Dont Stop Beliving
1 Começo
Notas iniciais
Será que esse tem que ser realmente o fim? Será que esse tipo de pessoa não pode amar? Quando alguém como eu poderá ser feliz? São tantas as perguntas sem respostas! Respostas que até hoje aguardo, sentada na mais profunda escuridão.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Hoje foi mais um dia em que me perco em pensamentos. Minha avó ainda está na cozinha, não há como circular pela casa. Só resta deitar-me na cama e continuar a lembrar das pessoas que mais amo e que nem ao menos conheci. Uma lágrima cai sobre meu rosto. Algo me dói por dentro. Minha garganta parece querer gritar tudo o que sinto, mas nada consegue sair, se libertar, além de lágrimas. Que droga! Já não basta ser uma órfã? Já não basta ter que morar com a pessoa que mais me odeia e que é minha única família? Ainda tenho que sofrer mais, lembrando dos meus pais?
Nesse momento, jogo-me em frente ao computador. Precisava desabafar com alguém. Mas com quem? Os acontecimentos de minha vida me fizeram ser apenas uma garota fria, sem amigos. Todos me odeiam. Até minha sombra me odeia! Ela não me deixa esquecer do meu passado. Refugio-me sob meus cobertores. As lágrimas ainda correm em meu rosto e nada mais me importa a não ser fugir de mim mesma.
- Sara, sua vadia! Abra a por já! — gritou minha avó do outro lado da porta — Não é porque você tem 15 anos que não precisa trabalhar! Anda, ainda é 11:30 da noite! Vá, sua preguiçosa!
- Já vou. — minha voz quase falhou nesse momento. Minha vontade era dormir, mas sabia que se não fosse assim, teria que trabalhar fora, mais especificamente no bar da esquina.
Coloquei uma roupa mais propícia para trabalhar e me dirigi à área de serviço. Lá me aguardava uma pilha de roupas suja, que minha avó trazia para ganhar um dinheiro extra. Posicionei-me à frente da máquina de lavar para começar a lavagem.
- Estou indo dormir, fique esperta e não estrague nenhuma roupa de meus clientes. — rosnou minha avó, já se dirigindo para seu quarto.
No geral, eu trabalhava o dia inteiro num mercado ali perto como caixa. Dali eu tirava meu sustento e o de minha avó. Como o dinheiro era pouco, minha avó ainda pegava roupa de fora para lavar em casa e conseguir mais um troco. Só que no fundo, quem lavava a roupa era eu, e quem ganhava o dinheiro era ela. Só que agora as coisas iriam complicar. Até o momento, eu estava de férias da escola, mas a partir de amanhã, começa mais um ano letivo e eu terei que pegar meio período, e meu salário será diminuído.
Quando terminei o serviço, joguei-me na cama exausta, sem ao menos trocar de roupa, que no momento estava desconfortavelmente molhada. Fechei os olhos lentamente e então, adormeci.
No outro dia, acordei-me assustada com o despertador. Eram 5:00 da manhã. Aprecei-me em colocar minha roupa e pegar meu material. Ainda teria que abrir o mercado e comprar o café da manhã antes de ir para o colégio. Assim que terminei os afazeres, fui para a escola.
Primeiro dia de aula é terrível, você não conhece ninguém e todo mundo de julga pela sua aparência. Pelo menos, ninguém sabe ainda do meu passado. Seria triste se logo me ridicularizassem por algo que nem tenho culpa. Existem tantas coisas que prefiro simplesmente não pensar para não ficar mais triste, e assim, acabo deixando de lado minha própria vida, pois muitos desses pensamentos dependem dela.
Aproximo-me dos portões do colégio. Deus! Que tanta gente me olhando! Era a primeira vez que punha os pés naquele colégio, e todos pareciam querer me tirar dali à força. Obviamente, ninguém gostou de mim, e pior, já sabiam que eu era uma órfã.
- E aí, bastarda? — aproximou-se um grupo de rapazes — Ouvi dizer que você veio de outro colégio da região. Qual é? Foi expulsa?
- Na realidade não. — afastei-me um pouco — Apenas me mudei paracasa de minha avó.
- E posso saber o por quê?
O garoto que me interrogava era alto e moreno, aparentemente bonito e moleque. Parecia ser o líder do grupinho. Dava-se de perceber que ele não veio falar comigo por acaso.
- Bem, não posso lhe falar nada. — disse, um pouco assustada — Tenho que ir, estou atrasada.
Afastei-me em direção à diretoria. O grupo me fechou a frente, e em um puxão me jogaram contra a parede de uma saleta. Eles riam muito, de modo assustador. Tentei sair dali, mas era tarde demais. Me empurraram para dentro da saleta e trancaram a porta. Lá de dentro só se ouvia risos, e muitas pessoas ao redor falando e rindo também. A sala era imunda. Aquilo era uma espécie de "trote" para quem eles não fossem com a cara. Esse foi meu primeiro dia de aula, dentro de uma saleta, resgatada pelo diretor e perdendo todas as aulas. Isso prova como minha vida é um inferno!
Todos os dias se passaram assim na escola. Uns piores, outros melhores. Sempre havia quem dizia que eu era "a bastarda", "a orfãnzinha" ou "a azeite". O olhar de repúdio dos outros alunos me doía por dentro. Afinal, isso é realmente uma vida?
Fale com o autor