Don't Stop Dreamin'
32 Adotada, Surpresa e Iniciativa
Notas iniciais
As meninas já estavam de volta ao Orfanato. Estavam todos na cozinha, jantando. Carol convrrsava com Gabriel e Henrique na diretoria.
***
— Cris, a Carol tá te chamando. — avisou Ernestina passando pela cozinha.
— Eu? — perguntou a garota confusa. Por que Carol estaria a chamando afinal?
— Você, por acaso, está vendo outra Cristina aqui? — respondeu a zeladora friamente. Cris revirou os olhos e se levantou da mesa, em que estava sentada.
— Viu, Cris? Eu disse pra você não fazer aquilo! — brincou Juca. A morena apenas o encarou e o mostrou o dedo do meio. O menino riu.
— Babaca. — debochou Leticia, em silêncio.
Cris seguiu até a diretoria. Não havia feito nada. Ou pensava que não havia feito nada. Sentia as mãos trêmulas e tinha a impressão de estar suando frio. Suspirou tentando se acalmar. Em vão.
Bateu três vezes na porta e pediu licença para entrar. Carol estava de pé, andando de um lado para o outro. Parecia ansiosa. Gabriel e Henrique esbanjaram sorrisos enormes quando a menina entrou na sala.
— Mandou me chamar, Carol? — perguntou ela. A diretora assentiu e indicou que a garota se sentasse em uma das poltronas.
— Aconteceu algo? — perguntou. A mulher assentiu novamente e se ajoelhou ao lado da poltrona arroxeada.
— Cris, você já deve estar sabendo que o Gabriel e o Henrique já escolheram quem irão adotar, certo? — a menina não sabia que eles já haviam feito a escolha. Sabia, apenas, que eles estavam em dúvida entre duas meninas.
— Sim. — respondeu, confusa.
— Pois bem, acontece que eles querem adotar uma garota muito especial daqui do orfanato... — dizia Carol quando Cris a interrompeu:
— A Maria? — perguntou. Maria era a mais nova do orfanato e, para a morena, os casais só adotariam as crianças mais novas.
— Não, Cris. Não estamos preparados para cuidar de uma menina tão nova. — revelou Gabriel. Mesmo que ele e o noivo estivessem encantados com a pequena, sabiam que não saberiam como ter uma filha de oito anos.
— Ah. — lamentou a menina.
— Nós queremos adotar outra garota que, como a Carol disse, é muito especial. — disse Henrique sorrindo.
— Quem? — questionou ela, sem ideias. Nessa hora, Henrique e Gabriel se entreolharam e sorriram. Aquela era uma decisão e tanta, mas tinham certeza que faziam o certo ao tomá-la. Gabriel se levantou e caminhou até Cris. Suspirou.
— Você. — ele disse, confiante. Os olhos da menina se arregalaram de surpresa.
— E-eu? — perguntou, desacreditada.
— Você. — repetiu Gabriel. Sem pensar, Cristina abraçou o homem em sua frente. Deixou as lágrimas escorrerem por seu rosto sem se preocupar. O rapaz retribuiu o abraço, tendo que se abaixar um pouco para envolvê-lá com os braços.
— Obrigada! — agradeceu Cris. Havia esperado por aquele dia durante quase quinze anos de sua vida. Não conseguia acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo: ela finalmente seria adotada.
— Nós quem temos que te agradecer! — disse Henrique, que se levantara para se juntar ao abraço. Eram como uma família. Uma linda família. Carol, que observava sorridente, se preencheu. Havia cumprido sua missão com Cristina.
— Você aceita fazer parte da nossa família? — perguntou Gabriel à Cris sem soltá-la. Ela sorriu e se desfez do conforto do abraço do rapaz. Encarou os dois e gargalhou, contente.
— É claro que sim, pais! — ela disse os emocionando. Estava vazia de tristeza e transbordava felicidade. Voltaram a se abraçarem e, após algum tempo, conversaram sobre aquela decisão com a diretora. Esta avisara que o juiz já havia a respondido e que consedera um período de experiência para Cristina morar com o casal. Contentes com a notícia, combinaram que buscariam a menina na segunda-feira, depois da escola, para que tivessem tempo de preparar a casa para sua recepção.
Ela agradeceu mais vezes. Juntos anunciaram à todos a adoção. O orfanato festejou mais que o esperado. As amigas de Cris ficaram felizes por ela ter encontrado uma família, uma verdadeira família.
Segunda-feira...
Janu esparava impaciente mais uma ligação do número desconhecido. Estava na arquibancada da quadra da escola com o celular na mão. Bufou. Haviam se passado quase trinta minutos que ela havia chego na escola.
Passara o final de semana tensa e irritada por causa da tal pessoa. Enfim, o MotoG começou a tocar e ela atendeu desesperadamente.
— Alô? — ela disse. Tinha um pouco de dificuldade para segurar o aparelho perto da orelha com as mãos trêmulas.
— Oi Janu! Como vai? — a voz parecia estar próxima demais, como se pudesse ser ouvida fora da ligação. Virou-se para trás. O susto da descoberta a fez levar a mão até a boca.
— Marian? — ela balbuciou observando a loira com o telefone perto do ouvido. Esta sorriu cinicamente e disse:
— Surpresa?
***
Cris entrara sorridente na sala do clube do Jornal da Escola. Os olhares do outros membros da equipe direcionaram-se à ela, curiosos. Angel, a líder, se levantou de sua cadeira e foi até a morena.
— Porque estou feliz, feliz, feliz... — cantarolou, girando ao redor se si própria.
— A senhorita vai nos contar o motivo dessa sua felicidade? — perguntou Angelina, segurando a amiga pelos ombros. Cris arregalou os olhos enquanto sorria.
— EU VOU SER ADOTADA! — gritou.
— Jura? — perguntou Angel, desacreditada.
— JURO!
Houve um momento de gritaria em conjunto. Giulia, uma outra repórter, se juntou às duas. Começaram a pular e gritar em coro. André, que completava o time, balançou a cabeça rindo enquanto observava as colegas.
— Parabéns, Cris! Você merece! — elogiou Giulia abraçando Cris. Esta sussurrou "Obrigada" em seu ouvido. — Bem, acho que essa sua felicidade merece uma playlist especial! — disse se aproximando do computador. O clube também era responsável pela rádio do colégio. — O que acha de começarmos com Breake Free, da Ariana Grande? — sugeriu. Cris assentiu.
— Depois coloca Sugar! — pediu André. Este digitava alguma matéria em seu computador. Cris se aproximou do mesmo entregando-o um bloco de papel com algumas anotações. — O que é isso?
— A resenha de Cidades de Papel. Eu fui assistir com as meninas nesse fim de semana. Acho que está boa, mas é a primeira que eu escrevo. Queria que você desse uma lida pra ver se dar pra publicar no Jornal. — ela disse.
— Tá! Vou ler e revisar. Depois te passo o que precisa ser arrumado. — ele disse observando as folhas. André era especialista em resenhas e publicava uma toda semana.
— Obrigada, André! — agradeceu a morena, depositando um beijo na bochecha do mesmo e, em seguida, caminhou até a sua mesa. O menino a observou por um longo período e sorriu. Voltou a se concentrar em seu texto, mas, às vezes, se pegava olhando para a menina de novo.
Na sala do 8º ano...
— Binho, você tem que falar com ela! — aconselhou Thiago, batendo levemente nas costas do melhor amigo. Binho encarou Tati, que estava sentada na primeira fileira da sala conversando com Ana.
— Pra quê? Ela vai me ignorar, mesmo! — ele respondeu dando ombros. Thiago bufou e revirou os olhos.
— É exatamente por isso que você tem que falar com ela! Tem que esclarecer que você não vai desistir! — disse certo. Binho Suspirou, amedrontado. — Toma! Só assim você vai saber se o sentimento é recíproco. — ele completou entregando o Detector de Paixões para o amigo.
— Re... o quê? — perguntou Binho, confuso. Thiago não costumava dizer palavras "difíceis".
— Recíproco. Saber se ela também gosta de você! Asno! — xingou-o. Binho arqueou uma sobrancelha com indiferença. Tomou a engenhoca de Samuca da mão de Thiago e se levantou de sua carteira.
— É! Você tem razão! — concordou inchando o peito com o ar. Seguiu confiante na direção de sua amada. Fechou os olhos, tentando se acalmar. — Você consegue, Binho. Você vai falar com a Tati. — disse para si mesmo baixinho.
— Vai logo, seu tapado! — gritou Thiago do fundo da sala. Binho se virou para trás e mostrou o dedo do meio para o amigo. Suspirou mais algumas vezes, antes de se virar e dar de cara com Tati.
Continua...
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