Don't Matter

2 Parte II – Siga seu próprio caminho


Notas iniciais
Chegamos à ultima parte da história! Espero que vocês curtam o final!

Got every right to wanna leave

Got every right to wanna go

Meses se passaram desde então. Shino permaneceu indo ao local onde usualmente se encontravam, mas Kiba nunca mais retornou. Havia então sido definitivo? Era o fim de ambos? Os dias de alegria haviam sido findados porque o mundo decidira que shifter e humano não poderiam ficar juntos?

Já não tinha mais o mesmo rendimento nos treinos, acostumado a ter a companhia do Ômega nas batalhas, sempre o incitando e incentivando, explicando onde enxergava seus pontos fracos e como poderia fazer para melhorá-los.

O pai notou sua tristeza, a falta de apetite maior que o usual. Shino não era exatamente um jovem radiante, mas não era difícil para Shibi notar a clara diferença no desempenho do filho que sempre se destacara ao ponto de ter sido cogitado como caçador mais jovem de sua geração, antes mesmo que completasse a maioridade.

Nos últimos meses, antes desta queda brusca, Shino vinha se mostrando mais ativo, e Shibi o pegara sorrindo por vezes. Achou que estivesse apaixonado, talvez finalmente tivesse encontrado alguém. Ou qualquer coisa do gênero que os jovens dessa idade faziam.

Fazia sentido também, levando em conta o que um coração partido podia causar. Pai e filho não costumavam conversar sobre essas coisas, mas notando como Shino parecia deprimido, Shibi decidiu que era o momento de fazê-lo.

− Algo aconteceu a você. – Resolveu que ser direto era melhor do que dar voltas. – Desde que retornou aquele dia, sem que soubéssemos o motivo. As coisas pareceram melhorar, mas agora... o que está havendo, filho?

Shino suspirou, deixando de lado a refeição. Poderia confiar no pai a respeito disso? Ele era seu pai, mas acima de tudo um caçador. E prometera a Kiba. Jamais falar nada deles. Jamais revelar sobre o que tinham.

Shibi leu nas entrelinhas: o que o filho passava era algo difícil, algo que não podia contar. E se o forçasse, trairia sua confiança, algo sempre sólido entre eles.

− Siga seu coração, Shino. – disse por fim. – Você é jovem, mas sempre foi responsável demais, sempre soube como agir em todas as situações. Não posso reclamar, sabe? – Shibi encarou a própria comida, um sorriso fraco nos lábios. – Você nunca me deu um pingo de trabalho, sempre soube como agir. Se... se esta pessoa que permitiu que você voltasse para casa, independente de quem seja, é quem te faz feliz, não se prenda, filho. Porque a vida é curta demais para não ser vivida.

− Pai... – Shino não sabia o que dizer. Mas se sentia grato por ele ser sua família. Por, apesar de não compreender, aceitar.

Got every right to hit the road

And never talk me no more

Naruto não se lembrava de uma época tão triste como os meses que se seguiram após Kiba ter seguido os conselhos de Sasuke. Sabia que o namorado estava certo ao aconselhá-lo, mas isso não diminuía a dor do Ômega.

O casamento havia sido marcado, o pretendente escolhido. Um jovem vistoso, um dos Alphas que mais se destacava no pack deles: Sabaku no Kankurou, um dos três irmãos da areia, que, ao lado de Gaara e Temari, faziam um trio invencível que ameaçava tomar o lugar dos três sannins lendários no futuro como protetores do vilarejo. Era por isso que a escolha dele era tão certeira.

A princípio, Orochimaru ofereceu-se para o papel. Mas Tsume negou com veemência. Jamais permitiria que seu filho se deitasse com um velho decrépito com ele! As palavras foram como uma bomba, é óbvio. Orochimaru quase atentou contra a vida da matriarca, mas Jiraya, que havia retornado de viagem, conseguiu colocar algum juízo na cabeça do amigo. Sabia como ele era problemático, que muitas vezes se deixava levar pelos instintos animais mais do que os outros. Mas não permitiria que tal afronta fosse levada adiante. Kiba era um garoto que ainda entraria na fase adulta! Mesmo que nenhum deles tivesse nunca cruzado com um Ômega, Orochimaru não tinha o direito de reter isso para si! A nova geração deveria dominar.

Todavia, apesar de tudo, ninguém havia perguntado a opinião de Kiba. Todos impuseram suas vontades, princípios, dogmas. Mas e ele? Naruto vinha refletindo sobre isso. Havia nascido Beta, e embora a família toda tivesse sido assassinada por caçadores, reconheceu que existiam pessoas boas como Shino. Não chegou a fazer amizade com ele, mas viu o bem que fazia a Kiba. Se tivessem imposto sobre ele suas vontades, se tivesse nascido Ômega como Kiba e não pudesse ficar com Sasuke, como agiria? Não tinha certeza, mas achou que não aceitaria numa boa.

− Você não vai simplesmente aceitar isso, vai? – Sasuke questionou, os braços cruzados ao lado de Naruto enquanto olhava para Kiba, que se vestia com os trajes cerimoniais se preparando para o casamento.

− Ele não está feliz. – Foi sua única resposta. – Ele não está feliz, Sasuke.

− O que faremos? – Naruto olhou na direção do outro Beta, os olhos azuis arregalados. – Não pense por um segundo que eu te abandonaria, dobe.

− Então vamos tirar ele daqui. Vá atrás do humano, avise-o. Vou criar uma distração e tirar ele daqui.

Sasuke acenou com a cabeça. Essa era a especialidade de Naruto afinal.

Because the way I been actin’ lately

Has been off the wall

Especially toward you

Não havia escapatória para Kiba agora. Ele sabia que caminhar para o altar significaria assumir as responsabilidades para seu povo e deveria estar feliz com isso, mas seu coração estava preenchido pela tristeza da certeza de que jamais veria Shino novamente.

Foi quando viu Naruto entrar pela janela do quarto onde se arrumava.

− Caralho, Naruto, vai assustar a mãe! – Levou uma das mãos ao peito, sentindo o coração acelerado.

− Eu poderia dizer que você é uma linda noiva, mas não temos tempo. Vamos.

− Tempo para quê?! Tá ficando maluco?! Eu vou casar! – Kiba arregalou os olhos ao sentir o amigo puxá-lo na direção da janela.

− Não vai não. – O olhar dele tornou-se sério. – Você já fez muitas burradas na vida, Kiba, e eu estive em quase todas. Mas não vou permitir que se case com alguém que não ama por causa de umas tradições milenares bobas.

− Mas...

− Sem mas! Vai ter que decidir, Kiba! Ou vem comigo e foge para viver seu felizes para sempre ou fica aqui e se casa com alguém que pode nunca ter seu verdadeiro afeto!

O Ômega ainda estava aturdido enquanto encarava Naruto, pensando em todas as implicações que isso traria para ele. Naruto leu no olhar do outro o que ele pensava e sorriu.

− Não se preocupe. Sou meio especialista em criar confusões, hehe.

Kiba acenou com a cabeça. Era agora ou nunca. Bastava saber se Shino o perdoaria.

Nobody wanna see us together

Sasuke encontrou Shino no meio do caminho e, enquanto iam juntos para perto da entrada, resumiu para ele o que acontecia.

− Consegui preparar dois cavalos para vocês. Fujam para leste e se depararão com o deserto. Se conseguirem atravessá-lo, ficarão bem.

Shino não conhecia Sasuke, mas as orelhas de gato no topo de sua cabeça o fizeram crer que era um shifter. Um pouco diferente de Kiba, o porte mais esguio e forte. Mas um shifter.

− Obrigado.

− Não me agradeça ainda. Cabe a Naruto tirá-lo de lá para que possam fugir.

Shino acenou com a cabeça, pensando que talvez nunca mais visse o pai novamente. Mas feliz porque estaria ao lado de Kiba outra vez.

But it don’t matter no

(Cause I got you)

− Vai avisar Hana-nee e a mamãe? Elas vão querer me matar! – Kiba pensou no tamanho da bronca que levaria da mãe. Então deu-se conta de que não mais voltaria. De que talvez nunca mais as visse. Aquilo fez seu coração doer.

− Vou cuidar delas, Kiba, como sempre cuidaram de mim. Eu prometo.

Kiba anuiu com a cabeça, não querendo pensar demais nisso. Saíram sem problemas, o que foi estranho, pois o Ômega sabia que não demorariam demais a notar sua ausência. Passaram pelo lago sem muitas complicações.

− Pedi ao Sasuke que nos esperasse um pouco adiante com os cavalos. Não quis correr riscos. – Naruto disse.

Estavam quase no centro da floresta quando o viram: o sorriso boçal sobre os lábios, os olhos reptilianos os encarando enquanto a língua bifurcada se colocava para fora.

− Achou mesmo que eu iria permitir esse continho de fadas? – Orochimaru sorriu. – Mas a melhor parte disso tudo, Naruto-kun, é que trouxe o Ômega para fora da proteção das muralhas. Sabe, eu achei estranha toda aquela movimentação. Deveria ter desconfiado desde sempre quando minha vítima não estava no local em que a deixei. Foi você, não foi? Quem o tirou de lá.

Naruto se colocou entre o Alpha e o Ômega, a expressão séria no rosto enquanto as garras cresciam em suas mãos.

− Vá em frente, Kiba, encontre com ele. – As orelhas de raposa foram para trás enquanto Naruto olhava na direção do Alpha.

− Não vou te deixar aqui! Ele vai te matar!

− Escute seu amiguinho, raposinha. Você não tem a mínima chance contra mim.

− Kiba. – A essência do Beta espalhou-se pelo local. – Vá.

Kiba ficou dividido. Poderia mesmo abandoná-lo ali? Seu irmão?

− Confie em mim. – Naruto piscou.

− É melhor você não morrer, seu filho da puta! – Kiba bradou, correndo para passar por Orochimaru.

− Não brinque comigo, moleque! – Mas antes que Orochimaru fosse capaz de atacar Kiba, Naruto avançou contra ele, tomando sua atenção, as garras preparadas para atingir-lhe na jugular. – Pare de se achar!

Uma serpente saiu de dentro da manga da blusa de Orochimaru, chocando-se contra Naruto. Que se desfez.

− É melhor você não brincar comigo, seu pervertido! – Milhares de Narutos. Que partiam na direção de Orochimaru, confundindo-o, ganhando tempo. Enquanto um deles puxava Kiba pela mão, fazendo sinal para que ficassem em silêncio enquanto se afastavam.

− Seu filho da puta esperto!

Naruto sorriu. Podia ter aprendido um truque ou dois quando estava treinando com Jiraya.

− Isso não vai segurar ele pra sempre. Vocês precisam ir.

− Não vai ter problemas depois? – Kiba perguntou, receoso.

− Provavelmente. – Sorriu de canto. – Se cuida, irmãozinho.

− Você também.

Abraçaram-se brevemente, ouvindo a aproximação de Orochimaru que bradava as mais diversas maldições.

− E se ele tentar te matar?

− Ele não vai. – A voz grave chamou a atenção de Naruto e Kiba. Reconheceram Jiraya, as feições reptilianas de um sapo.

− Ero-sennin! – Naruto arregalou os olhos.

− Achei que precisaríamos de reforços. – Sasuke sorriu de canto. – Vá logo, Kiba, vamos retardá-lo para você.

− Não vai me impedir? – Kiba perguntou para Jiraya.

− Você tem o direito de escolher o seu destino, moleque. Sentiremos sua falta. – piscou.

Kiba segurou o choro e correu sem olhar para trás, sentindo-se grato por todas as amizades que havia feito.

Cause we gon’fight

Oh yes we gon’fight

Believe we gon’fight

We gon’fight for our right to love yeah

Não tiveram tempo para um reencontro bonito. Kiba apenas subiu no cavalo ao lado de Shino e foram embora, rumo ao deserto. Shibi os esperava na saída da floresta, entregando provisões. Ele e Shino se despediram brevemente e então seguiram caminho.

− Como ele sabia onde estaríamos? – perguntou quando já estavam longe demais para serem ouvidos.

− Meus kikaichuu o avisaram. Achei que seria injusto partir sem dizer adeus.

Kiba sentiu-se culpado. Afinal, não havia se despedido da mãe ou da irmã, mas no fundo sabia que elas entenderiam.

− O que faremos agora? – perguntou, um tanto incerto.

Shino estendeu uma das mãos para segurar a sua enquanto os cavalos seguiam em um ritmo mais lento. Logo os abandonariam para pegar camaleões que seguiriam muito melhor no deserto.

− Acho que em breve descobriremos.

Kiba acenou com a cabeça.

Pelo menos estariam juntos para enfrentar quaisquer desafios.

Extra 01:

Demorou um tempo até que se estabelecessem, após atravessarem o deserto. Chegaram a um pequeno vilarejo onde humanos e shifters viviam em paz, indicado por Jiraya. Kiba viu apenas muito depois, o bilhete escondido em suas vestes.

Lá, foram bem recebidos ao dizerem que conheciam o Alpha, construindo sua própria casa através do trabalho duro. Kiba descobriu não ser o único Ômega do mundo, muito embora sua casta fosse de uma raridade ímpar. Lá conheceu outra Ômega, Hinata, a quem logo se afeiçoou.

Meses depois, Jiraya havia aparecido com sua mãe e irmã que não fizeram cerimônia ao visitá-lo, dando-lhe bons puxões de orelha! Todavia, retornaram para a vila onde eram necessários.

Naruto e Sasuke também visitaram, agora viajando pelo mundo ao lado de Jiraya pois queriam aperfeiçoar aos próprias técnicas.

− Então ele foi preso? – Kiba caiu na gargalhada.

− E julgado. Descobriram que ele vinha assassinando humanos e se alimentando eles, além de incitar o ódio entre nossas espécies. – Naruto revelou. – E como tem sido as coisas com Shino?

− Acho que estamos indo bem. – Sorriu, levando uma das mãos ao ventre. Naruto arregalou os olhos.

− Sério mesmo que eu vou ser tio?!

Shh... eu ainda não contei pra ele. – riu baixinho.

− Parabéns, cara. – Olharam juntos o pôr-do-sol, contentes por saberem que ao menos aquela história havia tido um final feliz.

Extra 02:

O nascimento do pequeno hibrido aconteceu meses depois. Toda a família veio prestigiar o acontecimento, sendo bem recebidos pelos moradores da vila. Tsume trouxe mais novidades: finalmente os shifters de seu vilarejo começavam a tentar se relacionar com os humanos, sendo intermediados por ela e por Shibi, pais dos primeiros de sua espécie que haviam iniciado aquele contato. Descobriram que juntos podiam resolver muito mais problemas do que separados e foi uma ótima agregação! Claro que as coisas aconteciam aos poucos e muitos ajustes precisariam ser feitos, mas eles chegariam lá.

− Como vai chamá-la? – Tsume perguntou ao ver a pequena hibrida nos braços de Kiba. Não sabia dizer sua casta, era como se... não possuísse uma.

− Mirai. – murmurou ainda exausto. – Pois ela é o primeiro passo para o nosso futuro.

− Parabéns, moleques. – Tsume puxou Shino e Kiba para um abraço, contente porque, apesar de tudo, seu filho havia encontrado a verdadeira felicidade ao lado de quem amava.

Notas finais
Essa é a primeira vez que eu faço um M-preg! É só uma fic curta, é claro, mas a primeira de muitas! Adorei trabalhar com esse projeto, espero que vocês tenham curtido!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!