Don't Stop Be Strong
6 I don't want to be afraid
Notas iniciais
– Violetta, se não sair logo vai apanhar depois! — Ela ouviu seu pai a chamando em meio a porta do seu quarto. Suspirou, se olhando no espelho, observando o quarto, o seu banheiro..
Ela sentiria saudades daquele banheiro.
Bom, praticamente sentiria falta de tudo. Mas, naquela nova etapa, precisava esquecer tudo o que havia passado em Guadalajara até aquele momento, pois em poucas horas ela começaria a sua nova vida em Buenos Aires.
– Estou indo. — gritou de volta para seu pai, a distancia era considerável para que se ela murmurasse ele não entendesse, ou se não respondesse tal palavra proferida a ele, ele entraria com seus fios correntes e cintos e violentaria ela, como fazia desde que ela chegou em casa na manhã seguinte ao casamento do Senhor Vargas.
Flashback On:
Violetta estava exausta, parecia que ela havia simplesmente não dormido nada na noite anterior.
O que a cansava era ter de fugir de seu pai, de não ter forças para enfrentar a fera, de ser fraca, tão fraca a ponto de se machucar.
– Violetta, acorde. — assim que aquela voz entrou em seus ouvidos, um arrepio passou por sua espinha. Um arrepio que ela desconhecia como um excesso de carinho, ou como coisa do tipo
Ela se obrigou a cerrar as suas pálpebras quando sentiu os lábios de Leon pousarem em sua bochecha, se virando para o lado esquerdo, pelo o que ela sentia, e caminhar até o canto de sua boca. — Acordou né pirralha? — Ela esboçou um sorriso sereno em seus lábios, e logo depois sentiu os dedos grandes de Leon agarrarem sua barriga, fazendo cócegas na mesma, a obrigando a dar uma gargalhada.
– Tá bom, tá bom. — Afirmou suspirando, na tentativa de parar de gargalhar por tal ato cometido por ele. — Já estou indo — Esboçou um sorriso suave em seus lábios, antes de caminhar os mesmos até o rosto dele, beijando sua bochecha, em seguida rumando até o canto da sua boca.
...
– Violetta! Cachorra desgraçada, traste, inútil, filha de uma puta! — Berrou German assim que ela entrou em casa, estapeando a face de sua própria filha com suas mãos pesadas. — Acha que pode sair com o filho do Vargas, e depois não dar recado pra ninguém, sua hipócrita infeliz? — Proferiu novamente, agarrando os pulsos de Violetta, e os apertando o mais forte possivel, a obrigando a soltar um grito agudo, misto de suas lágrimas e berros.
Eles ainda doíam, da noite anterior.
– Pare com isso German, o senhor vai matá-la! — Proferiu a empregada da casa, obrigando German a soltar os pulsos de sua filha e suspirar, um suspiro de derrota e desgosto.
– Eu tenho nojo de você! — Gritou Violetta, enquanto subia as escadas que davam acesso a seu quarto. Assim que entrou no mesmo, deslizou pela porta, e assim que encontrou o chão se pôs a desabar em lágrimas.
Involuntariamente, ela pegou seu celular, digitando o telefone de Leon. Em míseros três toques, aquele homem atendeu.
– Ele me odeia! Todo mundo me odeia! — gritou assim que ouviu os lábios de Leon murmurarem um: Oi.
– Calma, Violetta, você é forte! — Gritou ele com ela, como se as palavras proferidas dele mudariam o destino daquela mulher.
– Não sou Leon.. Não apartir de hoje, não apartir de agora! — murmurou, passando as costas de sua mão debaixo de seus olhos, limpando o excesso de água que havia se acostumado ali.
– Você prometeu! — Berrou ele, como se a promessa da noite anterior houvesse que se meter entre aquela conversa.
– Eu deixei de viver, Leon. Deixei. — Assim que proferiu as suas palavras, cerrou suas pálbepras e deslizou o dedo na tela do telefone, desligando a chamada.
Logo após tal ato, pensou nas palavras dele.
– Sou forte.. — murmurou para si mesma abrindo as pálpebras, e observando o local. Sua visão parou em seu banheiro, com certo receio. — Não Violetta. Crie uma metáfora. — disse isso em voz alta, se levantando e caminhando até a mesinha ao lado, tirando de uma das gavetas uma caneta esferográfica de marcar CD's.
Ela sabia que aquela tinta não sairia por no mínimo três dias. Então, quando saísse ela retocasse, e assim iria, para que ela mesmo lesse uma mensagem para o seu interior.
Caminhou até a cama, deitando na mesma de bruços, apoiada nos cotovelos. Destampou a caneta, e ergueu seus pulsos ainda cortados, e movimentou a caneta sobre eles. Quando terminou as duas primeiras palavras, respirou fundo para que tomasse consciência para fazer as outras duas que faltavam no outro pulso. Calmamente, escreveu o que precisava, e tampou novamente a caneta, o jogando na cama e revendo sua bela criação.
– Don't Stop Be Strong. — murmurou , lendo o que havia escrito com uma expressão luxuosa. — Nunca pare de ser forte, Violetta. — Finalizou , sorrindo. Nunca acreditava que poderia passar um dia sequer sem utilizar uma lâmina. Ela conseguiu.
Estava viajando em seus pensamentos, quando sentiu seu celular vibrar, iniciando uma chamada. Ela reveu quem estava lhe ligando, e deslizou o dedo pela tela do celular, aceitando aquela ligação e pondo o tele-móvel na orelha.
– O Sr. Vargas fez uma filial com o Sr. Reys e o Sr. Castilho. Sabe o que isso significa? — Francesca indagou em uma expressão serena do outro lado da linha.
– Hmm. Que o pai do meu ficante fez uma filial com o pai da minha melhor amiga, e com o otário do meu pai? — proferiu em respostas aquelas palavras, ouvindo o gargalhar de Fran.
– Não. Significa que talvez, eu, você, a Camila, a Lena, a Ludmila, o Leon, a Ana, o Sr. Vargas, o meu pai, a minha mãe, seu pai, a sua madrasta, a sua governanta, e sei lá quem mais, podem ir pra Buenos Aires. O que acha? — Perguntou, vendo o desprezo da amiga em sua risada fraca e sarcástica no outro lado.
– Uma merda! — Revelou irônica.
– Okay, apenas avisei. Agora, adeus. Espero que melhore. — Despediu Fran, antes de ouvir o balbuciar de sua melhor amiga.
– Bom, tomara que eu nunca pare de ser forte, Fran. — Constatou olhando seus pulsos e desligou a chamada. Tombando sua cabeça sobre o leito, se pôs a pensar.
Francesca havia conhecido Leon em uma festa, onde segundo ela, eles também ficaram. Francesca sabia toda a vida do filho do Vargas. Fran sabia tudo , tudo da vida de qualquer um. Para Violetta, Fran era uma vadia que era fofoqueira e completamente informada. Mas ela era, uma vadia, amiga para todas as horas e momentos.
Sem se dar conta, adormeceu ali mesmo, pensando, indagando e completamente praticando uma perda de tempo.
Flashback Off
...
Violetta já se encontrava no Aeroporto Internacional de Buenos Aires, conversando com Federico sobre assuntos aleatórios.
– Violetta, você é um barato. — sorriu ele, cerrando suas pálpebras e suspirando, na tentativa de se controlar.
– Sério. Eu fiquei com o Vargas! Se não acredita então se foda! — Afirmou ela, em uma expressão séria.
– Até parece que ele ficaria com você.. Vocês transaram? — indagou em um tom de curiosidade.
– Não! Claro que não! — Devolveu recordando da noite que teve com o Vargas.
– Tá bom. Só espero que... — Antes de puder completar, uma voz os interrompeu.
"Chamada para o voo 1358 com destino a Buenos Aires, comparecer ao portão de embarque 6. "
– Vamos lá Federico. — German chamou por ele, esquecendo de sua filha. — E Vilu, venha também queridinha. — O pai sorriu falso para ela, o que fez a mesma suspirar forte e milhares de pensamentos ocuparem a mente daquela suicida.
...
– Eu não me cortei Leon! Eu consegui ser forte! — Gritou feliz, ao chegar a Buenos Aires. Estava longe de seu pai, e de todos, estava no McDonald's enquanto eles se divertiam, o que ela desconhecia, afinal, ela nunca fez e nem faz questão de participar de tal atos de sua família.
– Que perfeito, eu falei né ? — Afirmou, fazendo a pequena suicida soltar umas lágrimas involuntariamente. Lágrimas de felicidade.
– Eu escrevi aquela vez nos pulsos, Don't Stop Be Strong. E contínuo escrevendo. Faz um mês que eu não me corto seriamente como antes, é um ou outro, pra descontar. — Recordou seus atos, arrancando sorrisos de seus próprios lábios. — Onde você está? — Perguntou, torcendo para que ele estivesse pelo menos pegando as bagagens.
– Estou pousando a alguns minutinhos. Talvez daqui a uns 10 eu já esteja ai. — afirmou, arrancando novamente um sorriso dela. — Bom, McDonald's né? — Depois de sugar pelo canudo um pouco de seu OvoMaltine , respondeu.
– Sim. — Afirmou, transparecendo seu sorriso ao rir. — Quero tanto te ver.. Conversar com você pelo telefone é completamente diferente do que conversar pessoalmente. — Recordou as vezes onde Leon ou ela, se falavam no telefone apenas aproveitando o momento em que estavam juntos, unidos por dois celulares.
– Completamente. Estou louco para saborear seus lábios de chocolate denovo. — Murmurou ele, ouvindo os risos completamente involuntários de Violetta. — Estou pousando. Pra felicidade dos dois, linda. — Terminando seu diálogo, desligou a chamada.
Violetta vagou em seus pensamentos por tempo indeterminado . Até uma voz a tirar de seu transe monótono.
– Violetta! — Gritou uma voz que ela conhecia muito bem.
Ao virar sua cabeça, encontrou uma das pessoas que era o motivo de seu sorriso. Não era Leon, muito menos Federico.
– Não acredito que é você! — Murmurou caminhando até o humano a sua frente, depositando beijos em sua bochecha, e abraçando o mesmo, como se não quisesse que aquele ser se soltasse de seus braços. — Fran, senti tantas saudades. — Afirmou apertando mais aquela mulher a sua frente. — Como você está? Cade o resto do pessoal? — perguntou, com suas mãos novamente separando o corpo de sua melhor amiga do seu.
– Pararam no Starbucks. Estavam com fome, aí eu sabia que você amava Mc Lanche Feliz e assim vim, até aqui. — afirmou sorrindo, arrancando de Violetta um sorriso também .
– Vem — afirmou agarrando as mãos de Fran , e assim a puxando para a mesa que ela estava sentada, conversando as duas sobre coisas aleatórias.
***
– Violetta, você não parou com as suas multilações? — indagou Francesca, fitando Violetta com um olhar sombrio.
– Não Fran. — Afirmou sentindo seus pulsos formigarem , como se anciassem por se cortar de novo.
– Violetta, a Maria morreu a cinco anos. E a cinco anos, você faz isso. O que você vai fazer quando isso não for mais necessário? — Afirmou temendo que Violetta se suicidasse, ou coisa do tipo.
– Fran, meu pai me odeia e não me dá atenção. Minha madrasta me xinga, me humilha, me bate, Federico fala coisas que não deve a maioria das vezes, eu não me acho bonita, eu me odeio, sinto nojo de mim mesma, fico imaginando como alguém poderia me amar, e o mais convincente pra você. A Maria morreu sim, um dos poucos anjos que tinha no meu caminho iluminado se foi, Fran. E depois daquele dia, parece que a luz que me deixava acesa se apagou, por que no momento que eu aceitei aquela lâmina eu virei uma pessoa escura. Sem motivos pra viver. Fran, eu sou suicida. — Proferiu sentindo lágrimas a preencherem de uma avalassadora. — Quando isso não for o suficiente, o jeito é o suicídio. Quando eu não aceitar mais isso, eu vou aceitar a faca e assim você sabe o que eu quero dizer. — Finalizou, suspirando o mais fundo possível, pois seus pulmões lhe cobravam oxigênio.
– Você o que? — murmurou uma voz atrás dela. Uma voz tão pouco irritante que ela conhecia muito bem. — Violetta, vamos conversar. — proferiu a voz atrás dela, lhe causando arrepios.
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