Don't Trust Me
3 Dois
Notas iniciais
Victoire aplicava com delicadeza o batom vermelho em seus lábios carnudos. De alguma maneira, Teddy conseguira seu número de celular — provavelmente com Bill — então sairia com ele, assim como ele havia sugerido quando ela e Dominique conheceram a família Weasley.
Seu short curto e preto, com um toque bem formal, revelava suas enormes pernas, além de estar usando uma blusa branca com um decote bem avantajado. Já estava supondo que Lupin não era o tipo de cara que se apegava, principalmente pelo jeito que ele a encarava, como se ela fosse um pedaço de carne. Entretanto, Victoire planejava tentá-lo, fazer com que ele a quisesse e não a ter até certo momento. Ela era uma mulher que gostava de brincar, principalmente quando poderia usar seu corpo como arma.
Enquanto ela descia as escadas, Dominique subia, suada e vestindo seu uniforme de líder de torcida da sua escola, Slytherin, — um top e uma saia verdes com listras verdes dos lados —, mas sorriu maliciosamente quando viu a irmã mais velha com aquelas roupas.
— Indo para o bordel, irmã? — ela brincou, observando Vic da cabeça aos pés.
— Engraçadinha. — a mais velha revirou os olhos, mas não conseguiu evitar abrir um sorrisinho. — Vou me encontrar com Teddy.
— Teddy? — Dominique começou a fazer força para lembrar-se daquele nome. — Aquele cara com os cabelos azuis e com o rosto coberto por piercings e corpo cheio de tatuagens que mora com os Potter?
— Esse mesmo.
Dominique fez uma careta.
— Ele tem uma cara de problema... — opinou.
— Mas esses são os que eu mais gosto. — Vic mostrou um beicinho que fez a irmã mais nova rir.
— Ok, só tenha cuidado e não se atreva aparecer aqui com tatuagens novas e sem um rim. — Dominique apontou o dedo indicador para ela e fingiu uma expressão rígida e autoritária.
— Sim, mamãe. — a mais velha caçoou e revirou os olhos, rindo.
As duas voltaram a fazer os seus caminhos, Dominique para seu quarto e Victoire para a sala de estar esperar por Teddy, aproveitando que Bill e Fleur não estavam em casa, o que evitaria questionamentos vergonhosos. A sua expectativa para a noite eram altas, e ela abria um sorriso torto e malicioso sempre que pensava nela.
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Teddy colocava sua jaqueta de couro por cima de sua camiseta do AC/DC quando ouviu a porta do quarto se abrindo. Quando olhou, viu que era James Sirius, com quem dividia o cômodo. O garoto estava muito suado e parecia cansado, mas Lupin logo descobriu o motivo ao perceber que ele usava a camiseta de treino do time de futebol da escola Gryffindor.
— Tem jogo amanhã? — o dos cabelos azuis perguntou sem olhar para o irmão de criação, ocupado banhando seu corpo de perfume.
— Sim, contra a Slytherin. — James mostrou um sorriso maroto.
Gryffindor Academy e Slytherin High School são rivais desde que se tem conhecimento. Seja na questão acadêmica ou na esportiva, seus alunos eram competitivos e ambiciosos, com sede de vitória. As duas possuíam uma forte tradição passada de geração para geração, embora alguns alunos de fora entrassem nelas também.
— Tem um encontro? — ele perguntou para Teddy, que assentiu como resposta. — Com quem?
— Victoire, a enteada do tio Bill. — Lupin respondeu.
James pareceu surpreso, pois arregalou os olhos e ergueu as sobrancelhas.
— Tão rápido?
— Ah, para, não faz tão pouco tempo. — Teddy revirou os olhos.
— Nós conhecemos ela e Dominique há três dias! — James riu um pouco alto demais após falar isso. — Mas tudo bem, você já deve estar acostumado a conseguir garotas nessa rapidez. Você deve fazer algum tipo de macumba ou ritual satânico, sei lá.
— Você também tinha essa habilidade antes de namorar a Sarah. — Teddy relembrou, enquanto se olhava no espelho e escovava os cabelos azuis.
James Sirius engoliu em seco. Meses se passavam e ele ainda não se acostumaria com ela sendo citada, mas não estando ali. Por que ele sentia tanta falta dela?
Assim que Teddy terminou de se arrumar, deu alguns tapinhas nas costas do Potter antes de ir, para consolá-lo, e finalmente pegou sua moto e partiu até a casa de Victoire para buscá-la.
Ele ficou assustado quando chegou. A casa era enorme, quase uma mansão. Nunca imaginou que seu tio tivesse tanto dinheiro; mas, pensando bem, a única coisa que Teddy sabia sobre Bill e Fleur era que trabalhavam em um banco, mas nunca soube suas funções dentro dele.
O garoto saiu da sua moto e foi até a porta e tocou a campainha. Foi atendido quase que imediatamente, mas assim que Victoire apareceu, ele sentiu como se o mundo estivesse parando. Ela estava tão linda, tão atraente, que nada mais em sua volta importava.
— Teddy? — ela tentou chamar a atenção dele, já que estava sendo encarada há quase dois minutos.
— Ah, perdão. — ele riu de si mesmo, achando graça da situação. — É que você está tão linda.
Automaticamente, os dois ficaram com as bochechas coradas. Teddy por ter falado aquilo e Vic por ter escutado. Ele já tinha conhecido muitas garotas antes, a maioria bem atraentes, algumas eram até modelos, mas nunca sentiu aquela “coisa estranha” que estava sentindo naquele momento. Eles conversavam por meio de mensagens desde que Victoire e Dominique foram introduzidas aos Weasley, e ele nunca conhecera alguém tão inteligente e ao mesmo tempo tão bonita como ela, ele mal esperava para saber mais, e não sabia se esse sentimento era bom ou ruim.
— Moto legal. — ela elogiou, e Teddy respondeu ao abrir um sorriso.
— Eu sei. — ele piscou, fazendo-a rir.
O garoto pegou seu capacete e entregou o outro para Victoire, que o colocou com uma certa dificuldade e precisou da ajuda do dono, que não contestou em fazer aquela boa ação.
Os dois subiram na moto e Victoire, um pouco medrosa, apertou o corpo de Teddy mais do que deveria.
— Você nunca andou de moto, né? — ele questionou, e a loira apertou os lábios e balançou a cabeça negativamente como resposta. — Bem, a primeira vez é a que ninguém esquece. Maior sensação de liberdade que essa não existe.
Assim que o Lupin ligou a moto, a garota entendeu o que ele quis dizer anteriormente; o vento que batia em seu corpo e a incerteza do equilíbrio fizeram seu coração bater mais rápido. Era, realmente, um sentimento inexplicável.
Teddy estacionou na frente de um lugar com sua fachada completamente preta, até as janelas. Victoire sentiu um pequeno medo, mas guardou para si. Com certeza ele não a levaria em um lugar muito perigoso no primeiro encontro.
— Você não se importa com rock, né? — ele perguntou.
— Na verdade, eu amo rock. — a loira sorriu, e recebeu a mesma atitude de volta.
— Ótimo. Acho que vai gostar desse lugar. — sugeriu antes de caminhar até o segurança e lhe entregar dois ingressos.
Havia um corredor largo, e a iluminação era toda em luz negra. Eles passaram por pessoas fumando, se beijando e rindo. Logo, avistaram uma multidão e seus tímpanos pareciam estar a ponto de explodir, com a banda tocando tão alto. Victoire parou em um certo lugar, mas Teddy a puxou.
— Não vamos ficar aqui. — disse.
— O que quer dizer? — ela franziu o cenho, e recebeu uma piscadela como resposta.
— Confie em mim.
À medida que os dois se afastavam do show e o ambiente ficava menos barulhento, Vic ficava mais curiosa. Lupin pareceu estar gostando daquilo, mas ela só queria saber do que se tratava.
Entraram em um salão relativamente perto de onde acontecia o concerto, mas ela era diferente; possuía mesas cheias de velas e vários casais com um visual rock‘n’ roll, mas que pareciam envolvidos apenas em seus próprios encontros. Ainda era possível ouvir a banda tocando, mas de um jeito muito mais agradável.
— Uau. — foi a única reação de Victoire, que se maravilhava com aquele lugar. Simples, mas romântico e sexy.
— É incrível, não é? — a Delacour acenou a cabeça como resposta.
— Muito. — acrescentou.
Teddy a conduziu até a mesa que reservou e os dois se acomodaram antes de começarem a conversar e pedir alguma coisa.
— Então, esse cabelo seu aí... — foi Victoire quem começou o papo, mas de um modo brincalhão. — é de verdade?
— O quê? — ele ficou surpreso com a pergunta, rindo dela.
— Ah, só queria descontrair um pouco. — ela sorriu de canto e aproximou o seu rosto do dele.
— Bem, é de verdade. Meus pais eram smurfs. — ele deixou se levar na brincadeira, e também aproximou o rosto e sorriu marotamente.
— Ah, você conhece o Papa Smurf?
— Sim. Ele é bem gente fina. — Teddy estava com vontade de rir como nunca. Aquela garota era muito divertida.
Eles encerraram o cômico assunto sobre Os Smurfs e pediram comida. Cada um pediu um petisco — Victoire pediu por anéis de cebola fritos e Teddy batatas fritas — e drinks que nunca tinham ouvido falar. Tudo isso enquanto aproveitavam as agradáveis companhias um do outro, é claro.
A Delacour descobriu que ele não tinha ido para a faculdade, mas que de vez em quando trabalhava em um restaurante de um primo por parte de seu falecido pai. Também descobriu que a cor natural de seu cabelo era castanho claro, que sua banda favorita era Red, que ele possuía mais de vinte tatuagens espalhadas pelo corpo e que seu hobby era desenhar. E, segundo o mesmo, desenhava muito bem.
Já Teddy descobriu que Victoire estudava na Hogwarts University e cursava Psicologia. Ela pintava nas horas vagas, sabia dançar balé e adorava jogar Twister. Tinha um grande amor pela família, principalmente pela irmã, que estava sempre lá por ela e passava por coisas muito parecidas com Vic. Descobriu que o pai de Victoire foi embora quando a mesma tinha apenas dois anos, e Dominique uma recém-nascida, e não lembrava absolutamente nada sobre ele. Teddy sabia como ela se sentia, principalmente pelos pais terem morrido em um acidente de carro quando ele era pequeno e não se lembrava de como eles eram.
Os dois continuaram a conversar sobre suas vidas, mas assim que terminaram de comer, foram assistir ao fim do show, já extasiados por um encontro que estava dando certo.
Enquanto a música invadia como uma intrusa em seus ouvidos, Teddy percebeu que nunca tinha tido um encontro tão divertido e interessante — e olha que aquele lugar já era bem conhecido por ele. Além de todas suas qualidades, emocionalmente falando, ela também tinha um corpo que era capaz de causar um enfarte em qualquer homem de tão... escultural.
— Quer ir para outro lugar? — ele perguntou, próximo de seu ouvido, com um tom bem claro e alto que, quando comparado à música, parecia um sussurro.
Os olhos azuis brilhantes de Victoire, que nem a luz negra foi capaz de ofuscar, encontraram os castanhos dele. Sabendo o que estava por vir, ela abriu um sorriso de canto e concordou com a proposta.
Eles foram até o corredor que anteriormente os ajudou a entrar no lugar. Acharam uma parte relativamente vazia, e Victoire foi andando até se encostar na parede.
— Então, gostou da noite? — Teddy perguntou de forma subjetiva, se aproximando cada vez mais dela, ao ponto de suas testas ficarem praticamente colada em certo momento.
— Ah, você sabe... foi legalzinha. — ela piscou e sorriu maliciosamente, algo que animou Teddy.
Lentamente, seus lábios se juntaram e, naquele instante, nada mais além deles existia. Ambos estavam no mesmo ritmo, na mesma intensidade. Teddy tinha um jeito de apertar a cintura e a nuca de Victoire que ela nunca pensava ter experimentado antes, de tão bom e arrepiante.
O Lupin nunca presenciou algo do tipo; os cabelos da Delacour eram macios e ele passava os dedos perfeitamente entre eles, como se fossem feitos para Teddy. Além disso, a garota pressionava cada vez mais seu corpo no dele, deixando tudo ainda mais excitante.
Os lábios do garoto desceram até o pescoço e logo a clavícula de Victoire, que sentiu todos os pelos presentes em seu corpo ouriçarem e involuntariamente mordendo o próprio lábio inferior.
— Você é interessante, Victoire Delacour. — Teddy estava ofegante, mas ainda mediu esforços para abrir seu sorriso encantador.
— Você também é, Teddy Lupin. — em um estado parecido com o do garoto, ela parecia mais satisfeita do que nunca.
Embora nenhum dos dois estivesse procurando por um compromisso e tivessem feito coisas parecidas com isso várias vezes, a sensação era que estavam lidando com algo completamente novo. Aquilo era bom ou ruim? Ah, quem sabe. Eles definiriam isso mais tarde. Por agora, era só diversão.
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No auge da madrugada, Victoire lutava para que o chão de madeira não rangesse e acordasse sua família, mas sua euforia fazia daquilo uma missão quase impossível.
O seu coração quase pulou para fora do peito quando, ao chegar no andar da casa onde ficavam os quartos, Dominique esperava nas sombras pela irmã, com os braços cruzados.
— É muito injusto você me acordar depois de ter transado e eu não. — ela disse, com um tom que, mesmo sendo baixo, era capaz de acordar Fleur.
— Shhhh! — Victoire tentou silenciar a irmã, que a pegou pelo braço e a arrastou pelo quarto.
— Me conte tudo! — exigiu Dominique, que estava claramente muito animada.
— Bem, primeiramente, nós não transamos. — Vic explicou.
— Por que? Ahhh, não me diga que você vai fazer aquela bobagem de provocar e deixar ele esperando até ele explodir de tanta vontade? — questionou.
— Desculpa te desapontar. — a mais velha riu. — Mas foi... ótimo. Teddy é ótimo e eu quero muito ver ele de novo.
Dominique sorriu.
— Esses são os melhores. — disse.
Victoire concordou, e ficou um pouco mais no quarto da irmã para fofocar sobre algumas coisas antes de ir para o seu próprio e ter o sono mais tranquilo da sua vida.
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