sentia uma força maior do que ele percorrer seu corpo. O velho homem abria seus olhos lentamente acordando e encarando Blaine com um olhar cansado e pronto para desistir.
- Como está se sentindo? — Soou a voz rouca pela sala. Blaine fazia tudo para disfarçar que aos poucos também estava perdendo uma parte de si ao ver o marido naquele estado grave. Os próprios médicos já haviam lhe dito para desistir e que em poucos dias Kurt já não se lembraria mais de nada, e que apenas poucas pessoas conseguiam viver normalmente com essa doença.
- Eu já lhe falei que isso não é necessário. Eu posso muito bem ficar em casa! — Resmungou.
- Você sequer lembra onde fica nossa casa?
Kurt abriu a boca para responder, mas a fechou logo em seguida. Blaine estava certo, afinal, ele mal lembrava seu sobrenome e se estava internado era porque realmente era preciso. Sabia que Blaine faria qualquer coisa para deixá-lo bem.
- Exatamente como pensei. – Completou o mais novo. – Eu tenho uma surpresa pra você!
- É a alta desse hospital? Porque se não for você não precisa nem me mostrar.
Blaine balançou a cabeça ignorando o mau humor do marido e passou para as mãos de Kurt um caderno com a capa de couro, com um pequeno elástico impedindo-o de se abrir.
- Você se lembra disso? – Kurt negou com a cabeça. – Esse é o seu diário. Você escreveu alguns momentos de sua vida nele e eu realmente queria lê-lo pra você.
- Por quê? Eu me lembro de exatamente tudo que está escrito aí.
Blaine suspirou, tentando lidar com o humor do marido à sua frente. Kurt era do tipo tímido que não reclamava por nada, e assim iria levando até o momento que explodisse sozinho com seus pensamentos. Estava em uma situação que era preciso trabalhar em equipe, mas Kurt não queria arrastar Blaine para a teia de problemas que carregava consigo.
- Kurt, o Alzheimer é uma doença que vai apagando algumas memórias do seu cérebro com o tempo, e ela apaga as memórias recentes primeiro e depois vai afetando as antigas, mas o seu caso é raro e acontece exatamente ao contrário. Eu gostaria que você se lembrasse de tudo, dos momentos que passou e... E dos momentos que nós passamos juntos. Você confia em mim?
O castanho demorou, pensou em hesitar, porém assentiu lentamente com a cabeça enquanto Blaine puxava uma poltrona para perto da cama para começar a história. Era horrível pensar que o amor que Kurt sentia por si havia ido embora e aquele em sua frente era apenas uma casca vazia, onde agora habitava uma pessoa totalmente desconhecida.
- Que pelo menos minha vida tenha sido um pouco agitada! – Suspirou, esperando seu suposto marido começar a narrar sua vida. Olhava aquele homem que dizia estar casado consigo há anos e não acreditava que se esquecera de uma pessoa tão perfeita assim.
- Tudo começa há 40 anos atrás, em 2011. – Blaine arrumou seus óculos e abriu o diário em sua primeira folha. “Querido diário, não sei como começar a narrar minha vida por aqui, pois nunca me interessei por coisas estúpidas assim. Eu sou Kurt Hummel e aqui vai estar narrada minha vida. Começando hoje, posso contar que os dias no café onde trabalho nunca foram tão chatos...”
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- Rachel, será que dá pra fazer o pedido da mesa 15? Faz horas que eu te pedi e eles estão esperando! Foca aqui! – O castanho estalava os dedos diante dos olhos da diva.
- Me desculpe! Eu estava viajando...
- Por causa do meu irmão. Sim, vocês terminaram e você tem que lidar com isso, sem deixar que interfira no seu trabalho. Será que dá pra fazer dois descafeinados e um médio? Pra ontem.
- Pode deixar, gato!
E sorrindo a mulher entrou diante das máquinas de café.
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-... “Rachel Berry é a menina mais irritante de Lima, mas ao mesmo tempo ela consegue ser a garota que mais me compreende também. Em uma cidade pequena é difícil achar uma pessoa qual você se identifique tanto, mas Rachel pra mim é como se fosse uma irmã mais nova. Meu irmão Finn terminou com ela há algumas semanas e a coitada ainda não superou isso. Ela pode ser meio avoada, mas pra dispensá-la, tem que se teruns parafusos a menos. A garota é perfeita.” – Blaine sorria enquanto lia, e Kurt também. Se o velho homem esperava algo agitado de sua vida, com certeza não teria.
- E você, onde estava enquanto isso acontecia? – Interrompeu a leitura para perguntar.
- Eu estava em alguma aula da minha faculdade tocando piano, fotografando enquanto meu amigo Wes me convencia a encontrar alguém para namorar. Eu fiz fotografia na Universidade de Ohio, e você fazia moda em horários diferentes, por isso nunca nos encontramos lá.
- Então quando nos encontramos? – Perguntou ansioso pela história.
- Logo. – Suspirou animado com o entusiasmo de Kurt em saber a história e voltou a folhear as páginas velhas daquele diário. – Aqui vamos nós... “Definitivamente, os dias no café estão sendo mais chatos que as aulas sobre história da moda com a Sra. Donahn!!!! Rachel sempre encontra um jeito de falar de Finn e de me encher de perguntas se ele está com outra ou não...”
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- Ele não terminou comigo. Estamos dando um tempo. – A morena batia os pés contra o chão enquanto Kurt gargalhava limpando o balcão sujo de café.
- Você está se ouvindo, pelo menos, Rachel?
E a gargalhada apenas aumentava. Duas mesas do café apenas eram preenchidas por clientes. No canto havia um casal de velhos senhores que sempre vinham às terças-feiras jogar seu clássico xadrez e em outra um casal que parecia ter acabado de reatar.
Perto dali, Blaine deslizava seus dedos pela vitrine da loja. Diante dele estavam as últimas câmeras fotográficas lançadas que tinham o poder de fotografar qualquer pensamento. Os olhos de Blaine brilhavam igual aos olhos de um cachorro cobiçando um brinquedo novo.
- Wes, olha aqui. – Puxou o amigo pelo braço enquanto apontava para um modelo que estava em promoção. – Com aquela máquina eu posso tirar fotos até morrer. Ela tem a tecnologia avançada de anos.
- E com esse preço é bom mesmo, porque vai terminar de pagar só quando tiver uns 50. – Ignorou o amigo. – Vamos, Blaine. Vamos acabar nos atrasando e você sabe como Cooper é pontual.
- Só mais um pouco! – E Blaine encarava a vitrine mais uma vez antes de continuar caminhando rua abaixo com remorso de ter aceitado o convite de jantar de seu irmão. Definitivamente voltaria naquela loja para testar o aparelho.
Outro dia havia chego e Kurt se encontrava no dilema de se devia contar para Rachel ou não. Não queria esconder coisas da amiga, mas precisava.
- Chegou cedo, Hummel. – Rachel amarrava seu cabelo assim que colocava o avental do pequeno café no final da rua. O castanho distribuía copos sob o balcão com os pensamentos longe. – Kurt?
- Oi... Sim? – Disse distraído.
- O que aconteceu? A distraída aqui sempre sou eu.
- Eu não sei se deveria te contar isso, mas vou porque te considero... É o Finn... Ele voltou com a Kel...
- Como assim ele voltou com a Kel? Duas semanas depois de terminar comigo? – Agora Rachel deixava claro para todos os funcionários do café que estava descontrolada.
- Fala baixo, Rach.
- Eu não preciso dele! Eu sou bonita, esperta e talentosa e quem perdeu nessa história foi somente ele. – Tentava mentir, mas tinha seus olhos cheios de lágrimas. Kurt se arrependeu de ter contado imediatamente. – E quer saber? Eu estou totalmente bem com isso.
- Você tem certeza?
Rachel estava limpando a máquina de chantilly (coisa que ela só fazia antes de feriados), então definitivamente ela não estava bem.
- Sim, estou ótima. – Tinha um sorriso amarelo nos lábios. – E quer saber? Pra comemorar que agora estou livre dele, eu vou dar em cima do primeiro cara que vier aqui hoje!
- Rach... – Alertou Kurt.
- Não, Kurt. Ele precisa ver que eu estou bem com isso, e eu preciso mostrar pra mim mesma que EU estou bem com isso. – Tomou um gole do café que estava em cima do balcão que deveria ser de algum cliente e entrou na cozinha bufando. Kurt riria se não estivesse preocupado com o que a amiga faria, então a seguiu.
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- Eu não acredito que você fez isso! Você faz tudo por impulso, Blaine. Você tem 21 anos, mas parece uma criança de 6. Você sequer pesquisou se essa câmera estava mais barata em outro lugar e pôs-se a torrar toda sua mesada nela e... – Wes se virou para Blaine. – Você nem está ouvindo, está?
- Não.
Blaine tinha os olhos brilhantes e um sorriso de orelha a orelha que poderia curar um câncer de longe. Em suas mãos o motivo para tanta alegria, a tal câmera que Blaine namorava há semanas na vitrine da loja. O moreno era apaixonado por fotografia e achava que mil dólares gastos em uma câmera fotográfica valeriam a pena.
- Você quer um café? – Disse assim que passavam em frente a uma cafeteria que ficava no caminho da faculdade.
- Você paga? – Colocou um sorriso falso no rosto.
- Vem! – Se deu por vencido. – Mas da próxima vez quem paga é você! E não café, pizza. De queijo e calabresa! Sem reclamar! — Ambos riram e entraram no estabelecimento procurando uma mesa mais afastada aonde poderiam conversar tranquilamente.
- Rachel, cliente na sua mesa.
Gritou Samantha, uma menina ruiva que era encarregada de reabastecer as máquinas de grãos. Do meio de máquinas e copos a baixinha andava rápido pegando seu bloquinho de anotações e um dos cardápios. Seus passos curtos finalmente chegavam à mesa dos dois novos clientes. Levou a mão ao cabelo arrumando sua franja, tomou ar e foi pronta para atender.
- Bom dia, meu nome é Rachel e eu vou atender vocês hoje. Posso oferecer alguma coisa para comer? – Disse com seu sorriso simpático e cativante.
- Eu vou querer um muffin de chocolate. E você, Blaine? – Perguntou o amigo um pouco irritado sobre o fato de o moreno estar no mundo da lua enquanto mexia em sua nova máquina.
- Nada. Obrigado. Wes, você já viu que essa câmera tem a função de detectar sorrisos? Sem você apertar ela fotografa assim que todos estiverem sorrindo.
- Se for afoto de um velório não daria muito certo. – Brincou a atendente, mas todos a encararam em dúvida. – Ah... Ok... E pra beber?
- Dois macchiatos com caramelo.
- Trazendo.
E a moça saiu um pouco irritada pelos jovens não terem rido de sua piada (que era muito boa por sinal), sorriu lembrando-a. Em alguns minutos o pedido já estava em cima do balcão e a moça já se aprontava para levar, quando o sino da porta se abre e dela aparece Finn. “Merda, merda, merda” pensava a morena a o ver. Ignorou e com seu melhor ar de diva passou ao lado do ex, levando sua bandeja com o nariz empinado.
- Kurt! – Disse Finn abraçando o irmão.
- Oi Finn. Por que você veio aqui? Rachel ainda está um pouco abalada com o término de vocês, e você sabe que eu não posso ficar recebendo visitas no trabalho.
- Ajudaria se eu pedisse um cappuccino? – Kurt assentiu e foi preparar o café do irmão. – E sobre Rachel, ela não parecia muito abalada com o fim do namoro.
- Acredite, ela está. Mas o que você veio fazer aqui, afinal?
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“Maldito Finn. Maldito cabelo perfeito e maldita roupa do time de futebol que cai perfeitamente sobre seu corpo.” Seus pensamentos estavam bem longe daquela mesa qual servia.
- AI! – Gritou o jovem que agora tinha café quente sob seu corpo, junto com algumas queimaduras, provavelmente.
- Ai, me desculpa. Eu estava distraída, me desculpa! – Desesperou-se Rachel.
- Que descaso! – Gritou Wes chamando a atenção de todos no café.
- Me desculpa, pelo amor de Deus. Não conte que eu estava distraída! Eu não posso perder esse emprego. – A morena estava desesperada.
- Ainda respingou em sua câmera nova, olha aí! – Disse Wes para Blaine que ao ouvir isso acabou arregalando os olhos com medo.
- Eu arrumo isso! – Rachel gritou e antes que alguém pudesse fazer alguma coisa a morena já tinha em mãos a máquina fotográfica nova.
- Cuidado! Ela foi muito cara e é uma das melhores no mercado e...
POW. De repente a máquina estava em pedaços no chão.
- Deixa pra lá. – Blaine revirou os olhos.
Kurt viu a confusão que acontecia no fundo do café e tinha quase certeza que isso estava acontecendo por causa da presença de Finn. Nesse instante Rachel olhou para Kurt, procurando por ajuda, e o castanho, se desculpando por deixar Finn sozinho, foi até a mesa ver que estrago a morena havia feito.
- Ai meu Deus, essa câmera era muito cara mesmo? – Perguntou preocupada, pois teria que pagar pelo estrago, mas também precisava de dinheiro para pagar a faculdade.
David assentiu com a cabeça, enquanto Blaine estava totalmente branco e pálido olhando os pedacinhos da câmera no chão.
- Me desculpem pela atendente. – Uma voz calma falou, fazendo Blaine levantar a cabeça e encarar a nova pessoa no recinto. Aqueles olhos eram um poço para se perder, pensou o moreno. – O que aconteceu aqui?
- Essa louca derrubou o café no meu amigo e ainda quebrou sua câmera nova. – Wes bufou.
- E-está tudo bem. – Blaine disse encarando os olhos claros daquele homem.
- Me desculpem mais uma vez. Rachel, me espere lá dentro, sim? – A morena assentiu e saiu quase correndo de tão envergonhada. Kurt voltou a olhar o estrago. – Pedimos enormes desculpas sobre o ocorrido, ela é nova e ainda está se acostumando... E sobre a câmera, fazemos questão de pagar. Quantos que ela vale?
- Bom... – Blaine sorriu sem graça, revirando os olhos. Kurt por um momento achou que não poderia mais viver sem aquele sorriso. – Comprei ela há alguns minutos, por três mil...
- Três mil?!! Ela faz o quê? Salva a fome da África? – Os garotos o encararam. – M-me desculpe. V-vou na gerência pegar o cheque.
E o castanho saiu com um pequeno rubor nas bochechas.
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-... “Naquele momento que segui até a gerência tinha certeza que aquele cara com o lindo sorriso não voltaria aqui tão cedo. E por um momento achei que não conseguiria viver sem aquele sorriso.” – Blaine sorriu ao ler no diário de Kurt a primeira impressão do casal.
Kurt em sua cama de hospital tinha um pequeno sorriso nos lábios, o que fez Blaine encher seu coração de esperança. Aquilo poderia ser o começo de uma lembrança. Estaria Kurt voltando a lembrar de todos os momentos?
- V-você consegue se lembrar disso? Desse sentimento que teve quando nos conhecemos?! – Perguntou animado, cheio de expectativas.
- Não... – Kurt falou com um pé atrás e os olhos de Blaine perderam o brilho totalmente. Arrumou seu cabelo branco cheio de gel e começou a contar novamente. Folheou algumas páginas e parecia ter achado o dia perfeito.
- “Depois do ocorrido semana passada, eu tinha que tomar mais cuidado com Rachel. Finn estava totalmente proibido de visitar o café, porque da próxima vez, quem pagaria o estrago seria ele!”...
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O café estava vazio e apenas Rachel e Kurt trabalhavam naquele dia. O único som naquela sala era o som do esfregão contra o chão e o das máquinas sendo ligadas. Rachel estava tão desligada da tarefa que estava fazendo que em alguns segundos se encontrava dançando com o esfregão no meio do café.
- Hands touch, eyes meet. Suddensilence, suddenheat. – Cantarolava um pouco baixo, pensando no dia que finalmente interpretaria Elphaba na peça da universidade. — Heartsleap in a giddywhirl. He could be that boy, but I'm not that girl.
Antes que abrisse a boca para cantar outro verso, uma voz doce veio do meio das máquinas de café, completando a música.
- Don't dream too far. Don't lose sight of who you are. – Kurt apareceusorrindoparaaamiga. A conexão dos dois era indiscutível, e se Rachel interpretaria Elphaba, Kurt com certeza estaria interpretando o Wizard.
- Don'trememberthat rush ofjoy… — Cantaram os dois juntos, que agora dançavam no meio do café.
- He could be that boy. I'mnotthat girl! – Rachel tinha a voz forte e olhos fechados. Ela realmente amava aquele musical, amava aquela música... E amava Kurt. — Ev'ry so often we long to steal. To the land of what-might-have-been, but that doesn't soften the ache we feel when reality sets back in.
- Blithe smile, lithe limb. She who's winsome, she wins him. – O castanhopiscouparaaamiga. — Gold hair with a gentle curl, that's the girl he chose. AndHeavenknowsI'mnotthat girl.
O sino bateu e a porta se abriu, mas os dois amigos estavam tão animados na performance que sequer viram que agora tinham uma plateia para quem cantar. Rachel tinha o pensamento em Finn forte, e cantava mais ainda.
- Don't wish, don't start. Wishingonlywoundstheheart I wasn'tborn for the rose andthepearl… — Kurt tinha Rachel nos braços e o brilho dos olhos da morena que haviam sumido quando havia terminado seu namoro com Finn agora estavam de volta, junto com um enorme sorriso em seus lábios.
- There's a girl I know. He lovesherso, I'mnotthat girl. – Gritaram juntos o final da música, sorrindo um pra o outro e finalmente felizes, depois de muito tempo.
- Bravo! Mas eu só queira um latte... – Disse o homem na porta que aplaudia rapidamente. Rachel e Kurt caíram na gargalhada e foram servir o homem que gostara da apresentação.
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-...”Eu não iria reclamar se ele fosse um produtor de um dos musicais da Broadway e nos chamasse para uma peça.” – Blaine gargalhou baixo e encarou Kurt. – Está gostando da história de sua vida?
- Sim, parece bem animada. – O velho deixou o sorriso de seu rosto ir embora. — ...Uma pena que eu não me lembre de nada disso... Muito menos de você...
Blaine deixou seus olhos se enxerem e limpou a garganta. Deu um pequeno sorriso ao homem em sua frente e folheou o diário mais algumas vezes. – Aqui! “E algo que eu pensei que nunca aconteceria novamente, aconteceu...”
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Kurt anotava o pedido do mês enquanto Rachel atendia alguma mesa de algum casal que ainda escolhia seu pedido (depois de severos minutos). A porta havia sido aberta e dela saía um garoto baixo, segurando seu laptop e sua câmera fotográfica. Blaine não demorou muito para escolher uma mesa e se sentar, abrir seu laptop e começar a trabalhar.
“Um pouco mais de contraste... Talvez se eu colocar mais brilho aqui no canto...” Blaine tinha seus óculos e suas olheiras de quem não dormia há dias. Havia sido contratado por uma pequena empresa para tirar algumas fotos dos pontos turísticos de sua cidade. Isso não parecia ser um bicho de sete cabeças, mas Blaine queria fazer disso algo especial. Queria dar tudo de si nessas fotos, e parecia nunca se agradar com isso.
- Você já viu quem está aí? – Rachel apareceu finalmente com o pedido da mesa no canto do café. – O moço da câmera. – Apontou para a mesa onde Blaine estava sentado.
- Tire o pedido, mas não deixe o café cair dessa vez. – Kurt brincou e entregou um bloquinho para Rachel que mostrava a língua e ia até a mesa do moreno.Não demorou muito e a jovem já estava de volta.
- Umlatte sem espuma, um cookie e um beijinho do garoto que está no caixa. – Brincou Rachel, mas Kurt simplesmente a ignorou e foi fazer o pedido do jovem.
- Qual é. Você falou dele a semana toda!
- Não deixe o café cair dessa vez.
Entregou a bandeja para Rachel e continuou a fazer seu pedido, mas dessa vez, seus pensamentos estavam bem longe dali. Não tão longe... A algumas mesas.
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-... “O gerente me mataria se eu pedisse algo acima do que deveria, mas meu pensamento estava somente naquele sorriso e naqueles olhos.” Você foi fisgado, hein?
Os homens sorriram, e Blaine antes que continuasse a ler o diário olhou rapidamente em seu relógio. Folheou mais algumas vezes e achou o dia perfeito.
-... “Rachel não parava de me incomodar. Eu não seria o culpado se por acidente ela caísse sob a máquina de moer grãos...”
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- O de sempre? – Perguntou Rachel para Blaine, que novamente estava com seu notebook e sua máquina. O moreno assentiu, sem tirar os olhos da tela aonde editava novas fotos.
A morena colocou um sorriso no rosto assim que viu que Kurt olhava fixamente para Blaine. Ela sabia que algo aconteceria ali, e que quem plantaria a sementinha do amor seria ela.
- O de sempre. – Sussurrou para o amigo.
- O de sempre saindo!
Seria demais falar que Kurt sabia exatamente o que Blaine pedia? O mesmo latte sem espuma de sempre, e de acompanhamento um cookie médio. Ele tomaria metade do café enquanto mexia no laptop e depois começaria a comer o cookie. Rachel recolheria o pedido e quinze minutos depois ele sairia pela porta, levando o mistério consigo, e deixando 15 dólares de gorjeta (sete dólares a mais do que o próprio consumo).
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-... “Rachel nunca descansava de me lembrar do homem do café.”...
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- Ei, Kurt, venha aqui. – Era hora de fechar o café e Rachel estava no computador enquanto Kurt fechava as contas.
- O que foi?
- Blaine Devon Anderson. – Sorriu mostrando o facebook aberto na página do homem do café. Kurt sentiu todos os pelos do corpo arrepiarem e não sabia se conseguia voltar ao ritmo normal de respirar.
- C-como você achou ele?!
- Só um presentinho pra você.
Rachel piscou, pegando sua bolsa e saindo pela porta do café. Kurt deveria sair também em cinco minutos, mas tinha em sua frente um facebook cheio de informações sobre o homem que não deixava seus sonhos em paz. É claro que se atrasaria pelo menos um pouco. Quem sabe Kurt encontrasse algo que fizesse esse homem se tornar repugnante, e poderia enfim esquecê-lo.
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-... “Mas não achei nada. Pior ainda, coloquei a foto de Blaine como papel de parede do meu celular. Tudo que li foi joia, o que me fez ainda ficar mais obcecado por aquele homem que agora vinha no café quase todos os dias.”
- Que cara psicopata. – Brincou o velho na cama, tirando um sorriso de Blaine. Kurt sabia que seu estado era crítico, mas aquele sorriso mexeu com alguma coisa. Ele lembrava daquele sorriso, e não era uma lembrança recente. Blaine folheou algumas páginas e achou o fato perfeito para ler, exatamente um mês depois do que lia antes.
-... “Sem palavras. Há um mês, ou até dois, eu nem saberia o que fazer. A faculdade anda cada vez mais puxada e eu sequer tenho tempo no café para admirar Blaine.”...
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- Cada grupo terá que criar um desfile, sem tema original. Vocês terão que arrumar um lugar, roupas, costureiras e tudo mais. Esse trabalho vale metade da nota final de vocês. É um trabalho que vai praticamente mudar a visão de vocês sobre a moda casual e formal. – O professor anotava no quadro tudo sobre o trabalho e na mente de Kurt mil ideias surgiam.
- Ei, Kurt, vamos alugar o salão principal da faculdade. Minha tia é decoradora e eu tenho certeza que ela vai nos ajudar. – Sussurrou Thad para o companheiro de grupo.
- É uma ótima ideia. Eu posso costurar as roupas desde que tenha um lugar para pendura-las, e o salão é perfeito. Podemos falar com o reitor hoje mesmo! – Kurt estava animado com sua tese.
- Viemos à tarde. – Sorriu para o amigo e voltaram a prestar atenção na aula.
A tarde havia chegado e os amigos do carro saíam em direção ao estacionamento da faculdade. Era um mundo totalmente diferente ir à faculdade no período vespertino. Pessoas novas passavam pelos rapazes e Kurt tinha certeza que Thad não conseguia tirar o olho de uma menina que estava no bebedouro. Rachel resolveu vir com os rapazes, já que hoje o café havia lhes dado folga.
- Se eu soubesse que os garotos bonitos estudam à tarde eu não tinha passado esse perrengue que passei ao terminar com Finn. – Brincava. – Acho que enquanto vocês falam com o reitor vou dar uma voltinha por aí...
Kurt ria ao ver a amiga arrumando o cabelo e piscando para alguns garotos. Thad e Kurt caminharam até a gerência enquanto Rachel ia até a praça ver se conseguia arranjar alguns números de telefones. Na verdade, foi um plano falho, porque Rachel estava sentada em um banco jogando Angrybirds e tomando um sundae, comprometendo a sua tão falada dieta.
- Malditos porcos. – Resmungou guardando o celular em sua bolsa. – Cadê o Kurt?
- Não vi você no café hoje. – Uma voz atrás de si fez Rachel virar e abrir um enorme sorriso. Era o homem do café. – E nunca vi você aqui, também.
- Vim acompanhar um amigo... Estudamos aqui pelo período da manhã, e ficamos no café no resto dos horários. Hoje coincidiu que era nossa folga... Você faz faculdade aqui? – A morena tinha um sorriso no rosto. Agora Blaine estava sentado ao lado de Rachel.
- Sim. Fotografia moderna, um saco, não?
- Na verdade, eu me interesso muito. Sempre quando vou fazer seu pedido acabo dando uma espiadinha no seu laptop e vejo as fotos maravilhosas que você tira.
Blaine sorriu e Rachel entendeu a fixação de Kurt por seu sorriso.
- E esse seu amigo te deixou aqui sozinha?
- Ele foi falar com o reitor sobre um trabalho que ele precisa fazer. Estou aqui o esperando. Você lembra dele, certo? Do café... – Rachel tinha em mente segundas intenções.
- Quando você derrubou café quente em mim e quebrou minha máquina? Claro que eu lembro. – Gargalhavam. – Você é a menina mais desastrada que eu já conheci.
Rachel tinha um sorriso no rosto, mas estava preocupada. Blaine estaria dando em cima dela? Mas ele deveria ficar com Kurt... Mas ao mesmo tempo ele era tão lindo e divertido... DROGA. Continuaram conversando, porém Rachel agora tinha um pé atrás e de vez enquanto dando cortes. Descobriu algumas coisas sobre o moreno que Kurt ficaria louco em saber.
- Meu telefone, um minuto. – Rachel atendeu. – Alô? Estou aqui na praça, no banco aonde eu costumava ficar com Finn. Cala a boca e vem aqui. Tchau. – Era Kurt, o que fez Rachel ficar com um sorriso enorme no rosto.
- Era seu amigo? Acho melhor eu ir indo...
- NÃO! F-fica.
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-... “Não poderia estar mais feliz. O reitor não só havia autorizado o desfile, mas também havia prometido que traria jurados conhecidos nacionalmente, pois o mesmo era um fã da moda moderna. Só me faltava ir para casa e contar para todos. Mas...”
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- Eu acho que deveríamos comemorar! – Dizia Thad ao caminho da praça.
- Vamos convidar Rachel para tomar um sorvete? Eu acho que ela pode dar uma pausa na “dieta” dela... – Gargalharam.
- THAD! KURT! – Gritou a amiga acenando. Kurt continuou conversando com o amigo e sequer percebeu a companhia da pessoa ao lado da amiga.
- Ela se deu bem. – Sussurrou Thad assim que chegou ao banco.
O encontro de olhares foi incrível. Blaine não se lembrava de que os olhos de Kurt eram tão hipnotizantes, e Kurt não se lembrava de que... Na verdade, tinha a imagem de Blaine em sua mente quase todos os dias, mas era muito melhor ao vivo.
- Blaine, esse é o Thad, e esse é o Kurt, do café.
Rachel tinha um sorriso de orelha a orelha e naquele momento Kurt só queria matá-la. Thad percebeu o clima e resolveu sair, dando alguma desculpa esfarrapada e se despedindo.
- É bom ver vocês dois sem nenhum café por perto... – Brincou Blaine e Rachel gargalhou forçadamente. Kurt tentou segurar o sorriso, mas não conseguiu.
– Você conseguiu falar com o reitor? – Perguntou Rachel.
- Sim, ele vai conceder pra gente. E Thad teve a ideia de irmos comemorar... Íamos na sorveteria, que tal?
- Maravilhoso. Blaine, você quer ir com a gente?
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- ...”Tudo o que eu queria era pegar a coisa mais próxima e jogar contra Rachel Barbra Berry. Aquela baixinha não tinha limites, com certeza ela não tinha. Felizmente Blaine não pôde pois tinha aula, mas fez questão de remarcarmos para outro dia... Ai.”
- Essa Rachel é bem irritante... – Disse o velho homem, se divertindo com a história.
- Você nem imagina. Semana passada você me pediu pra te apunhalar, não se lembra? Ela veio te visitar e ficava te fazendo lembrar coisas...
- AQUELA ERA A RACHEL? – Gargalhou. – Meu Deus, eu jurei pra mim mesmo que se aquela mulher aparecesse aqui novamente eu iria dar um jeito de abrir essa janela e me jogar dela... Você se acostumou com ela, pra mim ainda é tudo novo. O marido dela é legal, o Wesley... ESPERA... Wesley... Wes? O cara da história Wes? – Perguntou assustado.
- Esse mesmo. – Blaine sorriu. – Deve estar tudo escrito aqui, talvez você queira ler depois.
- Ah, com certeza eu quero! Agora continue... A história tá ficando boa. – Kurt sorria, fazendo suas rugas ficarem atraentes para Blaine, que folheou e achou o dia perfeito para ler, já que Kurt estava animado em saber.
- Esse acontece alguns dias depois... “Sextas-feiras sempre foram tediantes, ainda mais se você tiver que ficar trancado no quarto porque todos da sua casa estão gripados e você não pode ter contato com eles já que segunda-feira você tem a apresentação de um importante trabalho...”
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Kurt estava sentado na cama, cheio de folhas espalhadas e algumas xícaras usadas. Em seu colo tinha o notebook com o editor aberto com todo seu trabalho. Faltava alguma coisa, faltava inspiração para Kurt continuar a dissertar. Mudou para a internet, onde o facebook apitava uma nova conversa.
Rachel Berry diz: URGENTEEEE!!!! Abre o perfil do Blaine A-G-O-R-A!!!!!!!Plmdds.oo:
Kurt Hummel diz: Calma! Vcas vezes me dá medo! n_n
Kurt digitou o endereço do perfil de Blaine, uma vez que não tinha coragem de adicioná-lo como amigo, e foi procurar o motivo de Rachel estar tão desesperada, e achou. Era realmente algo para se descabelar.
Blaine Devon Anderson compartilhou a foto de Universidade de Ohio, mas não qualquer foto, a foto do desfile de Kurt. E ainda comentou “não perco por nada! (((:”. Seu coração começou a disparar mais do que o normal e tinha medo de que algo ocorresse errado.
Rachel Berry diz: RESPIIIIIIIIIIIIRA, MENINA! Mds, tô sem palavras. ELE VAIIII! *-*
Kurt Hummel diz: Ele vai, e...?
Kurt tentava não mostrar pra Rachel o que realmente sentia, porque o que o castanho realmente queria fazer era gritar para os sete mundos.
Rachel Berry diz: Ei, você nem sabe o que a Nancy me contou!!!oooo:
Kurt Hummel diz: Fofoqueira!!!Oq ela te disse?
Rachel Berry diz: Ignorando o que você disse antes... Ela me disse q estudou com Blaine um período, o q faz todo o sentido já que os dois fazem fotografia!!!!
Kurt Hummel diz: Você contou sobre o Blaine para Nancy???Dps fica brava quando te chamo de fofoqueira!!!):
Rachel Berry diz: Vc vai me agradecer! Ela disse q há 3 anos o Blaine tava namorando. Um gato. Um homem. Um garoto. Um boy. Uma pessoa do sexo masculino. Um gay... (Rachel está digitando.)
Kurt Hummel diz: Eu já entendi.
Rachel Berry diz: Qbom, pq eu já tava ficando sem adjetivos.
Kurt Hummel diz: Tchau. (Kurt Hummel está offline.)
Kurt Hummel na verdade estava morto. É claro que Blaine era gay, afinal, eleiria a um desfile de moda, e não a um jogo de futebol, mas era difícil associar que seu sonho estava tão perto.
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-... “Mas o pior do dia estava por vir. Estava eu apenas admirando seu facebook, olhando pela quadragésima vez a foto compartilhada e simplesmente como impulso apertei em ‘Curtir’. Foi o momento mais desesperador da minha vida, os cinco segundos até pressionar ‘Curtir (desfazer).’ Só espero que Blaine não tenha visto.” – Blaine sorriu. – Eu vi.
- Nossa... E você gostava de mim já?
- Eu tinha curiosidade em te conhecer melhor, mas sim, eu tive a mesma reação que você teve quando vi que você havia curtido minha publicação. Foi quando te pedi em amizade no facebook... E você aceitou.
- É claro que aceitei. Eu fiquei com sua janela aberta por horas esperando você digitar alguma coisa.
- V-você se lembra disso? – Blaine novamente tinha os olhos cheios de lágrimas.
- P-parece que sim... Continue. – Tinha um sorriso sincero no rosto.
Blaine limpou a garganta, folheou algumas páginas e se familiarizou com o dia e então começou a ler.
-... “Faltava apenas um mês para o desfile e tudo estava indo tão bem... O balcão do café estava cheio de amostras de tecidos e foto de modelos.”...
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- Eu quero ser uma das modelos. – Comentou Dani, a caixa do café.
- Eu também. – Rachel falou assim que entregou uma das bandejas.
- Todas vocês irão. Até você, Jessica. – Disse para a mulher que lavava as xícaras, que deu um sorriso enorme.
- Quando que você vai começar a costurar?
- Hoje, depois do café. O tecido já está na minha casa junto com as medidas... Tudo tem que dar certo!
- Principalmente porque aquela pessoa vai, não é? – Rachel piscou e foi atender mais uma mesa que havia chegado. Kurt simplesmente a ignorou e voltou a trabalhar.
Todos já haviam ido embora nessa altura e somente Kurt estava no café. Ele fechava contas e terminava de limpar algumas mesas, quando o sino da porta tocou. Sem tirar os olhos dos pedidos, Kurt simplesmente alertou.
- Já estamos fechando.
- Não ganho nem um cafezinho? – Disse Blaine sorrindo.
- Ah, oi. – Seu coração pulava. – Tudo bem, entre. Latte sem espuma? Estamos sem cookie hoje. – Blaine assentiu e se sentou junto ao balcão.
- São seus? – Disse vendo modelos de roupas desenhados, Kurt somente assentiu e se virou novamente. – São muito bons.
- Obrigado. – Entregou o café e voltou a fechar o caixa.
- Não é a toa que seu desfile está sendo falado por toda a universidade... – Deu um gole.
- Talvez você devesse ir... – Sorriu.
- Eu vou, com toda a certeza. – Blaine sorriu, lembrando-se de Kurt curtindo sua publicação.
- Talvez você devesse ir como fotógrafo... – Kurt deixou escapar. “Merda, Kurt. Mas que merda foi essa?” pensava o castanho.
- Você está me convidando?
- Na verdade, eu estou te contratando... – “De novo estragando tudo, Kurt?” – Digo... Rachel me fala todos os dias como suas fotos são espetaculares... E eu preciso de alguém que registre isso. Eu pago bem! – Dizia decidido.
- Okay. – Blaine sorriu. De repente um flash tomou conta do rosto de Kurt.
- O que foi isso?
- Essa é pro makingof. – Disse Blaine segurando uma máquina profissional.
Mostrou a foto de Kurt no visor da máquina, que sorriu e inconscientemente corou. Os dois jovens continuaram conversando, perdendo a noção do tempo. Kurt nunca havia se divertido tanto.
- Desculpa interromper, mas que horas são? – Perguntou Kurt.
- Quase dez.
- Meu deus, eu tinha que estar costurando as roupas do desfile!
FLASH.
- Desespero, pro making of. – Sorriu. — Tudo bem. Vamos fechar aqui, e você vai.
Blaine se levantou e ajudou Kurt. Lavaram as xícaras e limparam as mesas. Kurt pegou sua bolsa e foi caminhando até a saída com Blaine.
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-...”Como um príncipe, Blaine abriu a porta pra mim. Nenhum dos dois percebeu que a porta era muito pequena para passar duas pessoas ao mesmo tempo, e acabamos quase abraçados e ainda não conseguimos passar. Me peguei olhando para aqueles olhos verdes e ele olhava para os meus. Não tinha percebido o quão baixo ele era até então...” EI.
Kurt sorriu e Blaine continuou a ler.
- “Blaine sorriu apenas, e eu acabei me perdendo naquele sorriso novamente. Inconscientemente já estava sorrindo também. Nunca fui de tomar atitude, Adam que sabe isso. Acabamos terminando por causa da minha falta de interesse. Antes que eu pudesse tomar uma atitude, as mãos de Blaine estavam em minha cintura e ele havia sussurrado um breve “posso”? Falei um “fazer o quê, né?” sorrindo e antes que pudesse perceber os lábios de Blaine vieram contra os meus.” – Blaine virou a página. – Ué, não tem mais? Você não escreveu mais???
- Pelo visto não... – O velho homem parecia decepcionado. – Eu quero saber como foi nosso primeiro beijo. Me conta o seu ponto de vista.
- Não...
- Por favor?! – Forçou um sorriso e Blaine gargalhou baixo, assentindo.
- Bom... – Contava envergonhado. — Eu lembro que quando te beijei tudo começou a fazer sentido. A vontade de eu ir ao café todos os dias aumentou, a vontade de eu transferir meu curso pra manhã aumentou só pra eu poder te ver, e se não estivéssemos num lugar tão apertado, ficaria com você nos meus lábios por dias... – Corou levemente enquanto Kurt sorria apaixonado.
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O beijo foi lento e molhado, e o corpo colado dos dois só fazia o coração palpitar cada vez mais. Ambos já haviam ficado com outras pessoas, mas nunca rolou a química tão grande como dessa vez. O beijo foi acabando lentamente e a respiração dos dois só aumentava, até que estavam finalmente de teste coladas, ambos com sorrisos no rosto.
- Essa foi pro makingof também? – Kurt falou baixo.
- Não, essa foi pra mim. – Blaine sorriu, saindo pela porta e puxando Kurt pela mão. Caminharam até seus respectivos carros de mãos dadas, só se separando novamente depois de um beijo calmo e rápido.
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- Essa foto aqui... – Mostrou para Kurt. – É a que eu tirei antes do beijo.
Kurt sorriu observando a fotografia. Blaine olhava seu relógio de pulso e voltou a folhear.
- Dia do desfile.
- Dia do desfile... Achei. “Blaine e eu não conversávamos desde o beijo, e...”
- DESDE O BEIJO? UM MÊS?
- É...
- Por quê?
- Eu parei de ir ao café porque estava de férias e tive que viajar pra Nova Iorque. Eu te mandei algo no facebook, mas você havia perdido a senha... Fomos nos falar novamente só no dia do desfile.
- E como foi?
-... “Blaine e eu não conversávamos desde o beijo, e tudo parecia ter acabado, por mais que meu cérebro falasse que não.”
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- Rachel, vá para o provador. Anne, maquiagem. Paul, que cabelo é esse? Dê um jeito nele. – Kurt falava nervoso no camarim. Tudo que não poderia dar errado, estava dando.
- Sr. Hummel? – Disse um dos seguranças. – Seu fotógrafo chegou.
“Ótimo. Mais uma coisa para dar errado.” – Mande-o entrar.
- Kurt, acho que o vestido ficou muito largo. – Disse Rachel.
- Ou talvez você tenha emagrecido 10 quilos desnecessários no último mês para que Finn se interessasse novamente em você, o que deu errado porque mesmo se você raspasse a cabeça ele não notaria. – Kurt disse colocando uma prega no vestido. – Pronto. Vê se não emagrece até a hora do desfile.
- HAHA, que engraçado. – A morena saiu, indo ser maquiada. O desfile começaria em alguns minutos e todos estavam com os nervos à flor da pele.
- Oi. – Disse Blaine, perfeitamente arrumado (blazer, suéter e muito gel no cabelo). – Por que está tão desesperado? Estresse dá rugas. – Riu.
- Alguns modelos estão atrasados, e há cinco minutos eu poderia jurar que você tinha me deixado na mão. E na primeira fila estão sentados todos meus professores e EvahNahs, a maior estilista do país, e eu estou passando mal porque parece que vai dar tudo errado e... – Kurt foi obrigado a se calar já que os lábios de Blaine estavam nos seus, levemente pressionados.
- Vai dar tudo certo. – Sussurrou com seu rosto perto do de Kurt. – Ok?
- Ok. – Falou em um tom quase inaudível.
- Eu vi isso! – Gritou Rachel da maquiagem.
- Vá se ferrar, judia. – Gritou Kurt fazendo Blaine gargalhar.
O moreno ficou encarando o rosto do castanho corar, e apenas sorria. Segurou sua mão, depositou um beijo nos lábios novamente.
- Vamos tirar algumas fotos.
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-... “Não sei porque estava preocupado. Ocorreu tudo certo.”
- Como foi o desfile?
- Divino. Você ganhou a maior nota e meses depois foi contratado por Evah. Seu sonho estava se tornando realidade. Trabalhava pra ela a distancia, e depois que nos casamos viemos morar em Nova Iorque. Ela acabou morrendo e deixando a empresa pra você. Eu era o fotógrafo oficial da Evah’s e isso nos garantiu vida boa até hoje. – Sorriu Blaine.
- Ah, spoiller não! – Gargalhou.
- Estamos juntos desde o desfile. – Blaine folheou o diário até o fim. – E o diário acaba algumas semanas depois disso.
- E o que aconteceu depois? – Perguntou animado.
- Bom... Começamos a namorar, eu te apresentei pra minha família e você me apresentou pra sua... Enquanto isso Rachel e Wes começaram a namorar escondidos e, nossa, me dói em pensar quanto drama aturamos de Rachel durante esse namoro. Você se formou, eu também. Anos depois Rachel descobriu que estava grávida e acabou se casando com Wes, e foi no casamento deles que noivamos... Eu te pedi em casamento debaixo da lua cheia, e, obviamente, você aceitou.Nosso casamento foi maravilhoso... – Blaine suspirou apaixonado.
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Kurt entrou na igreja ao som do piano que Rachel tocava. Finn estava sentado no banco, imaginando a parceira que havia perdido, enquanto Wes apenas sorria feliz com a mulher que tinha, e ao seu lado, PattiEphaba Berry-Ushlow, a filha dos dois. Blaine e Kurt, ambos vestiam roupas que o próprio castanho havia desenhado. Depois dos votos e do “eu aceito” houve a festa.
- Fico feliz por vocês. Aposto que seu pai adoraria estar aqui. – Disse Carole, uma velha senhora já. – Parece que era ontem quando Kurt era um garotinho a cantar na escola ainda... – Gargalhou.
- Ele cantava até anos atrás... – Gargalhou Finn. – Ai, por que você me chutou, Kurt?
- Você canta? – Perguntou Blaine maravilhado.
- Foi exatamente por isso que te chutei. Sim, Blaine... Eu costumava cantar.
- E ele era muito bom. – Finn comentou, sendo chutado novamente. – AI, KURT.
- Fica quieto, Finn!
Blaine sorrindo saiu da mesa e caminhou até o Dj.
- Por que você não queria que eu falasse?
- Porque Blaine é um cantor maravilhoso e eu não quero que ele me obrigue a cantar e veja minha voz de garota! Nesses oito anos que estamos juntos ele sempre cantava e me encantava com suas músicas da Katy Perry... “You make me feel like living in a teenage dream...” – Cantarolou Kurt. Blaine chegou até a mesa e puxou Kurt para o palco.
- Seja você ruim ou não, esse é o nosso casamento... – Entregou um microfone para o marido. – E você vai cantar comigo!
- Mas...
- I finally found someone, who knocks me off my feet. I finally found the one, who makes me feel complete… — Antes que Kurt pudesse reclamar, a voz de Blaine já soava com a música de Brian Adams (a favorita de Kurt).
- We started over coffee, we started out as friends. It's funny how from simple things, the best things begin… — E tudo havia começado com um café.
- This time it's different, It's all because of you, It's better than it's ever been 'cause we can talk it through. – Blaine envolveu Kurt em seus braços e todos do salão acompanharam a velha música a ser cantada.
- Oohh, my favorite line was "Can I call you sometime?". It's all you had to say to take my breath away... – Kurt cantava de todo o coração e Blaine estava impressionado com a linda voz do marido.
- This is it, oh, I finally found someone. Someone to share my life. I finally found the one, to be with every night! – A voz dos amantes soava perfeita juntas. Como eles nunca fizeram aquilo antes? — 'Cause whatever I do, it's just gotto be you. My life has just begun, I finally found someone.
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-... E demos nosso segundo beijo da noite. – Blaine contou com os olhos cheios.
- Nossa vida parece perfeita... Quase um conto de fadas. – Kurt estava no mesmo estado, com os olhos marejados e seu coração batia mais forte.
Blaine olhou em seu relógio de pulso. A hora da visita havia acabado... A porta se abriu e nela entrava o médico.
- Está tudo bem? – Perguntou Patrick chegando perto da cama e ajustando algumas coisas de doutores e escrevendo alguma coisa na prancheta de atendimento do Sr. Hummel.
- Sim, filho. Eu estava contando para seu pai sobre nossa vida, e ele se lembrou de algumas coisas... – Blaine sorria. Patrick deu a volta na cama e beijou seu velho pai na testa.
- Filho? Eu tenho... Um filho? – Kurt tentava ser forte, mas não conseguiu segurar uma lágrima que corria pelo seu rosto.
- Adotamos o Patrick meses depois do nosso casamento... Esse é seu filho, Kurt.
Blaine sorria, chorava silenciosamente (desde que Kurt estava internado, já haviam contado a ele sobre Patrick muitas vezes, mas o velho sempre esquecia, e quando descobria novamente, sempre se emocionava).
- Filho... – O velho agora tinha cara de choro e o filho também. Ambos se abraçaram por bastante tempo, matando a saudades. – Eu tenho um filho doutor. – Sorria.
- Pai, eu te amo! – Patrick falou sob o abafado abraço.
- Eu também, filho.
- Patrick fez 10 anos de faculdade de medicina... – Blaine foi interrompido.
- Na mesma universidade que nós... Certo?
- Como você sabe? – Patrick perguntou.
- Apenas alguns lapsos de memória... E-eu me lembro de algumas coisas hoje. Me dê uma foto de Rachel... – Kurt pediu, sentando na cama. Blaine procurou no meio do diário e achou uma da moça jovem, entregando-a para Kurt. – Sim... Eu sabia que ela era assim. E-eu estou me lembrando de algumas coisas.
- Patrick, isso é possível? – Perguntou Blaine sorrindo.
- Pai, embora seja muito difícil de acontecer, não é impossível... Você forçou a memória do papai a coisas que aconteceram há muito tempo atrás, e ele pode estar começando a se lembrar de coisas que aconteceram recentemente... É possível... – Dizia olhando o quadro de anotações do pai.
- Q-Quem é Sarah? – Perguntou o velho. – Me veio esse nome na cabeça.
- É minha noiva...
- Meu filho tem uma noiva? – Perguntou sorrindo. – E ela está grávida?
- Sim... Papai, você está lembrando aos poucos! – E Patrick abraçou o pai com força. Blaine se levantou lentamente e se juntou ao abraço. Demorou alguns minutos, mas era uma comemoração.
- Eu vou ser avô... – Chorava.
- Papai, você precisa descansar. É muita informação em um dia só... Eu e o pai Blaine vamos te deixar sozinhos, tudo bem? – Blaine assentiu e foi em direção à porta, quando uma mão segurou a sua fortemente.
- E-eu quero que ele fique. – Disse Kurt com um pequeno sorriso.
- Tudo bem, mas não fique muito porque temos horário... Eu amo vocês. – E Patrick saiu da sala com um sorriso no rosto a se misturar com as lágrimas que caíam pelo mesmo. Antes de fechar a porta viu a imagem dos dois pais sorrindo um para o outro com as mãos dadas. Estavam bem.
- E-eu não sei se é sobre a história que li, de como você foi bom pra mim, ou se é um sentimento que veio a mim, antigo, mas meu coração bate mais forte quando olho pra você, ou quando ouço sua voz. – Disse Kurt, sorrindo.
Blaine deixou outra lágrima cair, que foi enxugada por Kurt e sorriu. Foi levemente e depositou um beijo nos lábios do velho marido. Tirou uma mecha de cabelo branco que ficava em seu rosto.
- Canta pra mim? – Kurt perguntou, fazendo Blaine sorrir enquanto assentia lentamente. Sua voz não era mais a mesma da adolescência, mas tentou o mais forte que podia.
- Summer after high school when we first met. We'd make out in your Mustang to Radiohead... – Blaine cantou lentamente fazendo Kurt abrir os olhos surpreso.
- Katy Perry? Mesmo? Eu posso ter Alzheimer, mas eu sei que é dela... Você é fanático, Blaine. – Gargalharam.
- Tudo bem... – Depositou outro beijo em Kurt e mudou de música. — Loving him is like driving a new Maserati down a dead end street.
Kurt sorriu. Não era Katy Perry, mas era uma música maravilhosa. Sabia que já havia ouvido ela em algum lugar de sua mente. Apenas sorriu e deixou Blaine continuar a cantar para si sua pequena serenata.
- Faster than the wind, passionate as sinending so suddenly. Loving him is like trying to change your mind, once you're already flying through the freefall like the colors in autumn, sobright, just before they lose it all... – Segurava a mão de Kurt forte. — Losing him was blue, like I'd never known. Missing him was darkgray, all alone... Forgetting him was like trying to know somebody you never met, but loving him was red, loving him was red...
O sorriso de Kurt só aumentava, e seu coração batia mais forte a cada segundo. Trouxe a mão do marido contra si e ficou encarando aquele sorriso bobo que só Blaine tinha.
- Touching him was like realizing all you ever wanted. Was right there in front of you memorizing him was as easy as knowing all the words to your old favorite song... Fighting with him was like trying to solve a crossword and realizing there's no right answer. Regretting him was like wishing you'd never found out that love could be that strong!
Blaine tinha os olhos marejados... Novamente. “Manteiga derretida.” Se martirizava Blaine. Kurt fechou seus olhos e deixou se levar ao som da música.
- Losing him was blue, like I'd never known. Missing him was darkgray, all alone... Forgetting him was like trying to know somebody you never met. But loving him was red... Red.
Uma coisa que o mais velho pensou que demoraria a acontecer, simplesmente aconteceu. Kurt pôde ver o sorriso de Blaine naquela porta do café, ele conseguiu se lembrar dos olhos do mais novo caindo sobre si, e logo o beijo. Não sabia se aquela imagem seu cérebro havia criado a partir da história, ou se era real, mas só sabia que gostava.
- Remembering him comes in flashbacks and echoes. Tell myselfit's time now, gotta let go, but moving on from him is impossible when I still see it all in my head! In burning red...
Não sabia se todas essas memórias lhe diziam que estava se curando, ou se eram apenas projetadas para parecer que sim, mas sentimentos estavam voltando, e se sentia com Blaine como um início de namoro. Estava se apaixonando pela segunda vez.
- Oh, losing him was blue, like I'd never known. Missing him was darkgray, all alone. Forgetting him was like trying to know somebody you never met. 'Cause loving him was red... Oh, so red. Comes back to me burning red. Loving him was like driving a new Maserati down a dead end street! – Blaine terminou de cantar, não com o mesmo fôlego de antes, mas havia arrasado.
Blaine sabia que Kurt havia gostado. O sorriso em seu rosto e os olhos piscando frequentemente era praticamente a resposta, mas ele queria ouvir do seu marido que sim. Ele queria experimentar o sentimento de antes, de se sentir venerado. Sim, Blaine era um pouco diva, ainda mais agora que era um velho apaixonado.
- Gostou?
- E-eu acho que estou me apaixonando por você... Pela segunda vez... – Kurt falou, corando. Blaine deu seu maior sorriso e abraçou o amado que sorria também. Não foi possível impedir que as lágrimas caíssem dessa vez.
- Que bom... – Falou entre o choro quieto. – Porque eu vou fazer você me amar ainda mais do que antes!
E lá estava o olhar que estava escrito no diário. Kurt se perdeu naquele olhar e soube, naquela hora, que aquele era o homem de sua vida. Perdeu-se naquele olhar e se inclinou para beijar a boca do marido. Eram velhos demais pra isso? Na verdade, não. Não há idades para ficar com quem se ama.Ainda mais se for para reviver o começo de um namoro perfeito.
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