Don't Stop Believing
2 Too Late...
Notas iniciais
Blaine POV:
Já fez quase nove anos que eu perdi a visão, ou seja, Kurt esta com dezoito e eu com dezessete. Digamos que eu já me “acostumei” a não enxergar. Claro que eu sinto falta de ver e às vezes preciso de ajuda, mas eu consigo andar com auxílio de uma bengala (isso quando o Kurt não esta sendo meu “cão guia”), aprendi a ler em Braille e uso um reglete para fazer anotações. Os médicos não souberam dizer o motivo da minha cegueira e quando eu tinha 14 anos eu fiz de tudo pra tentar descobrir, mas hoje não me importo tanto com isso.
Esse é nosso ultimo ano no William Mckinley High School. Já estava prevendo mais um ano onde sofro bullying e sou só mais um aluno insignificante. Os últimos anos foram um pouco difícil. Quando alguns alunos começaram a implicar comigo Kurt tentou me defender fazendo com que também fosse alvo de brincadeiras, empurrões e raspadinhas na cara. Apesar disso fizemos alguns amigos como Rachel (que é bem irritante às vezes), Finn, a Brittany, Santana e Mercedes.
Meu pai me levou até a escola. Estava andando lentamente pela escola pelos corredores e estava meio confuso sobre qual corredor eu estava já que teve as férias e eu fiquei um bom tempo longe da escola.
–BLAINE! – aquela voz era inconfundível e logo em seguida pude sentir os braços de Rachel em volta do meu tronco. –Senti muito a sua falta.
–Não é pra tanto Rachel. Falamos-nos durante todo o inverno. –sorri retribuindo o abraço. -E Finn? Vocês ainda estão juntos?
–Sim, estamos cara. –Finn disse e em seguida colocou a mão em meu ombro.
–Onde esta o Kurt? A gente precisa colocar muito papo em dia. –Rachel começou a contar sobre suas férias, nada muito interessante.
–Hey gente. –Kurt se aproximou da gente. Provavelmente Rachel se jogou nos braços dele como fez comigo.
–Kurt!!!
–Rachel, ta difícil respirar... — a voz do Kurt saiu um pouco rouca e Rachel se desculpou. Senti lábios suaves tocando a minha bochecha. –Bom dia Blay.
–Bom dia Kurtie. – Ele pegou em meu braço e foi me guiando –Vamos, já estamos quase atrasados e isso não é bom no primeiro dia de aula.
–Vejam só como a porcelana veio arrumada hoje. –ouvi a voz de Karofsky e em seguida risos dos outros otários que ficam com ele. – Hey Blaine, já VIU como seu namorado está lindo hoje? A é, você é cego. -as risadas continuaram e eu encolhi o ombro.
–Nos deixe em paz, David. Ninguém merece vocês enchendo o saco no primeiro dia de aula. -Kurt disse.
Escutei algo batendo contra um armário. Acho que era o Kurt. Em seguida foi minha vez de bater as costas no armário. Alguns dos caras tirou meu óculos e o jogou no chão.
Ouvi sons de risadas irem se afastando, então Kurt pegou meu óculos e pude sentir suas mãos macias deslizarem pelo meu rosto.
–Vem Blaine, vamos pra sala.- Ele segurou minha mão, me ajudando.
***
–Classe gostaria de apresentar o aluno novo Sebastian Smythe. Ele acabou de se mudar pra Lima. Quero que vocês o recebam bem. –A professora falou e Kurt sussurrou pra mim que aquele era o seu amigo e novo vizinho. Ele ficou bem próximo do garoto que se mudou no meio das férias para o lado de sua casa.
–Bom turma, a tarefa de vocês hoje é simples. Quero que escrevam sobre algo que aconteceu com vocês. Algo especial. Vocês têm 20 minutos. –Holly nos dava as instruções. Ela e o Sr. Schuster são os únicos professores que sabem Braille, por isso eles geralmente “traduzem” minhas provas e textos para os outros professores. Além deles, Kurt, Rachel e Mercedes também aprenderam.
Senti um papel sendo colocado sobre minha mão. Deslizei a mão sobre o papel e li:
“Já sabe oq vai escrever?
–Kurtie”
“ainda não e vc?” –escrevi no papel e coloquei sobre o ombro da pessoa em minha frente que eu sabia bem quem era. Logo ele me devolveu o papel.
“Tbm não. Podemos voltar pra casa juntos? Quero te falar uma coisa.”
“ok “ devolvi o papel pra ele e comecei a lembrar de fatos para escrever.
Flashback: ON
Meu aniversario de 15 anos. Estava eu, Kurt, Finn, Rachel e Mercedes. Apenas ficamos comendo besteiras, rindo e jogando videogame. Foi muito divertido, mas já estava ficando tarde e começamos a nos despedir.
–Blay, posso ficar mais um pouco? –Kurt perguntou parecendo estar um pouco envergonhado. –eu ainda não dei seu presente.
–Bom você pode ficar se quiser, mas eu já te disse que não queria...
–Como eu não iria dar nada para meu melhor amigo. –ele me cortou e em seguida fomos para o meu quarto. –feche os olhos. –ele riu
–Que engraçado você . –acabei rindo também.
Ele me sentou em um banco que eu não me lembro de estar la antes. Delicadamente pegou minhas mãos e passou sobre a peça de madeira e depois sobre as teclas. Um sorriso foi abrindo em meu rosto.
–Lembra quando eu toquei pra você? Você disse que gostaria de tocar um dia. Seus pais que compraram mais a idéia foi totalmente minha. E eu mesmo vou te ensinar a tocar.
Abracei Kurt e ele retribuiu. Sempre quis tocar piano e ele era o único que sabia disso.
–Vamos. –disse pra ele.
–Vamos o que Blaine?
–Toque pra mim. –sorri apertando uma das teclas do piano.
–Mas eu não preparei nada e...
–Vamos Kurtie. Você sempre esta pronto pra tocar e cantar.
Ouvi um suspiro e em seguida a introdução de I Have Nothing. Era incrível ouvir Kurt cantando. Ele não costuma cantar muito.
Don't make me close one more door
I don't wanna hurt anymore
Stay in my arms if you dare
Or must I imagine you there
Don't walk away from me
I have nothing, nothing, nothing
If I don't have you
If I don't have you
Oh, oh, oh
Aplaudi quando ele terminou e sorri.
– Obrigado, Obrigado. –ri e ele também.
–Então Sr. Hummel, quando serão as minhas aulas?
–Três vezes por semana depois da escola Sr. Anderson. Espero que goste de professores chatos e irritantes porque eu gosto de alunos dedicados e de deveres de casa entregue com antecedência. –nós dois rimos e então um silêncio se instalou.
Mesmo sem enxergar podia sentir como se Kurt estivesse olhando fixamente para mim o que me deixou um pouco desconfortável. Tentava imaginar o que Kurt estava fazendo durante esse silêncio. Talvez ele estivesse vendo algo em seu celular, ou talvez ele apenas estivesse olhando para um ponto fixo da parede e pensando em coisas. E se ele tivesse ido embora e me deixado sozinho. Quem sabe ele não é um super-herói e recebeu um chamado urgente. Ri por dentro percebendo o quão minha imaginação era fértil. Mas algo me despertou. Senti a respiração quente do meu amigo bem próxima ao meu rosto. Senti meu coração acelerando.O que ele estava fazendo? Eu não sabia o que fazer. Ele iria me beijar? “São essas horas que eu sinto falta da minha visão” pensei rapidamente. Então as palavras simplesmente saíram da minha boca:
–Kurt... –pude perceber que ele se afastou rapidamente. –acho que já esta tarde, é melhor você ir.
–O-ok. –a voz dele saiu baixa e envergonhada. Diria até que pude sentir decepção e arrependimento nela. Ele se levantou e completou a frase mais de longe, talvez da porta do meu quarto –Tchau Blaine.
Flashback: OFF
Naquela época eu decidi não pensar mais nisso. Continuei sendo amigo do Kurt do mesmo jeito. Mas de um tempo pra ca não é bem assim... Ele não me sai da cabeça. A forma como a gente se diverte junto, ou como ele nunca me deixa sozinho, ou como ele me protege, talvez até como ele seja vaidoso pra ir até a minha casa mesmo sabendo que eu não enxergo, é incrível pra mim. Quando eu comecei a perceber isso eu não queria aceitar que estava apaixonado por outro homem, ainda mais o meu melhor amigo. Eu me arrependi de ter falado para ele ir embora no meu aniversario. Talvez eu devesse falar com ele, mas não estava preparado. Aquilo era algo recente. “Talvez seja passageiro” pensei.
–Acabaram os 20 minutos. Vou passar recolhendo suas folhas. –foi então que percebi que não havia escrito nada. A única coisa que deu tempo pra eu escrever foi o meu nome. Escrever com reglete não é muito rápido.
Ela pegou a folha de minha mão e nesse momento agradeci por não poder ver o olhar dela. O sinal tocou e os alunos começaram a sair. Estava saindo com o Kurt quando escutei:
–Blaine. –a professora me chamou e eu apenas assenti para Kurt que provavelmente viu, já que sussurrou um “te vejo na próxima aula”. –Você foi o único que não escreveu nada.
–Me desculpe professora... Prometo que te entregarei o texto pronto amanhã.
–Tudo bem –ela cedeu. –Mas só porque hoje é o primeiro dia de aula você não precisa fazer o texto. Apenas me diga um momento especial em sua vida.
–Acho que foi quando meus pais e Kurt me deram um piano de aniversario. E é claro que enquanto eu aprendia a tocar também foi especial.
–Ok Blaine, pode ir. Não se atrase para a próxima aula.
***
Pedi permissão ao professor para ir beber água e ele concedeu. Estava andando até o bebedouro quando ouvi a voz de Kurt. Eu sabia que se ele não estava na aula provavelmente estava em algum lugar falando com a Brittnay. Ia continuar meu caminha até o bebedouro, mas senti curiosidade e decidi ouvir o que eles estavam falando.
–...eu tenho medo de me declarar pra ele e se ele não for gay? E se ele não quiser mais ser meu amigo? –“gay”? Agora estava mais curioso ainda.
–Você nunca vai saber se não falar com ele. –Britt aconselhou. –Você esta o ajudando bastante e eu acho que ele gosta de você... – a voz dela foi se aproximando o que me fez sair dali rapidamente.
Um sorriso estava em meu rosto. Será Kurt estava falando de mim? Será que é isso que ele quer falar comigo? Eu senti que agora tinha uma chance...
***
O sinal da ultima aula finalmente tocou. Sai falando com o Finn e ficamos esperando Kurt e Rachel. Ambos haviam ido ao banheiro.
Depois de um tempo os dois chegaram e nos despedimos. Andamos até a metade do caminho sem trocar muitas palavras quando Kurt finalmente disse:
–Preciso te dizer uma coisa. -abri um sorriso.
–Pode falar Kurtie.
–E-eu sou... gay. –ele disse em um tom mais baixo.
–É só isso que quer me contar?-arqueei a sobrancelha.
–Como assim só isso? –dei de ombros –não... não é só isso. Eu estou apaixonado. –nesse momento eu parei. Ele também parou.
–Que bom Kurt. –sorri esperançoso- e quem é o sortudo? –meu coração estava acelerado.
–Bom... Sebastian –ele falou com um pouco de vergonha e eu... eu não queria acreditar. Eu estava tão confiante de que eu poderia ficar com ele que... quando ele disse isso eu apenas senti vontade de chorar. Forcei um sorriso e voltei a andar.
–Legal... já contou pra ele? –eu só queria chegar rápido em casa. Droga Blaine! Você é mesmo um idiota.
–Ainda não. Acha que eu devo contar?
–Acho que sim.
–Ótimo! –ele pegou em minha mão. – então eu vou falar com ele. Obrigado por me ajudar Blay... –ele deu um beijo em meu rosto e em seguida eu entrei em casa.
Fui direto pro meu quarto. Me deitei e... chorei. Eu realmente espero que isso seja passageiro.
Blaine POV : OFF
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