Notas iniciais
Long time no see, hein! Olá, gente, como vocês estão? Espero que bem. Faz literalmente anos que não posto nada no Nyah, mas tive que sair da minha "aposentadoria" para escrever algo para Clexa, a minha mais nova obsessão.A fic é pequena, e talvez eu tenha perdido a mão em algumas partes, mas está aqui e eu espero que vocês gostem!

O telefone vibrou e Lexa já sabia quem era. Ela soltou um suspiro e pegou o celular, tentando não sentir aquele frio na barriga que sempre a acompanhava quando via o nome Clarke Griffin seguido por um emoji de coração na tela.

Não deu muito certo. Suas entranhas ainda pareciam que estavam numa montanha russa.

ei o que vc tá fazendo?

Em casa, vendo um filme. Porque?

Lexa e Clarke eram tão diferentes. Clarke era extrovertida e gostava de sair e encontrar gente nova. Lexa preferia ficar em casa se divertindo com filmes e se escondendo da maioria dos seres humanos que não fossem Clarke e Anya, sua prima mais velha. Lexa escrevia como se estivesse redigindo seu TCC; Clarke, por outro lado, mal via os erros ortográficos de suas mensagens. Lexa era apaixonada por Clarke desde o primeiro dia que a vira; Clarke não fazia a mínima ideia disso.

As duas brigavam constantemente, mas sempre conseguiam se ajeitar. A maioria das brigas era porque Lexa não demonstrava seus sentimentos na mesma intensidade que Clarke deixava os seus à mostra, porém, como ela poderia? Tudo o que Lexa fazia era por causa de Clarke e simplesmente jogar na cara de uma de suas melhores amigas que ela era loucamente apaixonada nela não fazia seu tipo.

Lexa deixava as coisas acontecerem de maneira lenta. Talvez um dia, ela se pegava pensando, talvez se fosse em uma outra época.... Ela não queria perder a amizade de Clarke se confessasse seu amor por ela e não fosse correspondida. A garota não suportava ouvir as histórias de amor de Clarke, e continuava ouvindo, porque ela sabia que não haveria outra pessoa que fizesse isso.

vamos sair!!!

estou com uma menina linda

ela ta com uma amiga que quer companhia!!!

por favor lexa vc n namora ngm há meses

Lexa leu as mensagens algumas vezes antes de responder. Anya vivia lhe falando para arranjar uma vida além de Clarke Griffin. Contudo, não precisava de muito para a outra pessoa entender que Lexa estava apaixonada por outra e seus relacionamentos nunca iam para frente. Lexa passava mais tempo conversando sobre Clarke com seus namoricos do que realmente beijando eles.

Hoje não, Clarke. Dê atenção à sua garota.

vc eh mais importante que ela

sempre foi

Não diga coisas que você não quer dizer.

Clarke mandou um emoji com carinha triste. Lexa preferiu ignorar e voltar sua atenção ao filme que assistia. Não que fosse entender o filme dali para frente. Tudo o que seus olhos viam era Clarke beijando a tal garota linda. Se divertindo. Tendo uma vida além de Lexa.

Não ser o suficiente para Clarke nunca pareceu doer tanto quanto naquele momento.

***

— Ainda está apaixonada nela, não está? — Anya perguntou ao ver Lexa digitando no celular.

Elas estavam em um café perto da casa de Anya. Alguns meses passaram desde aquela saída de Clarke que ela resolvera ignorar. Clarke e a garota estavam namorando. Parecia sério e Lexa não sabia o que dizer. Ou fazer. Não que tivesse muita coisa para fazer, a não ser reprimir mais ainda o que ela sentia.

Clarke estava feliz e era só isso que importava. Mesmo que fosse com outra pessoa. Mesmo que Lexa estivesse se sentindo miserável todos os dias da sua vida. Mas ela estava feliz.

Lexa suspirou e assentiu. Anya rolou os olhos em desaprovação. Sua prima só queria seu bem, Lexa sabia, mas ela não entendia. Anya jamais gostara de uma pessoa da mesma maneira.

— Pare de se torturar por causa dela, Lexa — disse Anya, apertando a mão livre de Lexa que estava em cima da mesa.

— Só quando ela parar de valer a pena — respondeu Lexa prontamente, se afastando da prima com um aceno brusco.

— Ela não vale a pena sacrificar seu coração. Você é louca nela há quanto tempo? Uns três anos? Há tantos peixes no mar, Alexandra.

Lexa olhou para Anya, não acreditando que a prima usaria a carta do nome completo. Quase ninguém o usava, salvo seus pais quando queriam lhe dar uma bronca. Clarke às vezes o usava para tirar sarro dela, mas ela sempre pensou que o tom da garota ao pronunciá-lo era bonitinho, então nunca se incomodou.

— Ela é o meu coração, Anya — falou Lexa depois de bebericar seu café. O celular vibrou com outra mensagem de Clarke. — Esse é o problema. Esse sempre foi o problema.

Anya fitou sua prima simpaticamente. Lexa sabia que ela estava cansada de ouvir seus sentimentos em relação à Clarke, mas não podia evitar. Anya era a única pessoa além de Clarke com quem podia se abrir sem se sentir acanhada.

— Quando você se cansar de emprestar seu coração a outras pessoas, pode me chamar e eu lhe arranjarei alguém que o mereça — falou Anya, provavelmente não querendo soar tão fria, mas Lexa riu mesmo assim e agradeceu com a cabeça.

Ela sabia que Clarke não devolveria seu coração tão cedo.

***

Quase um ano de namoro entre a garota e Clarke. Lexa estava cada dia mais reclusa. Ela só saía de casa para o emprego e às vezes encontrar Anya no café de sempre. Lexa também se tornara uma grande amiga de Lincoln e sua namorada, uma amiga de Clarke, Octavia. Os três saíam ocasionalmente. Clarke ia com esses encontros com a namorada e Lexa sempre fingia estar passando mal para sair o mais cedo possível.

Em mais um dia escondida em sua casa, Lexa se viu passando fotos e fotos no Instagram, até se deparar com uma de Clarke, na beira da praia com sua garota — era como Clarke a chamava; fazia Lexa ter ânsias de vômito. “Ela me mima demais!”, era a legenda da foto.

Suas entranhas deram uma volta completa. Clarke lhe contara que viajaria no fim de semana, mas não dissera que seria com a namorada. Ela até tinha lhe chamado para ir, mas Lexa vagamente se lembrara de um memorando que devia entregar na segunda. Ela ficou por um tempo se imaginando naquela praia, com Clarke lhe chamando de “sua garota”. A ideia beirava ao ridículo.

“Que bom que está aproveitando”, comentou Lexa, tentando não parecer tão ciumenta quanto realmente estava. Ela mordeu o lábio. Clarke logo a deixaria maluca. Não poderia continuar com isso mais. Ou se afastaria de Clarke até que esse sentimento louco fosse embora, ou contava tudo para ela e deixasse que os deuses decidissem seu futuro.

“Queria que você estivesse aqui!!!” A resposta para o comentário de Lexa veio minutos mais tarde. Seu coração se aqueceu com a resposta. Talvez mais um tempo não pudesse lhe fazer tanto mal, pensou, abrindo um sorriso melancólico.

Lexa estava tão ferrada quanto poderia estar ao se apaixonar pela melhor amiga. E adorava todo momento de atenção que ganhava dela.

***

“Você tem que se namorar já que ninguém vai fazê-lo.” Era a legenda de uma foto que Lexa postara numa sexta-feira à noite com uma pizza congelada e um pote de sorvete de chocolate. Lexa nunca fora muito fã de redes sociais, mas ela era fã de fotos e, de um certo ângulo, a pizza e o sorvete haviam ficado fotogênicos. Anya riria da sua cara, obviamente.

Ela estava pronta para passar a noite vendo Star Wars, uma das franquias favoritas de Clarke. A garota sempre lhe incomodava como ela jamais vira sequer um filme dos seis e Lexa achou que já passara da hora de atender esse desejo da melhor amiga. Não convidara Clarke porque era sexta e ela provavelmente tinha planos com sua namorada.

o que vc pensa que ta fazendo????

Sexta à noite comigo mesma, ué

nem pensar

vc já faz isso todas as sextas

to indo prai

Ok. Estou te esperando.

Meia hora mais tarde e Clarke tocava sua campainha impacientemente. Ela carregava um balde de pipoca e trazia seu costumeiro sorriso que guardava para quando Lexa estava se sentindo triste.

— Então, o que vamos assistir? — indagou Clarke se acomodando no sofá, deixando um espaço para Lexa.

— Star Wars — respondeu a outra, esperando a bronca que levaria.

— Você iria ver Star Wars pela primeira vez sem mim? — Clarke parecia enfurecida, mas Lexa abriu um sorrisinho. — Você é inacreditável, Alexandra.

Lexa revirou os olhos ao uso do seu nome. Ela sentou ao lado de Clarke e mordeu um pedaço da sua pizza recentemente esquentada. Geralmente, Lexa era fã de pizza congelada, mas esta parecia sem gosto. Geralmente, as coisas não tinham gosto quando ela estava perto de Clarke.

Estar apaixonada era horrível.

Elas dividiram o sorvete durante a metade do segundo filme. Clarke logo adormeceu, como sempre fazia enquanto as duas viam algo. Ela caiu no colo de Lexa e a garota teve que usar toda a sua força de vontade para não encarar Clarke dormindo tão pacificamente ao invés do filme. Não é preciso muito para falar que Lexa falhou miseravelmente.

Lexa também cochilou um pouco no sofá. Encarar sua alma gêmea de uma maneira que não seja psicopata enquanto ela dorme às vezes cansa. Lexa sonhou com Clarke. Sonhou que falava o que sentia, que Clarke também gostava dela, que as duas namoravam e eram felizes para sempre. Ela não sonhava algo tão bom assim havia meses.

— Lexa, acorda! — sussurrou Clarke ao sacudi-la de seu sonho incrível. — Eu não acredito que você dormiu vendo Star Wars!

— Olha quem fala! — zombou a garota, sonolenta. — Ah, porque você me acordou?

— Porque a melhor parte está por vir! — disse Clarke, se ajeitando no sofá, animada para qualquer cena que estivesse por vir fosse que filme que estivesse passando agora.

Lexa fitou Clarke por um bom tempo antes de desviar sua atenção para a TV. Todas as garotas do planeta para ela se apaixonar, e Lexa tivera que gostar de uma que nunca a olharia para ela romanticamente.

— Obrigada, Deus — murmurou Lexa para si, deixando que Clarke se aconchegasse de novo no seu colo, onde ela provavelmente dormiria. — Sério, muitíssimo obrigada.

***

As batidas na porta eram estridentes. Lexa, que dormira no sofá durante uma maratona de série, sentou-se assustada. Quando ela começou a imaginar que sonhara com as batidas, elas recomeçaram. A garota olhou para o relógio em cima da TV e se perguntou que tipo que louco estaria batendo na sua porta às três da manhã.

— Lexa! — gritou uma voz que ela conhecia bem. — Você tá aí? Vamos, abre a porta!

— Oh, caramba.

Lexa se levantou e percebeu que tremia ao pegar a chave do apartamento. Clarke deveria estar com problemas sérios para ter vindo até ali àquela hora. Ela abriu a porta e se deparou com a melhor amiga de cabelo bagunçado e os olhos borrados de maquiagem, dando a imagem clara que ela estava chorando. Clarke parecia não se manter de pé, e Lexa imaginou que ela estivesse bêbada.

— Lexa! — gritou Clarke mais uma vez, se atirando nos braços da amiga. — Que bom que você veio!

— É a minha casa, Clarke — respondeu Lexa, puxando a amiga para dentro. Isso daria tantos problemas com os vizinhos na manhã seguinte... — O que houve contigo? Porque está tão bêbada?

Ela conseguiu colocar Clarke sentada no sofá e correu na cozinha para lhe buscar um copo de água. Octavia era quem cuidava de Clarke quando ela estava bêbada assim, Lexa recordou, afinal Raven não tinha a paciência nem o humor. Lexa nunca vira Clarke tão chapada.

Clarke tomou a água como se houvesse vodca no copo. Ao chegar no fim, ela olhou para Lexa com olhos pedintes e lá foi a garota buscar a garrafa de água para a amiga. Lexa estava curiosa para saber o que trazia Clarke à sua casa àquela hora, mas sua amiga não parecia estar a fim de outra coisa que não fosse água.

Dez minutos e metade da garrafa d’água escorrendo pelo pescoço de Clarke depois, a garota finalmente tentou formular algumas frases.

— Ela... a gente.... Acho que... — Clarke colocou a mão na cabeça e gemeu. — Término...

Os olhos de Lexa arregalaram.

— Você terminou com ela? — perguntou lentamente.

— Contrário — murmurou Clarke, deixando a cabeça se recostar no ombro de Lexa. — Ela... comigo...

Lexa achava difícil acreditar no que ouvia. Clarke estava bêbada. O término com certeza era sobre outra coisa. Clarke e a namorada estavam firmes até a noite anterior — Clarke postara uma foto de um jantar romântico das duas. Impossível que tudo tivesse mudado em um dia e uma noite bêbada de Clarke. Ela não queria deixar suas esperanças lá em cima. Nada iria acontecer.

— Larga de ser boba, Clarke — falou Lexa, lhe dando mais um copo de água. — Vocês duas se gostam tanto, porque ela terminaria com você?

— Porque eu sou uma idiota! — Clarke deu ênfase na última palavra. Ela mal conseguia se manter de olhos abertos. A cena seria cômica se ela não estivesse prestes a chorar mais. — A gente brigou e eu saí correndo, nem pensei direito. Eu fui pro bar mais próximo e enchi a cara.

— Você é bem idiota — concordou Lexa. Clarke abriu os olhos o suficiente para lançar um olhar cético à amiga. — Mas não vale a pena se torturar dessa forma, Clarke. Ela deve estar louca à sua procura. Posso ligar para ela e dizer que você vai passar a noite aqui?

Clarke fez um barulho com a boca que Lexa imaginou ser um sim, então a garota pegou o telefone e mandou uma mensagem para a namorada da garota. Lexa nunca imaginou que se veria naquela situação. Poucos minutos mais tarde, a garota agradeceu o que Lexa estava fazendo e disse que iria buscá-la na manhã seguinte.

Lexa ajeitou Clarke o melhor que pode para que ela dormisse de maneira confortável no sofá. Deixou a garrafa d’água ao seu lado e buscou um cobertor que Clarke deixara na sua casa anos antes. Lexa cobriu a amiga com ternura e a observou por um tempo enquanto a garota tentava achar uma boa posição para dormir.

— Você é a melhor amiga do mundo. — Clarke segurou o pulso de Lexa antes de ela ir para seu quarto. — Você sabe disso, né? Eu te amo.

— Não diga coisas que não quer dizer — respondeu Lexa, segurando suas lágrimas na frente de Clarke.

***

A foto que quebrou o coração de Lexa em um milhão de pedacinhos era simples, de uma mão que ela conhecia e um anel de ouro com um pequeno diamante em cima. A legenda só tinha três palavras: “Vou me casar!!!”

Ela quase deixou o celular cair devido ao choque de ver Clarke com um anel de noivado. Clarke, sua melhor amiga Clarke. Sua paixão desde os tempos de faculdade, Clarke. Ela iria se casar e não havia muita coisa que Lexa poderia fazer para evitar isso. Ela só tinha que aceitar. Aceitar e arranjar uma passagem só de ida para um país longínquo aonde Clarke nunca mais a assombraria. Era a única opção.

Anya lhe mandou uma mensagem assim que viu o post em alguma rede social. Em todas as suas frases de consolo estava subentendido um “Eu te avisei” em letras garrafais. Lexa não poderia culpá-la. Anya tinha sim lhe avisado sobre isso. Iria acontecer algum dia. Lexa não poderia esperar uma eternidade para que Clarke percebesse o que sentisse por ela. Era besteira.

pq vc n me responde???

o que achou???

lexa fala comigo por favor

sua opinião é mt importante

preciso de um favor seu

As mensagens vinham em horários diferentes do dia, mas Lexa as ignorou. Ainda não conseguia responder Clarke. Sua chefe disse para ir embora assim que sentiu que ela não estava bem. Lexa rondou a rodoviária e o aeroporto da cidade por um bom tempo, considerando mesmo a ideia de ir embora, abandonar Clarke e nunca mais falar com ela.

Mas Lexa sabia que não conseguiria. Era fraca demais, precisava muito de Clarke, mais do que Clarke precisava dela. Certamente, Lexa perderia o posto de melhor amiga e confidente para a noiva. Agora era certo que ela não conseguiria seguir em frente.

Estava presa no trabalho. Parabéns pelo noivado. O que você queria?

vc vai ser minha madrinha ne????

É claro que sim. Mal posso esperar.

valeu lexa

vc é a melhor pessoa que existe

Não diga coisas que não quer dizer.

***

Lexa estava quase para explodir.

Ela não aguentava mais sair para experimentar vestidos, decidir o que ter ou não no buffet, arranjar tudo o que estava na lista de Clarke e sua noiva para o casamento delas. Lexa não tinha ideia do quão trabalhoso era ser uma madrinha. Principalmente quando você está apaixonada por uma das noivas.

Assim que o casamento terminasse, Lexa viajaria. Estava de malas prontas para um país asiático e passaria o resto do ano viajando, conhecendo cada parte do planeta, na tentativa de esquecer que o amor da sua vida estaria agora casada com outra. Talvez até conhecesse alguém interessante nessa viagem. Ela só podia rezar por isso.

Contudo, a pressão de ser madrinha de casamento não estava lhe fazendo bem. Ver Clarke tão feliz por estar prestes a casar com outra pessoa não estava lhe fazendo bem. Tudo o que sentia em relação à Clarke estava preso na sua garganta por tanto tempo que Lexa tinha a impressão que falaria tudo a qualquer momento.

Lexa? — A voz de Clarke veio em um tom preocupado assim que a garota atendeu o telefone. — Você está em casa, né? Preciso falar contigo.

— Estou — respondeu Lexa sem vontade. Provavelmente era mais uma prova de vestido ou Clarke queria saber qual arranjo de flor combinava mais com o seu cabelo.

Ótimo, em meia hora passo aí — falou Clarke e logo desligou.

Lexa ficou esperando. Ela assistia um filme antigo na TV que logo perdeu o sentido ao perceber que era a primeira vez em meses que estaria com Clarke à sós. Desde o noivado, Octavia ou Raven estavam sempre com as duas. A noiva de Clarke também. Lexa sentia falta de passar um tempo sozinha com a melhor amiga e sabia que isso só diminuiria com o casamento dela.

A campainha tocou trinta minutos depois. Lexa cumprimentou Clarke com um beijo na bochecha. Clarke logo começou a falar sobre um juiz de paz que não queria realizar seu casamento e estava à procura de outro. Lexa tinha certeza de que tinha mais reclamações de Clarke, mas ela não conseguia prestar atenção.

Estava cansada. De toda a conversa do casamento, de tudo o que Clarke tinha a dizer de sua noiva, dos conselhos cruéis de Anya sobre o que ela sentia. Lexa estava louca para ir embora e se livrar disso tudo. Ela também queria se ver livre do peso de sentir o que sentia havia anos.

— Desculpa, Clarke, mas eu não posso fazer isso — disse Lexa de repente, interrompendo seja lá o que a amiga estivesse falando.

— É só pesquisar alguns juízes na internet, Lexa — falou Clarke, parecendo ofendida.

— Não, não é isso. É isso. — Lexa apontou para si e depois para Clarke. — Eu não posso mais.

— Não pode mais...? Ser minha amiga?

Clarke tinha um olhar magoado no rosto. Lexa suspirou. Ela passara anos escondendo esse sentimento. Não havia volta agora.

— Clarke, eu sou apaixonada por você desde o primeiro momento que olhei para você — falou Lexa lentamente. Seus olhos estavam focados em um ponto acima da cabeça de Clarke. — Achei que conseguiria lidar com isso sozinha e que, sei lá, iria embora com o tempo, mas não foi. Só se tornou mais forte.

“Desculpa te contar quando você está a semanas de se casar com o amor da sua vida, mas não posso viver escondendo esse sentimento mais. Eu te amo, Clarke, e quero que você seja feliz com ela. Com qualquer pessoa que possa lhe dar essa felicidade, na verdade. Mesmo que não seja eu.”

Um silêncio profundo caiu entre as duas. Clarke parecia ter entrado em estado de choque. Lexa esperou. Ela já esperara anos, mais alguns minutos não faria diferença. A garota tinha a estranha sensação que estava contemplando o fim da sua amizade com Clarke e isso a machucou mais do que a foto do anel de noivado que recebera meses antes.

— E-eu... — gaguejou Clarke, olhando para os lados. Ela pegou sua bolsa e levantou. Lexa a ficou encarando do sofá. — E-eu preciso ir.

— Claro. Você sabe onde fica a porta. — Os olhos de Lexa ardiam. Ela não queria chorar, não ainda.

Clarke assentiu e finalmente fitou a melhor amiga. Nos poucos segundos que seus olhos se encontraram, Lexa pode sentir a intensidade dos sentimentos de Clarke. O quão estúpido teria sido contar para Clarke o que sentia? Porque, naquele momento, pareceu gigantesco. Lexa imaginara esse momento inúmeras vezes, menos daquela maneira.

A porta da frente abriu e fechou delicadamente. Clarke tinha ido embora e levado o coração de Lexa junto.

***

Anya passou boa parte das duas semanas seguintes no apartamento de Lexa. Ela já não tinha mais vontade para fazer as coisas mais simples. Clarke não falara com ela desde o desastroso dia e Lexa era orgulhosa demais para ligar. O que falaria com ela? Haveria uma tensão entre as duas, algo não-falado, ignorado, jogado de lado que nenhuma delas conseguiria superar. Lexa não queria que sua amizade com Clarke se tornasse algo assim.

— Você ainda é a madrinha dela? — perguntou Anya honestamente.

— Não sei — respondeu Lexa, tomando mais uma colherada de sorvete. Desde que contara o que sentia à Clarke, ela não fazia muito além de comer e ver séries. Se não fosse por Anya, sua sala de estar estaria um lixo. — Suponho que para ser madrinha de casamento de alguém, você tenha que trocar algumas palavras com ela.

— Justo — comentou sua prima. — Não seja tão orgulhosa, Lex. Ligue para ela.

— Ela não quer falar comigo — retrucou Lexa, a boca cheia de sorvete. — Porque iria querer? Se fosse eu, definitivamente a ignoraria para sempre.

Anya suspirou e rolou os olhos. Lexa sabia que ela era difícil de lidar, por isso não se importou. Clarke sabia como lidar com ela. Clarke a entendia sempre e nunca a pressionava a nada. Clarke sabia os momentos que Lexa gostava de ficar em silêncio ou quando queria conversar. Clarke sabia tudo o que tinha ou não para saber sobre Lexa. Era a única que a entendia.

E agora tudo isso estava perdido.

— Octavia daria uma boa madrinha — comentou Lexa algum tempo depois. — Raven também. Duas madrinhas são melhores que uma apaixonada por você.

Anya riu. Lexa abriu um sorriso amarelo e comeu mais um pouco do seu sorvete. Ela estava de férias e todo seu tempo era dedicado a sentir falta de Clarke e se entupir de comida. Não conseguira adiantar as passagens para a sua viagem pela Ásia antes do casamento sem que custasse uma fortuna, então ela só estava esperando sua nova vida sem Clarke Griffin começar.

— Você se arrepende? — indagou Anya seriamente.

— De gostar dela? — perguntou Lexa. Anya assentiu. — Nem um pouco. De ter esperado demais para contar? Muito.

O dia do casamento chegara. Lexa terminava de arrumar suas malas. A sala estava cheia de roupas e coisas que ela achava importante levar. Ela teria que encontrar o equilíbrio para que não ficasse sobrecarregada de coisas assim que chegasse. Duas malas grandes já era o bastante, não? Ainda parecia que faltava tanta coisa...

Ela estava indo bem. Saíra da fase de só ficar deitada no sofá e começara a fazer pequenas coisas. Anya só a visitava uma vez na semana. Mesmo assim, Lexa não conseguiria ir ao casamento. Ligou para Octavia e lamentou não poder ser a madrinha de Clarke. Não perguntou sobre a garota. Estava indo bem se não fosse pensar nela.

Lexa tentava não imaginar todo mundo feliz na festa de casamento. Clarke cortando o bolo com duas noivinhas no topo. Octavia e Lincoln dançando e sendo invejados por praticamente todos. Raven fazendo um discurso cheio de sarcasmo. Bellamy, o irmão mais velho de Octavia, trabalhando para que tudo fosse perfeito para Clarke.

Mas Lexa estava estranhamente tranquila. Sua nova vida começaria no dia seguinte e ela não poderia estar mais feliz. Depois de tanto tempo, ela finalmente encontrara uma forma de começar a esquecer Clarke.

A campainha tocou e Lexa parou de dobrar suas camisas por um instante. Ela franziu o cenho, se perguntando quem era. Anya estaria ali na manhã seguinte para levá-la ao aeroporto, mas não antes disso. Não esperava ninguém. Todos os seus dois amigos estavam se divertindo sem ela.

— Já estou indo! — exclamou ela quando a campainha tocou mais uma vez.

Lexa abriu a porta e seu coração foi parar na boca.

Clarke Griffin estava parada no batente da sua porta com um vestido de noiva que Lexa vira uma única vez. Ela tentou entender porque a garota estaria ali vestida daquela maneira enquanto poderia estar celebrando seu casamento. Se aquele era o jeito que Clarke encontrara de forçar Lexa a ir pelo menos na festa, não iria funcionar.

— O que você está fazendo aqui? — perguntou Lexa, soando preocupada.

— Eu não podia — falou Clarke, ofegando. — Não podia fazer isso comigo, nem com você. Eu gosto dela, gosto bastante, mas você, Lexa...

Os olhos de Lexa estavam arregalados. Seu coração batia com tanta força que parecia que iria sair da caixa torácica a qualquer momento.

— Clarke...

— Você desperdiçou cinco anos da sua vida tentando esconder o que você sentia sem se perguntar por um minuto o que eu sentia. Bom, Alexandra, a gente poderia ter vivido esses cinco anos à nossa maneira. Porque você não disse antes?

Clarke quase atropelou Lexa ao entrar no apartamento. A cauda do vestido era enorme e Lexa teve que puxar tudo para dentro antes de fechar a porta. Quando terminou o serviço, encontrou Clarke andando para lá e para cá na sala, falando pelos cotovelos, como sempre fazia quando estava nervosa demais.

— Cinco anos! — Clarke exclamou jogando os braços para o alto. — E você não pensou em me contar uma única vez?

— Clarke...

— Lexa, você me irrita tanto! Como pode alguém saber esconder tão bem os seus sentimentos?! Eu achava que conhecia você! Então, um mês antes de eu me casar, você joga essa bomba em cima de mim! Lexa, você é ridícula. Tanto tempo que você teve para contar isso...

— O que você está fazendo aqui? — Lexa perguntou quando Clarke tomou um tempo para respirar.

Clarke parou de andar e fitou Lexa profundamente.

— Eu fugi. Falei para ela que não conseguiria me casar, não quando tinha assuntos não resolvidos com você. Acho que ela sabia bem antes que eu. Acho que todo mundo sabia. Menos a gente.

— Sabia o que?!

Clarke se atrapalhou um pouco para andar na direção de Lexa. Assim que se aproximou da garota, acabou com o pouco espaço que existia entre elas com um beijo desesperado. Tantos anos de conversas não verbalizadas pareciam estar nele. Tantos sentimentos que Lexa escondera de Clarke por anos estavam ali.

— Isso — disse Clarke quando finalmente se soltou de Lexa. Depois ela deu um soco no ombro da garota. — Cinco anos, Lexa! Podia ser o nosso casamento hoje, você tem ideia disso?

Lexa não tinha ideia. Ela estava tão impressionada com o que acabara de fazer que nem se importou com o soco que recebera. Clarke Griffin a beijara. Ela e Clarke Griffin se beijaram. Será que estava sonhando? Será que ela valia tanto a pena assim? Clarke abandonara o próprio casamento para acertar as contas com ela.

— V-você... — Lexa gaguejou enquanto Clarke continuava com o semblante furioso — Você gosta de mim?

— Lexa, eu juro por Deus... — murmurou Clarke, se controlando para não dar outro soco na garota. — Não é tão difícil de acreditar. É claro que precisou de você jogar essa bomba no meu colo um mês antes do meu casamento com outra pessoa, mas... se a gente tivesse conversado sobre isso, talvez seria diferente.

— Conversar é algo um pouco complicado para mim — comentou Lexa.

Clarke deu um sorrisinho. Ela puxou Lexa para mais perto e a abraçou pela cintura. A cabeça de Clarke recostou na curva do pescoço de Lexa e ela nunca se sentiu tão em paz quanto naquele momento.

— Eu sei que é — respondeu Clarke. — Felizmente, passei tempo suficiente com você para entender seu silêncio.

— Acho melhor você trocar esse seu vestido. Tem algumas roupas suas no meu guarda-roupa.

— Você é a melhor — disse Clarke ao se soltar de Lexa relutantemente. — Eu te amo, sabia?

Lexa sorriu ao observar Clarke e seu vestido de noiva irem para seu quarto. Pela primeira vez, retrucar com a sua frase “Não diga coisas que não quer dizer” perdeu o sentido. Porque Lexa sabia que Clarke queria dizer aquilo.

Notas finais
E aí, o que acharam? Tirei o nome Alexandra desse AU incrível que alguém do Tumblr postou (http://hannily.tumblr.com/post/124618814496/ravennsreyes-tinytmas-is-lexa-just-lexa-or-is-it) e eu simplesmente adorei.Bom, se vocês gostaram a fic, deixem seus comentários e eu espero um dia voltar a postar mais fanfics constantemente como eu fazia! Um beijo para todo mundo e até a próxima :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!