Don't Smoke
1 1. Don't smoke.
Notas iniciais
Já tenho essa fanfiction comigo faz um tempinho e apenas a escrevi por diversão. Hoje uma amiga minha me convenceu a postar, então eu revisei a história e cá estou eu.
Provavelmente muita gente não tem esse mesmo head-canon que eu, porém arrisquei a escrever sobre ele do mesmo jeito.
Espero que gostem! Boa leitura ~
Os últimos raios solares do crepúsculo vespertino marcavam o fim da tarde, dando ao céu uma mistura de tons levemente azuis e laranjas que estavam se sobrepondo e denotando que a noite estava prestes a começar. O clima estava ameno comparado ao do restante do dia; uma brisa gélida passageira refrescava o calor exagerado anteriormente, o que dava um ar confortável e relaxante para os dois policiais do Shinsengumi que se encontravam dentro do carro parado na estrada.
Não havia nenhum sinal de rebeldes do Jouishishi ou de veículos por perto se aproximando no local, nem mesmo do barulho de alguma folha caindo ao chão. Apenas o silêncio reinava por ali.
Após um longo e cansativo trabalho de perseguição e investigação sobre a facção de samurais rebeldes, ambos os policiais desfrutavam daquela tranquilidade juntos— sugestão de Okita. Embora o caso que estiveram trabalhando à tarde inteira já estivesse em seu fim, Hijikata não havia concordado com a ideia de descansar logo de início; porém após tanta insistência do menor, ele acabou se rendendo e aceitando, até mesmo porque incrivelmente seu parceiro havia se dedicado e não tirara nenhum cochilo ou fizera comentários desnecessários durante o expediente, algo bem raro.
Aliás, o vice-comandante do Shinsengumi estava um pouco intrigado com o comportamento recente de Okita. Geralmente Sougo passaria o dia inteiro matando horas e horas de trabalho para tirar cochilos, ou “confundiria” o seu alvo somente para atirar com a bazuca logo em Hijikata, ou então estaria quebrando uma boa parte das regras do Kyoukuchuu Hatto por diversão — e não era nada disso que estava fazendo. Nos últimos dias, Okita pareceu estar mais sossegado em seu canto, obediente, e isso o dava um ar tanto suspeito. Hijikata não se esqueceria das vezes em que Okita fingia estar sendo gentil para ele morder a isca e cair em sua armadilha sadista. Hijikata sabia muito bem que não cairia mais nesse truque novamente, portanto decidiu ficar atento quanto as ações do outro.
Hijikata olhou de relance para o lado e notou que Sougo provavelmente estava cochilando por debaixo da máscara vermelha de dormir que utilizava. Tirou a conclusão de que deveria parar de se preocupar excessivamente e resolveu aproveitar os momentos de descanso tanto quanto ele.
Com toda aquela inquietude em sua cabeça lhe deixando atônito, pegara um cigarro de seu maço e acendeu-o com seu isqueiro em formato de maionese retirado de dentro de suas vestes. Abriu toda a janela do carro, que antes se encontrava semiaberta, a fim de que pudesse sentir o frescor do vento com mais facilidade. Apoiou seu cotovelo na porta, tragando seu cigarro e se pôs a distrair-se em seus devaneios vagarosamente.
— Hijikata-san, não fume — Hijikata ouviu Okita se pronunciar, levando um pequeno susto com a súbita quebra do silêncio. Além disso, ele havia estranhado novamente com o garoto. Okita não diria esse tipo de coisa abruptamente sem soar indelicado. — isso faz mal. — acrescentou. Hijikata esperava um “espero que se engasgue com sua fumaça e morra” ou algo pior vindo dele, não um simples e não convencional “isso faz mal”. Parecia que Okita estava se preocupando com sua saúde, mas ele tinha certeza de que não era isso. Não podia ser.
Hijikata, portanto, tentou acreditar que estava ouvindo coisas e voltou a tragar seu cigarro como se Okita estivesse ainda relaxando por debaixo de sua máscara de dormir sonhando com mais de mil e uma maneiras de matá-lo, como sempre fazia.
— Hijikata — a voz largada de Okita pronunciara mais uma vez, fazendo com que Hijikata dirigisse olhares hesitantes para ele. O jovem retirou a máscara a fim de que pudesse esfregar os olhos cansados, ajustando-se no banco do carro para se sentir mais confortável. Seus cabelos apresentavam diversas madeixas em desordem. — Hijikata-san, eu disse para você não fumar. O carro ‘tá ficando com o ar poluído e eu não consigo dormir com essa fumaça me atrapalhando. — Okita insistiu.
O maior suspirou com um pouco de alívio com as últimas palavras. Okita provavelmente estava cansado excessivamente para arranjar brigas ou incomodar Hijikata, por isso não estava sendo tipicamente grosseiro. Era impossível imaginar algum conselho de saúde vindo daquele sadista, ainda mais um que fosse sobre fumo.
Hijikata amassou as cinzas do cigarro no cinzeiro do carro e lançou outro longo suspiro, colocando as mãos no volante e se ajustando no banco.
— Vamos voltar — ele disse, ligando o carro.
[...]
Okita havia voltado com suas gracinhas nos próximos dias. No começo da semana havia batizado a tão querida maionese de Hijikata com laxante, fazendo-o ficar horas e horas preso no banheiro. Em outro dia usara todo o dinheiro de Hijikata para comprar doces e dera a desculpa de que precisava do dinheiro para pagar um presente para o aniversário de Kondou-san — e Hijikata, tolo, caiu em sua pegadinha. Pela manhã, durante uma reunião do Shinsengumi, Okita mascara chicletes e fizera barulhos irritantes a cada discurso de Hijikata, tirando ele do sério. E além dessas, várias outras brincadeirinhas simples preenchiam a semana do vice-comandante com bastante estresse e sorrisos sadistas.
Embora Hijikata considerasse aquelas atitudes bestas de Okita um verdadeiro pé no saco, ao menos havia se acalmado quanto aquela mudança de comportamento. Uma parte dele confessava que sentia um pouco de falta das brincadeiras do menor.
No fim da tarde de um dia de folga para os membros do Shinsengumi, Hijikata e Okita decidiram sair juntos para aproveitar o tempo de descanso. Okita sugeriu que comessem alguns dangos, Hijikata negou e disse que estava sem fome naquele momento, porém o de cabelos castanhos acabou insistindo para que Hijikata comprasse para ele e o maior não teve escolhas a não ser comprar — como sempre.
Ambos estavam sentados em um banco da praça. Um clima calmo tomava conta do local. Havia algumas poucas crianças brincando e correndo, outras incomodavam e caçoavam o pobre madao que se encontrava dormindo no chão com vários jornais e outras reclamavam com seus pais implorando para ficarem mais tempo se divertindo por ali.
Okita saboreava seus dangos como se não tivesse comido algo há séculos. Hijikata podia estar sentindo falta do dinheiro que estava faz pouco tempo no seu bolso, mas ele não podia negar — embora quisesse muito — que lhe dava um sentimento de satisfação ver o rosto alegre de seu parceiro.
O maior retirou o isqueiro em formato de maionese de suas vestes. Ao fazer isso, Okita focou olhares nada agradáveis para Hijikata, censurando a ação.
— Hijikata-san — Okita balbuciou com a boca cheia de dangos. — Não me diga que você vai fumar logo aqui na praça. Que mau exemplo para as crianças de Edo.
Hijikata sentiu uma veia subir em sua testa e procurou desajeitadamente o maço de cigarros que havia trazido.
— Não quero ouvir isso de um pirralho que fala com a boca cheia de comida — Hijikata retrucou, ainda procurando o maço de cigarros. Sem sucesso. — Aliás, devolve logo essa merda de cigarros que você pegou. — acusou Okita ao ver que o menor escondia o maço de cigarro dentro de suas vestes.
— Eu te devolvo, sim — respondeu, depositando o último de seus dangos na boca e estendendo a mão com o maço de cigarros para Hijikata.
— Ótimo — Hijikata pegara o objeto, satisfeito. Isso até perceber que o garoto havia pego seu isqueiro enquanto ele não estava olhando, e não tinha como ele fumar sem acender os cigarros com ele.
Sougo deu um de seus sorrisos sádicos e Hijikata o respondeu com uma expressão nem um pouco gentil, que indicava que seu humor estava prestes a explodir. Após isso, o final da tarde pôde ser resumido em uma perseguição: Hijikata corria rancoroso atrás do ladrão de seus cigarros.
[...]
A cabeça do vice-comandante do Shinsengumi se encontrava em um alvoroço. Uma insônia terrível o impedia de ter uma noite de sono tranquila. Revirava-se de um lado para o outro mas era incapaz de descobrir uma posição na qual o deixava confortável o suficiente para descansar. Aquilo estava começando a irritá-lo.
Talvez ele soubesse bem o motivo pelo qual sua mente não parava de lhe enfadar. O ocorrido no final da tarde fora o necessário para deixa-lo confuso. Afinal: qual era o sentido de Okita, que sempre estava querendo mata-lo, impedi-lo de fumar cigarros que fariam de graça todo o trabalho que ele teria em matar? Por que ele se preocuparia logo com isso? Não havia nexo algum.
Hijikata se recusava a ficar com dor de cabeça por causa disso. Levantou-se do futon e dirigiu-se até o lado de fora a fim de que pudesse respirar um pouco de ar fresco.
Andou sem rumo pelo o jardim e sentiu o vento gélido pinicar seu corpo. Em seguida, encostou as costas na parede e pôs-se a admirar o céu salpicado com estrelas, tentando se concentrar em esquecer de tudo que lhe incomodava no momento.
“Aquele pirralho provavelmente só diz aquilo para me deixar nesse estado”, as palavras ecoaram na cabeça de Hijikata enquanto o mesmo ascendia o isqueiro, depositando um cigarro entre os lábios.
O som inaudível do silêncio possibilitava Hijikata de ter um momento de paz no dia. Aquilo estava limpando um pouco sua mente de suas inseguranças e dúvidas, tanto que se pudesse ficaria a noite inteira naquele canto.
O moreno lembrou-se de uma vez em que Okita convenceu Kondou de aplicar uma lei no Shinsengumi no qual consistia em não fumar cigarros. Naquela época Hijikata imaginaria que Okita apenas queria ver o sofrimento de um cara viciado, e provavelmente era isso mesmo que ele queria. Por que hoje em dia não aparentava que ele desejava isso?
Hijikata ouviu alguns passos se aproximando e dera uma olhada ao redor. Era Okita, para sua infelicidade. O menor estava com um semblante ligeiramente cansado, cabelos bagunçados pelo travesseiro e passos arrastados e lentos.
— Hijikata acordado a essa hora? — Okita disse com um tom de provocação em meio a um bocejo, esfregando os olhos logo em seguida.
— Eu digo o mesmo a você! — Hijikata exclamou, um pouco estranhado pelo garoto estar ali àquela hora também. Okita era dorminhoco demais para ficar acordado no meio da noite. — E eu só não estava conseguindo dormir, só isso.
— Você não lembra do que eu te disse, não é? — Okita mudou de assunto, com os olhos fixados nas estrelas. Hijikata respondeu à pergunta com uma expressão desentendida. — Sobre o cigarro...
Hijikata retirou o cigarro dos lábios, soltando a fumaça pelos ares, e posteriormente suspirou, descabelando as madeixas desordenadas do menor.
— Sougo, eu sei o que faço.
Okita removeu as mãos de Hijikata de sua cabeça, parecendo um pouco incomodado com aquela ação. O maior apenas ignorara o pedido de Okita para não fumar e depois de alguns segundos já estava a tragar seu cigarro novamente, como um menino teimoso. Ele já era um adulto e sabia o que fazer tanto quanto as consequências do que fazia. Nenhum pirralho mais novo poderia lhe dizer o certo ou o errado.
Abruptamente o menor virou-se de frente para Hijikata, fazendo com que ele ficasse um pouco desentendido com tal ação. Em questões de segundos, Okita trocara o cigarro dos lábios de Hijikata pelos seus próprios lábios, selando um beijo afetuoso e inesperado.
A expressão de Hijikata fora tomada pela surpresa, mas logo a quebrou, abrindo a boca para aprofundar ainda mais aquele beijo. Provara os sabores contidos na boca de Okita de pouco em pouco, deliciando-se, sem pressa para dar um término no ato. Colocou uma de suas mãos entre os fios do cabelo do menor, acariciando levemente durante o beijo.
Ambos se separaram devido à falta de ar que os deixaram ofegantes. Hijikata fitava os olhares de Okita ainda sem entender. Aquele pirralho tinha o poder de brincar com sua cabeça a ponto de fazer com que ele ficasse transtornado.
— Não brinque assim comigo, Sougo... — Hijikata roçou os beiços de Okita mais uma vez, partindo para um beijo ambicioso.
No fim do beijo, o silêncio tomou conta do local novamente, criando uma atmosfera um tanto tensa para ambos. Os dois contemplavam o céu estrelado juntos apenas para disfarçar o romântico clima de antes, esperando silenciosamente que alguém quebrasse aquele sossego para se pronunciar.
— É... S-sougo — Hijikata arriscara-se, despertando a atenção do menor, ainda procurando as palavras que iria falar em seguida. — Por que diz para eu não fumar? — completou um pouco ansioso com a resposta.
— Quem sabe? — respondeu com um ar misterioso, deixando Hijikata um pouco inquieto.
— Por que você se preocuparia com isso? — desembuchou com um tom um pouco exaltado, ansiando por uma resposta concreta do outro. — Não é você que sempre está inventando desculpas suas tentativas sadistas de me matar? Um cigarro pode matar também, você sabe muito bem disso. Se você me proíbe deve ser porque quer impedir que isso aconteça, não é...?
Sougo dera uma risada abafada, fazendo com que Hijikata corasse um pouco com tal atitude. Talvez as palavras utilizadas não foram as corretas, portanto permaneceu quieto sem acrescentar mais nada, um pouco arrependido pelo o que foi dito anteriormente. Ele estava fazendo papel de bobo ali mesmo e Okita se deliciava com aquilo.
— Sabe... Pensei bem e — o sadista começou, parando com as risadinhas. — Por que deixar uma coisa tão inútil quanto um cigarro te matar sendo que eu mesmo posso fazer isso?
Hijikata gostaria de entender as palavras daquele garoto complicado; no entanto, quanto mais pensava em uma resposta para aquilo, mais e mais perguntas apareciam. Aquele era o talento de Okita.
— Isso não faz sentido algum!
— Faz sim — Okita pôs-se na frente de Hijikata novamente. — Eu sou o único que pode te matar. Ninguém mais fará isso. Nem uma doença, nem uma pessoa e nem nada. Por isso não deixarei que você morra.
— Não é como se eu fosse morrer por conta de uns cigarrinhos de nada e...
Okita tocou seus lábios brevemente, interrompendo-o de continuar falando.
— Hijikata-san, você fala demais às vezes — a voz de Okita soou aveludada em seus ouvidos. — Eu te amo. — completou com um sorriso doce e um rápido abraço, em seguida caminhou em direção aos quartos do Shinsengumi, deixando Hijikata completamente sem palavras.
— Eu te amo também, pirralho — Hijikata murmurou ao ver que o garoto estava fora de sua vista.
O moreno dera um sorriso afetuoso como resposta, caminhando de volta para o quarto.
— O que é isso? — Hijikata parou pelo caminho, sentindo um objeto não identificado em suas costas. Levou suas mãos até lá e retirou com esforço um papel que estava colado por lá e aparentemente havia arruinado seu pijama com a cola.
Hijikata forçou a vista para ler o que estava escrito e amassou imediatamente o papel ao decifrar a mensagem “MORRA”, sentindo a raiva tomar conta de seu corpo, ainda mais com a pequena observação abaixo da mensagem “OBS: queimei seu estoque de maionese enquanto não estava olhando. Você precisa parar de envenenar a comida com essa gosma nojenta, Hijikata-san.”.
— Aquele pirralho...!
Okita jamais mudaria, e isso agradava e ao mesmo tempo desagradava Hijikata.
Notas finais
Sempre achei que o Okita se importa muito com o Hijikata de algum modo, porém é muito orgulhoso para admitir isso e inventa histórias ou mentiras para cobrir esse fato. E Hijikata, inocente, sempre acredita no que ele diz e/ou fica confuso com isso.
E bom... Espero que tenham gostado!
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