Don't Love Me - CIP

1 Capítulo Único - Don't Love Me


Outra vez Draco Malfoy estava lá, com os braços cruzados perante Hermione Granger depois de jurar a si mesmo mais de uma vez que jamais voltaria a colocar os pés naquela casa maldita. Ambos sentiam-se cansados não só pela longa discussão que os levou à aquele exato momento, mas por toda a situação em si.

A verdade era que... Os dois eram idiotas que agiam como crianças mesmo já beirando os trinta anos de idade, um querendo que o outro adivinhasse seus pensamentos.

Hermione deveria dizer que se sentia confusa quanto aos próprios sentimentos por ele e que não estava tentando enganar ninguém, pelo contrário, apenas não podia oferecer mais do que tinha para dar.

E Draco deveria dizer que se sentia muito inseguro por já ter tido seu coração partido, aliás mais de uma vez, e que precisava se afastar pelo menos por um tempo porque a presença de um novo amor tão mal correspondido era tóxica em sua vida. Porém as palavras que saíram de sua boca foram. “Essa conversa vai nos levar a algum lugar?”

“Por acaso alguma de nossas conversas já levou?”

“Ok, isso não vai dar certo. Vir aqui foi uma ideia idiota.” Ele constatou o óbvio em tom ríspido e com um olhar irritado.

“Definitivamente foi.” Ela sorriu, fingindo descaso. “É melhor ir embora.”

Malfoy descruzou os braços, arrumou a gravata e caminhou até a porta, mas quando esticou a mão para virar a maçaneta, Granger segurou seu pulso e o virou para si, prensando-o contra a madeira cara da porta e beijando os lábios cuja textura já conhecia tão bem.

Só era preciso uma fagulha para acender o fogo da luxúria entre os dois. Seus corpos se desejavam ardentemente, não havia maneira de controlar.

Draco inverteu as posições, prendendo-a na parede ao lado da porta. Logo sentiu mãos ágeis desabotoando sua camisa sem se darem ao trabalho de tirar a gravata primeiro.

“Transar agora é uma péssima ideia.” Sussurrou pressionando seus quadris, mostrando que seu membro começava a ficar rígido dentro da calça.

“E alguma vez não foi?” Hermione respondeu lhe tirando o cinto. “Só cala a boca e me deixa te sentir.”

Seria tão bom se seus sentimentos, pensamentos e anseios fossem tão conhecidos um do outro quanto seus corpos eram. Mas palavras não funcionavam tão bem naquela relação. O domínio era carnal, na cama misturavam-se como um só.

Quase sempre, depois do sexo Granger virava para o lado e dormia ou levantava para tomar um banho assim que sua respiração estabilizava. Daquela vez foi diferente. Permaneceu admirando o rosto de Malfoy enquanto acariciava de leve os cabelos loiros um pouco mais escuros que o normal por estarem molhados de suor.

Talvez isso o tenha dado a coragem tola parar dizer. “Eu te amo.”

Hermione comprimiu os lábios. Porém seus olhos denunciavam o que Draco já sabia há muito tempo. O sentimento que ela tinha por ele era verdadeiro, intenso. Mas não era amor.

Em silêncio, Malfoy se pôs de pé, recolheu suas roupas e começou a vesti-las, evitando olhar para a cama para não cair em prantos. Arrumou o cabelo o máximo que pôde com as mãos e caminhou até a porta.

“Eu nunca quis te machucar.” Ouviu assim que tocou a maçaneta.

Todo o esforço que ele fazia pra prender o choro não impediu uma lágrima teimosa de descer por sua bochecha ao responder. “Eu sei.”

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