Don't Touch My Cookies
23 Capítulo 21 - Ninguém contou a Amy sobre o aniversário
Notas iniciais
Drake Whitewood
A última coisa que eu lembrava era estar tomando alguma bebida ao lado de Amy. Foi então que eu recebi uma mensagem da minha mãe falando que ela não poderia passar o meu aniversário comigo, que ela e meu pai teriam que resolver alguma coisa urgente em Dubai.
Suspirei. Era sempre assim e eu estava quase acostumado. A minha relação com eles se distanciou desde que meu irmãozinho morreu.
Não querendo pensar no assunto, peguei a primeira bebida que eu vi na minha frente e virei completamente o copo.
Continuei com esse ritmo durante muito tempo, tempo de mais. Isso fez com que eu começasse a sentir os efeitos do álcool em meu corpo inteiro.
Eu reparei que tinha uma ruiva na minha frente e tentei forçar meus olhos embaçados a verem se era Amy.
— Drake... — ela disse.
Aham, era Amelia.
Depois disso, todo o percurso era um sonho. Eu só me lembrava de alguns flashs. Como quando Amelia estava tentando me tirar do bar ou quando nós chegamos em sua casa ou quando eu estava quase dormindo.
Certamente eu não me lembrava daquilo.
Eu sentia uma mão com alguns calos no meu cabelo. Estranhando, decidi abrir os olhos.
Amelia estava dormindo sentada com a minha cabeça em seu colo. Levantei assustado, tentando lembrar o que aconteceu.
Por favor, fique...
Ah, que ótimo! Eu acabo de me embaraçar. Como se já não bastasse ficar bêbado e acordar com uma dor de cabeça terrível, eu tinha implorar como uma criança para que ela ficasse comigo enquanto eu dormia em seu colo.
Perfeito.
Suspirando, eu sentei-me ao seu lado para observá-la melhor. Seu cabelo de fogo ondulado estava espalhado. Sua posição não parecia muito confortável então, com cuidado, eu peguei seu corpo e deitei-o no colchão.
Foi só eu abrir a porta que eu dei de cara com dois pares de olhos.
— Vocês dormiram juntos? — Ryden perguntou.
— Sabe, eu nunca pensei que você fosse tão rápido assim, Drake — Damien comentou.
Contei até 10 para não perder a calma. A última coisa que eu precisava era de dois demônios me infernizando sobre o que tinha acontecido ou não.
— Querem parar? — eu sussurrei fortemente para não acordar Amelia — Não aconteceu nada. Eu só dormi no colchão e Amy dormiu...
— Nananinanão — Damien sorriu malevolamente — eu e Ryden entramos para ver como vocês estavam quando chegamos. E, desculpa tentar acabar com a sua fantasia, mas eu me lembro bem de você ter a sua cabeça encostada na coxa dela.
Eu queria bater em alguém.
Urgentemente.
— Olha, caras, eu estou com uma puta ressaca, então que tal tomarmos café e discutirmos essa ideia depois?
Ambos assentiram e fomos para a cozinha.
— Bom dia, Jackson — os meninos saudaram o pai de Amy.
Eu parei para olhar o pai dela. Eles eram bem parecidos. Tirando o fato de que Amy era ruiva e seu pai era moreno. Porém, de resto, eles eram idênticos.
Ele fitou meus olhos e cruzou os braços na frente de seu peito.
— Então... Na verdade é você o namorado dela?
Ryden engasgou com a água.
— Isso mesmo, Jackson — Damien falou com um sorriso diabólico no rosto — esse é o cara de quem eu tinha falado.
Jackson se aproximou de mim.
— Você me parece um bom rapaz. Mas um passo em falso e eu vou estar testando o arco e flecha que eu comprei antes do que eu imaginava.
Eu assenti sem me dar o trabalho de negar toda a história. Sabe-se Deus o que esse homem iria fazer se eu negasse ter uma relação com a sua filha.
Então me contentei a fuzilar Damien com o olhar que apenas riu e deu de ombros. Como se dissesse “O que eu posso fazer?”.
Continuamos conversando normalmente. Eu percebi que Jackson, por mais que me desse medo, ele era um cara bem legal. Tomamos café e meia hora depois Amelia desceu das escadas como um zumbi.
— Bom dia — ela bocejou.
Todo mundo deu bom dia de volta e ela começou a pegar algumas coisas para fazer seu café-da-manhã.
— Quer ajuda? — eu perguntei querendo fazer alguma coisa para compensar o que ela fez por mim na noite anterior.
— Não não —ela bocejou de novo — tá tudo bem.
Duas horas e meia depois, acabamos todos indo para a casa da tia de Sam.
Eu percebi pela cara dele que ele já sabia que meus pais não iriam me visitar no dia seguinte para o meu aniversário e que ele estava preocupado.
Eu apenas dei um leve e triste dar de ombros. Não havia nada que pudesse ser feito.
Ficamos na sala dele jogando Tomb Raider quando Sam decidiu tocar no assunto.
— Talvez eles possam te ver. Sabe, afinal é seu aniversário.
— Quando é seu aniversário, Drake? — Amelia perguntou ao meu lado tirando a sua atenção do jogo.
— Amanhã.
Ela quase deu um pulo no sofá.
— E por que não me disse nada? E agora? Como eu posso comprar um presente? A menos que você aceite um pato de presente. Sabe, patos são legais, mas eles...
— Amelia! — Ryden gritou — Fique calma. Sério, você não vai querer tomar seu remédio, não é?
Ela mordeu o lábio e respirou fundo. Eu limpei a garganta antes de falar.
— Então, vai ter festa?
Eu soltei uma risada. Essa garota era impossível.
— Não Amy.
— Mas é seu aniversário! E seus pais?
Eu baixei meu olhar e ela compreendeu tudo. Ninguém disse nada, não tinha o que falar. Então Damien simplesmente limpou a garganta e levantou o controle.
— Então... Quem vai ser a Lara Croft?
***
Acabamos almoçando muito tarde, mas ninguém ligou muito. Depois, voltamos a jogar videogame, mas dessa vez, jogamos Alien.
Amy disse que estava cansada de esperar a vez dela, então começou a jogar Dumb Ways to Die no meu celular.
Enquanto foi a minha vez, eu nem tinha reparado que Amy não estava mais presente.
— Cadê a Amy?
— Banheiro — foi tudo o que Ryden respondeu.
Alguns minutos depois ela voltou com uma cara animada.
Eu não pude conter a risada, ela arqueou uma sobrancelha e eu apenas falei que não era nada.
***
No dia seguinte, eu acordei com um apito infernal.
— Acorda, Drake!! — Sam começou a pular na minha cama — Acoooorddaa!
Eu joguei ele da minha cama.
— Sério? — eu falei depois que já tinha levantado — desnecessário.
Sam rolou os olhos.
— Sou só um amigo querendo ajudar os outros.
Sorri e terminei de tomar o meu café.
— Falando nisso, é pra gente ir pra casa da Amy.
— Por quê? — eu perguntei.
— Amy queria cortar o bolo. Algo sobre todo aniversário necessitar de doces.
Meu sorriso cresceu ao pensar na consideração de Amelia, mas ele subitamente desapareceu quando Sam estava com uma cara de alguém que sabia mais dessa história.
— O que foi? — eu perguntei.
— Nada — ele balançou a cabeça — eu só estava pensando em como as coisas mais improváveis aconteceram esse ano.
Dei de ombros sem saber o que ele estava falando.
— Espere só um pouco, o pessoal da mansão deve estar me dando os parabéns pelo Facebook. Quero responder tudo de uma vez para ter o resto do dia livre.
Eu ri muito com algumas publicações. Tais sendo a de Cassidy e a de Alex que fez a questão de mandar uma foto da França e escrever: “Queria que estivesse aqui... na verdade não, só estou falando isso porque é seu aniversário. Feliz aniversário, Drake!”.
Fechei o computador e decidi colocar uma bermuda e uma regata, afinal estava fazendo bastante sol.
Chegamos pouco tempo depois na casa de Amy. Damien abriu a porta e já me deu os parabéns. Ryden apareceu logo atrás também me desejando os parabéns.
Eu sorri e nós ficamos conversando.
— Cadê a Amelia e seu pai? — eu perguntei. Os gêmeos trocaram um olhar.
— Logo logo ela vai estar aí.
E não disseram mais nada.
Dez minutos depois, Amy abriu a porta com tudo correndo como um foguetinho para a cozinha carregando duas sacolas.
— Ãhm... — Ryden disse enquanto via Amy correndo — quer ajuda?
— Não não — ela disse ofegante — já estou quase acabando. Pode trazer pai!
Jackson entrou com uma caixa e mais duas sacolas. O cheiro estava maravilhoso. Eles tinham decido ter pizza para meu aniversário.
Sorri novamente. Amelia se preocupa demais com os outros.
Entramos na cozinha e eu fui recebido com um abraço.
— Feliz aniversário, Drake — Amelia sussurrou no meu ouvido. Recebi o abraço de bom grado. Ela estava cheirando a pitangas.
— Obrigado — sussurrei de volta.
Ela se desvencilhou dos meus braços e sorriu para mim.
— Eu não consegui comprar nada...
— Não precisa — eu cortei.
—... Mas eu consegui um presente melhor que isso. Eu roubei o seu celular ontem enquanto jogava e... bem, aqui está.
— Feliz aniversário, filho — eu ouvi minha mãe falar atrás de mim.
Totalmente chocado, eu virei-me para me deparar com meus pais sorrindo, quase chorando.
— Mas como...
— Sua amiga nos ligou ontem — meu pai disse — e bem, nós não sabíamos que você queria passar o seu aniversário conosco, pensamos que queria sair com seus amigos. Então quando Amelia nos contou tudo, eu desmarquei o nosso compromisso em Dubai e aqui estamos.
Minhas bochechas doíam de tanto sorrir. Minha mãe foi correndo me abraçar, não conseguindo conter as lágrimas e meu pai bagunçou meu cabeço.
Aquele com certeza foi o meu melhor dia depois de muito tempo.
Comemos pizza, conversamos mais um pouco. Na verdade, conversamos muito.
No final da tarde, meus pais me deixaram, dizendo para eu curtir o resto do meu dia, não antes de me dar um presente. Eu ainda não tinha aberto ele.
Os gêmeos foram para a cozinha pegar mais refrigerante (o pai de Amy tinha uma lei restrita de “bebida só acima dos 21”) e Sam tinha ido buscar outro jogo em sua casa, deixando-me sozinho com Amelia.
Eu a vi se aproximando, sorrindo timidamente como se quisesse saber como eu estava me sentindo.
— Obrigado — eu disse — foi um dos melhores presentes que eu podia pedir.
Ela soltou umas risadinhas de felicidade e começou a fazer uma dancinha como se estivesse satisfeita com o fato de ter pensado em tudo sozinha.
Não pensando nas consequências, apenas na profundidade do que tudo aquilo estava me fazendo sentir, nos sentimentos bons porém confusos que ela estava extraindo de mim, eu a puxei pelo braço e selei meus lábios nos dela.
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