Don't Worry Child

1 .Don\'t worry child


Notas iniciais
Eu sei que eu tinha dito que ia dar atenção a KagePro agora mas... EU NÃO RESISTII-II!! *foge*

There was a time, I used to look into my father's eyes

In a happy home, I was a king I had a gold throne

Those days are gone, now the memories are on the wall

I hear the songs from the places where I was born

Eu vou contar uma história. E não, ela não vai começar com “Era uma vez” porque isso lembra contos de fada. E todo mundo sabe que contos de fada não existem.

Essa é a história de um garotinho. Um garotinho ingênuo e fraco que era filho de um homem poderoso. Para o garotinho, esse homem, seu pai, era o rei do mundo e parecia ser mais forte que qualquer outra pessoa.

E era como se ele fosse o filho de um rei, apesar do garotinho não entender o que seu pai fazia. Ele não se importava, ele admirava o pai.

O garotinho era um idiota.

Como eu sei disso tudo? Ora, não é óbvio? Você já devia ter percebido.

O garotinho era eu.

Admito que eu admirava cegamente o idiota do meu pai. Que eu sonhava em crescer e ser como ele, mas aquele tempo que eu achava que era feliz não demorou muito para acabar.

Quando o meu pai me abandonou. Ainda sim, eu ainda me lembro de como tudo mudou e o que ele costumava me dizer quando eu era mais novo. Meu pai disse:

Don't you worry, don't you worry child

See heaven's got a plan for you

Don't you worry, don't you worry now

Agora, sinto um gosto amargo na boca quando me lembro dessas palavras. Que tipo de planos? Talvez ele pensasse que eu o sucederia como líder da Equipe Rocket. Ah, claro. Você cria um filho para sucedê-lo, mas percebe que ele não é forte o bastante e simplesmente o abandona como algo quebrado.

Esse era o tipo de homem que o meu pai era. E não o rei que eu pensava quando mais novo.

Se eu estou triste? Você é idiota, por acaso? Eu não estou triste, não me entenda errado.

Eu odeio o meu pai.

E por isso decidi me tornar mais forte do que ele, para vencê-lo e mostrar que o fraco era ele. Por muito tempo, esse foi o meu único objetivo. Na verdade, eu fiquei tão obcecado que eu comecei a tratar pokémons e pessoas como se eles fossem nada.

Eu era rude, frio e indiferente. Não importava quem fosse, eu tratava como uma pedra que estava no meu caminho.

Demorou para que eu percebesse, mas eu estava me tornando alguém como ele. Como o meu pai. E continuaria assim, se ela não tivesse aparecido.

There was a time, I met a girl of a different kind

We ruled the world,

Thought I'll never lose her out of sight, we were so young

I think of her now and then

Still hear the song reminding me of a friend

No começo, ela era a pessoa mais irritante do mundo. Com aquela roupa infantil, aquele chapéu ridículo de tão grande e aqueles olhos enormes e expressivos.

Aquela mania irritante de sempre se meter nos meus assuntos e ficar me seguindo por aí.

-Até quando você pretende ficar me seguindo? – Perguntei ao me virar e vi o corpo dela tremer por um segundo.

-... Não estou te seguindo. Só estou no mesmo caminho que você. – Ela riu.

-E você acha que engana quem? – Perguntei.

Eu vi os ombros dela caírem em derrota e a cabeça tombou para o lado.

-Er...

-Para de me seguir. É irritante. – Falei e continuei andando, mas eu ouvi que os passos dela continuavam atrás de mim. – Não me ouviu?

-Já disse que não estou te seguindo! – Ela estufou as bochechas, eu a encarei e ela encarou de volta. Ela ia continuar com isso?

Até que eu cansei de encarar e suspirei.

-É sério. Por que você não para de me seguir? – Eu não tinha essa pergunta em mente, ela simplesmente saiu. Coisa que eu não sei se devia ter feito, por que as palavras que ela disse e seguida foram o estopim de tudo.

Quando ela me olhou com uma expressão confusa, mas depois deu um sorriso e disse com uma voz irritantemente doce.

-Porque eu me preocupo com você, Sil~

Antes que eu percebesse, a presença dela começou a deixar de ser um incômodo, apesar de continuar odiando perder para ela, e eu me peguei várias vezes me perguntando onde é que ela estava, principalmente quando eu passava pela floresta de Viridian.

Ela estava parada de olhos fechados, voltada para a floresta. Eu levantei uma sobrancelha e a chamei.

-O que você tá fazendo? – A resposta foi ela colocar o dedo sobre os lábios e fazer “shh!”.

Eu teria respondido, mas não estava com vontade de brigar a toa. Ela levou as mãos aos ouvidos e suspirou.

-Você não gosta do som que as Butterfrees fazem?

-Nunca parei para reparar.

-Eu gosto, me acalma. – Ela disse ao se virar para mim e sorrir.

Devo admitir que depois que eu parei para prestar atenção, até que aqueles pokémons-borboleta não tinham um barulho tão ruim assim.

Eu me dei conta do que estava me tornando, comecei a mudar minhas atitudes com relação a pessoas e pokémons.

Odeio admitir, mas é impressionante o quanto ela me fez mudar e enxergar.

N-não, eu não estou apaixonado por ela. Que ideia.

A Kotone é minha rival e... Minha amiga também. E eu não me preocupo com ela, é só que aquela garota é tão desastrada que vive se metendo em confusão, sobra para eu ter que tirá-la de lá. Eu também não sinto ciúmes, eu só não gosto daquele garoto Ethan. E do Morty.

Mas não ouse contar isso a ela. Não quero ter que ouvir ela se gabando sem parar no meu ouvido. Sim, eu sei que eu disse que ela era minha amiga e que posso até gostar de tê-la por perto, mas ela ainda é irritante. Ás vezes.

Como ela continuar me seguindo. Sinceramente, o que eu faço de tão interessante para ela não desgrudar de mim?

Não estou reclamando, já disse que não me importo mais.

E pare de dar risada.

Do que eu estava falando mesmo? Ah, sim. O meu pai.

Não há muito o que dizer, ele é um idiota, simples assim. Não sinto falta dele, nem quero saber onde ele está. Ele que nunca mais volte, não estou nem aí...

-Ei Sil. – Kotone me chamou, sentada do meu lado embaixo da sombra de uma árvore.

-...Hm? – Eu estava tentando dormir.

Senti ela se remexer desconfortável e olhei para ela pelo canto do olho. Ela mexia os dedos sem parar e os lábios dela estavam tão comprimidos que a cor tinha sumido.

-Posso te fazer uma pergunta?

-Não, mas você vai fazer de qualquer jeito, não é? – Ela virou para mim com uma expressão brava e as bochechas estufadas. ...Devo admitir que... Ela até que fica bonitinha daquele jeito.

-Só responde, seu chato.

-Fale então.

-... Você sente falta do seu pai?

...

-Não.

-Você hesitou.

Eu a encarei.

-Por que eu sentiria falta de um bastardo como o meu pai?

Ela me olhou triste.

-Não fale assim, Silver. Ele é o seu pai, afinal de contas...

-Ele nunca foi um pai para mim.

...

-Eu não consigo acreditar em você, sabia?

-Como é? – Eu definitivamente não queria discutir sobre aquilo.

Ela olhou para frente.

-Eu nunca conheci o meu pai.

Pisquei.

-Minha mãe disse que ele sumiu quando eu era bebê. Se olhar por esse lado, é como se ele tivesse me abandonado também.

Ela se virou para me encarar, mas dessa vez os seus olhos castanho-expressivos pareceram penetrar em mim.

-Mas mesmo assim, eu não consigo odiá-lo. É difícil odiar alguém quando não se sabe o motivo dela ter feito o que fez. Por isso que eu não acredito em você.

Droga. Eu não tinha resposta. Virei para frente e olhei para o céu.

-... Eu odeio o meu pai.

Foi então que eu senti algo repousar no meu ombro e uma mão levemente gelada segurar o meu braço, mas antes que eu pudesse protestar, ela disse:

-É muito feio mentir, Sil.

E todas as palavras sumiram da minha boca. Eu voltei a encarar o céu.

-... Mulher irritante.

Eu a ouvi soltar um riso baixo e silêncio se seguiu depois.

...Tudo bem, preste atenção porque eu só vou dizer isso uma vez, entendeu?

Quando eu disse que achava ser feliz quando era mais novo, devido somente a minha ignorância com relação ao meu pai, e que eu o odiava...

Bom, eu posso estar errado.

Talvez eu não odeie o meu pai, talvez eu só esteja chateado. E bem lá no fundo, talvez eu tenha vontade de encontrá-lo e perguntar o que aconteceu.

Ás vezes, eu me pergunto se todo o meu esforço treinando e treinando não seja porque eu, talvez, acredite no que o meu pai me dizia, sobre planos reservados a mim.

E que, talvez, eu era mesmo feliz quando mais novo, feliz de verdade. Não que eu não esteja feliz agora.

Giovanni é um idiota fraco e egoísta. E um péssimo pai.

Mas ele é o meu pai... E eu o amava e queria que ele me amasse também.

...Espero que você tenha prestado atenção, porque eu nunca mais vou dizer isso de novo, entendeu?

Don't you worry, don't you worry child

See heaven's got a plan for you

Notas finais
...eu amo o Silver, muito mesmo!
Ai ai... Obrigada por terem lido!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!